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Holden Roberto

Álvaro Holden Necaca Roberto Diasiwa foi um politólogo, economista e dirigente nacionalista angolano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Biografia

Álvaro Holden Necaca Roberto Diasiwa era filho de Roberto Garcia Diasiwa e Ana Joana Helena Lala Necaca. O nome Holden adveio do pseudónimo "Holdene" utilizado por sua mãe, que, por sua vez, adveio do missionário batista de origem britânica Robert Holden Carson Graham, que evangelizou a família. Pela conveniência e pelo costume de utilizar pseudónimos, quando adulto Holden ora assinava somente como Roberto, ora como Necaca e ora como Diasiwa. Apesar de nascido em São Salvador do Congo (atual Mabanza Congo) em Angola, foi com a sua família para Quinxassa (actual capital da República Democrática do Congo) com apenas 2 anos de idade. Em 1940 conclui o liceu numa escola de uma missão da Sociedade Missionária Baptista Britânica (BMS). Nesse periodo batiza-se na Igreja Evangélica Baptista. Torna-se funcionário do Ministério das Finanças da Bélgica em Quissangane e Bucavu, na República Democrática do Congo, cargo que manteve por 8 anos. Em Quissangane conheceu a Patrice Lumumba ao frequentar o clube recreativo Cercle des Évolués.

Liderança anticolonial (1954 a 1975)

Na constituição da União dos das Populações do Norte de Angola (UPNA), em 7 de julho de 1954, é apontado como um dos candidatos à sucessão do rei Pedro VIII do Congo, que viria a falecer no ano seguinte. É destacado para conduzir uma outra reunião da UPNA no mesmo ano realizada clandestinamente no Lobito. Quando ocorre a fundação oficial da UPNA em Quinxassa em 10 de outubro de 1954, é indicado líder juntamente com seu tio Barros Necaca. Cabe a Roberto a condução dos negócios externos e contactos políticos. Participa da I Conferência dos Povos Africanos em Acra, na Gana, como embaixador plenipotenciário da UPNA. Durante o evento, em 7 de dezembro de 1958, a UPNA é convertida em União das Populações de Angola (UPA), adotando um posicionamento superficialmente pan-africanista (muito embora na política interna valorizasse o tribalismo) sob orientação do Comitê Americano para os Assuntos Africanos. Roberto já participa da reunião como agente duplo da Agência Central de Inteligência (CIA), recebendo do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos um salário de US$ 6.000 anualmente até 1962, quando passou a receber US$ 10.000 para coleta de informações privilegiadas. Na conferência ele reencontrou Patrice Lumumba, futuro primeiro-ministro da República Democrática do Congo, e conheceu a Kenneth Kaunda, futuro presidente da Zâmbia, o sindicalista e nacionalista queniano Tom Mboya e o filósofo marxista Frantz Fanon.

Pós-independência angolana (1975 a 2007)

Quando Portugal concedeu a independência a Angola, o MPLA recebeu apoio incondicional da União Soviética e de Cuba. Na data da Independência de Angola, Roberto, líder da FNLA, proclamou a Independência da República Popular Democrática de Angola (RPDA) à meia-noite do dia 11 de novembro, no Ambriz. Nesse mesmo dia, a independência da RPDA foi também proclamada em Huambo, por Jonas Savimbi, líder da UNITA. Uma aliança UNITA-FNLA, denominada Conselho Nacional da Revolução (sucessor do GRAE), é celebrada. Com apoio de militares cubanos, o MPLA derrota a FNLA de Holden Roberto na formação do primeiro governo de Angola que, assim, se torna um Estado monopartidário, liderado inicialmente por Agostinho Neto e, posteriormente, por José Eduardo dos Santos.

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Morte

Imagem: Mieremet, Rob / Anefo · BY-SA · Openverse

Holden Roberto morreu em 2 de agosto de 2007, aos 84 anos, após sofrer um ataque cardíaco em sua casa em Luanda. Na data da morte, era deputado da Assembleia Nacional. Após a morte de Roberto, o então Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, fez um elogio em homenagem ao falecido, chamando-o de "um dos pioneiros da luta de libertação nacional". O então secretário-geral do MPLA, Dino Matrosse, classificou a morte de Roberto como uma "perda irreparável". O então deputado Sediangani Mbimbi afirmou que Roberto fez "sacrifícios pessoais para que hoje os angolanos beneficiassem daquilo que ele próprio não beneficiou" e Eduardo Kuangana recordou que muitos políticos do MPLA, do PRS e da UNITA começaram na UPA e na FNLA. O funeral de Roberto iniciou-se em Luanda em 4 de agosto de 2007. Seu corpo chegou a cidade Mabanza Congo em 6 de agosto de 2007, onde foi velado com honras de chefe de Estado. Foi sepultado em 8 de agosto de 2007, no Cemitério dos Reis do Congo, na referida cidade.

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Vida pessoal

Imagem: Fotograaf Onbekend / Anefo · CC0 · Openverse

Holden Roberto foi casado duas vezes. O primeiro casamento foi com uma mulher muçulmana quinxassa-congolesa de nome Fátima Roberto, e seu segundo casamento foi com uma mulher angolana da etnia congo de nome Fernanda Gorete dos Santos Teta Roberto. A dissolução do primeiro casamento e a conclusão do segundo foram feitas por razões políticas — para casar com uma parente de Mobutu Sese Seko, então presidente do Zaire, o que cimentou a união política da FNLA com este país. Teve um terceiro relacionamento com uma mulher de nome Susana Milton, da qual inclusive utilizava o pseudónimo "Osusana Milton". Com Fátima teve somente um filho, Jean-Pierre Roberto Diasiwa, nascido em 1950. Jean-Pierre era oficial militar de formação e grande nome da intelectualidade da FNLA, sendo preparado como sucessor de Holden Roberto até sua morte precoce de causas naturais em 2002. Com Fernanda teve o filho Masevani Holden Lando Roberto, que tornaria-se advogado. Com Susana Milton teve os filhos Catarina Diasiwa (psicóloga), Julieta Roberta Diasiwa, Carlitos Roberto Diasiwa (jurista), Emmanuel Roberto Diasiwa, Holden Roberto Júnior e Milton Roberto Diasiwa.

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