Península Ibérica
Península Ibérica, Península Hispânica ou Península Pirenaica é uma península situada no sudoeste da Europa. É dividida na sua maior parte por Portugal e Espanha, mas também por Andorra, Gibraltar, e pequenas frações do território de soberania francesa nas vertentes ocidentais e norte dos Pirenéus, até ao local onde o istmo está situado. Com uma área de cerca de 580 000 km², é a segunda maior península da Europa, ultrapassada apenas pela Península Escandinava em área, e em população pela Península Balcânica.
"Península Ibérica" é o termo atual com que se designa a península. No passado a mesma possuía outras designações, atribuídas pelos diversos povos que a habitaram:
Os países ou territórios situados na Península Ibérica são:
Orografia
Entre as principais cordilheiras da Península Ibérica estão a Bética (subdivide-se nas cordilheiras Penibética e Sub-bética), Cantábrica (da qual fazem parte os Picos da Europa), Pré-litoral Catalão, o Sistema Central e o Sistema Ibérico. Algumas das serras mais representativas destas cordilheiras ou isoladas são a Nevada, de Guadarrama, Morena, de Gredos, La Serrota, da Estrela, do Larouco, do Gerês, do Soajo, do Marão, de Montesinho, de Bornes, da Nogueira, de Leomil, do Caramulo, da Marofa, de Gata, da Gardunha, da Lousã, de Alvelos ou de São Mamede.
Polos urbanos
Segundo o projeto das FUAs (Functional Urban Areas), que visa harmonizar a definição de cidade e maximizar comparabilidade, as áreas urbanas com mais de meio milhão de habitantes na Península Ibérica são:
O termo Hispania (ou Hispaniae, Hispaniarum, Yspania, Spania ou Hespanha) continuará a determinar por alguns séculos os habitantes da Península Ibérica. A obra Os Lusíadas, de Camões, menciona os portugueses como "Uma gente fortíssima de Hespanha" (canto I, verso 31), ou "a nobre Espanha" (canto III, verso 17), composta por várias nacionalidades, onde se incluem, entre outras, Castela (atual Reino de Espanha) e o Reino Lusitano (Portugal) (canto III, versos 19 e 20). O nome "Espanha" é utilizado por Camões de forma puramente geográfica, como sinónimo de "Península Ibérica", um uso comum na época derivado do latim Hispania. Aquando da formação da Monarquia Católica, segundo relata a Crónica dos Reis Católicos de Fernando del Pulgar em 1479, já teria sido colocada a questão quanto ao título dos novos monarcas, tendo sido apreciada a hipótese de poder vir a ser "Reis de Espanha". Concluiu o Conselho Real que não o deveriam fazer porque ainda não controlavam a totalidade da Península Ibérica: "os votos de alguns do Conselho era que tomassem por direito o título de reis de Espanha, porque sendo agora os sucessores dos reinos de Aragão, eram senhores da maioria dela [da Península Ibérica]. Mas resolveram não o fazer […]".
Começou por ser descrita pelos gregos como Ibéria (terra dos iberos), depois pelos romanos por Hispania, continuando a ser alvo de estudo a sua etimologia. Durante o I milénio a. C. houve intenso contato, especialmente no leste e no sul da península, entre os chamados povos indígenas e os chamados povos colonizadores históricos provenientes do Mediterrâneo oriental: fenícios , gregos e cartagineses. No final do século III aC. C. ocorreu a intervenção romana, no contexto das Guerras Púnicas, que iniciou um profundo processo de romanização. É possível que o termo Társis, usado em textos semíticos para nomear as terras mais ocidentais do Mediterrâneo, seja equivalente ao termo grego Tartessos. A sua identificação com a Península Ibérica não é clara, como é o caso do termo Hesperia, citado nas fontes gregas mais arcaicas como o local onde o Sol se põe, que também é oriundo dos Campos Elísios ou das Ilhas Afortunadas . Hesperia era o lugar distante do mito de Hércules e do pomar de maçãs douradas das Hespérides . À medida que o conhecimento geográfico dos gregos se expandia, este termo foi muito utilizado para se referir à península, mas mesmo assim foi interpretado como o ponto mais ocidental do Mediterrâneo, sem especificação. A maioria das fontes gregas referia-se a este território com o termo Ibéria (retirado do topónimo nativo do rio Iber –Ebro–, de algum outro rio, especialmente na zona sudoeste, ou do topónimo genérico de qualquer rio). Por sua vez, as fontes latinas usaram o termo Hispânia, de possível origem fenício-cartaginesa ( y-spny –"costa do norte"–)..
Hispânia romana
Começa a romanização da Península no ano 218 a.C. quando as tropas romanas desembarcaram no nordeste da Península para impedir novos ataques, por parte dos Cartagineses através dos Pirenéus, como já havia ocorrido. Derrotados os cartagineses, seguem rumo a sul e conquistam a capital cartaginesa, Cádis, uma das cidades mais antigas da Europa. A romanização foi um processo relativamente lento que começou na costa este e sul em direção ao oeste e norte, sendo a costa cantábrica (que abrange a Galiza, Astúrias, Cantábria e parte do País Basco) a última zona da Península a ser conquistada. O País Basco conservou de forma notável a língua e outros aspetos culturais. O uso do latim não foi imposto; as pessoas aprenderam-no por conveniência e pelo prestígio do idioma. O processo de romanização foi rápido em algumas zonas (leste e sul) e mais lento noutras (interior, oeste e norte). Destacando a dificuldade que enfrentaram os romanos ao invadir a região habitada pelos Lusitanos devido aos seus combatentes e ao seu resiliente líder, Viriato. Embora sejam escassas as informações e dados pessoais deste líder, sabe-se que dificultou o processo de romanização, principalmente nas zonas montanhosas do interior compreendidas a sul do rio Douro e norte do Tejo (atualmente corresponde a uma significativa parte do território português compreendida pelo interior da Região do Centro mais próximo da Serra da Estrela), a tal ponto que Roma, segundo consta, enviou um dos seus generais, Serviliano, para acompanhar os combates. Vários poemas e escritores fazem referência a este líder como um guerreiro audaz, que acabou assassinado pelo seu entorno. Este episódio terminou em 139 a.C. com o período que mais tarde se designou "Guerras Lusitanas", sendo o território conquistado integrado na Hispânia Ulterior.
Invasões bárbaras e Reino suevo
O Reino Suevo foi um dos primeiros reinos a separar-se do Império Romano que, no ano 409, invadiu a Península Ibérica, juntamente com os vândalos e os alanos. Convém destacar que este povo germânico não obteve o mesmo sucesso que Roma na sua conquista, não conseguindo um domínio integral da Península, tal como Roma havia conseguido. A parte da atual Galiza e os territórios setentrionais de Portugal estavam sob domínio dos suevos, que mais tarde coexistiram com os visigodos. O País Basco, que protagonizou várias revoltas, apesar de todas estas invasões e domínios, soube preservar uma cultura e língua pré-romana única.
Reino visigodo
Depois de expulsos pelos francos do Reino de Toulousa (hoje Toulouse), os visigodos, liderados por Teodorico II, invadem a Península Ibérica em 456, derrotando os suevos na Batalha de Órbigo. Acentua-se o enfraquecimento do Império Romano do Ocidente, instalando-se os visigodos e elevando a cidade de Toledo a capital do seu reino. Para facilitarem a colonização da península, decidiram, em vez de impor a sua língua, adquirir a língua autóctone, o latim, e os costumes cristãos. No Terceiro Concílio de Toledo, em 589, o rei Recaredo renunciou ao arianismo e anunciou a sua fé no credo niceno-constantinopolitano, professado pelo catolicismo romano.
Expansão muçulmana no Al-Andalus
No ano de 711, iniciou-se a expansão muçulmana do Califado Omíada na Península Ibérica, a partir do que hoje se chama Gibraltar (em árabe: Jebel al Tarik, "Montanha de Tárique"), honrando Tárique ibne Ziade, o comandante da invasão muçulmana, o comandante berbere que liderou a primeira invasão. Tal como ocorreu com os suevos, não existiu uma islamização completa da península. Durante o período islâmico, sucederam-se numerosos cruzamentos entre os habitantes da península e os invasores. Houve um período de bilinguismo em que as populações falavam tanto o árabe como o latim,[necessário esclarecer][parcial?][não consta na fonte citada] até que, progressivamente, começou a ser falada a língua moçárabe, que seria o resultado linguístico de muitos anos de contacto entre o árabe e o latim e, mais tarde, influente na formação do galego-português. As populações cristãs que viviam sob domínio muçulmano, denominadas moçárabes, era quem falavam esta variedade que, embora a sua classificação seja polémica, é claramente, segundo os linguistas, uma língua que adquiriu grande parte do seu léxico do latim que, neste contexto, seria a língua de substrato em relação ao árabe.
Movimento ibérico cristão, a Reconquista
O movimento de conquista da península pelos reinos cristãos, também conhecido por Reconquista, inicia-se no século VIII com a expansão a partir das Astúrias e na zona da Marca Hispânica (marca de fronteira), controlada pelos condados afetos ao Império Carolíngio até ao século X, e termina com a conquista do Reino Nacérida de Granada, em 1492. A partir do ano 824, será levada a cabo pelos reinos de Navarra, de Leão a partir de 910, Castela a partir de 1065, Condado de Ribagorça (que dará origem ao Reino de Aragão em 1035) e Condado de Barcelona, cujo conde deixa de prestar vassalagem aos reis francos no século X. Na Idade Média Andorra está dependente do Condado de Urgel depois de ser cedida ao conde Sunifredo de Narbona em 839. Em 1133, o conde Ermengol VI transmite todos os direitos de propriedade do vale de Andorra ao catalão bispo de Urgel (cuja soberania do Vale é partilhada a partir de 1610 com o rei de França).
Abolição dos reinos medievais da Monarquia Católica
Apesar das uniões dinásticas, só com o final da Guerra da Sucessão Espanhola, que envolveu belicamente toda a Península Ibérica, e os Decretos do Novo Plano no século XVIII, se dá a dissolução dos reinos existentes dependentes da Coroa de Castela, fomentando a centralização do poder. Estes decretos foram o fim da polissinódia hispânica, sistema de governo estabelecido pela fundação da Monarquia Católica, baseado no respeito das tradições jurídicas e de autogoverno de cada território da coroa. O Conselho de Castela, coluna vertebral do governo, é dissolvido definitivamente em março de 1834 e nascem, em sua substituição, o Tribunal Supremo de Espanha e Índias, para as atribuições judiciais e o Conselho Real de Espanha e das Índias como órgão consultivo. Ainda assim, a predominância de Castela continuará a existir na representação da bandeira de Espanha, onde era retratado apenas o escudo histórico de Castela e Leão até 1931, quando foi implantada a Segunda República Espanhola.
Na Península Ibérica, são faladas sete línguas oficiais: Como segunda língua oficial encontram-se, em Portugal, o mirandês (falado principalmente no concelho de Miranda do Douro) e, em Espanha, o galego, o basco e o catalão nas respetivas comunidades autónomas. Na Catalunha também é segunda língua oficial o aranês, falada principalmente no Vale de Aran. Na Comunidade Valenciana utiliza-se o glossónimo valenciano para denominar a variante do catalão aí falada. Além destas, existem algumas línguas não oficiais (asturo-leonês, aragonês e o romani), e algumas com dialetos importantes (por exemplo o andaluz).
Existem atualmente dois contenciosos territoriais na península: Entre Espanha e o Reino Unido: Gibraltar é conquistada em 1462 pela Coroa de Castela, feito que continua a ser relembrado na sua bandeira atual representando o escudo castelhano. Em 1704 é tomada pelos britânicos no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola, sendo ratificada a possessão em 1713 mediante o Tratado de Utrecht que confirma a cessão do território para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento. O território é reclamado por Espanha, apesar da vontade contrária dos gibraltinos expressada em referendo por duas vezes (1967 e 2002). Entre Portugal e Espanha: Olivença encontrava-se em posse portuguesa desde a ratificação do Tratado de Alcanizes em 1297. Foi cedida por Portugal a Espanha pelo Tratado de Badajoz, assinado em 1801 como uma das condições para colocar fim à Guerra das Laranjas. Após a Guerra Peninsular, no Congresso de Viena, Espanha comprometeu-se com a restituição do território, o que até hoje não aconteceu, mantendo-se atualmente a Questão de Olivença. Desde há alguns anos que o governo de Portugal tem vindo a conceder a nacionalidade portuguesa aos oliventinos que a requerem.


