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André Hercule de Fleury

André Hercule de Fleury clérigo e estadista francês, foi primeiro-ministro de facto de Luís XV no período de 1726 a 1743.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Biografia

De Lodève a Fréjus: linhagem, formação e início da carreira

Nascido em Lodève, no Languedoc, em 1653, nos primeiros anos do reinado de Luís XIV, André Hercule de Fleury era filho de Jean de Fleury, o expoente de uma modesta linhagem de financistas,[nota 1] e de Diane de Latreilhe, que pertencia a pequena nobreza provinciana. Seu avô, que recebera em herança um cargo de coletor de talhas, chegara a Lodève, no Languedoc, com recursos modestos. No entanto, mais tarde, ele somaria a sua coletoria de talhas os cargos de Tesoureiro da França e de recebedor dos dízimos de Lodève,[nota 2] que lhe proporcionaram uma importante fortuna. Como então era comum entre as famílias aristocráticas, ao falecer, Jean de Fleury legou todo o patrimônio familiar a Gabriel, seu filho primogênito, que já era então Presidente do Tribunal das Ajudas (Cour des Aides) de Montpellier.[nota 3] Quanto ao filho mais jovem, André Hercule, este fora destinado à carreira eclesiástica.

O controverso episcopado em Fréjus

Em Fréjus, Fleury não era apenas o bispo, isto é, o detentor da autoridade espiritual, mas também o titular da senhoria local e, como tal, uma figura investida também do poder temporal, vale dizer, de certas prerrogativas feudais, inclusive, do poder de “baixa justiça”. Embora não tenha negligenciado os assuntos espirituais, exercendo com rigor o seu poder de supervisão sobre o clero local, Fleury parece ter se concentrado, sobretudo, nos negócios temporais. Em 1701, tivera início a longa e custosa Guerra da Sucessão Espanhola, durante a qual a França de Luís XIV teve que fazer frente a quase toda Europa. Antes aliado do Rei Sol, em 1703, o duque da Saboia e Príncipe do Piemonte, Vítor Amadeu II, decidiu passar para o lado do Imperador. Em 1707, com apoio da frota anglo-holandesa, que havia bloqueado o porto de Toulon, o exército savoiardo penetrou no território francês e assediou a cidade. Fréjus, que estava no caminho do invasor, foi ocupada pelas forças de Vítor Amadeu. Ao invés de partir ou de resistir ao inimigo, o Bispo de Fréjus preferiu oferecer-lhe uma acolhida que, para alguns, foi calorosa a ponto de se aproximar da traição. Embora sua conduta fosse mais tarde justificada como a deferência devida ao “ocupante de um trono”, nem todos se deixaram enganar por este argumento e continuaram a reprovar ao Bispo de Fréjus o fato deste ter se permitido “complacências” em relação ao inimigo.

De preceptor do Rei a Primeiro-Ministro

Quando Luís XIV faleceu, a 1º de setembro de 1715, ele já fora precedido no túmulo pelo seu filho, o Grande Delfim, e por seu neto primogênito, o Duque de Borgonha. Seu segundo neto, o primeiro Duque de Anjou, reinava desde 1701 na Espanha, sob o nome de Filipe V, e seu único bisneto sobrevivente, o segundo Duque de Anjou, tinha então cinco anos. Era exatamente esta criança quem deveria suceder ao Rei Sol, sob o nome de Luís XV. Como o novo soberano era ainda menor de idade, a regência foi confiada ao Duque de Orleães, seu parente mais próximo depois do rei da Espanha.[nota 6] A regência do Duque de Orleães suscitou viva oposição entre outros parentes do rei, como era o caso do Duque do Maine, filho legitimado do Rei Sol, ou então, do Duque de Bourbon, que pertencia à prestigiosa linhagem dos Bourbon-Condé. E, como não fosse o bastante, apesar de ter renunciado aos seus direitos dinásticos sobre a França, o rei Filipe V da Espanha não se privava de intrigar contra o Regente, na expectativa de um dia vir a substituí-lo e, assim, reunir em suas mãos o governo de ambos os Estados.

O ministério Fleury (1726-1743)

Após os tumultos da Regência, o ministério de Fleury inaugura uma era de estabilidade governamental: em dezessete anos, não haveria mais do que doze ministros para seis departamentos ministeriais: dois Guardiões do Selo (o equivalente a Ministro da Justiça), três Secretários de Estados nos Negócios Estrangeiros, dois da Guerra, um para a Marinha, um para a Casa Real e dois para as Finanças. Os ministros eram escolhidos pelo Cardeal e somente se entrevistavam com o Rei na sua presença. Quase todos provinham da nobreza de toga (noblesse de robe), isto é, de linhagens de origem plebeia, enobrecidas pelos serviços prestados à monarquia. Ao contrário de alguns de seus predecessores, como os Cardeais Richelieu e Mazarino, que haviam reunido fortunas fabulosas, Fleury não parece ter tirado proveito de seu posto para enriquecer a si mesmo ou sua família. Uma exceção foi o título por ele obtido para o sobrinho Jean Hercule Rosset de Rocozels, feito Duque de Fleury.[nota 10]

Fleury e o julgamento da história

O Cardeal Fleury teve direito a obséquias grandiosas e a uma oração fúnebre repleta de lisonjas a sua memória. Mas tanto o juízo dos contemporâneos quanto o da história nem sempre foram favoráveis ao ministro. Voltaire, que sofrera não poucas vexações da parte do Cardeal, foi, mesmo assim, honesto o bastante para reconhecer sua austeridade: “60 mil libras de renda, que lhe rendiam dois benefícios, 20 mil libras, que lhe valiam o seu lugar no Conselho, e 15 mil dos Correios compunham toda sua renda, da qual ele separava metade para fazer o bem, reservando a outra para manter uma casa módica e uma mesa frugal. (…) Esta simplicidade, que serviu a sua reputação e a sua sorte, não era um esforço de sua alma. Os homens não fazem nunca esforços tão duradouros”. (tradução livre)

Honras

Cardeal de Fleury foi eleito em 1717 para a Academia Francesa; acadêmico honorário da Académie des sciences em 1721; sócio honorário da Académie des Inscriptions et Belles-Lettres em 1723.==Notas==

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Fontes consultadas

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