Carioca
Carioca é o gentílico oficial do município do Rio de Janeiro, capital do estado do Rio de Janeiro, no Brasil, também podendo referir-se, como adjetivo, a tudo que pertence ao município do Rio de Janeiro, como por exemplo aos seus bairros. É também aceito popularmente como gentílico de todo o estado do Rio de Janeiro e ao que se refere a ele, por exemplo em Campeonato Carioca de Futebol, mesmo sendo "fluminense" o gentílico oficial.
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O termo "carioca" é de origem tupi e foi adotado como gentílico a partir do nome do Rio Carioca, principal fonte de água potável da cidade por um longo tempo. No entanto, a história da etimologia palavra contou com diferentes interpretações. Historicamente, a tese mais difundida foi a que a palavra significaria "casa de homem branco": kara'iwa (homem branco) + oka (casa), como referência a uma suposta casa de pedra construída próxima à foz do Rio Carioca por Gonçalo Coelho, na segunda expedição portuguesa à Baía de Guanabara, em 1503-1504. Essa tese foi formulada nos anos 1850s pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, e segue até hoje bastante citada em livros contemporâneos. Contudo, ainda que a tese siga aparecendo em dicionários gerais e obras de referência, hoje é consenso entre linguistas que essa tese é errada, tanto do ponto de vista historiográfico quanto linguístico. Em vez disso, a tese que se apresenta é que o nome vem de kariîó + oka, "casa do indígena carijó" — nome da principal aldeia tupinambá na margem esquerda da Baía, ocupando um território na foz do Rio Carioca, correspondente aos atuais bairros da Glória, Catete e Flamengo. De fato, dois documentos históricos fundamentais apoiam essa explicação: o escritor francês Jean de Léry, que fez parte da expedição francesa que implantou a França Antártica, lista em seu Viagem à Terra do Brasil (1574), as aldeias tupinambá visitadas por ele entre 1557 e 1558, e descrever assim o nome da Aldeia Karióka (tradução de Rafael Freitas da Silva):
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No período colonial (século XVI - século XVIII), os nascidos na capitania do Rio de Janeiro eram conhecidos por "carioca", devido ao Rio Carioca, que era o rio que fornecia água potável à população (aqueles que "bebiam das águas do Carioca"). A partir de 1783, por decreto de D. Luiz de Vasconcelos, então vice-rei do Brasil, foi criado um novo gentílico "mais civilizado" para o Rio de Janeiro, o "fluminense", a partir do termo latino flumen, que significa "rio", em alusão ao "Rio". Segundo o relato de Dom Juan Francisco de Aguirre, nobre espanhol que visitou o Rio de Janeiro em março de 1782, os naturais do Rio de Janeiro passaram a ser apelidados de “cariocas” devido ao seu deslumbramento com o Aqueduto da Carioca e suas águas: "Foi esse deslumbre pelo seu aqueduto que fez com que os naturais desta cidade ficassem conhecidos como cariocas, nome da fonte de onde a água que abastece a região. Logo que estabelecem contato com um europeu, os cariocas apressam-se em dizer-lhe que essa água tem o poder de enfeitiçá-lo e de fazê-lo fixar residência na cidade".


