Igor Girkin
Igor Vsevolodovich Girkin, também conhecido pelo pseudônimo Igor Ivanovich Strelkov, é um veterano do exército russo e antigo funcionário do Serviço Federal de Segurança (FSB) que teve um papel central na Anexação da Crimeia pela Federação Russa, e mais tarde na Guerra em Donbas, como um organizador de grupos militantes na República Popular de Donetsk. Girkin liderou um grupo de militantes na Ucrânia, onde ele participou do Cerco a Sloviansk. Durante a batalha ele aumentou sua influência e se tornou o comandante militar de facto de todas forças separatistas na região do Donbas, situação confirmada pelo Primeiro-Ministro da República Popular de Donetsk Alexander Borodai, o qual o nomeou oficialmente Ministro da Defesa.
A mídia russa identificou Girkin como um oficial da reserva militar russa que expressou visões linha-dura sobre a eliminação daqueles percebidos como inimigos do Estado russo e lutou junto aos grupos pró-Federação Russa nas campanhas contra-separatistas na Chechênia e a grupos separatistas pró-Moscou no conflito da região separatista da Moldávia, a Transnístria. De acordo com várias fontes, Girkin participou na Guerra da Bósnia como um voluntário ao lado dos sérvios, e na Chechênia como um mercenário contratado.[nota 1] Em 1999, Girkin publicou suas memórias sobre a participação no conflito na Bósnia e em Herzegovina. Em 2014, ele foi acusado pelo centro de mídia bósnio Klix.ba e por um oficial aposentado do Exército Bósnio de estar envolvido no Massacre de Višegrad, no qual milhares de civis foram mortos em 1992. A BBC noticiou que Girkin pode ter trabalhado para o FSB da Rússia em uma unidade de contra-terrorismo, citando especialistas militares russos. De acordo com a mídia russa, ele trabalhou como funcionário do FSB e seu último serviço antes de se aposentar foi junto ao Diretório de Combate ao Terrorismo Internacional do FSB.
Em Julho de 2014, o portal de notícias Mashable relatou ter encontrado ordens de execução três dias antes para Slavov e Lukyanov no quartel-general abandonado de Girkin em Sloviansk. As ordens foram assinadas com "Strelkov" com o nome Girkin Igor Vsevolodovich impresso abaixo. Também sentenciado a morte foi Alexei Pichko, um civil que foi flagrado roubando duas camisetas e um par de calças de uma casa abandonada de seu vizinho; de acordo com uma história não-confirmada, seu corpo foi abandonado na linha de frente "depois que ele foi executado". No dia 24 de Julho, autoridades ucranianas exumaram vários cadáveres de uma vala comum na região de um hospital infantil próximo ao cemitério judaico de Sloviansk, o qual continha até 20 corpos de executados sob ordens de Girkin. Entre as vítimas identificadas estavam quatro protestantes ucranianos, os quais foram identificados pela polícia e locais como tendo sido raptados no dia 8 de Junho após participarem de um culto em sua igreja, falsamente acusados de auxiliar o Exército Ucraniano e executados no dia seguinte.
Crimeia
Girkin foi um dos maiores comandantes da "auto-defesa russa" na Crise da Crimeia de 2014. Em uma entrevista de 22 de Janeiro de 2015, ele explicou que o "acachapante apoio nacional à auto-defesa" como retratado pela mídia russa era ficção, e a maioria das agências de lei, a administração e o exército estavam em oposição à auto-defesa, na realidade. Girkin afirmou que sob seu comando, os rebeldes "coletavam" deputados nas Câmaras e tinham que "forçadamente levar os deputados a votar [favoravelmente a se juntar à Rússia]". Eu estava no comando da única unidade da milícia da Crimeia, a companhia Spetsnaz que levou a cabo missões de combate. Mas após o combate pela base cartográfica em que morreram duas pessoas (eu era o comandante dessa batalha), a companhia se dispersou e seus membros partiram.
Cerco de Sloviansk
No fim das contas, eu apertei o gatilho que iniciou a guerra. Se nosso esquadrão não tivesse cruzado a fronteira, no fim das contas tudo teria findado como aconteceu em Kharkiv ou em Odessa. Praticamente, a engrenagem da guerra que gira até agora foi acionada pelo nosso esquadrão. E eu possuo responsabilidade pessoal pelo que está acontecendo lá — Igor Girkin, Jornal "Zavtra", 20 de Novembro de 2014 De acordo com Girkin, o chefe do recém-instituido governo russo na Criméa, Sergey Aksyonov, pediu a ele que lidasse com as províncias setentrionais. Em 12 de Abril de 2014, Girkin liderou um grupo de militantes que tomaram os prédios dos escritórios do comitê executivo, do Departamento de Polícia e do Serviço de Segurança da Ucrânia em Sloviansk. Girkin alegou que a milícia foi formada na Crimeia e consistia de voluntários da Rússia, Crimeia e também de outras regiões da Ucrânia (Vinnitsa, Zhitomir, Kyiv), além de muitas pessoas de Donetsk e Lugansk. De acordo com ele, dois terços eram cidadãos ucranianos.
Alegações de sabotagem e terrorismo
Em 15 de Abril, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) iniciou um processo criminal contra "Igor Strelkov". Ele foi descrito como um recrutador e líder de sabotadores "armados" e organizador principal do "terror" no Raion de Sloviansk (distrito) ucraniano (incluindo uma emboscada que matou um e feriu três agentes do SBU), que coordenou a tomada militar pelo russos de unidades ucranianas na Crimeia durante a Crise da Crimeia de 2014 em Março, após cruzar a fronteira russo-ucranina em Simferopol em 26 de Fevereiro.[carece de fontes?] Na Crimeia, relatou-se que Girkin foi instrumental na negociação da deserção do comandante da Marinha Ucraniana, Denis Berezovsky. No dia seguinte (16 de Abril), ele alegadamente tentou recrutar soldados ucranianos capturados na entrada de Kramatorsk.
Envolvimento em sequestros e assassinatos
O governo ucraniano alega que Girking esteve por trás dos sequestro, tortura e assassinato do político ucraniano Volodymyr Ivanovych Rybak e do estudante universitário de 19 anos Yury Popravko, ocorridos em 17 de Abril de 2014. O sequestro de Rybak por um grupo de homens em Horlivka foi gravado em câmera. O SBU divulgou frações de chamadas interceptadas nas quais um outro cidadão russo, o suposto oficial do GRU e subordinado de Girkin, Igor Bezler, ordena que Rybak seja "neutralizado", e uma conversa subsequente na qual "Strelkov" é ouvido instruindo Vyacheslav Ponomarev a se livrar do corpo de Rybak, o qual "jaz aqui [no porão do quartel-general separatista em Sloviansk] e está começando a feder".
Funcionário da República Popular de Donetsk
Eu não me preocupo em absoluto com o direito internacional, porque ele é um instrumento na mão dos vitoriosos. Se nós formos derrotados, então isso quer dizer que as normas da lei serão utilizadas contra mim. — Igor Strelkov, "Radio-KP", 18 de janeiro de 2016 Durante o final de semana de 26-27 de Abril, o líder político da entidade separatista República Popular de Donetsk, Alexander Borodai, cidadão russo de Moscou e um amigo de longa data de Girkin, cedeu controle de todas tropas separatistas em toda a região de Donetsk a Girkin. No dia 26 de Abril, "Strelkov" fez sua primeira aparição pública quando ele deu uma entrevista em vídeo ao "Komsomolskaya Pravda" onde ele confirmou que sua milícia em Sloviansk era originária da Crimeia. Ele não disse nada sobre o seu próprio passado, negou ter recebido armas ou munição da Rússia, e anunciou que sua milícia não liberaria os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa que havia feito reféns a menos que o ativistas pró-russos fossem previamente liberados pelo governo ucraniano. No dia 28 de Abril, a União Européia sancionou "Igor Strelkov" como um membro do GRU que se acreditava ser um coordenador de ações armadas e assistente de segurança de Sergey Aksyonov, na Crimeia. Em 29 de Abriel, Girkin indicou um novo chefe de polícia para Kramatorsk. Em 12 de Maio, "Eu, Strelkov", declarou ele mesmo "Supremo Comandante da República Popular de Donetsk" e de todas suas "unidades militares, de segurança, de fiscalização, de polícia, de fronteira, promotoria e outras estruturas paramilitares" .
Perda de Sloviansk
Na noite de 4 para 5 de Julho, durante uma ofensisva de larga escala das forças militares ucranianas após o fim de um cessar-fogo de 10 dias (término ocorrido no dia 30 de Junho), Girkin e seus militantes fugiram de Sloviansk, cidade que foi então capturada pelas forças ucranianas, findando a ocupação separatista da cidade que tinha se iniciado no dia 6 de Abril. Pouco antes disso, um vídeo foi postado no YouTube no qual Girkin desesperadamente pedia ajuda militar da Rússia à "Novorossiya" ("Nova Rússia", um nome histórico para a o sudeste ucraniano particularmente popular entre os separatistas) e também alega que Sloviansk "cairá mais rápido que o resto"
Em final de Abril de 2014, "Strelkov" foi identificado pela inteligência ucraniana como o Coronel Igor Girkin, registrado como um residente de Moscou. Jornalistas em visita ao apartamento onde supostamente ele vivia com sua mãe, irmã, assim como com sua ex-esposa e dois filhos, foram informados pelos vizinhos que um "carro chique preto" tinha naquela mesma manhã passado para pegar a mulher que vivia lá. Os vizinhos também o descreveram como alguém "educado" e tranquilo, e o conheciam por dois sobrenomes, Girkin e Strelkov. Girkin é um conhecido fã de reencenações militares históricas e participou de várias ligadas a vários períodos da História russa e internacional, mas com especial atenção à Guerra Civil Russa, na qual ele costuma assumir o papel de um oficial do Exército Branco. Seu ídolo pessoal e modelo é o general da Guarda Branca Mikhail Drozdovsky, morto em uma batalha com o Exército Vermelho em 1919. De acordo com o The New York Times, sua rigidez ideológica precede qualquer conexão que ele tenha tido com os serviços de segurança russos, remetendo até ao menos à sua época na Universidade Estatal Russa de Humanidades. Lá, o Senhor Strelkov era um obcecado com história militar e se juntou a um pequeno mas barulhento grupo de estudantes que defendiam o retorno à monarquia."


