Superpotência emergente
Uma superpotência emergente é um país ou grupo de países, como a União Europeia, que demonstra um potencial significativo (político, econômico ou militar) para se tornar uma superpotência no futuro. Este conceito abrange nações com capacidade de influenciar o cenário global de forma decisiva.
Pontos-chave
- Superpotências emergentes são países ou blocos com potencial para se tornarem superpotências globais.
- Brasil, China, Índia e Rússia são exemplos de superpotências emergentes (BRICS).
- A União Europeia é considerada uma superpotência emergente, apesar de sua natureza não-estatal unificada.
- Fatores como economia, população, recursos naturais e poder militar são cruciais para essa classificação.
- Desafios internos, como burocracia, corrupção e questões sociais, podem frear o desenvolvimento dessas potências.
O Brasil é considerado uma superpotência emergente devido ao seu grande contingente populacional e ao crescimento econômico sustentado desde o Plano Real. A partir de 2001, com a criação do acrônimo BRIC, o país ganhou destaque no cenário mundial, atraindo investimentos. Atualmente, é a 12ª maior economia do mundo por PIB nominal e a 8ª por paridade do poder de compra. Em 2008, seu PIB real atingiu US$ 2,030 trilhões, superando países como Canadá, Itália e Reino Unido. O Brasil detém as maiores bacias de água doce do mundo, a 9ª maior reserva de petróleo (após a confirmação do pré-sal em 2007) e possui reservas econômicas internacionais de US$ 335 bilhões. O real se consolidou como moeda forte na América Latina, e o país é um dos maiores fomentadores de atividades em continentes americano e africano, através do BNDES e de empresas.
Desafios para o Crescimento Brasileiro
Diversos fatores podem impedir o pleno desenvolvimento do Brasil, como a burocracia excessiva e a alta tributação sobre a população de média e baixa renda. O país enfrenta problemas na qualidade da educação, infraestrutura insatisfatória, acentuadas diferenças regionais e alta concentração de renda. Além disso, a corrupção política e a violência são grandes desafios que exigem políticas sociais mais eficazes. No ranking de burocracia do Banco Mundial, o Brasil ocupava o 116º lugar entre 189 países, afastando potenciais investidores. A política intervencionista do governo também se reflete em posições desfavoráveis no ranking de liberdade econômica, incompatíveis com uma superpotência.
A China é amplamente vista como uma superpotência emergente, impulsionada por sua vasta população (1,344 bilhão de habitantes), extenso território rico em recursos naturais e o rápido aumento de seus gastos e capacidades econômicas e militares. Contudo, ainda precisa superar desafios socioeconômicos, políticos e demográficos para consolidar sua posição. Embora não tenha a mesma influência global dos Estados Unidos ou da antiga União Soviética, é reconhecida como um poder regional no Leste Asiático e uma grande potência. Sua economia é a maior do mundo por PIB em Paridade de Poder de Compra, estimada em US$ 23,1 trilhões em 2017. Desde 1979, a China experimentou um crescimento econômico notável, com o PIB crescendo em média 9,3% entre 1979 e 2002, impulsionado principalmente pelo gigantesco aumento das exportações.
Obstáculos ao Poder Chinês
Como um Estado comunista com um único partido no comando, a China carece de mecanismos democráticos e transparência política. A perseguição a opositores, a censura jornalística e a repressão a manifestações populares geram instabilidade política. A falta de liberdade política é um fator crítico. Embora tenha implementado reformas econômicas desde 1979, adotando perspectivas práticas e reduzindo o papel da ideologia, o que se observa é um capitalismo de Estado em larga escala, onde o governo tem um papel significativo na economia, aumentando as chances de corrupção. O desemprego aumentou em períodos de reestruturação de empresas estatais, e uma grande expansão imobiliária no início do século levou a um rápido aumento dos preços.
A Índia é geralmente considerada uma superpotência emergente devido à sua grande e estável população, e ao rápido crescimento de seus setores econômicos e militares. O país atrai investimentos em tecnologia e profissionalização da mão de obra, além de sua forte tradição em Ciências Exatas. No entanto, enfrenta diversos problemas econômicos, políticos e sociais que precisam ser superados para alcançar o status de superpotência. Sua influência mundial ainda é limitada em comparação a países como os Estados Unidos. Assim como o Brasil, a Índia é vista como uma potência emergente. Apesar da variação no crescimento do PIB, a economia indiana tem crescido consistentemente acima de 5% desde 1991, e antes disso, geralmente acima de 3,5% desde a recessão de 1979.
A Rússia é considerada uma superpotência emergente devido ao seu grande poder militar. Durante a Guerra Fria, foi uma superpotência como União Soviética, mas entrou em declínio anos depois. Atualmente, a Rússia está em processo de enriquecimento, fazendo parte das economias BRICS. A Federação Russa possui o maior território do mundo, com um subsolo rico em recursos naturais e energéticos como petróleo, carvão, cobre, ferro, ouro e zinco, sendo considerada uma Superpotência energética. Herdeira da maior parte do parque industrial da extinta URSS, é uma grande produtora de diversos produtos. Militarmente, é um dos países mais poderosos, possuindo o maior número de ogivas nucleares do mundo. Contudo, enfrenta desafios como o envelhecimento populacional e uma economia cada vez mais dependente das exportações de petróleo.
A União Europeia (UE) é composta por 27 estados soberanos que, a partir de um núcleo de seis membros fundadores na década de 1950, construíram a maior união aduaneira multinacional do mundo. É frequentemente vista como os 'Estados Unidos nascentes da Europa'. Os membros da UE transferiram uma soberania considerável para o bloco, mais do que para qualquer outra organização regional não soberana, assumindo em certas áreas o caráter de federação ou confederação. A UE tem sido designada como 'superpotência emergente' por diversos acadêmicos e políticos, como T. R. Reid, Andrew Reding, Romano Prodi e Tony Blair, que acreditam que ela é ou se tornará uma superpotência no século XXI. Há debates sobre se a UE já alcançou essa posição, dada sua integração fragmentada. Embora o pensamento convencional sugira que a UE não pode ser uma superpotência por não ser um estado unificado e carecer de forças armadas unificadas, argumenta-se que nem a integração política nem o poder militar são estritamente necessários para que a União Europeia exerça influência internacional como uma superpotência tradicional.


