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Hamburgo Velho

Hamburgo Velho é o centro histórico e um bairro da cidade brasileira de Novo Hamburgo. Em seu redor a cidade cresceu, e ainda conserva um significativo acervo arquitetônico relativo à imigração alemã. O centro histórico foi delimitado em 2004 pelo Plano Diretor do Município como uma área de preservação especial, e foi tombado pelo IPHAN em 2015.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Histórico

A região de Novo Hamburgo começou a ser povoada pelos alemães desde 1824, quando o governo organizou um programa de colonização das terras devolutas do estado. Inicialmente a região foi destinada à criação de colônias de minifúndios rurais, a fim de abastecer o mercado interno. O projeto também tinha como outros objetivos branquear a população brasileira, até então composta em sua grande maioria de índios e negros, e criar mão-de-obra que não fosse escrava. Em pouco tempo vários centros urbanizados foram aparecendo. O núcleo urbano primitivo de Novo Hamburgo, chamado na época de Hamburger Berg (Morro dos Hamburguenses), era uma dependência da Colônia São Leopoldo, e se formou no entroncamento de duas estradas usadas por tropeiros e comerciantes, que faziam a ligação dos Campos de Cima da Serra com os entrepostos comerciais de São Sebastião do Caí, Estância Velha e Montenegro, caminhos importantes numa rede de comunicação terrestre e fluvial que chegava à capital da província e penetrava pela campanha.

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Identidade e conservação

A comunidade alemã sempre havia contado com o apoio do Estado e sido vista como um exemplo de sucesso do projeto colonizador oficial, e no início do século XX já se encontrava organizada solidamente em uma rede de relações entre a capital e os vários centros coloniais — muitos deles tendo dado origem a cidades dinâmicas e ricas. Haviam sido fundados jornais, clubes esportivos e inúmeras outras associações de variada natureza, e havia se desenvolvido uma forte identidade coletiva baseada na etnia, na cultura e na fala alemã, mantendo laços com a antiga Pátria europeia. Na própria capital a presença alemã era relevante, agregando uma influente elite empresarial, política, artística e intelectual. Contudo, na década de 1930 Getúlio Vargas direcionou sua política para uma nacionalização e aculturação forçada das minorias étnicas e culturais em todo o Brasil. Para muitos, as múltiplas colônias de estrangeiros que floresciam livremente pelo território nacional ameaçavam a coesão da nação e, com suas diferenças, perturbavam a harmonia da sociedade. A disseminação das ideologias nazista e integralista entre os colonos alemães também causava preocupação, num momento em que o governo procurava se aproximar dos Estados Unidos e eliminar dissidências internas. O regime varguista era autoritário e centralizador, a retórica usada na época fazia veementes apelos a medos irracionais da população e aos aspectos emocionais do nacionalismo, e se desencadeou uma onda de perseguições, violências, humilhações e censura não só aos alemães, mas a italianos, japoneses e outros grupos que até então haviam sido considerados valiosos colaboradores no progresso nacional. A entrada do Brasil na II Guerra Mundial contra a Alemanha e o bloco nazifascista agravou a pressão e a censura contra a cultura e a fala germanizada da região. Conforme resumiu a pesquisadora Ana Maria Dietrich, "dentro do projeto de nacionalização do Brasil almejado por Vargas, o alemão passa de perigo ideológico, pela divulgação do ideário nazista, para perigo étnico, como alienígena ao ‘Homem Novo’ que se desejava construir. Com a entrada do Brasil, na II Guerra Mundial, em 1942, ao lado dos Aliados, o perigo vira ‘militar e ideológico'.”

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Fontes consultadas

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