Alexandr Dugin
Alexandr Dugin é um influente cientista político e filósofo russo, frequentemente citado como uma inspiração para as ideias do presidente Vladimir Putin, embora a extensão de sua influência seja debatida. Suas teorias abrangem desde o eurasianismo até críticas ao liberalismo ocidental, moldando parte do pensamento geopolítico contemporâneo da Rússia.
Pontos-chave
- Dugin é um cientista político e filósofo russo, apontado como inspiração para Vladimir Putin.
- Ele defende o eurasianismo, buscando a unificação de povos de língua russa e um império euro-asiático.
- Crítico ferrenho do liberalismo e da hegemonia ocidental, especialmente dos EUA.
- Suas ideias têm raízes em tradições de extrema-direita, como o nazismo esotérico e o perenialismo.
- Dugin mantém relações e promove palestras no Brasil, onde tem seguidores e interesse pela cultura local.
Dugin nasceu em Moscou, filho de um coronel-general da inteligência militar soviética. Sua formação acadêmica inclui mestrado em filosofia e doutorados em sociologia e ciências políticas. Nos anos 80, participou de grupos dissidentes e ocultistas, adotando um alter ego ligado ao nazismo, que ele via como rebelião contra o sistema soviético. Autodidata, aprendeu vários idiomas e se aprofundou nos escritos da Escola Perenialista.
Relações e Influência no Brasil
Desde 2012, Dugin tem realizado palestras no Brasil, incluindo na UERJ e USP, e faz visitas periódicas, cultivando seguidores de suas teorias. Sua popularidade no país foi impulsionada por um debate com o escritor Olavo de Carvalho, que foi publicado em livro. Dugin demonstra grande interesse pela cultura brasileira, sendo fluente em português e apreciando autores como Vinícius de Moraes, Ariano Suassuna e Vicente Ferreira da Silva.
Carreira e Visões Políticas Iniciais
Na década de 1980, Dugin era um dissidente anticomunista e jornalista. Antes da queda do comunismo, ele se envolveu na política, unindo-se ao grupo ultranacionalista Pamyat em 1988, que mais tarde influenciaria o fascismo russo. Ele também contribuiu para o programa político do Partido Comunista da Federação Russa. Em 1997, publicou 'Fundamentos da Geopolítica', obra que se tornou um livro-texto na Academia do Estado-Maior General russo e gerou alarme entre cientistas políticos nos EUA, sendo por vezes chamada de 'Destino Manifesto da Rússia'. No mesmo ano, seu artigo 'Fascismo — Sem Fronteiras e Vermelho' anunciava a chegada de um 'fascismo genuíno, verdadeiro, radicalmente revolucionário e consistente' na Rússia. Dugin defende que os aspectos racistas do nacional-socialismo foram 'exclusivamente dos alemães', e que o fascismo russo combina 'conservadorismo nacional natural com um desejo apaixonado por mudanças verdadeiras', elogiando a Waffen-SS e a Ahnenerbe como 'oásis intelectuais'.
Participação em Partidos Políticos
Em abril de 2001, Dugin fundou o Partido Eurásia, que promove ideias neo-eurasianistas. O partido foi oficialmente reconhecido em maio de 2001 e Dugin afirmou que ele enfatizaria a diversidade cultural russa, opondo-se à 'globalização ao estilo americano', ao comunismo e ao nacionalismo. O Partido Eurásia alega ter apoio de militares e líderes ortodoxos, e busca um papel na resolução do problema checheno, visando uma aliança estratégica da Rússia com estados europeus e do Oriente Médio, como o Irã. Em 2005, Dugin criou a União da Juventude Eurasiana da Rússia como a ala jovem do Movimento Internacional da Eurásia.
Editor-chefe da Tsargrad TV
Alexandr Dugin foi nomeado editor-chefe da Tsargrad TV pelo empresário Konstantin Malofeev logo após a fundação da emissora. Sua filha, Darya, também atuou como comentarista na TV, e ambos eram defensores da invasão da Ucrânia pela Rússia.
As ideias de Dugin são marcadas por uma forte oposição ao liberalismo e à hegemonia ocidental, especialmente dos EUA. Ele se declara conservador e defende um Estado forte, valores tradicionais e a importância da religião. Sua filosofia é descrita como um amálgama de ideologias de extrema-direita, incluindo nazismo esotérico, tradicionalismo, perenialismo, a revolução conservadora alemã e a nova direita europeia.
Ideologia: Antiliberalismo e Conservadorismo
Dugin expressa forte desaprovação pelo liberalismo e pelo Ocidente, particularmente pela hegemonia dos Estados Unidos. Ele afirma estar 'do lado de Stalin e da União Soviética', e se autodenomina conservador, defendendo um 'Estado forte e sólido, ordem e família sã, valores positivos, o reforço da importância da religião e da Igreja na sociedade'. Ele também advoga por uma mídia que 'expresse os interesses nacionais'. A cientista política Marlène Laruelle descreve o pensamento de Dugin como um 'fascismo à russa', estruturado em círculos concêntricos de ideologias de extrema-direita, como nazismo esotérico, tradicionalismo, perenialismo, a revolução conservadora alemã e a nova direita europeia.
Geopolítica: O Império Euro-Asiático
Dugin defende pontos de vista fascistas e teoriza a fundação de um 'império euro-asiático' para contrapor o mundo ocidental liderado pelos Estados Unidos. Ele foi um dos organizadores e o primeiro líder do Partido Bolchevique Nacional (1993-1998, com Eduard Limonov), e posteriormente da Frente Bolchevique Nacional e do Partido da Eurásia. Sua ideologia eurasiana visa unificar todos os povos de língua russa em um único país, através do desmembramento territorial forçado das ex-repúblicas soviéticas. No início dos anos 90, Dugin pesquisou as raízes de movimentos nacionais e apoiou grupos esotéricos, colaborando com Christian Bouchet para aproximar a política internacional da geopolítica russa.
Igreja Ortodoxa e Neopaganismo Eslavo
Dugin foi batizado na Igreja Ortodoxa Russa em Michurinsk aos seis anos. Desde 1999, ele formalmente aderiu a um ramo dos 'Velhos Crentes', um movimento religioso russo que rejeitou as reformas da Igreja Ortodoxa Russa oficial entre 1652 e 1666. A filosofia eurasiana de Dugin é profundamente influenciada pelo Integralismo Tradicional e pelos movimentos da Nova Direita, ressoando com o Neopaganismo, especificamente o movimento da Fé Nativa Eslava (Rodnovery), em suas formas de Anastasianismo e Ynglismo. O eurasianismo de Dugin é frequentemente associado a esses movimentos e também incorpora influências de tradições herméticas, gnósticas e orientais. Ele próprio defende a confiança na 'teologia oriental e nas correntes místicas' para o desenvolvimento da Quarta Teoria Política.
Alexandr Dugin tem sido figura central em diversas controvérsias, especialmente relacionadas à sua postura sobre a Ucrânia e suas conexões com grupos radicais internacionais. Suas declarações inflamadas e a retórica sobre a 'quinta coluna' geraram debates e até levaram à sua demissão de um cargo universitário.
Posicionamento sobre a Ucrânia
Dugin apoia a política externa de Putin, mas critica suas políticas econômicas. Sua declaração de 2007, 'Não há mais oponentes do curso de Putin e, se houver, eles estão mentalmente doentes e precisam ser enviados para exames clínicos. Putin está em toda parte, Putin é tudo, Putin é absoluto e Putin é indispensável', foi amplamente citada. No Kremlin, Dugin representa o 'partido da guerra' em relação à Ucrânia. Ele é considerado um dos autores da iniciativa de Putin para a anexação da Crimeia e defendeu a intervenção russa na Guerra do Donbass, afirmando que 'A Renascença russa só pode parar em Kiev'.
Relações com Grupos Radicais Internacionais
Em 1990, Dugin estabeleceu contato com o pensador francês de extrema-direita Alain de Benoist, e também com os belgas Jean-François Thiriart e Yves Lacoste. Em 1992, ele convidou figuras da extrema-direita europeia para a Rússia. Ele também trouxe membros do Jobbik (Hungria) e do Aurora Dourada (Grécia) para a Rússia, visando fortalecer laços. Segundo o livro 'War for Eternity' de Benjamin R. Teitelbaum, Dugin se encontrou com Steve Bannon em Roma, em 2018, para discutir geopolítica e temas da escola perenialista.
A Retórica da 'Quinta Coluna'
Dugin frequentemente utiliza a retórica da 'quinta coluna' para acusações políticas, descrevendo-os como agentes estrangeiros. Em uma entrevista de 2014, ele afirmou que a Europa é 'dominada e governada pela quinta coluna em pleno andamento', referindo-se a 'essa mesma gentalha americana'. Ele vê os Estados Unidos como o 'padrinho' por trás da quinta coluna russa, financiando e orientando-os através da embaixada americana, o que, segundo ele, os torna eficazes e impunes.
Perda de Cargo Universitário
Durante o conflito na Ucrânia, Dugin perdeu o cargo de Chefe do Departamento de Sociologia das Relações Internacionais da Faculdade de Sociologia da Universidade Estadual de Moscou (onde era Vice-Chefe desde 2009). Em 2014, uma petição com mais de 10.000 assinaturas exigiu sua demissão após uma entrevista em que ele, referindo-se aos ativistas pró-russos queimados em Odessa em 2 de maio de 2014, disse: 'Mas o que vemos no dia 2 de maio está além de qualquer limite. Mate-os, mate-os, mate-os. Não deveria haver mais conversas. Como professor, considero isso'. Embora ele se referisse aos 'perpetradores da ilegalidade', a mídia interpretou como um chamado para matar ucranianos. Dugin afirmou ter sido demitido, mas a universidade alegou que a oferta do cargo de chefe de departamento foi um erro técnico e cancelada, e que ele permaneceria como professor e vice-chefe de departamento até setembro de 2014. Dugin, no entanto, apresentou sua renúncia, não sendo mais membro do corpo docente ou da equipe da MSU.
Alexandr Dugin é autor de diversas obras, algumas das quais foram publicadas pela Arktos Media, uma editora anglo-saxã especializada em livros sobre perenialismo e a Nouvelle Droite.


