Modernismo
Chama-se genericamente modernismo ao conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o design da primeira metade do século XX. Apesar de ser possível encontrar pontos de convergência entre os vários movimentos, eles em geral se diferenciam e até mesmo se antagonizam.
Origem do modernismo
"Modernismo" foi um termo utilizado a partir de meados do século XIX para se referir a inovações de variados tipos, sendo difícil encontrar uma definição e uma origem coesa ao movimento artístico, de modo que é comum a preferência de muitos pesquisadores pelo plural modernismos. O historiador Peter Burke admitiu ser "mais fácil exemplificar do que definir modernismo". A primeira metade do século XIX na Europa foi marcada por uma série de guerras e revoluções turbulentas, as quais gradualmente traduziram-se em um conjunto de doutrinas, atualmente identificadas como movimento romântico, focado na experiência individual subjetiva, na supremacia da Natureza como um tema padrão na arte, meios de expressão revolucionários ou radicais e na liberdade do indivíduo. Em meados do século, entretanto, uma síntese destas ideias e formas de governo estáveis surgiram. Chamada de vários nomes, esta síntese baseava-se na ideia de que o que era "real" dominou o que era subjetivo. Exemplificada pela realpolitik de Otto von Bismarck, ideias filosóficas como o positivismo e normas culturais agora descritas pela palavra vitoriano.
Características e traços comuns
Apesar da dificuldade de precisar uma definição para o movimento, alguns pesquisadores procuraram encontrar as características que seriam marcantes e generalizáveis às diversas expressões artísticas que costumamos denominar de modernistas. Peter Burke acredita que eram dois os aspectos que unificavam os modernistas dos mais variados campos artísticos: o que o autor denominou de "fascínio pela heresia", ou seja, as rupturas formais que provocaram inovações e foram tomadas por revolucionárias; e o empenho contínuo com o exame e a exploração do eu. Para Malcolm Bradbury e James McFarlane a expansão do fenômeno modernista se deu em inúmeras nações. A "amplitude geográfica", assim, seria uma das características do movimento, que não se restringiu a uma única região do globo. Entretanto, Bradbury ressalta que este foi um fenômeno tipicamente urbano, sobretudo envolvendo cidades conhecidas por sua história de trocas culturais e linguísticas, mencionando centros como Berlim, Viena, Praga, Moscou, São Petersburgo, Paris, Zurique, Londres, Nova York e Chicago. As experiências de intercâmbio humano, cultural e a variada rede de instituições ligadas à cultura (como museus, editoras, bibliotecas, livrarias, teatros e revistas), além da disponibilidade do patronato cultural, seriam algumas das razões destacadas para essa relação.
O advento do modernismo (1890-1910)
Em princípio, o movimento pode ser descrito genericamente como uma rejeição da tradição e uma tendência a encarar problemas sob uma nova perspectiva baseada em ideias e técnicas atuais. Daí Gustav Mahler considerar a si próprio um compositor "moderno" e Gustave Flaubert ter proferido sua famosa frase "É essencial ser absolutamente moderno nos seus gostos". A aversão à tradição pelos impressionistas faz destes um dos primeiros movimentos artísticos a serem vistos, em retrospectiva, como "moderno". Na literatura, o movimento simbolista teria uma grande influência no desenvolvimento do modernismo, devido ao seu foco na sensação. Filosoficamente, a quebra com a tradição por Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud provê um embasamento chave do movimento que estaria por vir: começar de novo princípios primários, abandonando as definições e sistemas prévios. Esta tendência do movimento em geral conviveu com as normas de representação do fim do século XIX; frequentemente seus praticantes consideravam-se mais reformadores do que revolucionários.
Artistas que fizeram parte do modernismo
Alguns marcos são as músicas de Arnold Schönberg, as experiências pictóricas de Wassily Kandinsky que culminariam na fundação do grupo Der Blaue Reiter em Munique e o advento do cubismo através do trabalho de Picasso e Georges Braque em 1908 e dos manifestos de Guillaume Apollinaire, além, é claro, do expressionismo inspirado em Vincent van Gogh e do futurismo. Bastante influentes nesta onda de modernidade estavam as teorias de Freud, o qual argumentava que a mente tinha uma estrutura básica e fundamental, e que a experiência subjetiva era baseada na relação entre as partes da mente. Toda a realidade subjetiva era baseada, de acordo com as ideias freudianas, na representação de instintos e reações básicas, através dos quais o mundo exterior era percebido. Isto representou uma ruptura com o passado, quando se acreditava que a realidade externa e absoluta poderia impressionar ela própria o indivíduo, como dizia por exemplo, a doutrina da tabula rasa de John Locke.


