Carapicuíba
Carapicuíba é um município no estado de São Paulo, Brasil, e faz parte da Região Metropolitana de São Paulo. Fundada pelo padre José de Anchieta por volta de 1580, Carapicuíba era uma das doze aldeias jesuíticas criadas com o objetivo de catequizar os povos originários da região de São Paulo.
O nome "Carapicuíba" tem origem na língua tupi ou na língua geral meridional. Porém seu significado ainda é controverso. O tupinólogo Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), oferece três explicações: Pode significara ainda "aquele que se resolve em poços": derivado de Quar-I-Picui-Bae, que era o nome dado pelos índios ao ribeirão que, cortando a cidade, faz divisa com Osasco e que delimita uma das divisas entre as cidades de Osasco e Cotia, na altura do quilômetro 20 da Rodovia Raposo Tavares.[carece de fontes?]
Aldeia de Carapicuyba
Após a fundação de São Paulo em 25 de janeiro de 1554, os padres jesuítas liderados por José de Anchieta criaram doze aldeamentos no entorno de São Paulo, para catequização dos índios. Um desses aldeamentos foi batizado Aldeia de Carapicuyba e foi fundado em 12 de outubro de 1580 pelos padres e pelo capitão-mor Jerônimo Leitão a quem foi concedida a sesmaria de Carapicuyba. Após a chegada dos jesuítas, colonos portugueses se instalaram na região, como Afonso Sardinha, o velho (??-1618), Susana Dias (1553-1634) e seu filho André Fernandes que fundaram a vila de Parnaíba. A convivência entre os jesuítas e os fazendeiros era difícil, com registro de conflitos frequentes. Em ata de 18 de junho de 1633, a Câmara Municipal de São Paulo registrou um desses conflitos (nas aldeias de Cuty e Caraquapicuyba), onde fazendeiros acusavam os padres jesuítas de invadirem suas terras.
Distrito de Carapicuíba
Com o crescimento de São Paulo, ocorreu uma crise de abastecimento de alimentos na cidade. O principal alimento que faltava na cidade era a carne bovina, sendo que o único matadouro municipal (localizado em Vila Mariana) encontrava-se sobrecarregado. Assim, na década de 1910, alguns políticos e fazendeiros liderados pelo coronel Delfino Cerqueira (?/-1936) propuseram a criação de um novo matadouro em terras localizadas no quilômetro 21 da linha tronco da Estrada de Ferro Sorocabana (divisa do distrito de Osasco com a cidade de Santana de Parnaíba). Com a aprovação do projeto, o coronel Cerqueira adquiriu a Fazenda Carapicuyba em 1923. Uma grande extensão de terras da fazenda (onde hoje ficam os prédios da Cohab) foi utilizada como pasto para abastecimento do matadouro. A implantação do Matadouro forçou a Sorocabana a investir em um grande programa de modernização de suas linhas para garantir a ampliação segura do tráfego ferroviário. Durante a década de 1920, o trecho inicial da Linha tronco foi retificado entre São Paulo e Sorocaba. Para a realização das obras, vários acampamentos foram criados às margens da estrada. Um desses acampamentos foi implantado no Quilômetro 23, em terras do coronel Cerqueira. Ao redor do acampamento, a Sorocabana implantou entre 1921 e 1923 um posto telegráfico e uma vila ferroviária para atender ao crescente número de funcionários da empresa. Isso incentivou os proprietários de terras ao redor do posto do Quilômetro 23 a iniciar um loteamento. O coronel Cerqueira e o deputado Sílvio de Campos (irmão do governador do estado Carlos de Campos) lançaram em 1927 o loteamento de Vila Silvânia (em homenagem ao deputado). Ao mesmo tempo, a Sorocabana elevou o posto do quilômetro 23 ao nível de estação e inaugurou uma nova edificação. Por menos de um ano a estação foi chamada de Silvânia até ser rebatizada Carapicuíba.
Emancipação
Inspirados pelo movimento emancipacionista de Osasco, que se iniciou em 1953, políticos como João Acácio de Almeida (ex-prefeito de Barueri), Antonio Faustino dos Santos (vereador em Barueri), entre outros, lançaram o movimento de emancipação de Carapicuíba. Barueri tentou impedir, porém um plebiscito com os moradores do distrito de Carapicuíba foi marcado para 9 de dezembro de 1963. No dia seguinte os resultados foram apurados: Após a vitória, o movimento emancipador dividiu-se entre dois líderes: João Acácio de Almeida e Antônio Faustino dos Santos. Almeida e Santos rivalizavam-se desde a década de 1950 na tribuna da Câmara de Barueri, alimentando uma animosidade cada vez maior.
Carapicuíba e os anos de chumbo
Após ter adquirido o Matadouro da família Cerqueira em 1939, a prefeitura de São Paulo investiu em sua ampliação para garantir o abate de até 5000 cabeças diárias. Isso tornou o Matadouro de Carapicuíba o maior empregador do distrito até meados da década de 1960. A partir de 1950 o governo federal financiou a construção de outros matadouros no interior de São Paulo, que passaram a concorrer com o equipamento da prefeitura. O matadouro de Carapicuíba entrou em declínio e foi desativado por volta de 1965, quando abatia menos de 80 cabeças diárias, deixando centenas de trabalhadores desempregados. Mesmo com a chegada de outras empresas em Carapicuíba, como a Indústria Nacional de Artefatos de Cimento (INAC), Fiação Sul-Americana, Semikron, entre outras, a implantação posterior de milhares de unidades habitacionais da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab) trouxe dezenas de milhares de habitantes. Incapaz de gerar empregos para essa massa, Carapicuíba passou a ser uma "Cidade dormitório", fornecendo mão-de-obra para o parque industrial e comercial de São Paulo e região.
Reabertura política e redemocratização
O segundo mandato de Faustino dos Santos foi conturbado. Com uma cidade cada vez mais populosa e com baixa arrecadação de impostos, a gestão de Faustino teve de realizar medidas impopulares como cobrar taxas para pavimentar ruas (até então, os prefeitos pavimentavam ruas e avenidas sem cobrar custos por populismo, endividando o caixa da cidade) e reajustar impostos. A situação do loteamento da Cohab era precária, com vias sem pavimentação, água, esgoto e transporte público. Essa situação, iniciada em 1975 pela gestão de Acácio de Almeida, atingiu seu auge em 1978 quando a população residente na Cohab (estimada na época em 160 mil habitantes) passou a protestar contra a prefeitura e contra a câmara de vereadores. Alguns vereadores acusaram o diretor de obras da cidade de corrupção, gerando uma crise política.
O município possui altitude média de 717 metros. Tem, como limites, os municípios de:
Clima
O clima da cidade, como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, é o subtropical. A média de temperatura anual gira em torno dos 18 graus Celsius, sendo o mês mais frio julho (média de 14 graus Celsius) e o mais quente fevereiro (média de 22 graus Celsius). O índice pluviométrico anual fica em torno de 1 383 milímetros..
Subdivisões
Desde 1985 é dividida oficialmente em uma sede e dois distritos: Aldeia e Vila Dirce. Por motivos comerciais foram criados vários bairros com nomes escolhidos por empresas imobiliárias. Apesar de não terem seus nomes e divisas delimitadas oficialmente, são utilizados pelos Correios para fins de endereçamento postal. Alguns dos principais bairros de Carapicuíba:
População
Considerando que em 1950 e 1960 Carapicuíba ainda não era um município autônomo
Dados demográficos
A população do município de Carapicuíba, de acordo com o censo realizado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgado em 1 de dezembro de 2010, apresenta os seguintes dados:
Criminalidade
Segundo o Seade a taxa de homicídios para 100 mil habitantes em Carapicuíba caíram entre 1999 e 2010: Já a taxa de mortes por agressões caíram de 56,4/100 mil habitantes em 1999 para 32,13/100 mil habitantes em 2004, uma queda de 43%.
Etnias
A população carapicuibana atual é formada predominantemente por migrantes internos, principalmente por nordestinos e seus descendentes. Carapicuíba também é formada por descendentes de italianos, árabes, japoneses e de outras nacionalidades, que influenciaram a cultura local. Mais recentemente, Carapicuíba passou a abrigar a maior comunidade de bolivianos da Zona Oeste da Grande São Paulo, sendo reconhecida oficialmente com a criação do "Dia Municipal do Imigrante Boliviano", conforme a Lei Ordinária nº 4090 de 2024.
Saúde
O município conta com o Hospital Geral de Carapicuíba - O.S.S. Santa Casa de Pacaembú; o Pronto-Socorro da Vila Dirce; Pronto-Socorro da Cohab II, com atendimento psiquiátrico; Pronto-Socorro Infantil do Centro; Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas; Centro de Atenção Psicossocial II; um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) na Cohab V; duas unidades do Brasil Sorridente (um na Cohab V e outra na Vila Menck); USF (Unidade de Saúde da Família) em três bairros, Casa do Adolescente , além de 13 UBSs (Unidades Básica de Saúde) localizadas nos principais bairros da cidade. A área vem recebendo vários investimentos, como a UPA (Unidade de pronto atendimento) do Parque Santa Tereza, que está em fase de construção. A UPA acabou não sendo entregue pela gestão responsável por sua idealização e construção, sobre a alegação de que o município não possuía verba para manter o efetivo necessário pelo funcionamento da unidade. A nova administração após diversas reuniões com moradores e visando promover acesso a saúde, transformou o prédio abandonado da UPA em uma Policlínica municipal, a qual esta beneficiando a todos os munícipes.
Lazer e turismo
A cidade conta com diversos parques e praças, sendo os mais famosos deles: o Parque dos Paturis, no bairro Cohab V/Cohab II; parque Gabriel Chucre, localizado na vila Gustavo Correia, próximo ao Centro de Carapicuíba; Parque dos Patutis na Vila Municipal; Parque do Planalto no Jardim Planalto; Parque Aldeia de Carapicuíba; localizado no bairro Aldeia de Carapicuíba, que conta com um centro histórico, a Praça da Aldeia Jesuítica, fundado em 1580, que possui, além de uma igreja católica fundada na época da colonização portuguesa, uma biblioteca pública, uma exposição permanente sobre povos indígenas e uma delegacia de polícia, além de um pequeno centro comercial. Na praça, ocorrem várias festas ao longo do ano, como a Festa de Santa Cruz, entre outras, com música popular e ambiente que lembra pequenas cidades do interior.
Esportes
A cidade possui vários ginásios poliesportivos, como o Ginásio Ayrton Senna (conhecido como Senninha) e o Ginásio Tancredo Neves (conhecido como Tancredão), além de pequenos estádios espalhados em alguns bairros do município. Também está instalada em Carapicuíba uma pista de BMX (Bicicross) onde ocorrem várias edições de campeonatos. Em Carapicuíba, existem diversos times de futebol amador, que realizam, todos os anos, um campeonato com jogos abertos ao público. A LIFUCA (Liga de Futebol de Carapicuíba) é uma instituição de Direito Privado de caráter desportivo que se propõe a dirigir o futebol amador da cidadeincentivando a sua difusão e aperfeiçoamento.
Educação
O município possui 57 escolas estaduais, 6 escolas municipais de ensino fundamental, 36 creches/pré - escola distribuídas ao longo da cidade. Para o ensino superior, conta com um campi do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a FNC - Faculdade Nossa Cidade (incorporada à Estácio), a ETEC e a FATEC de Carapicuíba. A área vem recebendo vários investimentos, como a reforma geral das atuais escolas municipais com quadras cobertas, construção de 16 creches por meio do programa PróInfância do Governo Federal, e construção de um Serviço Social da Indústria na Vila Gustavo Correia.
Transportes
O município é servido pelos trens da Linha 8 do Trem Metropolitano de São Paulo, operada pela ViaMobilidade contando com duas estações: Carapicuíba e Santa Terezinha. A cidade possui o terminal metropolitano José Ribeiro, ligado o sistema rodoviário a estação de trem de Carapicuíba, o terminal atende ao município e ao corredor de ônibus Itapevi-São Paulo. Há 4 empresas de ônibus urbanos que atendem a cidade: ETT Carapicuíba e Del Rey Transportes que fazem linhas municipais ligando os bairros ao centro (Estação Carapicuíba), a Estação General Miguel Costa (antiga Estação km 21, como ainda é conhecida) e a Estação Antônio João e intermunicipais ligando a cidade as cidades de Osasco, Barueri, Cotia, Santana de Parnaíba e São Paulo. A Viação Osasco - Filial (antiga Himalaia) e a Viação Raposo Tavares (antiga Viação Danúbio Azul) operam apenas linhas intermunicipais.
Comunicações
Até o início da década de 70 a cidade possuía um precário sistema telefônico manual, operado pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB). O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1973 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1976 com o código de área (011), onde sua central telefônica também atendeu a cidade de Barueri até o ano de 1980, quando foi inaugurada a central telefônica de Alphaville para atender aquela cidade.
Carapicuíba tem diversos comércios e bancos e conta com um incipiente parque industrial. O destaque maior na geração de empregos e renda é o setor de serviços.
Por conta de sua então paisagem bucólica e da Aldeia de Carapicuíba, a cidade de Carapicuíba foi usada como um dos cenários dos filmes Casinha Pequenina (1963) de Glauco Laurelli e estrelado por Amácio Mazzaropi , Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968) de Roberto Farias e Deu a Louca no Cangaço (1970) de Fauzi Mansur e das telenovelas A Muralha (1968) da Excelsior e Meu Pé de Laranja Lima (1970) da Tupi; Carapicuíba City 2026 A cena final de Urbania, filme de Flávio Frederico premiado no Festival de Gramado, foi rodada em uma favela de Carapicuíba. O curta-metragem Carapicuíba City – O Filme, dirigido por Osnir Dias, retrata a força do rap como ferramenta de transformação social na periferia de Carapicuíba. O grupo de pagode Negritude Junior foi formado na Cohab de Carapicuíba em 1986. Na década de 1990 tornou-se popular, com sua canção mais conhecida "Cohab City" (em referência ao conjunto habitacional) parte do álbum Gente da Gente (1995); A cidade foi citada na canção "Ônibusfobia", do álbum J. Quest (1996) da banda de pop-rock Jota Quest. Curta Metragem "Caos e Recomeço" 2025.


