Tio Patinhas
Patinhas, comumente chamado de Tio Patinhas por seu sobrinho Pato Donald e seus sobrinhos-netos Huguinho, Zezinho e Luisinho, é uma personagem americana de ficção criada pelo cartunista Carl Barks, um pato antropomórfico introduzido na banda desenhada Disney em dezembro de 1947. Patinhas é um empresário com extensa fortuna, sendo comumente referido como "o pato mais rico do mundo", e é notório por uma intensa avareza que o torna avesso a grandes gastos. Boa parte de seu dinheiro está no prédio Caixa-Forte, onde Patinhas criou o hábito de nadar por entre as moedas.
Após a aposentadoria de Barks, o personagem continuou a estrelar histórias de outros artistas. Em 1972, Barks foi persuadido a escrever mais histórias para a Disney. Escreveu histórias dos Escoteiros Mirins, onde Patinhas muitas vezes fazia papel de vilão, semelhante ao que teve em sua primeira história. Nas mãos de Barks, Patinhas sempre era um personagem maleável que assumiria qualquer personagem conveniente para a trama. O escritor e artista italiano Romano Scarpa fez várias adições ao universo do Tio Patinhas, incluindo personagens como Brigite, a eterna pretendente do pato avarento. Essa personagem apareceu principalmente em quadrinhos europeus. Também é o caso do rival de Patinhas, Patacôncio (criado por Barks para apenas uma história) e o primo de Donald, Peninha, que às vezes, trabalha como repórter para o jornal A Patada. Outro grande desenvolvimento foi a chegada do escritor e artista Don Rosa em 1986 com sua história "O Filho do Sol", nomeada para um Prêmio Harvey, como uma das maiores honras da indústria de quadrinhos. Rosa disse nas entrevistas que ele considera o Tio Patinhas como seu personagem favorito da Disney. Em uma entrevista com o norueguês "Aftenposten" em 1992, Don Rosa diz que: "no início, Patinhas devia a sua existência a seu sobrinho Donald, mas isso mudou e hoje é Donald que deve sua existência a Patinhas". Também diz que esta é uma das razões pelas quais ele prefere o Tio Patinhas.
Primeira aparição
Tio Patinhas surgiu nos quadrinhos em dezembro de 1947 em "Natal nas Montanhas", história escrita e desenhada por Carl Barks. Patinhas era um velho barbudo, de óculos e razoavelmente rico, que andava curvado sobre sua bengala e vivia isolado numa "grande mansão". Na história, Patinhas convida seu sobrinho Pato Donald e sobrinhos-netos Huguinho, Zezinho e Luisinho para sua cabana nas montanhas, planejando armar um susto e divertir-se com a desgraça dos sobrinhos. A figura de um pato escocês já havia sido usada pela Disney em um desenho chamado O Espírito de 1943, propaganda americana de guerra e que, portanto, é considerado um desenho banido comercialmente. Naquela ocasião esse pato fora a parte da consciência do Pato Donald, ou seja, a parte poupadora, que estava em conflito com a parte gastadora, curiosamente parecida com o futuro personagem Ganso Gastão, que também seria criado na mesma época que Patinhas.
Personagem regular
Na verdade, Barks criara Patinhas para uma aparição única, mas logo decidiu que poderia aproveitar o personagem em outras histórias. Barks seguiu retocando a aparência e a personalidade de Patinhas nos anos subsequentes. Em sua segunda história, “O Segredo do Castelo” (publicada em junho de 1948 e, no Brasil, em capítulos, nos três primeiros números da revista brasileira O Pato Donald, lançada pela Editora Abril em julho de 1950), Tio Patinhas recrutava seus sobrinhos para procurarem um tesouro escondido no castelo ancestral da família McDuck, na Escócia. Em “Perdendo a Esportiva" (novembro de 1948) surge o tradicional título e bordão de Patinhas: “O pato mais rico do mundo”.
Primeiras pistas sobre o passado de Patinhas
"Donald na África", publicada em agosto de 1949, foi a primeira história a dar pistas do passado de Patinhas com a apresentação de dois personagens. Um era Foola Zoola, um velho feiticeiro africano e chefe da tribo de vodu que lançou uma maldição sobre Patinhas como vingança pela destruição de sua aldeia e tomada das terras de sua tribo décadas antes. Patinhas confidenciou a seus sobrinhos que usara um exército de “cortadores de gargantas” para fazer a tribo abandonar suas terras, a fim de estabelecer uma colônia de exploração de diamantes. A história diz que o evento se deu em 1879, mas a data seria posteriormente corrigida para 1909 para encaixar-se com a história pessoal de Patinhas.
Precursores de histórias posteriores
“Em Busca do Unicórnio”, publicada em fevereiro de 1950, apresentou o zoológico particular de Patinhas. Um de seus pilotos tinha conseguido fotografar o último unicórnio vivo, que habitava o lado indiano dos Himalaias. Em proposta a seus sobrinhos Donald e Gastão, Patinhas ofereceu uma recompensa ao primeiro que capturasse o unicórnio para sua coleção de animais. Esta foi também a história que apresentou seu avião particular. Mais tarde Barks estabeleceu Patinhas como um experiente aviador. Donald tinha sido mostrado anteriormente como também sendo um aviador hábil, e MacMônei também em histórias posteriores. Em comparação, Huguinho, Zezinho e Luisinho foram descritos somente tomando lições de voo na história “Ouro Congelado” (publicada em janeiro de 1945).
Patinhas como personagem principal
“Meu Reino por uma Ampulheta” publicada no Brasil em 1969, e originalmente publicada em setembro de 1950, é considerada a primeira história a mudar o foco das histórias de Pato Donald para Tio Patinhas. Durante a história, apresentaram-se diversos novos temas para Patinhas. Pela primeira vez, Donald declara que seu tio praticamente é o dono de Patópolis, uma afirmação que mais tarde o rival de Patinhas, Patacôncio, levaria a disputa. Patinhas dá a primeira dica de que não nasceu na riqueza, pois lembra ter comprado a ampulheta da história em Marrocos, quando era um menino de cabine na tripulação de um navio. É também a primeira história em que Patinhas menciona o conhecimento de outras línguas e outros alfabetos além do latino, pois durante a história fala árabe e lê o alfabeto árabe.
Desenvolvimentos finais
Em “A Financial Fable”, publicada em março de 1951, Patinhas dá a Donald algumas lições de produtividade como fonte de riqueza, junto com as leis de oferta e demanda. Mais importante, foi a primeira história em que Patinhas observa como Huguinho, Zezinho e Luisinho são diligentes e industriosos, o que os tornava mais semelhantes a Patinhas do que a Donald. O vínculo entre tio-avô e sobrinhos-netos se fortaleceria em histórias posteriores. “Terror of the Beagle Boys”, publicada em novembro de 1951, apresentou os leitores aos Irmãos Metralha, apesar de o Patinhas da história parecer já ser conhecido deles. “The Big Bin on Killmotor Hill” apresentou a Caixa-Forte de Patinhas, construída no Morro Mata-Motor no centro de Patópolis.
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Muitos dos quadrinhos europeus baseados no Universo da Disney criaram sua própria versão do Tio Patinhas, geralmente envolvendo-o em aventuras de comédia. Isto é particularmente verdadeiro para os quadrinhos italianos, que foram muito populares nas décadas de 1960 e 1980 na maioria das partes da Europa continental ocidental. Nestes, Patinhas é principalmente um anti-herói que arrasta seus sobrinhos os quais sofrem muito tempo durante as caças ao tesouro ou em seus negócios. Donald é um participante relutante nessas viagens, apenas concordando em acompanhar quando seu tio lembra-lhe de suas dívidas que lhe deve, ameaçando-o com uma bengala ou um golpe. Quando promete a Donald uma parte do tesouro, Patinhas, no final da aventura, nega ao sobrinho sua parte, mantendo tudo para si mesmo. Depois que Donald e os meninos arriscam a vida - algo pelo qual Patinhas mostra pouca preocupação - ele tende a acabar sem nada.
No Brasil
Tio Patinhas está presente nos quadrinhos no Brasil desde 1950, quando foi atração da edição número 1 de O Pato Donald. A revista Almanaque Tio Patinhas (mais tarde simplesmente Tio Patinhas) foi lançada em 1963, mantendo-se como um título de sucesso da Editora Abril até julho de 2018, quando a Editora deixou de publicar as edições da Disney no Brasil. Desde os anos 1960 os artistas de quadrinhos brasileiros têm produzido incontáveis histórias de Tio Patinhas, o que reforçou seu posto de destaque entre as personagens Disney. A maioria das histórias brasileiras retrata o cotidiano do jornal de Patinhas A Patada, no qual Donald e Peninha são repórteres.
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Riqueza
Tio Patinhas é considerado o pato mais rico do mundo. Ele mantém grande parte de sua riqueza em uma enorme Caixa-Forte na cidade de Patópolis. Contudo, ele possui muito mais em bancos e propriedades espalhados em todo o mundo. Nos quadrinhos, a fortuna de Patinhas é estimada em números absurdos, especialmente "quaquilhões". As empresas em sua posse são tantas que Patinhas ocasionalmente não consegue lembrar de todas. Um homem de negócios perspicaz e notável, seu passatempo favorito é mergulhar e nadar em seu dinheiro, sem lhe causar prejuízo. Também é o membro mais rico do Clube dos Milionários de Patópolis, uma sociedade que inclui os empresários mais bem sucedidos do mundo e permite que eles mantenham contato entre si. Mac Mônei e Patacôncio também são membros influentes do Clube. Sua posse mais famosa e apreciada é a Moedinha Número Um.
Educação
Patinhas nunca terminou a escola, já que havia abandonando-a em uma idade precoce. No entanto, ele tem uma mente aguda e está sempre pronto para aprender novas habilidades. Por causa de sua ocupação secundária como caçador de tesouros, Patinhas tornou-se um erudito arqueólogo amador. Começando com Barks, vários escritores explicaram como Patinhas se tornou consciente dos tesouros que decidiu procurar. Isso geralmente envolve períodos de pesquisa que consultam várias fontes escritas em busca de passagens que podem levá-lo a um tesouro. Muitas vezes, Patinhas decide procurar a verdade possível por trás de lendas antigas ou descobre referências obscuras às atividades de antigos conquistadores, exploradores e líderes militares que considera bastante interessantes para começar uma nova expedição.
Moralidade e crenças
Como homem de negócios e caçador de tesouros, Patinhas é notável por sua necessidade de criar novos objetivos e enfrentar novos desafios. Conforme o personagem criado por Barks, para Patinhas “sempre há um novo arco-íris.” A frase foi usada como título de um dos quadros mais conhecidos de Barks retratando Patinhas. Os períodos de inatividade entre aventuras e a falta de desafios sérios tendem a deprimir Patinhas de vez em quando; algumas histórias descrevem esta fase como tendo efeitos negativos em sua saúde. Nas histórias do roteirista Guido Martina e ocasionalmente nas de outros, Patinhas tem um cinismo notável, especialmente quanto a ideias de moralidade nos negócios e à busca de seus objetivos. Estes traços de caráter se afastam do conceito original criado por Barks, mas têm sido aceitos como uma interpretação válida da maneira de pensar de Patinhas. Nas versões holandesas e italianas, ele regularmente obriga Donald e seus sobrinhos a polir as moedas uma a uma para receber as dívidas de Donald; Patinhas não pagará muito por esse trabalho longo, tedioso e inovador. No que diz respeito a ele, até 5 centavos por hora são despesas demais.
Personalidade
Em sua juventude, Patinhas era muito gentil e educado. Mas ao sofrer na mão de pessoas cruéis enquanto envelhecia, se tornou um homem cruel, egoísta, manipulador, chantagista e poderoso. Sentindo que tinha sido aproveitado, Patinhas não queria acreditar que os outros tivessem problemas ou dificuldades reais em suas vidas. Isso o fez parecer desagradável, na melhor das hipóteses, e cruel, na pior das hipóteses. Como resultado, ninguém conseguiu entender seus problemas, incluindo seus sobrinhos e sobrinhos-netos. Esse isolamento abriu caminho para adquirir sua riqueza e poder incontáveis. Mas apesar de tudo, ele ainda possui um bom coração e sempre ajuda aqueles que vê como necessitados ou em perigo.
A idade de Tio Patinhas
A idade do Tio Patinhas nunca foi especificada, embora, de acordo com Don Rosa, ele nasceu na Escócia em 1867 e ganhou sua Moedinha Número Um, exatamente dez anos depois. Os episódios de DuckTales (e em muitos quadrinhos europeus) mostram um Patinhas que veio da Escócia no século XIX, mas estava claramente familiarizado com todas as tecnologias e amenidades da década de 1980. Apesar desta idade extremamente avançada, Patinhas mostra-se vigoroso o suficiente para manter seus sobrinhos nas aventuras; com uma ou outra rara exceção e parece nunca sentir sinais de cansaço. Barks respondeu a algumas cartas de fãs sobre a era Adâmica de Patinhas, que na história "That's No Fable!", ele havia tomado a água de uma Fonte da Juventude por vários dias. Em vez de torná-lo jovem novamente (o contato corporal com a água era necessário para isso), ingeriu a água e assim rejuvenesceu seu corpo e se curou de seu reumatismo , o que permitiu que vivesse além de seus anos esperados, sem sinais de desaceleração ou senilidade. A solução de Don Rosa para a questão da idade de Patinhas seria colocar todas as suas histórias na década de 1950 ou mais cedo, que foi quando ele próprio o descobriu e se divertiu com as histórias de Barks quando criança.
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Nasceu em 1867 em Glasgow, Escócia, filho de Fergus McDuck e Donilda O'Pata. Barks diz que Patinhas parece ser o renascimento do Capitão P.A. Tinhas. Trabalhando como engraxate, Patinhas ganhou sua primeira moeda de 10 centavos (a famosa Moedinha Número 1) quando tinha 10 anos de idade, em 1877. Essa que viria a se tornar seu precioso amuleto da sorte. Três anos depois (1880), ele partiu para a América. Depois de muitas aventuras finalmente chegou no Klondike, em 1898. Lá ele acha uma pedra dourada, do tamanho de um ovo de gansa, e em suas escavações em busca de ouro, acaba tendo um relacionamento romântico com Dora Cintilante, do qual os dois possuem a mesma paixão por ouro e resolvem escavar juntos encontrando várias pepitas, mas a abandona algum tempo depois por um mau entendido de ela querer "roubar" sua riqueza, só voltando a encontrá-la novamente mais de 40 anos depois (não se sabe ao certo se os dois tiveram um filho). No ano seguinte, ele conquistou seu primeiro milhão e comprou o terreno da Colina Mata-Motor, que pertencia a Patus Quela (irmão de Vovó Donalda), filho de Cipriano Patus e neto de Cornélio Patus.
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Tio Patinhas apareceu em vários meios, além dos quadrinhos. A voz do personagem foi ouvida pela primeira vez no álbum de disco Donald Duck e His Friends (1960) com Dal McKennon na dublagem. A estreia de Patinhas em desenho animado (exceto por uma breve ponta na abertura do Clube do Mickey) se deu no curta-metragem de 1967 Scrooge McDuck and Money, (na voz de Bill Thompson) no qual ensina a seus sobrinhos algumas lições básicas sobre finanças. Em 1974, a Disneyland Records lançou uma adaptação do clássico de Charles Dickens, A Christmas Carol, para o qual Alan Young foi contratado para dublar o Tio Patinhas interpretando o personagem que inspirou seu nome, Ebenezer Scrooge. Oito anos depois, a Walt Disney Animation Studios decidiu fazer uma paródia animada desta mesma história, Um Natal de Mickey Mouse (1983), e mais uma vez contratou Young para a dublagem. Tio Patinhas também apareceu no papel de si mesmo no especial de televisão Soccermania (1987) com Pateta (a única vez em que foi dublado por Will Ryan).
DuckTales
O maior papel de Patinhas fora dos quadrinhos viria em 1987 como protagonista de DuckTales, um seriado de animação livremente baseado nas histórias de Carl Barks e onde Alan Young voltou a dublar o personagem (no Brasil, foi dublado por Antônio Patiño). Patinhas torna-se o guardião de Huguinho, Zezinho e Luisinho quando Donald se alista na Marinha. Esta série, estreou em um especial de mais de duas horas em 18 de setembro de 1987, enquanto os episódios regulares começaram três dias depois. A encarnação de Patinhas de DuckTales é consideravelmente mais gentil, diferente da maioria das suas aparições anteriores; sua crueldade é reduzida e sua personalidade, muitas vezes abrasiva, é reduzida em muitos episódios para um velho tio sovina, porém adorável. Também se torna mais jovial e menos irritável. Também existem várias referências das histórias de Barks, principalmente nos episódios da primeira temporada. Depois da série, Tio Patinhas também estrelou o filme DuckTales the Movie: Treasure of the Lost Lamp. Também foi mencionado em um episódio de Darkwing Duck, mas nunca foi visto nessa série.


