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Luís XV de França

Luís XV, também conhecido como "o Bem-Amado", foi o Rei da França e Navarra de 1715 até sua morte. Bisneto e sucessor de Luís XIV, ascendeu ao trono aos cinco anos de idade, permanecendo inicialmente sob uma regência liderada pelo Duque de Orleães e, posteriormente, pelo Duque de Bourbon. Ao atingir a maioridade, confiou o governo ao Cardeal Fleury, seu antigo tutor, que atuou como seu principal ministro de 1726 até 1743, quando o rei passou a conduzir pessoalmente o ministério.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Personalidade

Vários contemporâneos que conviveram de perto com Luís XV procuraram descrever sua personalidade. O Duque de Croy afirmou: "Ele tinha uma memória, presença e retidão de espírito únicas. Era gentil, um excelente pai e o indivíduo mais honesto do mundo. Era bem informado nas ciências... mas com uma modéstia que, nele, era quase um vício. Ele sempre via as coisas com mais precisão do que os outros, mas sempre acreditava estar errado... Ele tinha a maior coragem, mas uma coragem que era modesta demais. Ele nunca ousava decidir por si mesmo, mas sempre, por modéstia, recorria a conselhos de outros, mesmo quando suas opiniões eram mais precisas do que as deles... Luís XIV fora orgulhoso demais, mas Luís XV não era orgulhoso o suficiente. Além de sua excessiva modéstia, seu grande e único vício eram as mulheres; ele acreditava que apenas suas amantes o amavam o suficiente para lhe dizer a verdade. Por essa razão, ele permitia que elas o guiassem, o que contribuiu para seu fracasso financeiro, que foi o pior aspecto de seu reinado."

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Início de vida

Bisneto de Luís XIV, ocupava inicialmente a quarta posição na linha de sucessão ao trono da França; contudo, em 1712, uma série de falecimentos em sua família levou-o a tornar-se o herdeiro aparente da Coroa francesa: seu pai, o Duque da Borgonha, faleceu em 18 de fevereiro, depois de sua mãe, Maria Adelaide de Saboia, falecida em 12 de fevereiro, e seu irmão mais velho, o Duque da Bretanha, então com apenas quatro anos de idade, viria a falecer em 8 de março. Luís sobreviveu apenas graças aos cuidados de sua governanta, a Duquesa de Ventadour. Em 1714, seu tio, o Duque de Berry, também faleceu e, com sua morte, desapareceu mais um potencial sucessor da linhagem direta dos Bourbons, uma vez que o único tio sobrevivente era Filipe V da Espanha, que havia renunciado aos seus direitos ao trono francês em virtude das disposições do Tratado de Utrecht, firmado em 1713. Dessa forma, a continuidade da dinastia passou a depender inteiramente do jovem príncipe, fato que suscitou crescente preocupação na corte francesa quanto à sua saúde e sobrevivência.

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Reinado

Regência

Após a morte de Luís XIV, em 1 de setembro de 1715, Luís XV ascendeu ao trono da França aos cinco anos de idade; foi coroado rei em 25 de outubro de 1722, na Catedral de Reims. Devido à sua menoridade, o governo foi exercido por seu primo, Filipe II, Duque de Orleães, que assumiu a regência do reino. Na política externa, foram mantidas as diretrizes estabelecidas por Luís XIV. A paz foi consolidada com a Grã-Bretanha, enquanto os conflitos envolvendo a Espanha continuaram por algum tempo. No âmbito interno, foi adotado o sistema financeiro idealizado por John Law, cuja implementação acabou contribuindo para uma grave crise econômica na França.

Governo do Cardeal Fleury e guerras de sucessão

Em 1726, Luís XV anunciou que passaria a governar pessoalmente o reino. Na prática, porém, a condução dos assuntos de Estado ficou sob a responsabilidade do Cardeal Fleury, seu antigo preceptor, que permaneceu como principal ministro até sua morte, em 1743. Durante esse período, Fleury exerceu grande influência sobre o governo e procurou manter o rei afastado das decisões políticas mais importantes. Sua administração foi marcada pela forte influência do clero e por uma política de estabilidade e conservação. No âmbito interno, poucas reformas significativas foram realizadas: o clero continuou a desfrutar de privilégios fiscais, enquanto os protestantes permaneceram sujeitos a restrições e perseguições; na área financeira, Fleury adotou uma política de austeridade, buscando equilibrar as contas do Estado e supervisionando rigorosamente as atividades do Ministério das Finanças.

Governo pessoal e tentativas de reformas

Após a morte do Cardeal Fleury, no início da guerra, Luís XV passou a exercer diretamente o governo, sem nomear um ministro. Como não possuía grande experiência administrativa, surgiram dificuldades na condução do Estado: cada ministro administrava seu próprio departamento com ampla autonomia, o que frequentemente gerava falta de coordenação entre os diferentes setores do governo. A partir de 1745, a influência de Jeanne-Antoinette Poisson, mais conhecida como Marquesa de Pompadour, tornou-se significativa na corte francesa após ela se tornar a favorita do rei. Sua proximidade com o rei lhe conferiu destaque nos assuntos políticos e administrativos do reino. Nesse ínterim, aumentaram as críticas ao governo por parte de diferentes grupos da sociedade francesa: em 1757, Robert-François Damiens realizou uma tentativa de assassinato contra Luís XV, ferindo-o levemente; o episódio refletiu o crescente descontentamento existente em alguns setores do país.

Guerra dos Sete Anos, crises políticas e financeiras

Em 1756, teve início a Guerra dos Sete Anos. Durante o conflito, Luís XV aliou-se à Áustria, tradicional rival da França. Apesar das vitórias militares obtidas pelo Marechal de Richelieu, os britânicos aproveitaram diversos erros estratégicos franceses e destruíram grande parte da marinha francesa: a França acabou sendo forçada a assinar a Paz de Paris com a Grã-Bretanha em 1763. Como consequência do tratado, a França perdeu várias de suas colônias, incluindo territórios na Índia e na América do Norte. A Marquesa de Pompadour, influente favorita do rei, substituiu ministros e comandantes que considerava incompetentes e promoveu o Duque de Choiseul à liderança do governo. Choiseul trabalhou para fortalecer os laços entre os diferentes ramos da Casa de Bourbon que governavam diversos Estados europeus, bem como promoveu o casamento do neto e herdeiro de Luís XV, Luís Augusto, Delfim da França, com a arquiduquesa Maria Antonieta, filha da imperatriz Maria Teresa da Áustria.

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Últimos anos e morte

Nos últimos anos de seu reinado, a corte de Versalhes tornou-se um cenário marcado por disputas sociais e rivalidades pessoais. Maria Antonieta, que vivia no palácio desde seu casamento, demonstrava grande antipatia pela Condessa du Barry, a favorita do rei. Luís XV mandou construir para ela luxuosos aposentos situados acima de seus escritórios particulares. Além disso, a Condessa du Barry desfrutava do uso do Petit Trianon, originalmente erguido para a Marquesa de Pompadour, bem como do Castelo de Louveciennes, também associado à antiga favorita real. A presença da Condessa du Barry dividia a corte. De um lado estavam aqueles que buscavam seu favor e influência; de outro, membros da alta aristocracia tradicional, entre eles o Duque de Choiseul e a própria Maria Antonieta, que a desprezavam abertamente. Luís XV faleceu às 3h15 da manhã de 10 de maio de 1774, vítima da varíola, doença que teria contraído durante uma visita à Condessa du Barry no Petit Trianon; suas filhas Maria Adelaide, Vitória, Sofia Filipina e Luísa Maria – as mesdames de França –, ao seu lado. Ele foi sepultado na Basílica de Saint-Denis, tradicional local de sepultamento dos reis de França. Foi sucedido por seu neto, Luís XVI, do qual desconfiava da capacidade de governar, expressando essa visão com a frase "Depois de mim, o dilúvio" (em francês: Après moi, le déluge).

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Vida privada

Durante a juventude, antes de seu casamento, é amplamente reconhecido que Luís XV teve experiências homossexuais. Maurice Lever, em sua biografia do monarca francês, menciona uma homossexualidade latente no rei: "Sua atração pelos meninos começou cedo. Alguns biógrafos benevolentes tentaram livrá-lo dessa preferência. No entanto, está tão amplamente relatada pelos memorialistas mais dignos de fé que não se pode duvidar disso sem ofender seriamente a verdade". Embora demonstrasse preferência pela companhia masculina de seus mignons ("queridinhos"), Luís XV amava, de fato, as mulheres. À semelhança de seu trisavô Luís XIII, o rei apenas apresentava certa timidez ou constrangimento na presença delas. Em 1725, Luís XV casou-se com Maria Leszczyńska. Nos primeiros anos de casamento, a união foi descrita como afetuosa, e o rei inicialmente recusou-se a tomar amantes, apesar das recomendações de membros da corte. Com o passar do tempo, entretanto, a rainha passou por sucessivas gestações, e o relacionamento mudou. Após o nascimento do último filho do casal, médicos da corte teriam aconselhado Maria a interromper as relações conjugais por razões de saúde. A decisão teria desagradado profundamente o rei e contribuído para o distanciamento entre os dois. A partir de então, Maria Leszczyńska passou a viver separada da vida amorosa do marido, situação comparada por alguns autores à vivida por Maria Teresa da Espanha, esposa de Luís XIV.

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Descendência

Luís XV teve diversos filhos ilegítimos atribuídos a várias amantes, embora a maioria nunca tenha sido oficialmente reconhecida. Entre os supostos descendentes estão François-Torchon Desmarais (com Rosalie Glorieux); o Marquês du Luc (com a Marquesa de Vintimille); Julie Filleul e Adélaïde-Marie-Émilie Filleul (com Irène du Buisson de Longpré); Agathe Louise de Saint-Antoine e Marguerite Victoire Le Normant de Flaghac (com Marie-Louise O'Murphy); Philippe e Louis-Marie de Narbonne-Lara (com a Duquesa de Narbonne-Lara); Agnès-Louise de Montreuil e Anne-Louise de La Réale (com Marguerite-Catherine Haynault); Agnès-Lucie Auguste e Aphrodite-Lucie Auguste (com Lucie Madeleine d’Estaing); Louis-Aimé de Bourbon, conhecido como Abade de Bourbon (com a Baronesa de Meilly-Coulonge); Benoît-Louis Le Duc (com Louise-Jeanne Tiercelin de La Colleterie); e Charles Louis Cadet de Gassicourt (com Marie Thérèse Françoise Boisselet). Também lhe foram atribuídas, de forma mais duvidosa, as paternidades de Amélie de Norville e de Adélaïde de Saint-Germain. Apenas o Marquês du Luc e Louis-Aimé de Bourbon foram oficialmente reconhecidos como filhos do rei.

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