Guerras Cantábricas
As Guerras Cantábricas, também ditas Cantábricas ou Cântabras, ocorreram durante a conquista romana das antigas províncias da Cantábria e das Astúrias, no norte da Espanha, e cuja assimilação pelo Império Romano constituíram o final da conquista da Hispânia.
Desde aproximadamente 50 a.C., somente os cântabros e os ástures mantinham a independência frente de Roma, embora ocasionalmente se enrolassem nas tropas auxiliares romanas, como consta em 50 a.C.-49 a.C., durante as guerras civis, ao serviço de Pompeu.[nota 2] O restante dos povoadores da Península já foram submetidos, ou bem aderiram voluntariamente aos romanos. Não é fácil precisar o palco da contenda, mas há dados que apontam a que no começo estendeu-se até terras ástures ao menos durante os primeiros anos da contenda. Dois anos após ter começado, em 27 a.C. e em plena campanha militar, a Península Ibérica foi dividida em três províncias, em vez das duas que se conheciam até então. A Hispânia ficava assim dividida na "Bética" ou "Ulterior", na Lusitânia, de nova criação, e na Citerior ou Tarraconense. Este fato teve importância para realizar uma contextualização geográfica correta: Em primeiro lugar, a divisão ocorreu, precisamente, como consequência e na metade da guerra. Ao mesmo tempo dá-se a circunstância de que Astúrias e Galécia (Astúrias e Galiza) ficam enquadradas na província da Lusitania, enquanto Cantábria fica enquadrada na província Citerior, sob o controlo direto do imperador Augusto que se apresenta precisamente esse mesmo ano (27 a.C.) nas terras cântabras. Este fato implica expressamente que Cantábria não se considerava ainda uma "terra pacificada" e que, portanto, precisava tropas sob o governo do legatus augusti propaetore para ser pacificada.
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As primeiras aparições dos Cântabros no contexto histórico das guerras de Roma na Hispânia é muito anterior ao das próprias Guerras Cantábricas, pois os cântabros tinham já sido empregues como mercenários em diferentes conflitos tanto dentro como fora da Península. Assim, anos antes do começo das Guerras Cantábricas, o exército romano já conhecia o caráter guerreiro dos povos do Norte da Península. Existe constância de que participaram na guerra dos cartagineses contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica: Também parece constatada sua intervenção ajudando os váceos da meseta norte contra os romanos em 151 a.C. E assim mesmo são mencionados novamente durante o cerco de Numância: Também se acredita que houve presença de guerreiros cântabros nas Guerras Sertorianas ou sua intervenção junto aos aquitanos nas guerras contra Júlio César para defender as Gálias. De acordo com o próprio testemunho de César, houve tropas cântabras na batalha de Ilerda (Lérida) em 49 a.C.
A primeira intervenção importante de Roma contra os povos do norte da Meseta, protagonizou-a em 29 a.C., Estacílio Tauro, que recebeu de Augusto o título de imperator, por submeter cântabros, ástures e váceos. Nos dois anos seguintes foram retomadas as hostilidades, conseguindo Caio Calvísio Sabino e o procônsul Sexto Apuleio seus triunfos respectivos no comando das tropas. Porém, os povos do norte continuavam independentes. Augusto deslocou-se para a Hispânia e, à frente dos exércitos, iniciou a campanha de 26 a.C. contra os cântabros. De acordo com o historiador romano Dião Cássio, a tática de cântabros e de ástures consistia numa guerra de guerrilhas, evitando a acometida direta sobre as forças romanas, conscientes da sua inferioridade numérica, do seu inferior armamento e da invulnerabilidade tática das legiões romanas em campo aberto. Seu melhor conhecimento de um território abrupto e montanhoso permitia ofensivas rápidas e com surpresa mediante o uso de armas de arremesso, com emboscadas e ataques de grande mobilidade seguidos de um ágil repregue, que causavam graves danos às forças romanas e às suas linhas de abastecimento.
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A maioria das batalhas importantes foram travadas entre 26 e 22 a.C., sendo esta a época de maior intensidade da guerra. As principais batalhas foram:
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Ao contrário de outros conflitos similares, o Império Romano optou por não fazer prisioneiros, o que implicou a eliminação dos cântabros em idade militar. De acordo com Dião Cássio: Era costume dos guerreiros cântabros o suicídio antes que a escravidão. Quer com a espada, quer com o fogo, quer envenenando-se com poções feitas com sementes de teixo, árvore mítica celta, que levavam preparadas para o efeito. Assim o recolhe Sílio Itálico na sua descrição sobre os costumes dos cântabros alistados no exército de Aníbal: Estrabo relata que desprezavam a morte e a dor, até o ponto de continuarem cantando seus hinos de vitória ainda após crucificados. Para eles, segundo Estrabo, falecer como guerreiros e livres era uma vitória. A guerra pode considerar-se finalizada em 19 a.C., embora se tenha registro de rebeliões menores posteriores. A região foi devastada e os castros destruídos e incendiados, deportando massivamente a população e transladando-a para as planícies. Roma, assim como fez em outros territórios, quis impor suas reformas. Apesar de ser massacrado e obrigado a baixar para a planície, os romanos deixaram duas legiões por volta de sessenta anos mais (a X Gemina e a IV Macedônica).


