Guy de Montlaur
Guy Joseph Marie de Villardi, conde de Montlaur foi um pintor francês descendente do ramo mais velho da casa Montlaur.
Imagem: Guy de Montlaur (1918-1977) · BY-SA · Openverse
As origens e a formação
Guy de Montlaur nasceu no dia 9 de setembro de 1918 em Biarritz. A casa de Montlaur à qual pertence, é uma das mais antigas do Languedoc; ela é citada desde o século XI. O castelo de Montlaur (século XI) está situado a 20 km a nordeste da cidade de Montpellier. Guy de Montlaur possui também origens italianas por parte dos Villardi, aliados dos Visconti e dos Baroncelli que se instalaram em Provence no fim do século XIII. Pelo lado materno é descendente de brasileiros (paulistanos e baianos) e tinha, com certeza, sangue indígena. Começa a pintar na juventude. De 1936 a 1938 cursa literatura e filosofia na Sorbonne, e frequenta o ateliê do pintor Emmanuel Fougerat e logo a Académie Julian. Trabalha com o pintor Jean Souverbie e o acompanha à Exposição universal de 1937 no Palácio de Chaillot.
O soldado
Guy de Montlaur está na Frente aquando da declaração de guerra, a 3 de setembro de 1939. Faz parte do 3° regimento dos Húsares baseado em Sarreguemines, incluído no 15° grupo de Reconhecimento do Exército e participa, desde o início do conflito, em numerosos ataques no estado do Sarre na Alemanha, em Kleinblitterdorff, Walsheim, Herbitzheim e na parte alemã de Bliesbruck. Dia 17 de outubro sua unidade integra os grupos dos Corps Francs, sob o comando do capitão Christian de Castries, futuro comandante de Dien Bien Phu durante a Guerra da Indochina, em 1954. Em junho de 1940, na França derrotada, Montlaur luta o contra ataque contra os invasores até desistir em Limoges dois dias depois do armistício concedido por Pétain a Hitler. Em 1942, atravessa a Espanha franquista e chega a Lisboa onde trabalha para o MI6, o serviço secreto britânico (Secret Intelligence Service) durante três meses.
O pintor
Depois da guerra, Montlaur segue com a esposa Adelaide para os Estados Unidos onde estuda na Art Students League of New York e se dedica incansavelmente à pintura. Depois de dois anos, volta para França onde passa a residir definitivamente. As pinturas de Montlaur seguem com fidelidade as regras dos cubistas do grupo da “Section d’Or” (Gleizes, Metzinger, Gris, Léger e Duchamps). O pintor inspira-se nos princípios enunciados por Gino Severini – de quem era muito amigo – no seu livro Do Cubismo ao Classicismo, os quais definem as cores quase matematicamente e afirmam que as formas estão na origem mais estrita daquelas. A obra produzida durante este período é abundante, ela mostra a rigorosidade do criador, a justeza e precisão de seu olhar e sua mão. Montlaur regressa dos Estados Unidos em 1948 e instala-se em Nice até 1953. Passa o tempo entre Nice e Paris onde encontra seus amigos do dinâmico grupo das Realidades Novas: Atlan, Poliakoff, Schneider, Chapoval e Soulages. Em março de 1949 realiza-se a primeira exposição exclusiva de obras de Montlaur na Galeria Lucienne-Léonce Rosenberg. Naquela ocasião o Museu de Arte Moderna da cidade de Paris compra um quadro do artista.
Os últimos anos
Em 1974 Montlaur compra uma propriedade perto de Lisieux, na Normandia, para segundo ele, se aproximar da região que tanto o marcou em 1944. Passa os últimos anos de vida entre Paris e a Normandia dedicando-se por inteiro à sua pintura: « Tenho vontade de gritar: Mas vejam só! Vejam o mistério! Fala por si! Mas ninguém o vê, a não ser eu. As pessoas veem cores, sombras, luzes, formas. Pode ser que vejam só (sei-lá?) a tela e os pregos do bastidor. E eu não compreendo que não possam adivinhar toda a angústia que está presente, diante dos meus olhos, como também estava presente na guerra: o clamor, a morte, o amor, a traição, a mentira e o medo. E muito mais ainda que não posso falar mas sei, sim, fazer. Digo eu: sei fazer. »


