Goa
Goa é um estado da Índia. Situa-se entre Maarastra, a norte, e Carnataca a leste e sul, na costa do Mar Arábico, cerca de 400 km a sul de Bombaim. É o menor dos estados indianos em território, quarto menor em população e o mais rico em PIB per capita da Índia.
Antecedentes
A primeira referência a Goa data de cerca de 2 200 a.C., em escrita cuneiforme da Suméria, onde é chamada Gubio. Formada por povos de diferentes etnias da Índia, a influência dos sumérios aparece no primeiro sistema de medidas da região. No período védico tardio (1000–500 a.C.) era chamada Gomantak em sânscrito, que significa "terra semelhante ao paraíso, fértil e com boas águas". O Mahabharata conta que os primeiros arianos que chegaram a Goa eram fugitivos da extinção, pela seca do rio Sarasvati, 96 famílias que chegaram por volta de 1 000 a.C. A eles uniram-se os Kundbis vindos do sul, para, durante 250 anos, resgatar solo do mar, aumentando o espaço fértil entre este e as montanhas.
Presença portuguesa
Goa foi cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. A primeira investida portuguesa deu-se em 1510, de 4 de Março a 20 de Maio. Nesse mesmo ano, em uma segunda expedição, a 25 de Novembro, Afonso de Albuquerque, auxiliado pelo corsário hindu Timoja, tomou Goa aos muçulmanos, que se renderam sem combate, por o sultão se achar em guerra com o Decão. Nesse período, um cronista português descreve Goa, no período de 1512–1515: Uma outra descrição coeva fornece maiores detalhes: Com a derrota dos muçulmanos da região, em 1553 um quinto dela estava sob domínio português, recebendo o nome de «Velhas Conquistas». Os governadores portugueses da cidade pretendiam que fosse uma extensão de Lisboa no Oriente e para tal criaram algumas instituições e construíram-se várias Igrejas para expandir o cristianismo e fortificações para a defender de ataques externos.
A independência da Índia
No contexto da descolonização, após os Ingleses terem deixado a Índia (1947) e os Franceses Pondicherry (1954), o governo português, liderado por António de Oliveira Salazar, recusou-se a negociar com a Índia. Por essa razão, de 18 para 19 de dezembro de 1961 uma força indiana de 40 mil soldados conquistou Goa, encontrando pouca resistência. À época, o Conselho de Segurança das Nações Unidas considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela União Soviética. A maioria das nações reconheceram a ação da Índia, mas Portugal apenas a reconheceu após a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Goa destacou-se por ter sido sede de duas grandes ações civilizadoras portuguesas no Oriente: a religiosa e a educacional. Foi considerada a "Roma do Oriente", erigida em Sé Metropolitana das dioceses de Moçambique, Ormuz, Cochim, Meliapor, Malaca, Nanquim e Pequim na China, e Funay no Japão, a partir de 4 de Fevereiro de 1557. Dali partiram para o apostolado os grandes vultos do catolicismo português no Oriente, como São Francisco Xavier e São João de Brito. No que tange à ação educacional, em Goa foram erguidas inúmeras escolas e liceus, uma escola médica e institutos profissionais e técnicos. Vultos das letras portuguesas como o poeta Luís de Camões ("Os Lusíadas"), Garcia de Orta ("Colóquios dos Simples e Drogas da Índia") e Manuel Maria Barbosa du Bocage, ali redigiram parte das suas obras.
Damão e Diu desde o início, e muito mais tarde também Dadrá e Nagar Aveli, ficaram ligados a Goa, sob o nome de Estado da Índia Portuguesa, ligados não só pela administração, com centro em Goa, mas também por outros sentimentos, porém separados por cerca de 700 e 1 500 km. Logo após a integração na Índia estiveram ainda ligados a Goa, porém, quando esta se tornou um Estado dentro da República da Índia, Damão e Diu passaram a ser administrados diretamente pelo governo central indiano, sob o nome de Território da União de Damão e Diu (Union Territory Of Daman & Diu). Dadrá e Nagar Aveli, integrados alguns anos antes na Índia (1954), formam um território à parte.
Com uma área de 3 702 quilómetros quadrados, o território estende-se pelo Concão (a costa oeste indiana) por 160 km de litoral e no interio, encontram-se as montanhas dos Gates Ocidentais, cuja maior elevação em Goa é o monte Sonsogor, de 1 167 metros. O Mandovi, o Zuari, o Tiracol, o Chaporá e o Sal são os principais rios de Goa. Goa tem mais que quarenta ilhas estuarinas, oito ilhas marinhas e dezenove ilhas de rio. Por se situar na zona tropical e na costa do mar Arábico, Goa tem um clima quente e húmido em quase todo o ano. O mês de maio é o mais quente, com temperaturas de aproximadamente 35 °C, aliadas a altas humidades. As chuvas de monção chegam no começo de junho e representam um alívio no calor forte do período. Essas chuvas duram até setembro. Goa tem, ainda, uma pequena estação fresca entre o meio de dezembro e fevereiro. Estes meses têm noites com temperaturas de 20 °C e dias quentes com 29 °C aproximadamente, com rajadas moderadas de chuva.
Subdivisões
O estado é dividido em dois distritos: Goa Norte e Goa Sul. Pangim (ou Panaji) é, simultaneamente, a capital do estado e do distrito de Goa Norte, enquanto que Margão é a capital do distrito de Goa Sul. Ambos os distritos são governados por um governador nomeado pelo governo indiano. Os distritos ainda são divididos em concelhos ou talucas (ou tehsil).
O gentílico de Goa em português é goês ou goesa, goenkar em concani e govekar em marata. Goa tinha uma população de 1.45 milhões de habitantes de acordo com o censo de 2011, e as estimativas de 2023 apontavam para 1,57 milhões. Goa é o quarto menor estado indiano em relação a população, depois dos estados de Siquim, Mizorã e Arunachal Pradexe. A população tem crescido 14,9% por década e há 363 habitamyes por quilómetro quadrado. 49,77% da sua população vive em áreas urbanas. A proporção sexual do estado é de 960 mulheres para mil homens. O hinduísmo (65,8%), o cristianismo (26,7%) e o islamismo (6,8%) são as três maiores religiões goesas. O catolicismo romano teve incremento em Goa quando Portugal administrou o estado, proporcionando que muitos se tornassem católicos. Há ainda uma pequena comunidade judaica em Goa. As maiores cidades do estado são Vasco da Gama, Margão, Pangim, Mormugão e Mapuçá.
Idiomas
O idioma oficial de Goa é o concani. Depois de Portugal ter perdido o controlo sobre Goa, o concani e o marata passaram a ser os idiomas mais falados no estado. O concani é o idioma primordial no estado; depois vêm o marata e o inglês, que são usadas para propósitos educacionais, oficiais e literários. Outras línguas incluem o hindi, o português e o canarês.
Goa é considerada o berço do psy trance (abreviatura de psychedelic trance), em especial, a variedade Goa trance.


