Campinas
Campinas é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. É um dos dezoito municípios que integram a Região Imediata de Campinas, que por sua vez é uma das onze regiões imediatas que integram a Região Intermediária de Campinas. Distante 99 km a noroeste de São Paulo, capital estadual, ocupa uma área de 794,571 km². Em 2022, sua população foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1 139 047 habitantes, sendo, em 2021, o terceiro município mais populoso de São Paulo e o décimo quarto de todo o país. Aparece em quinto lugar entre 100 municípios analisados pelo Índice das Melhores e Maiores Cidades Brasileiras, o BCI100, elaborado pela Delta Economics & Finance com base nos dados do Censo 2010 do IBGE e do Ideb.
A origem do topônimo Campinas (pronuncia-se AFI: [kɐ̃ˈpinɐs]) tem origem na criação do povoamento durante a abertura de caminhos para os atuais estados Goiás e Mato Grosso, feita por bandeirantes paulistas do Planalto de Piratininga. Uma dessas trilhas, aberta entre 1721 e 1730, chamava-se Caminho dos Goiases, onde depois se instalou um local para descanso entre as vilas de Jundiaí e Moji-Mirim. Posteriormente, esse local ficou conhecido como "Campinhos de Mato Grosso", depois "Bairro de Mato Grosso", e por fim "Campinas do Mato Grosso", por haver na região três pequenos terrenos descampados (campinas sem árvores), o que originou o nome atual do município.
Povoamento
As áreas que hoje constituem o estado de São Paulo já eram habitadas pelo homem desde aproximadamente 12 000 a.C. Até a primeira metade do século XVIII, Campinas não passava de uma área ampla constituída por largas faixas de campos naturais, as quais eram designadas simplesmente por campinas, com áreas de mata atlântica fechadas ao redor, em especial nas regiões montanhosas. Naquela época, surgiu um bairro rural na Vila de Jundiaí (hoje Jundiaí) chamado "Mato Grosso", próximo a uma trilha feita por Bandeirantes do "Planalto de Piratininga" (a região da atual cidade de São Paulo) entre 1721 e 1730. Era a "Trilha dos Goiases", desbravada por Bandeirantes e que seguia em direção às então recém-descobertas "Minas dos Goiases", no atual Estado de Goiás. Assim o Bandeirante Fernão de Camargo promoveu a noroeste da Vila de São Paulo a instalação de um ponto de parada de tropeiros (chamado "Campinas do Mato Grosso" por ter sido erguido num desses campos naturais cercados por mata cerrada) que era usualmente feita pelos Bandeirantes, que com isso permitiam ou facilitavam futuro reabastecimento de suas empreitadas desbravadoras, e por isso ao longo do tempo impulsionou comércio e atraiu moradores para o local.
Formação administrativa e crescimento econômico
Por volta do século XVIII, houve a chegada de vários fazendeiros oriundos de diversas cidades paulistas, como Itu, Porto Feliz e Taubaté. Esses fazendeiros procuravam terras para cultivarem lavouras de cana-de-açúcar e engenhos de açúcar, utilizando-se da mão de obra escrava que possuíam. De fato, também foi por motivação destes fazendeiros e do Governo da então Capitania de São Paulo que o bairro rural do Mato Grosso foi transformado em freguesia, depois em Vila de São Carlos (1797) e, posteriormente, em Cidade de Campinas (1842). Até o final do século XVIII, a cana-de-açúcar era principal atividade de subsistência da região. Entretanto, naquela época, houve uma grande expansão das plantações de café. Os cafezais foram, com o passar do tempo, sendo cultivados no lugar da cana-de-açúcar, colaborando para um novo e rápido ciclo de desenvolvimento da região campineira, o que fez com que a cidade recebesse uma grande demanda de trabalhadores, inclusive escravos, oriundos de diferentes regiões do país, que eram empregados nas plantações e em atividades produtivas rurais e urbanas.
Século XX
A última alteração havia sido feita pela lei estadual nº 8 092, de 28 de fevereiro de 1964, emancipando de Campinas o município de Paulínia. Esta foi sucedida pela Lei Ordinária Estadual nº 8 550 de dezembro de 1993, que moveu o distrito de Betel a Paulínia. Atualmente o município é constituído por sete distritos (em ordem de criação): Campinas (distrito-sede), Sousas, Barão Geraldo, Joaquim Egídio, Nova Aparecida, Campo Grande e Ouro Verde. O distrito de Sousas foi criado pela Lei estadual nº 416 de 24 de julho de 1896; Barão Geraldo foi criado pela Lei estadual nº 2 456 de 30 de dezembro de 1953; Joaquim Egídio foi criado pela Lei estadual nº 5 285 de 18 de fevereiro de 1959; Nova Aparecida foi criado pela Lei estadual nº 8 092 de 28 de fevereiro de 1964. Campo Grande e Ouro Verde foram criados pelas Leis municipais 15 058 e 15 059, respectivamente, de 10 de setembro de 2015. Adicionalmente, o distrito-sede esteve no passado dividido em três subdistritos: Conceição, Santa Cruz e Vila Industrial, respectivamente 1º, 2º e 3º subdistritos.
Período contemporâneo
A partir de 1998, a cidade vem assistindo a uma mudança acentuada na sua base econômica: perde importância o setor industrial (com a migração de fábricas para cidades vizinhas ou outras regiões do país), e ganha destaque o setor de serviços (comércio, pesquisa, serviços de alta tecnologia e empresas na área de logística). Desde a década de 2000, graças a investimentos públicos e privados, a cidade vem alcançando seu equilíbrio econômico e social, tornando-se um município cada vez mais competitivo perante a Região Metropolitana de Campinas. Leis de incentivos para empresas que se instalarem na cidade foram criadas e a obra de ampliação da Rodovia dos Bandeirantes, cujo trajeto passa pelo município, trouxe novas possibilidades de desenvolvimento.
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 794,571 km². Situa-se a 22º54′21” de latitude sul e 47º03′39” de longitude oeste e está a uma distância de 96 km a noroeste da capital paulista. Seus municípios limítrofes são Paulínia, Jaguariúna e Pedreira, a norte; Morungaba, Itatiba e Valinhos, a leste; Itupeva, Indaiatuba e Monte Mor, a sul; e Hortolândia e Sumaré, a oeste. O ponto mais alto de Campinas está próximo ao Observatório Municipal Jean Nicolini, localizado na Serra das Cabras, no distrito de Joaquim Egídio, na Região Leste, a uma altitude de 1 033 m. Dentro do perímetro urbano, entretanto, a região mais alta está no Jardim São Gabriel, na Região Sul, a 780 m de altitude. As menores altitudes se verificam em lados opostos da cidade: 573 m próximo ao Rio das Pedras no distrito de Barão Geraldo, Região Norte e 568 m na região do Ouro Verde (Região Sudoeste), próximo ao Rio Capivari. Geomorfologicamente, a cidade de Campinas localiza-se em uma área de transição entre a Depressão Periférica Paulista, que é mais notada a oeste do município, e o Planalto Ocidental, mais perceptível a leste.
Hidrografia
Campinas está localizado junto a duas bacias hidrográficas: a do rio Piracicaba, que abrange o rio Atibaia e os ribeirões Anhumas e Quilombo, ocupa as Regiões Norte, Central e Leste da cidade, estendendo-se por uma área de 12 531 km², abrangendo o sudeste do estado de São Paulo e extremo sul de Minas Gerais e a do Capivari, que abrange o ribeirão Piçarrão, ocupando as regiões Noroeste, Sudoeste e Sul da cidade, estendendo-se por uma área de 1 611 km², abrangendo cidades das regiões de Jundiaí, Campinas e Capivari. Dentre os rios que cortam o município de Campinas, os principais são o Capivari, o Jaguari, o Capivari-Mirim e o Atibaia, sendo que este último citado é de especial relevância para o abastecimento de água do município, já que grande parte da captação é feita em sua bacia.
Clima
Com a atualização climática do período entre 1991 e 2020, Campinas deixou de ter clima tropical de altitude (ou subtropical úmido — Cwa, de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger) e tornou-se tropical com estação seca (Aw, segundo a tabela citada, devido ao fato de a temperatura média do mês mais frio ter se tornado superior a 18 °C). Entretanto, por conta de sua localização geográfica, Campinas também recebe influência de sistemas meteorológicos do clima subtropical. A temperatura média anual é de 22 °C; o verão é quente com precipitação e o inverno é agradável com pouca precipitação. Ao longo do ano, normalmente, a temperatura mínima nos meses mais frios é de 13 °C e a temperatura máxima nos meses mais quentes é de 30 °C e raramente é inferior a 8 °C ou superior a 34 °C.
Ecologia e meio ambiente
A maior parte da vegetação original existente na cidade, a Mata Atlântica, foi devastada. Assim como outros treze municípios da Região Metropolitana de Campinas, o município sofre um grave estresse ambiental, sendo que Campinas é considerada como uma das áreas mais sujeitas a enchentes e assoreamentos, contando com menos de 5% de cobertura vegetal. Para tentar reverter este quadro, vários projetos foram e estão sendo realizados e planejados, como a construção de corredores ecológicos, como a regulamentação do Plano de Gestão da Área de Preservação Ambiental de Campinas. Também há vários projetos ambientais para combater a destruição das matas ciliares localizadas às margens do rio Atibaia, que, como citado anteriormente, conta com um elevado índice de poluição de suas águas. Hoje Campinas abriga a Área de Relevante Interesse Ecológico Mata de Santa Genebra, de 251 hectares, criada em 1985 e regulada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Prefeitura de Campinas e Fundação José Pedro de Oliveira. Atualmente, já é a segunda maior floresta urbana do Brasil, ficando atrás apenas da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. A cidade também apresenta grandes bosques, como o Bosque dos Jequitibás (instalado em 1881), Bosque dos Alemães e Bosque dos Guarantãs.
No censo demográfico de 2022 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município era de 1 139 047 habitantes, apresentando uma densidade populacional de 1 433,54 hab./km², sendo o terceiro mais populoso do estado (atrás apenas de Guarulhos e da capital paulista). Campinas também é o município mais populoso tanto do interior paulista quanto do interior do Brasil. Segundo o censo demográfico de 2022, 543 013 habitantes eram homens e 596 034 habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 1 132 934 habitantes viviam na zona urbana e 6 113 na zona rural.
Composição étnica
Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística daquele ano, a população campineira era composta por 677 979 brancos (59,52%); 104 770 pretos (9,20%); 342 975 pardos (30,11%); 11 923 amarelos (1,05%); 1 313 indígenas (0,12%); além dos 87 sem declaração. A cidade recebeu imigrantes principalmente durante o século XX, que foram atraídos pelo grande crescimento das indústrias de Campinas, que exigiu mais trabalhadores, e também pelo desenvolvimento do cultivo da cana-de-açúcar. Hoje, grande parte deles está concentrada na região conhecida como Pedra Branca, onde há predomínio de descendentes de italianos, portugueses e japoneses.
Região metropolitana
O intenso processo de conurbação atualmente em curso na região vem criando uma metrópole cujo centro está em Campinas e atinge vários municípios, como Sumaré, Americana, Indaiatuba, Hortolândia, Santa Bárbara d'Oeste, Valinhos, Itatiba e Paulínia. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi criada pela lei complementar estadual 870, de 19 de junho de 2000, e atualmente é constituída por vinte municípios, sendo a décima maior aglomeração urbana do Brasil, com 3 043 217 habitantes, ou 1,5% da população brasileira. É uma das mais dinâmicas no cenário econômico brasileiro e representa 2,7%o do produto interno bruto nacional e 7,83% do produto interno bruto paulista, ou seja, cerca de 77,7 bilhões de reais por ano. Além de possuir uma forte economia, a região também apresenta uma infraestrutura que proporciona o desenvolvimento de toda a área metropolitana.
Pobreza e desigualdade
Segundo o IBGE, no ano de 2010 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social era de 0,56 em Campinas, sendo que 1,00 é a desigualdade absoluta e 0,0 é a desigualdade inexistente, estando o município pouco acima da média nacional naquele mesmo período, que era de 0,5304. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 9,83%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 6,6%, o superior era de 13,06% e a incidência da pobreza subjetiva era de 7,29%. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Campinas é considerado muito alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em 2010 seu valor era de 0,805, sendo o décimo quarto maior do estado de São Paulo (em 645 municípios) e o 28° do Brasil (entre 5 565).
Religião
Campinas está localizada no país mais católico do mundo em números absolutos. A Igreja Católica teve seu estatuto jurídico reconhecido pelo governo federal em outubro de 2009, ainda que o Brasil seja atualmente um estado oficialmente laico. Tal qual a variedade cultural verificável em Campinas, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração — e ainda hoje a maioria dos campineiros declara-se católica —, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes, assim como a prática do budismo, do islamismo, espiritismo, religiões de matriz africana, entre outras. Nas últimas décadas, o budismo e as religiões orientais têm crescido bastante na cidade. Estima-se que existem mais de 100 000 seguidores budistas, seichonoitas e hinduístas. Também são consideráveis as comunidades judaicas, mórmons e das religiões afro-brasileiras.
A administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo. O poder executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários e eleito pelo voto direto para um mandato de quatro anos. Campinas teve como primeiro intendente Antônio Álvares Lobo, que ficou no cargo entre 1892 e 1894, e Orosimbo Maia foi o primeiro prefeito (1908–1910). O atual prefeito é Dário Saadi, do Republicanos, eleito no segundo turno das eleições municipais de 2020, tendo como vice Wanderley de Almeida, do Partido Socialista Brasileiro (PSB). O poder legislativo é representado pela câmara municipal, formada por 33 vereadores. Campinas é a sede de uma comarca do poder judiciário estadual, localizada na Cidade Judiciária de Campinas, localizada no bairro Jardim Santana, Região Leste, um complexo que desde a inauguração já foi ampliado algumas vezes. Até 2005, a comarca se localizava no Palácio da Justiça, mais conhecido como "Fórum", no Centro, que já não tinha mais espaço para o crescimento da demanda.
Cidades-irmãs
Cidades-irmãs é uma iniciativa do Núcleo das Relações Internacionais, que busca a integração entre a cidade e demais municípios nacionais e estrangeiros. A integração entre os municípios é firmada por meio de convênios de cooperação, que têm o objetivo de assegurar a manutenção da paz entre os povos, baseada na fraternidade, felicidade, amizade e respeito recíproco entre as nações. Oficialmente, possui 23 cidades-irmãs. São elas:
O município de Campinas possui, além das subprefeituras dos seus quatro distritos (além de mais dois em processo de criação), quatorze administrações regionais, cada uma delas, por sua vez, dividida em vários bairros. Também divide-se em seis regiões: Central, Norte, Leste, Sul e Noroeste e Sudoeste. Dentre os distritos, no ano de 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o mais populoso, além da sede, era Barão Geraldo, que possuía 45 585 habitantes. Atualmente, um dos bairros mais populosos é o Taquaral.
O Produto Interno Bruto de Campinas é o maior da Região Metropolitana de Campinas, o quarto do estado de São Paulo e o 12.º de todo o país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística relativos a 2021, o produto interno bruto do município era de 72 946 774,92 mil reais, sendo que 13 827 268,516 mil são de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O produto interno bruto per capita é de 59 634,21 reais e o Índice de Desenvolvimento Humano de renda é de 0,829. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade possuía, no ano de 2009, 46 362 unidades locais, 44 496 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes e 780 390 trabalhadores, sendo 420 180 pessoal ocupado total e 360 210 ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 9 233 608 reais e o salário médio mensal de todo município era de 4,4 salários mínimos. A principal fonte econômica está centrada no setor terciário, com seus diversos segmentos de comércio e prestação de serviços de várias áreas, como na educação e saúde. Em seguida, destaca-se o setor secundário, com complexos industriais de grande porte.
Educação, ciência e tecnologia
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica médio entre as escolas públicas de Campinas era, no ano de 2009, de 4,7; valor acima ao das escolas municipais e estaduais de todo o Brasil, que é de 4,0%. O município contava, em 2009, com aproximadamente 206 325 matrículas, 10 464 docentes e 702 escolas nas redes públicas e particulares. O valor do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da educação era de 0,731 (2010). Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e do Ministério da Educação, o índice de analfabetismo no ano de 2000 entre pessoas de 18 a 24 anos de idade era de 1,330%, enquanto que a taxa de alfabetização adulta naquele ano era de 95,01%. A taxa bruta de frequência à escola naquele ano era de 87,540%, sendo que no país esse índice era de 81,5%. 16 605 habitantes possuíam menos de 1 ano de estudo ou não contava com instrução alguma. Em 2010, 709 alunos frequentavam o sistema de educação especial e 8 552 crianças estudavam em creches, sendo que 1 512 alunos de creches possuíam aulas em tempo integral.
Saúde
Em 2009, o município possuía 373 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 103 deles públicos e 270 privados. Neles a cidade possuía 3 mil leitos para internação, sendo que 817 estão nos públicos e os 2 183 restantes estão nos privados. Um dos hospitais mais antigos da região, situado na cidade, é a Casa de Saúde Campinas, que tem suas origens em surtos de febre amarela ocorridos entre o final do século XIX e começo do século XX. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Campinas possui 51 médicos, 18 enfermeiros e 70 motoristas. Também há 61 Centros de Saúde (Unidades Básicas de Saúde), aproximadamente 1 para cada 20 mil habitantes.
Segurança pública e criminalidade
Como na maioria dos municípios médios e grandes brasileiros, a criminalidade ainda é um problema em Campinas. Em 2008, a taxa de homicídios no município foi de 15,9 para cada 100 mil habitantes, ficando em 82° lugar no estado e em 1147° lugar no país. O índice de suicídios naquele ano para cada 100 mil habitantes foi de 5,6, sendo o 112º a nível estadual e o 1030º a nível nacional. Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de trânsito, o índice foi de 25,6 para cada 100 mil habitantes, ficando no 92º a nível estadual e no 721º lugar a nível nacional. Para tentar reduzir esses índices, são realizados diversos projetos no combate à criminalidade, como a criação da Coordenadoria de Prevenção às Drogas, que visa a combater o uso de entorpecentes, prática que, cada vez mais, vem se disseminando principalmente entre os jovens, sendo que é uma das principais causas de ocorrências de crimes. Por força da Constituição Federal do Brasil, Campinas possui também uma Guarda Municipal, responsável pela proteção dos bens, serviços e instalações públicas do município.
Habitação, serviços e comunicação
No ano de 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade tinha 283 446 domicílios entre apartamentos, casas, e cômodos. Desse total 197 536 eram imóveis próprios, sendo 162 263 próprios já quitados (57,25%), 35 273 em aquisição (12,44%) e 50 244 alugados (17,73%); 22 829 imóveis foram cedidos, sendo 4 701 por empregador (1,66%) e 18 128 cedidos de outra maneira (6,44%). 12 837 foram ocupados de outra forma (4,53%). Grande parte do município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Naquele ano, 96,37% dos domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água; 95,45% das moradias possuíam coleta de lixo e 85,88% das residências possuíam escoadouro sanitário.
Transportes
Campinas foi um dos maiores entroncamentos ferroviários do estado de São Paulo. Os trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro chegaram à cidade em 1872, enquanto que os da Companhia Ytuana (posteriormente Estrada de Ferro Sorocabana) e os da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro chegaram à cidade entre 1873 e 1875. Dali, partiam trilhos para o Sul de Minas Gerais (pela Mogiana), para o Interior do Estado e Mato Grosso do Sul (pela Paulista e pela Sorocabana) e duas pequenas linhas extintas: a Funilense ("Funil" era o nome da fazenda que daria o nome ao núcleo que originou o município de Cosmópolis.) A cidade é um dos maiores entroncamentos rodoviários do país, nela passando diversas rodovias. Algumas das mais importantes para a cidade são: Rodovia Anhanguera; Rodovia dos Bandeirantes; Rodovia Adalberto Panzan; Rodovia Dom Pedro I; Rodovia Santos Dumont; Rodovia Adhemar de Barros; Rodovia Professor Zeferino Vaz; Rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença; Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira e Rodovia Lix da Cunha.
A responsável pelo setor cultural de Campinas é a Secretaria Municipal de Cultura, que tem como objetivo planejar e executar a política cultural do município por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural. Está vinculada ao Gabinete do Prefeito, integra a administração pública indireta do município e possui autonomia administrativa e financeira, assegurada, especialmente, por dotações orçamentárias, patrimônio próprio, aplicação de suas receitas e assinatura de contratos e convênios com outras instituições. A área foi estruturada pela Lei Municipal 10 248, de 15 de setembro de 1999, sendo composta pelo Gabinete do Secretário Municipal de Cultura, pelo Departamento Administrativo, pelo Departamento da Cultura, pelo Departamento de Orquestra Sinfônica de Campinas e pelo Departamento do Sistema Municipal de Rádio e TV. A cidade sempre teve uma posição destacada no estado de São Paulo com grande produção e recursos culturais. Conta com três teatros municipais, com a Orquestra sinfônica da cidade, vários grupos de música erudita, corais, 43 salas de cinema, dezenas de bibliotecas, galerias de arte, museus e editoras de destaque nacional.
Espaços teatrais e artes cênicas
Campinas conta com três teatros municipais, sendo eles o Centro de Convivência — espaço multiúso, que possibilita a realização de espetáculos de teatro, de dança, palestras, simpósios, conferências, exposições artísticas e outras áreas, que foi projetado pelo arquiteto Fábio Penteado, sendo inaugurado em 1976 e possuindo capacidade para aproximadamente cinco mil pessoas — o Teatro Municipal José de Castro Mendes, fundado em 1976, adaptado a partir do prédio do antigo cinema da Vila Industrial, o Cine Casablanca, não possuindo traços arquitetônicos marcantes, além de estar em reformas sem previsão de acabamento desde 2007 — além do Teatro Infantil "Carlos Maia", localizado no interior do Bosque dos Jequitibás, possuindo capacidade para cerca de 150 pessoas e sendo projetado para atender a demanda do público infantil.
Pontos turísticos
Quanto aos atrativos turísticos, o principal parque urbano da cidade é o Parque Portugal, mais conhecido como Taquaral, em função do nome da lagoa, fundado em 1972. Nele há um ginásio esportivo, uma rota de bonde que circunda a lagoa, o Planetário. Outras atrações são o Bosque dos Jequitibás, que em seu interior abriga um minizoológico, e o Museu de História Natural. O mirante no alto da Torre do Castelo permite uma vista quase completa da cidade a partir de suas seis amuradas. Há também a Estação Cultura, que ocupa as instalações da antiga estação ferroviária da cidade, datada de 1884. Também há a Estação Anhumas, ponto inicial do percurso turístico de maria-fumaça que liga Campinas a Jaguariúna.
Museus e bibliotecas
Campinas possui vários museus, dentre eles o Museu de Arte Contemporânea — instituição pública municipal, subordinada à Secretaria da Cultura, Esporte e Lazer, e voltada à conservação, estudo e divulgação da arte contemporânea brasileira — o Museu de Arte Moderna — o Museu de História Natural — instituição tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (CONDEPHAAT, em 1970) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), em 1991) — o Museu da Imagem e do Som — museu público focado em difundir e preservar o acervo da memória audiovisual do município — e Museu da Cidade (MuCi) — inaugurado em 1992, resultado da fusão dos acervos de três museus: o Histórico, o do Folclore e o do Índio.
Literatura
A Academia Campinense de Letras (ACL), criada em 17 de maio de 1953, por iniciativa do então municipal secretário de educação e cultura, professor Francisco Ribeiro Sampaio, também titular da cadeira de filologia portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), é a instituição que reúne os habitantes da cidade que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário. Seguindo os moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), a ACL é composta de quarenta cadeiras de provimento vitalício. Foram escolhidos, na ocasião de sua fundação, 16 nomes para formar o corpo acadêmico dos fundadores. Esses, por sua vez, elegeram outros 24 intelectuais para compor o primeiro quadro de imortais. Dentre a galeria dos componentes, estão nomes como Monteiro Lobato, Júlio de Mesquita e Vital Brasil.
Gastronomia
A cidade possui uma vida noturna muito agitada, além de diversos bares e restaurantes, existe uma gastronomia no município que, apesar de pouco conhecida, é muito rica e diversa. Dentre as comidas típicas da cidade se destaca a torta holandesa, receita criada em Campinas da década de 1990 e que se espalhou por todo o país. Outra sobremesa de destaque é o sorvete de Leitinho Trufado, mais conhecido como Ninho Trufado. Esse sorvete é composto por massa de baunilha com Leite Ninho e lascas de trufa de chocolate, sendo muito popular em diversas sorveterias da cidade. Além disso, a cidade possui outras receitas típicas, mais conhecidas localmente, como o sanduíche servido em baguete com o característico corte "Boquinha de Anjo". Criado na década de 1960 pelo chapeiro “Moleza”, no tradicional Restaurante Giovanetti, o corte surgiu como uma forma prática de compartilhar lanches entre os funcionários. No entanto, tornou-se especialmente popular entre o público feminino devido à facilidade de consumo e divisão do lanche.
Esportes
Campinas é sede de dois clubes de futebol reconhecidos nacionalmente: a Associação Atlética Ponte Preta e o Guarani Futebol Clube (sendo este o único clube de interior do país a se sagrar campeão brasileiro), que realizam o "Dérbi Campineiro", partida que é considerada uma das mais tradicionais do Interior do estado, que ocorre desde 1912. O futebol feminino também vem se destacando, ainda que de forma amadora. Na história se revelaram outros clubes, como o Esporte Clube Mogiana, que foi criado em 7 de junho de 1933 e que veio a falência na década de 60, também o Campinas Futebol Clube fundado em 1 de janeiro de 1998 e deixou de existir no ano de 2010 devido a problemas financeiros e políticos e mais recentemente o Red Bull Brasil fundado em novembro de 2007, porém a equipe migrou para Bragança Paulista em fevereiro de 2021.


