Alfabeto latino
O alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, é o conjunto de letras originalmente usado pelos antigos romanos para escrever a língua latina. Em grande parte inalterado, exceto por algumas letras divididas — ou seja, ⟨J⟩ de ⟨I⟩ e ⟨U⟩ de ⟨V⟩ — adições como ⟨W⟩ e extensões como letras com diacríticos, ele forma a escrita latina que é usada para escrever a maioria das línguas da Europa, África, América e Oceania modernas. Seu inventário moderno básico é padronizado como o alfabeto latino básico ISO.
O termo alfabeto latino pode se referir ao alfabeto usado para escrever latim (conforme descrito neste artigo) ou a outros alfabetos baseados na escrita latina, que é o conjunto básico de letras comum aos vários alfabetos descendentes do alfabeto latino clássico, como o alfabeto inglês. Esses alfabetos latinos podem descartar letras, como o alfabeto rotokas, ou adicionar novas letras, como os alfabetos dinamarquês e norueguês. Os formatos das letras evoluíram ao longo dos séculos, incluindo o desenvolvimento das letras minúsculas no latim medieval, formas que não existiam no alfabeto do período clássico.
O alfabeto latino evoluiu do alfabeto etrusco visualmente semelhante, que evoluiu da versão grega cumana do alfabeto grego, que por sua vez descendia do alfabeto fenício, que por sua vez derivou dos hieróglifos egípcios. Os etruscos governaram a Roma antiga; seu alfabeto evoluiu em Roma ao longo dos séculos sucessivos para produzir o alfabeto latino. Durante a Idade Média, o alfabeto latino foi usado (às vezes com modificações) para escrever línguas românicas, que são descendentes diretas do latim, bem como línguas celtas, germânicas, bálticas e algumas línguas eslavas. Com a era do colonialismo e da evangelização cristã, a escrita latina se espalhou para além da Europa, passando a ser usada para escrever línguas indígenas americanas, australianas, austronésias, austro-asiáticas e africanas. Mais recentemente, os linguistas também tendem a preferir o alfabeto latino ou o Alfabeto Fonético Internacional (ele próprio amplamente baseado no alfabeto latino) ao transcrever ou criar padrões escritos para línguas não-europeias, como o alfabeto africano de referência.
Sinais e abreviações
Embora o latim não utilizasse sinais diacríticos, sinais de truncamento de palavras (frequentemente colocados acima ou no final da palavra truncada) eram muito comuns. Além disso, muitas vezes eram utilizadas abreviações ou letras menores sobrepostas. Isso se devia ao fato de que se o texto fosse gravado em pedra, o número de letras a serem escritas era reduzido, enquanto se fosse escrito em papel ou pergaminho, economizava-se espaço precioso. Esse hábito continuou até mesmo na Idade Média. Existem centenas de símbolos e abreviaturas, variando de século para século.
Origens
Acredita-se geralmente que o alfabeto latino usado pelos romanos foi derivado do alfabeto itálico antigo usado pelos etruscos. Esse alfabeto foi derivado do alfabeto eubeu usado pelos cumas, que por sua vez foi derivado do alfabeto fenício. O latim incluía 21 caracteres diferentes. A letra ⟨C⟩ era a forma ocidental do grego gama, mas era usada para os sons /ɡ/ e /k/ igualmente, possivelmente sob a influência do etrusco, que pode não ter nenhuma oclusiva sonora. Mais tarde, provavelmente durante o século III a.C., a letra ⟨Z⟩ – desnecessária para escrever latim corretamente – foi substituída pela nova letra ⟨G⟩, um ⟨C⟩ modificado com um pequeno traço vertical, que tomou seu lugar no alfabeto. A partir daí, o ⟨G⟩ passou a representar a oclusiva sonora /ɡ/, enquanto ⟨C⟩ era geralmente reservado para a oclusiva surda /k/. A letra ⟨K⟩ era usada apenas raramente, em um pequeno número de palavras como Kalendae, muitas vezes de forma intercambiável com ⟨C⟩.
Desenvolvimentos medievais e posteriores
Foi somente na Idade Média que a letra ⟨W⟩ (originalmente uma ligadura de dois ⟨V⟩) foi adicionada ao alfabeto latino, para representar sons das línguas germânicas que não existiam no latim medieval, e somente após o Renascimento a convenção de tratar ⟨I⟩ e ⟨U⟩ como vogais, e ⟨J⟩ e ⟨V⟩ como consoantes, foi estabelecida. Antes disso, os primeiros eram meramente alógrafos dos últimos. Com a fragmentação do poder político, o estilo de escrita mudou e variou muito ao longo da Idade Média, mesmo após a invenção da imprensa. Os primeiros desvios das formas clássicas foram a escrita uncial, um desenvolvimento da escrita cursiva romana antiga, e várias escritas chamadas minúsculas que se desenvolveram a partir da escrita cursiva romana nova, das quais a escrita insular desenvolvida pelos literatos irlandeses e suas derivações, como a minúscula carolíngia, foram as mais influentes, introduzindo as formas minúsculas das letras, bem como outras convenções de escrita que se tornaram padrão desde então.


