Guerras religiosas na França
As Guerras Religiosas Francesas foram um período prolongado de guerra e agitação popular entre católicos e huguenotes no Reino da França, entre 1562 e 1598. Estima-se que três milhões de pessoas morreram nesse período, por violência, fome ou doença no que é considerado a segunda guerra religiosa mais mortífera da história da Europa.
O desenvolvimento do Humanismo durante o Renascimento permitiu o florescimento do pensamento crítico e individualista, fator importante para o surgimento de uma corrente da Reforma Protestante na França como causas da contestação dos princípios tradicionais da religião cristã ensinados pela Igreja de Roma. Mas, não somente este, como outros fatores também devem ser considerados: a ignorância do clero, a vida pouco exemplar dos clérigos e o acúmulo de privilégios eclesiásticos. Vale ressaltar que o Catolicismo também sofrerá um importante processo de reforma, cujas causas, apesar de não estarem totalmente ligadas à Reforma protestante (há "reformas" na Igreja desde o século XI, por exemplo a Reforma Gregoriana), foram apressadas por essa. A França nesse período passava por um momento de instabilidade dinástica após a morte de Henrique II (1559), essa fragilidade do poder real abria espaço para as disputas dos príncipes e das famílias nobres — Guise, Bourbon e Montmorency-Châtillon — na reivindicação sobre a monarquia. Somando-se a esse cenário, o surgimento do Calvinismo teve grande influência na França, alcançando a nobreza e a burguesia urbana e, como resultado, as questões religiosas passaram a se entrelaçar com as questões políticas. Em contrapartida, a Contrarreforma reforçou a reação católica, intensificando a tensão entre os dois grupos religiosos. O protestantismo — e seus seguidores, conhecidos como huguenotes — se expandiu ao ponto de ser visto como uma ameaça à unidade do reino e à autoridade real — que, nesse momento, ainda era muito ligada à Igreja Católica. Ao catolicismo tradicional, opôs-se assim o protestantismo.
As guerras religiosas ocorreram entre 1562 e a promulgação do Édito de Nantes (1599), entrecortadas por curtos períodos de paz, conforme segue: Todavia, ainda haveria prolongamentos desses conflitos, ao longo dos séculos XVII (o Cerco de la Rochelle, entre 1627 e 1628, e novas perseguições aos protestantes, após a revogação do Édito de Nantes, em 1685) e XVIII (Guerra dos Camisards), até o Édito de tolerância (1787), sob Luís XVI, considerado como um marco do fim dos confrontos.


