Pesquisa · Mapa mental

Contraofensiva ucraniana de 2023

A contraofensiva ucraniana de 2023 foi uma larga contraofensiva militar lançada pelas Forças Armadas da Ucrânia contra posições russas nos oblasts de Donetsk, Quérson e Zaporíjia, no sul e leste da Ucrânia, no âmbito da invasão da Ucrânia pela Rússia de 2022.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
01

Antecedentes

Durante a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, que começou em 24 de fevereiro de 2022, as forças russas conseguiram ocupar as regiões do sudeste da Ucrânia, cortando o acesso da Ucrânia ao Mar de Azove e estabelecendo um corredor terrestre para a Crimeia, que foi anexada pela Rússia em 2014, criando uma segunda linha logística para as tropas russas na Crimeia, além da ponte da Crimeia. Após as contraofensivas de Quérson e Carcóvia no final de 2022, os combates nas linhas de frente estagnaram em grande parte, com os combates concentrados principalmente na cidade de Bakhmut durante o primeiro semestre de 2023. Enquanto isso, a Rússia construiu linhas defensivas de mais de 800 km como preparação para uma contraofensiva ucraniana, a principal denominada pela mídia como "Linha Surovikin".

02

Prelúdio

Nos dias que antecederam a contraofensiva ucraniana, as Forças Armadas da Ucrânia realizaram "operações de preparação" para testar as defesas russas nos territórios ocupados da Ucrânia. Em 3 de junho de 2023, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, afirmou que a Ucrânia estava pronta para lançar uma contraofensiva. No dia seguinte, autoridades ucranianas declararam um "silêncio operacional" para não comprometer as operações militares. Em 6 de junho, a represa de Kakhovka foi rompida, causando inundações em áreas ao redor do rio Dnipro e reduzindo o abastecimento de água para a Crimeia. Conforme a contraofensiva começou, as Forças Armadas Russas bombardearam Quérson, onde os socorristas estavam evacuando os moradores afetados pelas inundações.

Operações pré-contraofensiva

A partir de 3 de junho, a 37.ª Brigada de Fuzileiros Navais da Ucrânia iniciou uma ação ofensiva lenta, porém consistente, ao redor do assentamento da linha de frente de Novodonetske, no Oblast de Donetsk. Sem apoio blindado, os fuzileiros navais conseguiram repelir o Batalhão Vostok da milícia popular da RPD, principalmente por meio do uso de artilharia. O avanço ucraniano foi ainda auxiliado pelo uso de veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) para transportar rapidamente os fuzileiros navais para a linha de frente e, em seguida, retirá-los do alcance da artilharia russa. A Ucrânia obteve mais avanços táticos limitados em 4 de junho, no oeste do Oblast de Donetsk e leste do Oblast de Zaporíjia, incluindo o nordeste de Rivnopil.

03

Baixas

Em 14 de junho, autoridades ocidentais disseram que a Ucrânia estava sofrendo baixas significativas em sua abordagem às principais linhas de defesa russas, observando que tais perdas não eram inesperadas para as forças atacantes. O General de brigada ucraniano Oleksandr Tarnavskyi escreveu no Telegram: "As perdas inimigas em mortos e feridos ultrapassaram mais de quatro companhias". Enquanto isso, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que tanto as forças russas quanto as ucranianas estão sofrendo "altas baixas" na área sul dos combates, afirmando ainda que as baixas russas eram as mais altas desde o pico dos piores combates em Bakhmut em março de 2023. Enquanto isso, as agências de notícias russas independentes, Mediazona e Meduza, conduziram uma investigação conjunta para avaliar as baixas usando o método estatístico de mortalidade em excesso. As duas agências confirmaram mais de 27 mil soldados russos mortos até 7 de julho.

04

Análise

Em 9 de junho, o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) avaliou que havia confusão no espaço de informações russo sobre quem estava realmente no comando das operações defensivas. Houve especulações de que Alexander Romanchuk, Mikhail Teplinsky, Sergey Kuzovlev ou Valery Gerasimov poderiam ser o comandante do distrito, e o ISW avaliou que "provavelmente há comandantes sobrepostos". O ISW também avaliou que a Ucrânia ainda não havia mobilizado todas as suas reservas e equipamentos ocidentais para a contraofensiva até 9 de junho, e que as perdas materiais sofridas até aquele ponto não necessariamente afetariam o curso da contraofensiva. Autoridades ocidentais alertaram sobre a alta dificuldade e duração esperadas da contraofensiva para a Ucrânia. Militares ocidentais anônimos que falaram ao The Guardian em junho de 2023 sugeriram que provavelmente haverá "uma guerra custosa e exaustiva por muitos meses pela frente", pois "eles [a Ucrânia] estão enfrentando uma linha bem preparada que os russos tiveram meses para preparar". No mesmo mês, o Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e o Presidente do Estado-Maior Conjunto, Gen. Mark Milley, alertaram que esperam uma luta longa e "a um alto custo".

05

Resultados

Cerca de cinco meses após o início da contra-ofensiva, as forças ucranianas capturaram 370 km² de território, menos de metade da quantidade que a Rússia capturou no início do ano. Também conduziram uma série de ataques bem-sucedidos à Península da Crimeia ocupada pela Rússia e contra a frota russa do Mar Negro. Contudo, eles falharam em alcançar a estratégica cidade de Tokmak e também falharam em romper a Linha Surovikin para efetivar o provável objetivo inicial de chegar ao Mar de Azov para dividir as forças russas no sul da Ucrânia. O então comandante-em-chefe das forças armadas ucranianas, o general Valerii Zaluzhnyi, declarou no início de novembro de 2023 que a guerra havia chegado a um "impasse".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando