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Literacia científica

Literacia científica (português europeu) ou Alfabetização científica (português brasileiro) são os conhecimentos necessários para que as pessoas possam tomar decisões, individuais e coletivas, com base em evidências científicas. Emergiu na década de 80 por necessidade da participação da população para o progresso econômico ocidental em apoiar projetos científicas e tecnológicas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/10/2026
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Definição

Não há consenso sobre a definição de alfabetização científica. Murgel reúne oito definições encontradas na literatura internacional para o termo "scientific literacy": Para Miller, a alfabetização científica apresenta três dimensões: Para Kolstø, alfabetização científica envolve tópicos que vão além do conteúdo conceitual: Para Chassot, ser alfabetizado cientificamente é “saber ler a linguagem em que está escrita a natureza”. Para Norris e Phillips, a alfabetização científica possui duas dimensões: senso fundamental e senso derivativo. Para Roberts, as pessoas apresentam duas visões opostas de alfabetização científica: Para Choi e colaboradores, a alfabetização científica é composta pelas dimensões: Para Valladares, as visões de Roberts são complementares, e a autora propõe ainda uma terceira visão de alfabetização científica: A Estrutura do PISA da OCDE (2015) define alfabetização científica como "a capacidade de se envolver com questões relacionadas à ciência, e com as ideias da ciência, como um cidadão reflexivo". Uma pessoa letrada cientificamente, portanto, está disposta a se envolver discurso fundamentado sobre ciência e tecnologia que requer as competências para:

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História

O conceito da Alfabetização Científica é contemporâneo e reflete a forma em que a sociedade entende e domina os princípios científicos básicos e sua utilização. De acordo com Costa, Ribeiro e Zompero, o conceito surgiu em 1950, a partir da publicação do livro "Science Literary: Ias Meaning for American Shcools", de autoria de Paul Hurd, quem utilizou pela primeira vez o termo "Scientific Literacy". Nos Estados Unidos, a frase "alfabetização científica" foi popularizada por Paul Hurd em 1958, quando ele acusou que o problema imediato na educação era "o de fechar a lacuna entre a riqueza do desempenho científico e a pobreza da alfabetização científica na América". Para Hurd, a rápida inovação em ciência e tecnologia exigia uma educação "apropriada para enfrentar os desafios de uma revolução científica emergente". Subjacente ao apelo de Hurd, estava a ideia de "que algum domínio da ciência é uma preparação essencial para a vida moderna".

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Alfabetização científica e suas dimensões

Segundo Costa, Ribeiro e Zompero, a Alfabetização Científica tem três dimensões independentes apresentadas por Miller (1983): o conhecimento de termos e conceitos científicos essenciais, uma compreensão sobre as normas e os métodos da ciência, e o entendimento sobre o impacto da tecnologia e da ciência sobre a sociedade. Ainda de acordo com o autor, conhecer, compreender e entender são ações fundamentais para um aluno ser considerado realmente alfabetizado. Desde o início das ideias pertinentes à AC, com a publicação da obra do professor Paul Hurd (1958), o olhar de alguns países europeus e norte-americanos começou a se modificar, o que deu início à sistematização dos conceitos e ao investimento maciço na AC. A importância do entendimento da perspectiva CTS, como antecipava Hurd, para o desenvolvimento cultural duma nação tornou-se essencial. Miller reforça que conhecer sobre a tecnologia e a ciência, seu processo, seus impactos no contexto social são o ponto de partida para os sujeitos alfabetizados cientificamente.

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Ciência, sociedade e meio ambiente

A interdependência dos humanos e do nosso ambiente natural está no cerne da alfabetização científica nos sistemas da Terra. A alfabetização em ciências da Terra é um dos tipos de alfabetização definidos para os sistemas da Terra; as qualidades de uma pessoa alfabetizada em ciências da Terra são representativas das qualidades de todas as definições de alfabetização dos sistemas da Terra. De acordo com a Iniciativa de Alfabetização em Ciências da Terra, uma pessoa alfabetizada em ciências da Terra: Todos os tipos de alfabetização nos sistemas da Terra têm uma definição como a acima. A alfabetização oceânica é ainda definida como "compreender o nosso impacto no oceano e o impacto do oceano sobre nós". Da mesma forma, o website sobre literacia climática inclui um princípio orientador para a tomada de decisões: "os seres humanos podem tomar medidas para reduzir as alterações climáticas e os seus impactos". Cada tipo de alfabetização em sistemas da Terra define então os conceitos que os alunos devem compreender após se formarem no ensino médio. Os atuais esforços educativos na alfabetização dos sistemas da Terra tendem a se concentrar mais nos conceitos científicos do que no aspecto da tomada de decisões da alfabetização, mas a ação ambiental permanece como um objetivo declarado.

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Atitudes como parte da alfabetização científica

As atitudes em relação à ciência podem ter um efeito significativo na alfabetização científica. Na teoria da educação, a compreensão do conteúdo está no domínio cognitivo, enquanto as atitudes estão no domínio afetivo. Assim, atitudes negativas, como o medo da ciência, podem atuar como um filtro afetivo e um impedimento à compreensão e aos objetivos futuros de aprendizagem. Nos Estados Unidos, sabe-se que as atitudes dos alunos em relação às ciências diminuem a partir da quarta série e continuam a diminuir durante o ensino fundamental e médio. Este início de sentimentos negativos em relação à ciência decorre de uma maior ênfase dada às notas. Os alunos começam a sentir que estão conseguindo menos, o que os faz perder a motivação na sala de aula e a participação dos alunos diminui. Está bem documentado que os alunos que mantêm alta motivação para aprender terão uma atitude mais positiva em relação ao assunto. Estudos sobre as atitudes de estudantes universitários em relação ao aprendizado de física sugerem que essas atitudes podem ser divididas nas categorias de conexões com o mundo real, conexões pessoais, conexões conceituais, esforço do aluno e resolução de problemas.

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Promoção e mensuração

Os defensores da alfabetização científica tendem a se concentrar no que é aprendido quando o aluno termina o ensino médio. A alfabetização científica sempre foi um elemento importante do movimento de padrões na educação. Todos os documentos de alfabetização científica dos Estados Unidos foram elaborados com a intenção explícita de influenciar os padrões educacionais, como um meio de impulsionar o currículo, o ensino, a avaliação e, em última análise, a aprendizagem em todo o país. Além disso, a alfabetização científica fornece uma base importante para a tomada de decisões sociais informadas. A ciência é um processo humano realizado em um contexto social, o que a torna relevante como parte da nossa educação científica. Para que as pessoas tomem decisões baseadas em evidências, todos devem procurar melhorar a sua literacia científica. Pesquisas relevantes sugeriram maneiras de promover a alfabetização científica para os alunos de forma mais eficiente. São vários os programas para promover a alfabetização científica entre os estudantes, incluindo vários programas patrocinados por empresas de tecnologia, bem como competições e feiras de ciências.

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Popularização da Ciência

De acordo com Sabbatini, "a alfabetização científica (ou letramento científico) se define como o nível mínimo de compreensão em ciência e tecnologia que as pessoas devem ter para operar a nível básico como cidadãos e consumidores na sociedade tecnológica" (MUELLER apud SABBATINI, 2004, p.2). O século XXI exibe muitos avanços científicos para a sociedade, contudo, é evidente que grande parte destes benefícios são acessados por uma pequena parcela da população. Por conta desse contexto, diversas práticas e discursos acadêmicos na área de comunicação debatem a necessidade de uma popularização da ciência e da tecnologia. Segundo Mueller (2004), o processo de transposição das ideias de textos científicos para meios de comunicação é denominada popularização da ciência. A autora indica que a preocupação com o tópico surge da ideia de que a ignorância de fatos básicos da ciência produz cidadãos ingênuos, que podem facilmente acreditar em pseudo-ciências e desinformação.

Evolução dos conceitos

Em uma revisão sistemática da literatura sobre popularização da ciência, Piccoli e Stecanela (2023) elaboraram a seguinte organização dos conceitos relacionados à comunicação da ciência:

Modelos de comunicação da ciência

Brossard e Lewenstein (2010) trazem a ideia de que o entendimento público da ciência é central para a formulação de políticas públicas relacionadas a conceitos científicos complexos. Os modelos para realizar isso empiricamente evoluiram de diversas maneiras, partindo de um modelo de "déficit cognitivo" e uma disseminação linear e hierárquica de conhecimento até modelos que levam em consideração os saberes leigos, o engajamento público e a participação da sociedade nas políticas públicas de ciência e tecnologia. O modelo inicial ocorre quando pesquisadores percebem um público carente de conhecimento, atitude e confiança na ciência. Para Lewenstein (2003), são quatro modelos: déficit, contextual, expertise leiga e democrático.

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Alfabetização e Letramento

O conceito aqui referido como alfabetização científica em português brasileiro pode ser designado por outros termos. Dentre eles, a principal disputa de termos se dá entre alfabetização científica e letramento científico. Embora alguns autores utilizem as expressões de forma intercambiável, parte da produção teórica estabelece distinções conceituais baseadas em raízes linguísticas e pedagógicas. A definição desses termos é central no ensino de ciências, sendo frequentemente apontada como o principal objetivo educacional da área, embora ainda não haja um consenso universal sobre sua delimitação teórica.

Etimologia e distinções conceituais

A dualidade terminológica no Brasil deriva das múltiplas interpretações da palavra inglesa literacy. Segundo Miller (1983) e Norris e Phillips (2003), o termo comporta dois significados fundamentais que se alinham às definições semânticas de alfabetização e letramento no português: Historicamente, o termo "letramento" só foi introduzido no vocabulário educacional brasileiro em meados da década de 1980. Em suas obras fundamentais da década de 1960, como Educação como Prática da Liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1968), Paulo Freire propôs uma visão de alfabetização que transcendia a decodificação de letras. Para Freire, o processo de alfabetizar é um ato de conscientização e "leitura do mundo". Dessa forma, especialistas como Magda Soares (2009) argumentam que a ressignificação crítica da palavra "alfabetização" proposta por Freire criou a necessidade linguística de uma nova palavra para diferenciar o sujeito que apenas domina a técnica daquele que utiliza a linguagem para o pensamento crítico.

Implicações no Ensino de Ciências

Do ponto de vista pedagógico, a distinção entre alfabetização científica e letramento científico não é meramente terminológica, mas estrutural. A adoção de um ou outro termo como norteador implica em diferentes abordagens: A diferenciação entre o domínio da técnica (alfabetizado) e a participação em práticas sociais científicas (letrado) é vista por pesquisadores como o espaço onde reside o potencial emancipatório do conhecimento científico.

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