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Alanos

Os alanos constituíam um povo iraniano antigo-medieval de pastores nômades que migrou para o que hoje é o nordeste do Cáucaso, entre o rio Dom e o mar Cáspio - enquanto alguns continuaram para a Europa e, mais tarde, para o norte da África. Incluem-se entre os povos que penetraram o Império Romano Tardio, no período das migrações dos povos bárbaros em direção ao ocidente, nos séculos IV-V. Eles são geralmente considerados como parte dos sármatas e possivelmente relacionados aos masságetas, pastores nômades de origens diversas que falavam línguas iranianas e compartilhavam, num sentido amplo, uma cultura comum.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Alanos antigos

Imagem: @bastique · BY-SA · Openverse

As primeiras menções que os historiadores ligam com alanos aparecem quase na mesma época na geografia greco-romana e algum tempo depois nas crônicas dinásticas chinesas do século I a.C.. A Geografia de Estrabão, que nasceu na província romana do Ponto, no mar Negro, mas que também trabalhou com fontes persas, a julgar pelas formas que ele dava aos nomes tribais, menciona os aorsos, que ele liga com siracos e afirma que Espadines, rei dos aorsos, poderia juntar duzentos mil cavaleiros na metade do século I a.C.. Mas os "Aorsos interiores", de onde tinham partido como fugitivos, poderia enviar muitos mais, para que eles dominassem a região costeira do mar Cáspio. Identificações seguras de nomes e lugares nas antigas crônicas chinesas são até mais especulativas. Porém, alguns séculos depois, na antiga crônica chinesa da dinastia Han, a Hou Han Shu (que cobre o período de 25 - 220) menciona um registro que as estepes de Yen-ts'ai era então conhecida como Alan-liao (阿蘭聊):

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Os alanos 'ocidentais' e os vândalos

Imagem: aherrero · BY · Openverse

Aproximadamente em 370, os alanos foram sobrepujados pelos hunos. Eles foram divididos em dois grupos. Um dos grupos fugiu para oeste. Esses alanos 'ocidentais' se uniram às nações germânicas na sua invasão da Gália romana. Gregório de Tours menciona que seu rei Respendial salvou o dia para os vândalos num encontro armado com os francos ao cruzar o rio Reno (cerca de 407). Acompanhando o destino dos vândalos na Península Ibérica, (Hispânia) em 409, a identidade étnica separada dos alanos ocidentais se desfez. Embora alguns dos alanos se estabelecessem na Ibéria, a maioria seguiu com os vândalos para o norte da África em 429. Em 426, o rei alano ocidental Átax, foi morto na batalha contra os visigodos, e esse ramo dos alanos subsequentemente apelou ao rei vândalo Gunderico para aceitar a coroa alana. Depois os reis vândalos do norte da África se auto-intitularam Rex Wandalorum et Alanorum ("Rei dos Vândalos e Alanos").

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Alanos e eslavos

Imagem: juan rol fernandez · BY-NC-ND · Openverse

As tribos alanas que viviam a norte do mar Negro devem ter-se deslocado para nordeste no que hoje é a Polônia, misturando-se com os povos eslavos locais que se tornariam os precursores das nações eslavas históricas (em especial sérvios e croatas). Inscrições do século III de Tánais, uma cidade às margens do rio Dom na moderna Ucrânia, mencionam uma tribo alana próxima chamada de coroatos (choroatos) ou coruatos (chorouatos). O historiador Cláudio Ptolomeu identifica os serbos (serboi) como uma tribo sármata que vivia ao norte do Cáucaso, enquanto outras fontes identificam os serbos como uma tribo alana da estepe do Volga-Dom no século III. Descrições desses nomes reaparecem no século V, com os serbos, ou sérvios, estabelecidos a leste do rio Elba no que agora é a Polônia, e os croatas na atual Galícia polonesa. As tribos alanas provavelmente se deslocaram para nordeste e se estabeleceram entre os eslavos, dominando e recrutando as tribos eslavas que eles encontravam e depois assimilando as populações eslavas.

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Os alanos orientais e os hunos

Imagem: #PACOM · BY-NC-ND · Openverse

Alguns dos demais alanos, que permaneceram sob o domínio huno, estavam entre os confederados na batalha do rio Hális, na Anatólia em 430. Esses alanos orientais são citados como ancestrais dos modernos ossetos do Cáucaso. Aqueles da divisão oriental, apesar de dispersos nas estepes até a Idade Média, foram forçados pelas novas hordas de invasores para o Cáucaso, onde permaneceram, tornando-se os ossetos. Seu mais famoso líder foi Áspar, o mestre dos soldados (magister militum) do Império Bizantino durante a década de 460. Esses alanos formaram uma rede de confederações tribais entre os séculos IX-XII. Acerca de outros sármatas, e povos aparentados, Orientais, consultar:

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Alânia medieval

No século VIII, um reino alano consolidado, é citado nas fontes do período como Alânia, surgiu no norte do Cáucaso, aproximadamente onde hoje estão a Circássia e a Ossétia. Sua capital era Magas, que controlava a vital rota de comércio da Passagem Darial. Por algumas vezes eles tiveram uma saída para o mar via o antigo porto da cidade de Fásis. No século VIII, o reino alano no Cáucaso caiu sob a soberania do canato cazar. Eles foram leais aliados dos cazares, apoiando-os contra uma coalização liderada pelos bizantinos durante o reinado do rei cazar Benjamin. De acordo com o autor anônimo da Carta Schechter, muitos alanos durante esse período aderiram ao judaísmo. Contudo, no início do século IX, os alanos caíram sob a influência do Império Bizantino, possivelmente devido à conversão de seus governantes ao cristianismo. Os bizantinos, que haviam adotado uma política externa anticazares, envolveram os alanos numa guerra contra o canato durante o reinado do governante cazar Aarão II, provavelmente no começo da década de 920. Nessa guerra, os alanos foram derrotados e seu rei foi capturado. De acordo com fontes muçulmanas, tais como o Almaçudi, os alanos abandonaram o cristianismo e expulsaram os missionários e clérigos bizantinos aproximadamente na mesma época desses eventos. O filho de Aarão II casou-se com a filha do rei alano, e a Alânia foi realinhada aos cazares, assim permanecendo até o colapso do canato na década de 960.

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As invasões mongóis e suas consequências

Imagem: Opus Dei Communications Office · BY-NC-SA · Openverse

No século XIII, novas hordas de invasores mongóis empurraram os alanos orientais para o sul do Cáucaso, onde eles se mesclaram aos grupos nativos caucasianos e sucessivamente formaram três entidades territoriais cada uma com desenvolvimento diferente. Digor, no oeste estava sob a influência islâmica e cabarda; Tuallag, na região mais ao sul tornou-se parte do que hoje é a Geórgia; Iron, o grupo mais ao norte, caiu sob o domínio russo em 1767, o que fortaleceu o Cristianismo Ortodoxo consideravelmente. A maioria dos ossetas hoje são cristãos ortodoxos orientais. Os alanos remanescentes falam uma língua única sendo eles os ossetas, divididos entre a Rússia e Geórgia. Há uma minoria osseta na Chechênia também. Jacob Reinegg, na sua "Descrição do Cáucaso", deve ter sido o primeiro a fazer essa conexão. Ele notou que os tártaros os chamavam de Edeki-Alan. Sua língua, o osseto, pertence ao grupo de línguas norte-iranianas; é a sobrevivente do ramo de línguas iranianas conhecido como cita-sármata, que inclui línguas das estepes russas e da Ásia Central: citas, sármatas, masságetas, alanos.

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