Aaron Copland
Aaron Copland foi um compositor norte-americano. Compôs música para filmes e concertos, tendo sido também um talentoso pianista. Nasceu em Brooklyn, no estado de Nova York, e tornou-se particularmente conhecido por trabalhos que refletem vários aspectos da vida na América. Conhecido nos Estados Unidos como o Decano dos Compositores Americanos, recebeu o Prémio Pulitzer de Música em 1945.
Aaron Copland nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, descendente de judeus lituanos. Era o último dos cinco filhos Harris Morris Copland, que emigrou da Rússia para os Estados Unidos, com uma passagem pela Escócia, onde decidiu anglicizar seu sobrenome, "Kaplan", transformando-o em "Copland". Seu pai não tinha interesse na música, mas sua mãe, Sarah Mittenhal Copland, cantava, tocava piano e fazia arranjos de músicas para seus filhos. Seu irmão mais velho, Ralph, era o mais avançado musicalmente, sendo um violinista proficiente. Sua irmã Laurine, a mais ligada a Aaron, deu a ele as primeiras lições de piano, promovendo sua educação musical e apoiando-o em sua carreira. Ele teve aulas de música com Leopold Wolfsohn, entre 1913 e 1917. Copland fez sua primeira apresentação musical num recital da loja de departamentos Wanamaker (atual Macy's). Aos quinze anos de idade, depois de ver um concerto do compositor-pianista Ignacy Paderewski, Copland decidiu se tornar compositor. Teve suas primeiras lições formais de harmonia, teoria musical e composição com Rubin Goldmark, um notável professor e compositor de música que deu a Copland uma sólida formação, na tradição alemã. Continuando sua educação musical, ele recebeu lições de piano com Victor Wittgenstein.
Estudos em Paris
De 1917 até 1921, Copland compôs pequenas peças para piano. A paixão de Copland pela música europeia mais recente o inspirou a ir estudar em Paris. Seu pai queria que ele fosse para uma faculdade, mas sua mãe, em uma reunião de família, votou para que ele fosse para Paris. Quando chegou em Paris, estudou com Isidor Philipp e Paul Vidal no American Conservatory de Fontainebleau, mas, por achar Vidal muito parecido com Goldmark, trocou-o pela famosa professora Nadia Boulanger, com quem estudou por três anos. A atmosfera cultural em Paris no começo da década de 1920 era compartilhada por vários escritores americanos expatriados, como Paul Bowles, Ernest Hemingway, Sinclair Lewis, Gertrude Stein e Ezra Pound, além de artistas como Pablo Picasso, Marc Chagall e Amedeo Modigliani. Copland também sofreu influência dos intelectuais franceses como Marcel Proust, Paul Valéry, Jean-Paul Sartre e André Gide. Além da França, Copland esteve na Áustria, Itália e Alemanha, para aprimorar sua educação musical. Durante sua estada em Paris, Copland começou a escrever críticas musicais.
1925 - 1950
Após retornar para os Estados Unidos, ele estava determinado a se tornar um compositor em tempo integral. Alugou um estúdio no Upper West Side, que iria se tornar o seu lar pelos trinta anos seguintes. Ficava perto do Carnegie Hall e de outras casas de espetáculos. Nessa época, sobreviveu, com a ajuda financeira de uma bolsa no valor de 2500 dólares da Fundação John Simon Guggenheim, concedida em 1925 e novamente em 1926 . Logo após seu retorno, Copland foi introduzido no círculo artístico de Alfred Stieglitz e conheceu muitos dos principais artistas da época. A convicção de Stieglitz de que os artistas estadunidenses deveriam refletir "os ideais da democracia dos Estados Unidos" influenciou Copland e toda uma geração de artistas visuais, como os fotógrafos Paul Strand, Edward Weston, Ansel Adams, Walker Evans e a pintora Georgia O'Keeffe.
1950 - 1960
Em 1950, Copland recebeu uma bolsa para estudar em Roma, Itália, o que ele fez no ano seguinte. Durante este período, ele também terminou seu Quarteto para Piano, adotando o método de Schoenberg, e também "Old American Songs". Devido ao clima político da época, "A Lincoln Portrait" foi retirado do concerto inaugural, em 1953 para o presidente Eisenhower. Nesse mesmo ano, Copland foi chamado ao Congresso, onde ele testemunhou que nunca foi um comunista. Apesar das dificuldades que as suspeitas de simpatias com o comunismo trouxeram, ele continuou viajando extensivamente durante a década de 1950 e o início da década de 1960, observando os estilos da Europa.
Vida Pessoal
Com sua moral conservadora por natureza, Copland foi um homem calmo, afável, modesto e levemente educado, que sempre escondeu seus sentimentos. Apesar de ser tímido, sempre preferiu estar em uma multidão do que só. Ele era cuidadoso na montagem e armazenamento dos seus documentos e partituras, bem como, de modo que ele pudesse encontrar mais tarde e reutilizar anteriores ideias e temas. Decidiu não seguir o exemplo de seu pai, um sólido democrata. Copland nunca foi membro de nenhum partido político, mas defendia uma visão progressista e tinha amizades com membros da Frente Popular. Copland é documentado como um homem homossexual na biografia de Howard Pollack. Como muitos contemporâneos, ele guardava sua vida privada, especialmente o que dizia respeito a sua homossexualidade. Entre os affairs de Copland, estão Victor Kraft, Alvin Ross, Paul Moor, Erik Johns e John Brodbin Kennedy.
Imagem: *Muhammad* · BY · Openverse
Copland foi também um dos compositores mais ativos na cena pública norte-americana. Participou ativamente da League of Composers, escreveu vários textos para sua revista Modern Music. Em conjunto com Roger Sessions organizou entre 1928-31 os Copland-Sessions concerts, e em 1932-33 os Yaddo Festivals, sempre promovendo música moderna e compositores norte-americanos contemporâneos. Entre 1939-45 assumiu a liderança da American Composers Alliance (ACA) e em 1939 foi fundador também do American Music Center (AMC) - ambas as instituições voltadas para a promoção da música norte-americana contemporânea, tanto de concerto como jazz. Foi importante personagem das ações públicas no período do New Deal, aproximou-se do comunismo e foi perseguido no período do macartismo.
Imagem: Daniel Case · BY-SA · Openverse
Copland é autor do livro What to listen for in Music publicado pela The McGraw-Hill Book Company, Inc. em 1939. Foi traduzido para o português e publicado pela Editora Artenova S.A. em 1974, mais recentemente, em 2013, a Editora É Realizações voltou a publicá-lo, em ambas as edições a obra foi intitulada de Como ouvir e entender música e teve como tradutor Luiz Paulo Horta. O artigo: "Como você ouve música?", contém trecho do livro do qual expõe o objetivo da obra.


