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Imperador romano

O Imperador Romano era o governante monárquico e chefe de Estado do Império Romano, começando com a concessão do título de augustus a Otaviano em 27 a.C. O termo "imperador" é uma convenção moderna e não existia como tal durante o Império. Muitas vezes, quando um romano é descrito como se tornando imperador, isso reflete sua adoção do título de augustus e, posteriormente, de basileus. Outro título usado era imperator, originalmente uma honraria militar, e caesar, originalmente um sobrenome. Os primeiros imperadores também usavam o título de princeps ("primeiro") juntamente com outros títulos republicanos, notavelmente cônsul e pontifex maximus.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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O termo imperator

Originariamente, o nome imperator significava um general vitorioso que tivera sido aclamado pelas suas tropas e tendo, portanto, direito ao triunfo, concedido pelo senado e pelo povo. Depois de Augusto, o título foi incorporado como prenome por todos os imperadores romanos. Ao título de imperator seguia, geralmente, o número de vezes que o imperador tinha sido aclamado pessoalmente ou pelos seus generais.

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Definição

A autoridade legal do imperador derivava duma extraordinária concentração de poderes individuais e cargos já existentes na República Romana, mais que dum novo cargo político. Os imperadores continuavam eleitos regularmente como cônsules e como censores, mantendo a tradição republicana. O imperador ostentava na realidade os cargos não imperiais de príncipe do senado (líder parlamentar do senado) e pontífice máximo (máxima autoridade religiosa do império).[nota 1] Contudo, estes cargos somente proporcionavam prestígio (dignitas) à pessoa do imperador. Os poderes deste derivavam da auctoritas. Na figura imperial, reuniam-se as figuras autoritárias do imperium maius (comandante em chefe militar) e da tribunicia potestas (máxima autoridade jurídica). Como resultado, o imperador encontrava-se acima dos governadores provinciais e dos magistrados ordinários. Tinha direito a ditar penas de morte, os cidadãos deviam-lhe obediência, gozava de inviolabilidade pessoal (sacrosanctitas) e podia resgatar qualquer plebeu das mãos dos magistrados, incluindo dos tribunos da plebe (ius intercessio).

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Histórico

Júlio César

No final do período republicano não existia um título que implicasse um poder individual semelhante ao de um monarca. Tomando como referência a tradução literal de imperator para o português, o próprio Júlio César teria sido imperador, como muitos outros generais romanos antes dele. Em vez disso, e após o fim das guerras civis durante as quais Júlio César liderou os seus exércitos para conseguir o poder, ficou claro por um lado que não existia consenso sobre o retorno da monarquia, e por outro, que a presença há um tempo de tantos altos governantes com iguais poderes outorgados pelo senado, lutando entre eles, devia chegar ao seu fim. Com objeto de atingir essa monarquia não declarada, Júlio César, e alguns anos mais tarde Otaviano, de uma forma mais sutil e gradual, trabalharam para acumular os cargos e títulos de maior importância na república, fazendo que os poderes associados a ditos cargos fossem permanentes e evitando que alguém com idênticas aspirações pudesse acumular ou conservar poderes por si mesmos.

Augusto

Somente quase uma década após a morte de Júlio César que Otaviano atingiu o poder supremo, superada a nova guerra civil após a morte de César e o processo gradual de neutralização dos seus companheiros no Primeiro Triunvirato, que culminou com a vitória sobre Marco Antônio e Cleópatra. De alguma forma, César construiu a armação sobre a qual se assentaria a condição futura do imperador. Os historiadores dos primeiros séculos levaram mais em conta a continuidade: se existiu uma "monarquia sem reis" hereditária após a república, esta teria começado com Júlio César. Neste sentido, Suetônio escreveu as "Vidas dos Doze Césares", compilando os imperadores desde Júlio César (que Suetônio considerou como o primeiro imperador) e incluindo a dinastia flaviana (após a morte de Nero, o nome herdado 'César' converteu-se num título). Nos livros de história mais recentes, porém, indica-se que imediatamente depois do assassinato de Júlio César, o Estado romano voltara em todos os aspetos para a república, e que o Segundo Triunvirato dificilmente poderia ser considerado uma monarquia. Estas teses, amplamente seguidas, veem Augusto como o primeiro imperador num sentido estrito, tendo-se tornado imperador quando "restaurou" o poder ao senado e ao povo, ato que em si mesmo foi uma demonstração da sua auctoritas, recebendo o nome de Augusto em 27 a.C..

Consolidação

Alguns historiadores, como Tácito, sugeriram que teria sido possível o retorno ao sistema republicano após a morte de Augusto, sem necessidade de nenhum câmbio, caso de ter existido um desejo real de fazê-lo (não permitindo a Tibério a acumulação dos mesmos poderes, coisa que este fez com rapidez). Mesmo Tibério seguiu mantendo praticamente inalterado o sistema de governo republicano. Os primeiros sucessores de Augusto (júlio-claudianos, flavianos, antoninos) retomaram a ficção de um governo em nome do senado e do povo romano (SPQR = Senatus Populus Que Romanus), enquanto continuaram a concentrar mais poder pessoal. As palavras "imperador" e "Augusto" tornaram-se títulos dos imperadores.

Tetrarquia

A Tetrarquia foi um sistema de governo criado pelo imperador Diocleciano, como forma de resolver os problemas que ocasionaram a crise do terceiro século. Diocleciano dividiu o poder executivos entre os sectores orientais (pars Orientis) e ocidentais (pars Occidentis). Manteve o controle pessoal do sector oriental e o seu colega Maximiano controlou o ocidente. Na realidade, Diocleciano estava colocado em posição superior à de Maximiliano. A partir de então, o império passou a ter dois augustos, cada qual com exército, administração e capital próprios, e dois césares, embora Diocleciano continuasse a ser o chefe do Estado, representando a unidade do mundo romano.

O culto imperial

Ainda em vida, Júlio César consentiu na construção de uma estátua sua, a cujo pé havia a inscrição Deo invicto ('Ao deus invencível') em 44 a.C.. O mesmo ano fez-se nomear ditador vitalício. O seu herdeiro, Augusto, fez construir um templo em Roma dedicado ao 'divino Júlio' (divus Iulius). Como filho adotivo do deificado Júlio, Otaviano também recebeu o título de divi filius (filho dum deus). A elevação dos governantes romanos à categoria de divindade, chamada de apoteose, foi um mais dos elementos que contribuíram para a criação da figura imperial num longo processo não delimitado com claridade ao longo do tempo. Tácito relata que Augusto e Tibério permitiram erigir um único templo na sua honra durante as suas vidas. Estes templos continham, porém, não somente as estátuas do imperador governante, que podia ser venerado à maneira de um deus, mas também se dedicavam a Roma (à cidade de Roma, no caso de Augusto, e ao senado no de Tibério). Ambos os templos estavam situados na parte asiática do Império Romano. O templo de Augusto estava situado em Pérgamo, enquanto Tibério não consentiu outro templo ou estátua na sua honra à parte das existentes em Esmirna, cidade eleita em 26 d.C. entre onze candidatas para erigir estes templos. Tibério assegurou frente ao senado que preferia ser recordado mais pelos seus atos que pelas pedras. Mas permitiu, por outro lado, a construção de um templo em honra do seu antecessor e pai adotivo, o já Divino Augusto, em Tarragona, em 15 d.C..

O último imperador romano

De um ponto de vista jurídico o Império Romano, fundado por Augusto em 27 a.C. e dividido em duas "partes" após a morte de Teodósio, em 395, havia sobrevivido somente na parte oriental que, com a deposição do último imperador ocidental Rômulo Augusto, em 476, tinha obtido também as insígnias da parte ocidental reunindo de um ponto de vista formal o Império Romano. A coroação de Carlos Magno como imperador "romano" pelo papa Leão III no Natal do ano 800 foi ato privado de perfil jurídico legítimo: somente o imperador romano do Oriente (chamado "bizantino" mais tarde pelos iluministas no século XVIII) seria digno de coroar um par seu na parte ocidental, razão pela qual Constantinopla viu-se sempre com superioridade e suspeita aquele ato.

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Títulos e atribuições

Embora estes sejam os cargos, títulos e atribuições mais comuns, nem todos os imperadores romanos fizeram uso deles, e caso o fizessem, possivelmente não os utilizariam ao mesmo tempo. Os cargos de cônsul e censor, por exemplo, não formavam parte integral da dignidade imperial, sendo ostentados por diferentes pessoas além do imperador reinante.

Títulos na epigrafia

Além disso, em epigrafia são frequentes as seguintes abreviaturas como próprias da dignidade imperial:

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Fontes consultadas

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