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Afonso Henriques

Afonso Henriques, cognominado "o Conquistador", "Rei Fundador", e "o Magno" foi o primeiro rei de Portugal. Passa a intitular-se "Rei dos Portugueses" a partir de 1139 e reinou de jure a partir de 5 de outubro de 1143, após a conferência de Zamora, até à sua morte. O seu papel de soberano é outorgado com a bula pontifícia Manifestis Probatum de 23 de maio de 1179. Anteriormente foi Conde de Portucale, de 1112 até à sua independência do Reino de Leão. Era filho de D. Henrique, Conde de Portucale e sua esposa D. Teresa de Leão, que, à morte do conde D. Henrique, "ascende rapidamente ao governo do condado, o que confirma o carácter hereditário que o mesmo possuía".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Vida

Primeiros anos

Afonso Henriques era filho de Henrique de Borgonha que era neto do rei Roberto II de França e de Teresa, infanta de Leão, filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão, a quem este doara o condado de Portucale pelo casamento. Foi o filho mais novo do casal tendo duas irmãs mais velhas, Urraca Henriques e Sancha Henriques, e possivelmente um meio-irmão Pedro Afonso. A data e local do seu nascimento mantém-se uma incógnita até hoje. Nos dias de hoje, a data que reúne maior consenso aponta para o verão de 1109. Alguns autores defendem Viseu como local de nascimento de Afonso Henriques, dado a mãe estar documentada nessa povoação por volta desse ano, e ainda a probabilidade de ter nascido em Agosto enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao século XIII referem a data de 25 de julho do mesmo ano. No entanto, já foram defendidas outras datas e locais para o nascimento do primeiro rei de Portugal, como o ano de 1106 ou de 1111 (hipótese avançada por Alexandre Herculano após a sua leitura da Crónica dos Godos).[a][carece de fontes?] Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128.[b] Outros autores, ainda, referem Coimbra como local provável para o seu nascimento. O local de batismo também se encontra em discussão: tradicionalmente, o local é apontado como sendo na Igreja de São Miguel do Castelo, em Guimarães, no entanto sérias dúvidas foram levantadas. Dados arqueológicos e arquiteturais, juntamente com os registos arquivísticos apontam que a Igreja só foi consagrada em 1239, o que coloca a construção da Igreja, pelo menos, um século depois da sua morte. Há quem defenda a Sé de Braga como o local onde foi batizado pelo Arcebispo São Geraldo, sendo que é um importante gesto político e simbólico o Conde D. Henrique ter o seu herdeiro batizado pelo mais alto membro do clero dentro do seu domínio.

A educação do infante

Afonso foi entregue pelos pais, como prova de confiança, a um nobre do condado portucalense, cujo nome era Egas Moniz IV de Ribadouro. Egas Moniz acolheu Afonso nas suas quintas de Cresconhe e Britiande, recebendo, por esta tarefa, o epíteto O Aio. Existe mesmo especulação sobre a possibilidade de ter sido na verdade filho deste seu aio.[c] O infante ia crescendo em idade e boa índole por educação de Egas Moniz. O nobiliário medieval do conde Dom Pedro, quando se refere a Lourenço, filho primogénito de Egas, não deixa de mencionar que este Lourenço Viegas foi o que amou muito el-rei D. Afonso, primeiro rei de Portugal, não o chamava senão irmão, porque o criara seu pai Egas Moniz, destacando a intimidade e afeto que gozou da parte de Afonso Henriques. A criação de Afonso Henriques foi também motivo provável para que Afonso, filho segundo do Aio, que cresceu também com o infante e sendo provavelmente mais novo que ele, ficasse precisamente conhecido como O Moço para o distinguir de Afonso Henriques.

Contexto político do Condado Portucalense, 1112-1127

Afonso ficou órfão de pai em 1112, pois o conde D. Henrique morreu em Astorga, a 12 de maio desse ano. D. Teresa, como o filho era menor de idade, assume a regência do Condado Portucalense. Ela ambicionava também o reconhecimento do estatuto de legítima herdeira de seu pai, Afonso VI de Leão (como aliás a sua irmã Urraca de Leão). Para isso revoltou-se várias vezes contra a sua irmã Urraca e empreendeu grandes conquistas a leste, chegando a intitular-se Rainha de Portugal, por direito próprio, a partir de 1116 (assim reconhecida pelo Papa Pascoal II). Ela assinava como Ego regina Taresia de Portugal regis Ildefonssis filia. Por morte de Urraca de Leão em 1126, sucede-lhe no trono Afonso VII, que adopta o título de imperador de toda a Hispânia do avô. Este exige a vassalagem do Condado Portucalense, que há muito demonstrava tendências autonomistas.

As primeiras incitações à revolta, 1120-1128

Egas Moniz resiste ao poder galego no Condado Portucalense, até porque D. Teresa permite que Fernão Peres de Trava surja, em documentação oficial, ao lado da rainha. Esta submissão dos interesses de Portucale à Galiza, mobiliza a nobreza local contra D. Teresa, que coloca as esperanças autonómicas em D. Afonso Henriques, que está sob a alçada de Egas Moniz. D. Afonso Henriques está a par dos problemas que a corte condal enfrentava e passa a defender a sua herança, ameaçada pelos irmãos Trava. Por volta de 1120, com cerca de onze anos, D. Afonso Henriques abandonou os paços do seu Aio para se juntar à corte, onde confirma documentação com a mãe até 1127, em posição superior a Fernão Peres de Trava.[carece de fontes?]

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A Batalha de São Mamede, 1128

Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do Condado Portucalense por Afonso VII de Leão que, em setembro de 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques, por este se recusar a prestar-lhe homenagem aquando da coroação. Prometida a lealdade do infante pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade. A mais flagrante das investidas contra a suserania leonesa dá-se em março (ou inícios de abril) de 1128, forçada pela vinda a Portugal do Imperador Afonso VII em pessoa. Este havia preparado a sua viagem pré-nupcial a Barcelona por mar, para se casar, e desejara uma solução pacífica para o conflito português. Partiu, assim, para o seu destino, do qual não regressaria antes de novembro de 1128, uma vez que entre Barcelona e Leão-Castela se encontrava Aragão, governado pelo padrasto e um dos seus maiores adversários, Afonso O Batalhador. Os rebeldes aproveitam a ocasião: em maio, estão com o infante e o seu aio em rebeldia definitiva contra a rainha Teresa e os galegos. Egas terá mesmo levantado gentes de armas nos seus próprios domínios, com as quais interviria na batalha, que se trava junto ao Castelo de Guimarães, o foco dos revoltosos, no dia de S. João de 1128, batalha que ficaria conhecida como a célebre Batalha de São Mamede. Algumas fontes referem que o infante teria sido batido, e ia fugindo dos campos quando encontra Egas Moniz à testa das suas gentes de armas: ambos vão sobre os “estrangeiros”, que dizem “indignos”, e “esmagam-nos”. Após a ação, Egas acompanha o infante, submetendo resistências a sul do Douro. Esta vitória consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado.

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O período condal, 1128-1143

...não usou, entre 1128 e 1139, o título de rei, mas de 'príncipe' ou 'infante', o que significa, decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do assentimento de Afonso VII, que era, de facto o herdeiro legítimo de Afonso VI. Mas também não usou nunca o título de 'conde' que o colocaria numa nítida posição de dependência para com o rei de Leão.

Incumprimentos vassálicos

Apesar de lidar com Aragão, nada impediu Afonso VII de combater Portugal: protegendo-se de Aragão, mas pretendendo uma ofensiva na frente ocidental de guerra, trava a “batalha” de Arcos de Valdevez (ou da Veiga da Matança, nome que ainda perdura), provavelmente no final de 1140 ou no início de 1141. Afonso Henriques e Egas Moniz não conseguiram conter o avanço do Imperador e retiraram-se para Guimarães com a grande nobreza: os irmãos Gonçalo Mendes de Sousa e Soeiro Mendes de Sousa; Garcia, Gonçalo, Henrique e Oveco Cendones; Mem Moniz de Riba Douro e Ermígio Moniz de Riba Douro, irmãos de Egas; Egas Gosendes de Baião; o conde Afonso (provável sogro de Egas Moniz); os filhos mais velhos do Aio (Lourenço, Ermígio e Rodrigo Viegas), e outros, como Garcia Soares, Sancho Nunes, Nuno Guterres, Nuno Soares, Mem Fernandes, Paio Pinhões, Pero Gomes, Mem Pais, Romão Romanes, Paio Ramires, Mem Viegas, e Gueda Mendes.

A corte conimbricense, 1131-1139

Por forma a afastar-se da grande influência que os magnates portucalenses (sobretudo das cinco linhagens fundamentais, Sousa, Maia, Ribadouro, Baião e Bragança), no momento seus apoiantes, pudessem exercer sobre ele, Afonso protagoniza, em 1131, uma medida radicalː resolve afastar-se da esfera de influência destes nobres, mais intensa a norte do rio Douro, e estabelecer-se nas margens do rio Mondego, trasladando a corte condal de Guimarães para Coimbra. A escolha desta cidade parece ter-se devido a uma maior proximidade com a fronteira com o Islão, proximidade que o infante pretendia diminuir, pela conquista progressiva de território a sul desta cidade. O apoio que Afonso recebe, por esta mesma altura, de alguns aristocratas galegos mostra que o ambiente tenso que se fazia sentir antes de ascender ao poder não era totalmente anti-galego, apesar da luta que anos antes visava tão somente evitar a reintegração do Condado na Galiza. Outro importante braço militar, criado por esta mesma altura, constitui-se pelos célebres cavaleiros de Coimbra.

Política militar, 1128-1139

Esta batalha terá sido consequência da desatenção de Afonso VII de Leão, que estava naquele momento em conflito com Navarra, permitiram a ocupação, por Afonso Henriques, das regiões galegas de Limia e Toronho, tendo sido esta batalha o culminar de uma série de invasões à Galiza. Foi também o último confronto entre Afonso Henriques e o galego Fernão Peres de Trava. Vitorioso, Afonso Henriques estabelece, no entanto, um tratado de paz com o seu primo, o Imperador, na qual fica estabelecido:[carece de fontes?] o infante devia fidelidade e amizade ao primo; deveria ainda respeitar os territórios de Afonso VII, de tal modo a que se algum dos vassalos portucalenses o tentasse invadir, o infante prometia auxílio na sua recuperação; se os filhos de Afonso VII quisessem a manutenção da paz, Afonso Henriques ficava assim vergado a essa mesma paz.

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Ascensão à dignidade régiaː o reconhecimento do reino, 1140-1179

Afonso Henriques cedo adota uma postura de realeza,[e] e consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, Afonso concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé, com o Arcebispo de Braga, João Peculiar, como seu embaixador. Isto teria dois objetivos: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Condado Portucalense como um Reino. O primeiro documento autêntico onde Afonso aparece com o título de rei é de 10 de abril de 1140, na carta de couto de Santa Maria de Vilarinho quando se intitula com a fórmula “Ego egregius rex Alphonsus dei vero providentia totius provincie Portugalensium princeps gloriosissimi Yspanie imperatoris nepos consulis domni Henrici et Tarasie regine filius. Portugal foi reconhecido como reino pelo Reino de Leão e Castela numa conferência em Samora entre 4 e 5 de outubro de 1143, conhecido, erroneamente, como "Tratado de Zamora", apesar de não haver nenhum documento contemporâneo à época que mencione qualquer tratado nessa conferência, e deve-se provavelmente ao desejo de Afonso VII em tomar o título de imperador de toda a Hispânia (imperador de toda a Península Ibérica) e, como tal, necessitar de reis vassalos. Apesar disso, o tratamento do Imperador ao primo parece mais igualitário, quando comparado ao Tratado de Tui, em que o então infante assumira uma posição mais submissa.

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Política militar, 1140-1169

Afonso procurou estender as suas conquistas a sul, conquistando Leiria definitivamente em 1145, dez anos depois do primeiro assédio, usando uma técnica de assalto; avança para o temível castelo de Santarém em 1146 (1147, conquista final), também utilizando a técnica de assalto; o Cerco de Lisboa, Almada e Palmela em 1147, Alcácer. Em 1160 leva a cabo diversas batalhas por todo o Alentejo, que posteriormente seria recuperado pelos mouros, pouco antes de Afonso morrer (em 1185). Segundo uma memória do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, Afonso Henriques passeava nos campos do Arnado, perto de Coimbra, com os seus vassalos que lhe eram mais próximos: Gonçalo Mendes de Sousa, Pedro Pais da Maia e ele, Lourenço Viegas. A fonte conta que o rei terá revelado a estes o segredo das suas intenções de conquista da vila de Santarém. Esta proposta foi encorajada por eles, que o terão provavelmente acompanhado de perto na conquista da cidade.

As cruzadas como veículo da política militar portuguesa

A criação de um território politicamente autónomo não dependeu apenas do monarca e da mera conquista de terra a sul de Coimbra. Outros agentes, como as circunstâncias que a Europa então vivia, pareciam também apoiá-lo nesta sua empresa: vivia-se a época das Cruzadas. Aliás, três importantes marcos da reconquista do território português coincidiram com etapas deste movimento da cristandade latina do Ocidente sobre o Médio Oriente, sendo que a conquista de Lisboa (1147, por Afonso Henriques) coincidiu com a Segunda Cruzada, que veio em auxílio do Rei de Portugal; a primeira conquista de Silves (1189, por Sancho I) teve a participação da Terceira Cruzada; e em 1217, a conquista de Alcácer do Sal (1217, por Afonso II), deu-se no contexto da Quinta Cruzada.

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Política administrativa interna

Em 1158, Afonso Henriques doou a Herdade da Atouguia, com o castelo de Atouguia a Guilherme De Corni, um chefe cruzado que o auxiliara na conquista de Lisboa, a troco de promover o povoamento daquelas terras, que fez com recurso a gente vinda de França. Afonso parece ter começado a participar mais na administração do reino a partir do Cerco de Badajoz (1169), quando se viu fisicamente incapaz de continuar a combater. Auxiliando a sua filha Teresa (a sua predileta) a regente que ficara encarregada da administração do reino, Afonso dedicou-se assim à fixação da população, à promoção do municipalismo e à entrega de cartas de foral. Contaram ainda com a ajuda da ordem religiosa dos cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

Relação com judeus

O reinado de Afonso Henriques ficou marcado pela tolerância para com os judeus. Estes estavam organizados num sistema próprio, representados politicamente pelo grão-rabino nomeado pelo rei. Um destes grão-rabinos, Yahia Ben Yahia foi escolhido pelo monarca para a tarefa de recolher impostos no reino. Com esta escolha teve início uma tradição de escolher judeus para a área financeira e de manter um bom entendimento com as comunidades judaicas, que foi seguida pelos seus sucessores.

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Política externa, 1146-1169

Afonso Henriques fora o responsável pelo povoamento da região de Ribacoa, e onde parece ter investido bastante no sentido de ali evitar influências leonesas que poderiam derivar da situação fronteiriça em que se encontrava. Pois, nesse mesmo ano de 1161, Fernando funda Cidade Rodrigo, com o auxílio de alguns aristocratas portugueses que naquele momento se encontravam na corte leonesa. O burgo, estando perto da referida fronteira, fez perigar o trabalho de Afonso na região. Além disso, na perspetiva de Afonso Henriques, Fernando parecia estar a fortificar a cidade para o atacar. Depois da morte do conde de Barcelona, no verão de 1162, Fernando II de Leão convenceu a viúva, a rainha Petronila de Aragão, a cancelar o compromisso com Mafalda e acordou-se, no seu lugar, o casamento com a infanta Sancha, meia-irmã de Fernando, filha do segundo casamento de Afonso VII de Leão. O falecimento de Mafalda, nesse mesmo ano, veio gorar a esperança de uma renovação do acordo de 1160.

Aliança com Sabóia, 1146-1157

Alguns historiadores sugerem que o casamento de Afonso Henriques estaria relacionado com o plano delineado pelo papa Eugénio III, antigo monge cisterciense, e pelo seu mentor e abade, Bernardo de Claraval, de lançar a Segunda Cruzada como reacção à tomada de Edessa, na Síria (1144). Repare-se que Mafalda de Saboia, era aparentada com grandes agentes desta cruzadaː para além de filha do conde Amadeu III de Saboia, um dos barões mais empenhados nessa cruzada, era também sobrinha de Luís VII de França. Mesmo que assim não fosse, a proximidade de Sabóia à Borgonha, ducado de origem do pai de Afonso Henriques, poderia ter exercido uma influência adicional na opção do rei.

A divisão da Hispâniaː os reinos de Leão e Castela, 1157

Até 1157, os reinos de Leão e Castela estiveram unidos sob o ceptro de Afonso VII, primo de Afonso Henriques, que retomou inclusivamente o título do avô, Imperador da Hispânia, com a ambição de poder controlar toda a Península ibérica. Contudo, a morte do Imperador neste ano de 1157 viria a alterar uma vez mais a política peninsular e as circunstâncias. Os reinos foram divididos pelos dois filhos mais velhos de Afonso VIIː o infante Sancho reinaria sobre o Reino de Castela, e o Reino de Leão ficaria sob a alçada do infante Fernando.

A problemática leonesa, 1158-1169

Fernando II de Leão viria a ser uma das problemáticas mais constantes ao longo do último período de reinado de Afonso Henriques. A desavença entre estes reis vizinhos começou em 1158. A 23 de Maio de 1158, Sancho III de Castela e Fernando II de Leão concordaram dividir Portugal entre eles e reclamar direitos exclusivos à conquista de território aos mouros, mediante o Convénio de Sahagún.

Guerra com Leão, 1158-1160

Em maio de 1158, Afonso Henriques sitiou Alcácer do Sal, que já tentara pessoalmente conquistar em 1151, 1154 e 1157, e ao fim de um cerco de 60 dias a cidade cai a 24 de julho. Com a queda de Alcácer do Sal, cai também em mãos dos portugueses a "vila do mouro Cacém", hoje Santiago do Cacém. Conquistada Alcácer do Sal, o rei decidiu reatar as hostilidades contra Leão, no preciso momento em que Fernando II se encontrava ocupado com Castela e estalou uma revolta em Zamora. Em Setembro de 1158 transpôs a fronteira galega e ocupou Toronho. Houve combates até Novembro mas a guerra não durou muito, pois naquele mês o rei de Leão encontrou-se com Afonso Henriques em Cabrera, em Leão, e assinaram umas tréguas. Voltaram a encontrar-se em 1159 em Santa Maria del Palo e as tréguas foram renovadas. Em finais de 1160 foi assinada a paz, com a restituição de Toronho.

Aliança com Aragão, 1160-1162

A 30 de janeiro de 1160, enquanto ainda duravam as hostilidades com Leão, Afonso reuniu-se em Santa María del Palo, perto de Tui com o conde de Barcelona, Raimundo Berengário IV, para a negociação do casamento da filha de Afonso, a infanta Mafalda com o futuro rei Afonso II de Aragão, que rondaria, naquela altura os quatro anos de idade.

A Primeira Invasão Almóada, 1161-1162

O califa almóada Abde Almumine (r. 1133–1163) veio à península em 1160 e, informado das conquistas de D. Afonso Henriques a sul do Tejo, enviou para o ocidente peninsular um destacamento comandado por Abu Maomé Abedalá ibne Háfece ou Benafece. Afonso Henriques confrontou os almóadas nos arredores de Alcácer do Sal mas os portugueses foram derrotados em batalha e perdidas todas as conquistas a sul do Tejo, menos Alcácer do Sal. O Califa regressou ao norte de África com as suas tropas e Beja foi novamente conquistada num ataque nocturno a 30 de novembro de 1162, em pleno inverno, por cavaleiros-vilãos de Santarém comandados por Fernando Gonçalves.

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Período finalː a regência dos filhos, 1169-1185

Após o Cerco de Badajoz de 1169, na qual Afonso teria ficado gravemente afetado em resultado de uma ferida numa perna é instaurado um conselho de regência para governar em nome do rei incapacitado. A regência ficou a cargo dos filhos do rei que ainda se encontravam, àquela data, no reino: os infantes Sancho e Teresa de Portugal. Também surge com bastante frequência na documentação desta altura, com eles, um bastardo, que adquiria aqui um estatuto equivalente ao de infante legítimo: Fernando Afonso. Apesar de ser Sancho a cabeça da regência, várias confirmações deste ainda em vida de Afonso Henriques denunciam a presença forte deste bastardo e o desejo, por parte da nobreza de corte, de inutilizar Fernando e consolidar a regência de Sancho. A Ordem de Santiago estabeleceu-se em Portugal em 1172 a convite do rei, que lhes ofereceu o castelo de Monsanto e, no ano seguinte, o castelo de Abrantes.

O testamento, 1179

Em Fevereiro de 1179, já com 70 anos e ainda lúcido, Afonso Henriques escreveu o seu testamento, embora exista outra versão não muito diferente e provavelmente posterior. Atribuía verbas para a construção de uma ponte sobre o Douro, à Ordem do Hospital e, sobretudo, à Ordem de Évora, encarregue do lugar mais avançado da fronteira e mais exposta a ataques inimigos; ao Mosteiro de Santa Cruz, a todas as catedrais do país para ajuda nas obras, ao Mosteiro de Alcobaça e aos pobres de todas as dioceses mas sobretudo às cidades fronteiriças de Santarém, Lisboa, Coruche, Abrantes, Tomar, Torres Novas, Ourém, Leiria e Pombal. Destina dinheiro para hospícios de doentes, peregrinos e viajantes. Não atribui verbas aos templários nem à Ordem de Santiago, cujos rendimentos eram já enormes.

Invasão Almóada, 1184

Desta forma, foram os filhos de Afonso que assistiram a importantes eventos que ocorreram no período final do reinado daquele monarcaː o reconhecimento papal através da célebre bula Manifestis Probatum (1179) e provavelmente ainda se mantinha a co-regência dos irmãos (ou em alternativa já regia o infante Sancho sozinho) aquando da expulsão de um forte exército almóada que, chefiado pelo próprio califa Abu Iacube Iúçufe I (r. 1163–1184), chegara até Santarém (1184). Fernando II de Leão, que até há pouco tempo se aliara a estes contra o próprio sogro, veio desta feita em auxílio do cunhado, e também de Afonso Henriques, dado que o monarca parece ter também participado na Batalha, provavelmente o seu verdadeiro último ato militar. Contudo, um mal entendido nas ordens dadas pelo califa parece ter causado desordem no acampamento almóada, e o califa, numa tentativa de evitar o pior, acabou por ser ferido com uma seta de besta e morreu a 29 de julho de 1184, sendo provavelmente uma das principais causas da retirada dos almóadas, derrotados por esta frente portuguesa-leonesa.

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Morte e legado

Afonso faleceu a 6 de dezembro de 1185, na sua residência, em Coimbra. Tinha 76 anos, e a causa da morte ainda não é atualmente consensual, podendo estar associada por problemas do coração, senilidade, aterosclerose ou cirrose. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, em frente ao que viria a ser o túmulo do seu filho Sancho. Foi inicialmente sepultado num túmulo simples mas que ostentava um erudito epitáfio em latim: Aqui jaz um outro Alexandre, ou outro Júlio César, Guerreiro invencível, honra brilhante do orbe. Douto na arte de governar, alcançou tempos seguros, Alternando a sucessão da paz e das armas. Quanto a religião de Cristo deve a este homem Provam-no os reinos conquistados para o culto da fé. Alimentado pela doçura da mesma fé, cumulou Além das honras do reino, riquezas para os pobres infelizes. Que foi defensor da Cruz e protegido pela Cruz Assinala-o a Cruz, formada de escudos, no seu próprio escudo.

Nos Livros de Linhagens

Afonso Henriques alimentou uma boa relação com a sua aristocracia, sobretudo com os membros das principais cinco linhagens portuguesas, mas não é isso que parecem contar os Livros de Linhagens. Provavelmente como reação nobiliárquica às Inquirições Gerais de 1258, o comportamento do monarca para com a sua nobreza terá sido adulterado a ponto de parecer fraco e cobarde, nas situações descritas. Segundo os Livros de Linhagens, mais precisamente o Livro Velho de Linhagens, o rei visitou Gonçalo na sua quintã em Unhão, não longe de Guimarães, e, enquanto este se ocupava de receber o rei, este foi à sua esposa, Sancha, tendo-os surpreendido Gonçalo; resolvido a castigar a esposa, tê-la-á tosquiado, pôs-lhe uma pele do avesso e pô-la em cima de um sendeiro de albarda, o rosto contra o rabo do sendeiro e um homem com ela e não mais e enviou-a para a sua terra. O rei, ofendido, terá dito que por menos de aquilo, cegara em Atei sete condes um adiantado de seu avô, retorquindo-lhe Gonçalo que nesse tempo o adiantado os cegara à traição e, apesar disto, morrera.

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Títulos, estilos e honrarias

Títulos e estilos

O estilo oficial de Afonso Henriques enquanto Rei de Portugal:

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Fontes consultadas

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