A Noite do Castelo
A Noite do Castelo é a primeira ópera séria do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes, com libreto de Antônio José Fernando dos Reis baseada na novela homônima de Antônio Feliciano de Castilho. A ópera, representada no Teatro Lírico Fluminense, no Rio de Janeiro, teve sua estréia no dia 4 de setembro de 1861. Sob a regência do compositor, foi dedicada a Francisco Manuel da Silva.
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Em 1860, Nhô Tonico, como Carlos Gomes era carinhosamente chamado pelos amigos, decidiu sair de Campinas e ir para o Rio de Janeiro, lá iniciou sua carreira de Maestro. Lá, longe da família e saudoso de seu amado pai, escreveu-lhe as seguintes linhas: Escrevo esta só para não demorar uma boa notícia. Afinal tenho um libreto. Foi extraído do poema de Castillo---A Noite do Castelo. Hoje mesmo começo a trabalhar na composição da ópera, prepare-se portanto, para vir ao Rio de Janeiro em 1861. Saudades muitas às manas e aos manos, principalmente ao Juca, abençoe-me como a seu filho muito grato. Carlos." A ópera revelou Carlos Gomes ao público carioca e estabeleceu um franco sucesso nos meios musicais brasileiros. Nessa ocasião, além das palavras, flores, versos e saudações delirantes, recebeu do Imperador do Brasil a Imperial Ordem da Rosa cravejada de brilhantes; da sociedade Campesina uma coroa de ouro maciço; das senhoras e moças fluminenses uma batuta de ouro, e de Francisco Manuel uma batuta de unicórnio.
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O estilo romântico de Carlos Gomes marca o tema desta obra. A ópera oferecia bastante variedade no palco para satisfazer o gênio que foi com sua criatividade musical. No Poema de A. F. de Castillo, o conto passa numa época gótica, cheia de terror, realçada pelo melodramático e supernatural. Inez é a heroína e Leonor é a enfermeira. No libreto de Fernando Reis para A Noite do Castelo, os papéis são trocados, Leonor se torna a heroína e Inez, a servente. Adolfo, do Poema, se torna Fernando na Ópera. Fernando Reis também cria novos personagens para a Ópera, como Raimundo, que anuncia, em sua ária a aparência do misterioso cavaleiro negro.
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A história se passa no castelo do Conde Orlando, no tempo da Primeira Cruzada.
Ato I
Os nobres, as donzelas e os aldeões celebram às vésperas do casamento de Leonor e Fernando. Um pajem anuncia a todos que, embora eles estejam todos felizes, Raimundo vai logo chegar com más notícias. Todos ficam curiosos, perguntando o que Raimundo dirá. Raimundo entra e em sua ária, "Era Alta Noite", ele narra que, numa noite terrível, enquanto ele estava sentado na porta de sua casa, meditando, ele ouviu um estranho gemido chamando, Leonor. E, quando ele levantou os seus olhos, ele quase morreu de susto; ele viu o fantasma do cavaleiro, vestido todo em armadura, olhando para o castelo e sussurrando o nome de Leonor. Quando Orlando, pai de Leonor, pergunta a identidade do estranho cavaleiro, Raimundo explica que já está muito velho, sua visão já não está tão boa para poder ver com certeza, mas que ele pensa que era o fantasma do sobrinho de Orlando, Henrique, que aparentemente tinha morrido na batalha do Monte Sião. Orlando comenta o fato que Leonor não poderá casar com nenhum outro, caso Henrique retorne e ainda esteja vivo. Raimundo diz que por outro lado, se for realmente o fantasma de Henrique, então, um desastre horrível vai cair sobre a cabeça de todos.
Ato II
O estranho cavaleiro entra com seu servente, Roberto, a quem ele ordena que espere em um local determinado. Quando o servente sai, o Cavaleiro canta sobre seu amor por Leonor, repudia sua traição e reforça sua sede por vingança, "Oh, sim, sofri cruéis saudades". Ao escutar o som de alguém que se aproxima, ele se esconde atrás de uns arbustos. Leonor e Fernando entram. Fernando insiste em ir para o castelo, mas Leonor hesita. O cavaleiro então os confronta. Ele desafia Fernando a um duelo. Leonor desmaia, e o cavaleiro brutalmente leva-a consigo, sendo perseguido furiosamente por Fernando. Os nobres que estão em busca do estranho cavaleiro entram, seguidos pelo conde. Leonor retorna rapidamente e diz ao seu pai que o cavaleiro matou Fernando. Então, além de seu desespero, ela imagina que seu pai, o conde, é o vingativo Cavaleiro e suplica a ele que tenha piedade dela. Enquanto isto, o coro, ao fundo, canta o comentário que ela obviamente está ficando louca.
Ato III
Os nobres saem da capela para procurar o misterioso Cavaleiro e matá-lo. Depois que eles saem, o Conde Orlando entra. Na sua ária, "Tu, Fernando, que adotei por filho", ele reflete que era Fernando que o tinha traído, e que Henrique, que tinha morrido na batalha, era um verdadeiro cavaleiro. Ele contempla que um cavaleiro desconhecido tinha que aparecer para acusar Leonor e Fernando da desgraça que tinham causado. Os nobres entram e dizem a Orlando que eles vão levar o corpo de Fernando para a capela. Ele pergunta se eles encontraram o assassino, e quando eles respondem que suas buscas foram inúteis, ele jura liderá-los em novas buscas. Inez está tentando convencer a perturbada Leonor a ir para cama e tentar dormir um pouco, mas Leonor imagina que ela vê o seu presumido marido morto. Na sua ária, "Henrique, Henrique", ela lembra de seu amor. Quando o relógio bate meia-noite, ela pede pelo Fernando, e diz a Inez que ele esta prestes a vir. Inez está perturbada, e quando Leonor ouve passos se aproximando, ela corre para a porta chamando pelo nome de Fernando.
Discografia
1978 Benito Juarez, Regente; Coral da Unicamp & Orquestra Sinfonica de Campinas.


