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Afonso de Albuquerque

Afonso de Albuquerque, cognominado o Grande, o César do Oriente, o Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português, foi um fidalgo, militar e o 2.º governador da Índia Portuguesa, cujas ações militares, religiosas e políticas foram determinantes para o estabelecimento do Império Português no oceano Índico.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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Primeiros anos

Segundo uma tradição que remonta ao século XVII, Afonso de Albuquerque teria nascido em Alhandra, nos arredores de Lisboa, na quinta do Paraíso, junto ao rio Tejo. No entanto, como aponta a historiadora Alexandra Pelúcia, a referida quinta, durante a segunda metade do século XV, estava na posse dos condes de Penela, pelo que essa tradição resulta desacreditada. É assim mais provável que Afonso de Albuquerque tenha nascido na sede do património de referência de seus ascendentes paternos ou maternos, que se situava, respectivamente, em Vila Verde dos Francos e em Atouguia da Baleia. Quanto à data de nascimento, se valorizarmos o depoimento do próprio Afonso de Albuquerque, que escreveu, em uma carta datada de 1 de abril de 1512, ter então a idade de 50 anos, deverá ter ocorrido cerca de 1461 ou 1462 — contudo, o arco de possibilidades para essa data abarca o período compreendido entre o início da década de 1440 e a de 1460, pelo que alguns historiadores situaram o seu nascimento em dezembro de 1452 ou no ano de 1453.

Primeira missão na Índia

Quando o novo rei D. Manuel ascendeu ao trono mostrou alguma reticência perante Afonso de Albuquerque, íntimo do temido D. João II e dezassete anos mais velho. Em 6 de Abril de 1503, já numa idade madura e com uma longa carreira militar, Afonso de Albuquerque foi enviado na sua primeira expedição à Índia com o primo Francisco de Albuquerque, comandando cada qual três naus onde seguiam também Duarte Pacheco Pereira e Nicolau Coelho. Participaram em várias batalhas contra Calecute, onde sucederam a garantir a segurança no trono ao rajá de Cochim. Em retorno pelos serviços prestados obtiveram a permissão para construir uma fortaleza portuguesa em Cochim que seria o primeiro assentamento europeu na índia e o ponto de partida para a expansão do império no oriente, estabelecendo relações comerciais com Coulão. De regresso ao reino em Julho de 1504 «mais cheio de glórias que de despojos», Afonso de Albuquerque foi bem recebido por D. Manuel.

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Capitão-mor da costa da Arábia, 1506-1509

No início de 1506, após ter participado no delinear da estratégia para o oriente, o rei confiou-lhe uma esquadra de cinco navios na armada de dezasseis navios chefiada por Tristão da Cunha com destino à Índia. Seguiam com o objectivo de tomar Socotorá e aí iniciar uma fortaleza, na esperança de fechar o comércio no mar Vermelho, transportando um forte de madeira para apoiar os trabalhos iniciais. Afonso de Albuquerque seguia como capitão-mor da "costa da Arábia" e "até Moçambique havia de ir debaixo da bandeira de Tristão da Cunha". Levava uma carta com a missão secreta, ordenada pelo rei, de uma vez cumprida a primeira missão substituir o vice-rei D.Francisco de Almeida, que terminaria o mandato dois anos depois. Antes de partir legitimara um filho natural nascido em 1500. E fizera o seu testamento.

Tomada de Socotorá e Ormuz no golfo Pérsico

A 6 de Abril de 1506 as duas armadas partiram de Lisboa. Afonso de Albuquerque seguia pilotando o seu próprio navio, pois o piloto designado desaparecera antes da partida. No canal de Moçambique encontraram João da Nova vindo da Índia, que aí invernava após um rombo no casco do seu navio Frol de la mar. Resgataram-no e à nau, juntando-os à frota. De Melinde, Tristão da Cunha enviou uma expedição portuguesa para a Etiópia, que então se pensava ser mais próxima. A missão incluía o padre João Gomes, João Sanches e o tunisino Sid Mohammed (sem conseguir atravessar por Melinde rumariam a Socotorá, de onde Afonso de Albuquerque conseguiu desembarcá-los em Filuk, perto do Cabo Guardafui.) Após uma série de ataques bem sucedidos às cidades árabes da costa oriental africana, seguiram para Socotorá, onde havia notícia de cristãos, e que tomaram em Agosto de 1507, iniciando uma fortaleza.

Preso em Cananor

Afonso de Albuquerque chegou a Cananor, na Índia, em Dezembro de 1508. Aí imediatamente abriu perante o vice-rei Francisco de Almeida a carta selada que recebera do rei nomeando-o governador. Francisco de Almeida, junto do qual estavam já os capitães que haviam abandonado Albuquerque em Ormuz, confirmou que a ordem também lhe fora participada, mas recusou-se a passar de imediato o cargo, protestando que o seu mandato terminava apenas em Janeiro e que pretendia ainda vingar a morte do seu filho junto de Mirocém. Afonso de Albuquerque, ao ver recusada a sua promessa de travar a batalha ele mesmo, e posto que o vice-rei propôs pagar-lhe o devido ao cargo de governador, acatou esta ordem sem confrontar Francisco de Almeida e foi para Cochim, onde ficou a aguardar indicações do reino, sustentando do seu bolso a sua comitiva.

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Governador da Índia Portuguesa, 1509-1515

Em Outubro, chegou a Cananor o Marechal do Reino, Fernando Coutinho. Era o mais importante fidalgo do reino que alguma vez se deslocara ao Índico, parente de Afonso de Albuquerque, e trazia uma armada de quinze naus e 3 000 homens enviada pelo rei para defender os seus direitos e tomar Calecute. A 4 de Novembro Albuquerque iniciou a governação. Após a partida de Francisco de Almeida cinco dias depois, Albuquerque rapidamente demonstrou a sua energia e determinação como segundo governante do estado da Índia, cargo que ocuparia até à sua morte. Afonso de Albuquerque pretendia construir fortalezas em pontos estratégicos da costa, capazes ser abastecidas por mar, para assim dominar o mundo muçulmano e controlar a rede de comércio no Índico, ideia a que Francisco de Almeida e os seus capitães se tinham oposto, por considerarem que não havia capacidade para as manter. Inicialmente D. Manuel e o conselho do reino tentaram distribuir o poder a partir de Lisboa, criando três áreas de jurisdição no Índico: Albuquerque seguira com a missão de tomar Ormuz, Adem e Calecute, missão que até ao fim procurou cumprir; Diogo Lopes de Sequeira fora provido com uma frota e enviado para o sudoeste asiático, com a missão de tentar um acordo com o sultão de Malaca, mas falhou retornando a Cochim e ao reino; a Jorge de Aguiar fora dada a área entre o Cabo da Boa Esperança e Guzerate, sendo sucedido por Duarte de Lemos que partiu para o reino deixando a Albuquerque os seus navios.

Ataque falhado a Calecute

Em Janeiro de 1510, cumprindo as ordens do reino e sabendo da ausência do samorim, Afonso de Albuquerque avançou para Calecute. Contudo teve que recuar após o marechal Fernando Coutinho, contra os seus avisos, se ter embrenhado no interior da cidade fascinado pelo saque e sofrido uma emboscada. Para o salvar, Afonso de Albuquerque sofreu um rude ferimento e teve que recuar.

Conquista de Goa, 1510

Falhado o ataque a Calecute, Afonso de Albuquerque apressou-se a formar uma poderosa armada, reunindo vinte e três naus e 1 200 homens. Relatos contemporâneos afirmam que pretendia combater a frota mameluca egípcia no mar Vermelho ou regressar a Ormuz. Contudo, informado por Timoja (um corsário hindu ao serviço do Reino de Bisnaga) de que seria mais fácil encontrá-la em Goa, onde se havia refugiado após a Batalha de Diu, dada a doença do sultão Hidalcão e a guerra entre os sultanatos do Decão. investiu de surpresa na captura de Goa ao sultanato de Bijapur. Cumpriu assim outra missão do reino, que não pretendia ser visto como eterno "hóspede" de Cochim, e cobiçava Goa por ser o melhor porto comercial da região, entreposto de cavalos árabes para os sultanatos do Decão.

Tomada de Malaca, 1511

Em Fevereiro de 1511 chegou através de um mercador hindu chamado Nina Chatu uma carta de Rui de Araújo, um dos prisioneiros portugueses em Malaca, instando a avançar com a maior armada possível, e dando pormenores sobre os procedimentos. Albuquerque mostrou-a a Diogo Mendes de Vasconcelos, como argumento para avançar numa frota conjunta. Em abril de 1511, após fortificar Goa, reuniu uma força de cerca de 900 portugueses e 200 mercenários hindus, com cerca de dezoito navios. Contrariando as ordens do reino e sob os protestos de Diogo Mendes de Vasconcelos, que reclamava para si o comando da expedição, zarpou de Goa para o Sultanato de Malaca, preparado para a conquista e instado a libertar os portugueses. Sob as suas ordens estava Fernão de Magalhães, que participara na embaixada falhada de Diogo Lopes de Sequeira em 1509.

Missões diplomáticas a partir de Malaca

Em Malaca Albuquerque investiu simultaneamente em esforços diplomáticos demonstrando ampla generosidade com os mercadores do sudeste asiático, como os chineses, na esperança de que estes fizessem eco das boas relações com os portugueses. Enviou várias missões aos territórios vizinhos: Rui Nunes da Cunha foi enviado para Pegu (actual Mianmar), com o rei Binyaram a enviar um emissário a Cochim em 1514 e, conhecendo as ambições siamesas sobre Malaca, imediatamente enviou Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (actual Tailândia), onde foi o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à China, estabelecendo relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião.

Naufrágio na Flor de la Mar

Na noite de 20 de Novembro de 1511, após quase um ano de permanência em Malaca, navegando de regresso à Índia com o valioso espólio da conquista de Malaca, uma tempestade fez naufragar a velha nau Flor de la mar onde seguia Afonso de Albuquerque. O naufrágio fez numerosas vítimas, Albuquerque salvou-se em condições difíceis "apenas com a roupa que trazia", com auxílio de uma jangada improvisada. Perdeu-se o valioso saque da conquista de Malaca, presentes do rei do Sião para o rei de Portugal e toda a sua fortuna. Albuquerque voltou de Malaca para Cochim. Não navegara para Goa, porque enfrentava uma grave revolta liderada pelas forças de Ismael Adil Xá, sultão de Bijapur, liderada por Raçul Cã com a ajuda de alguns dos seus compatriotas. Enquanto se ausentara em Malaca, os portugueses que se opunham à tomada de Goa tinham renunciado à posse, tendo mesmo escrito ao rei, afirmando que seria melhor deixá-la. Impedido de navegar pela monção e com poucas forças disponíveis, teve que esperar a chegada de duas frotas com reforços, de seu sobrinho Garcia de Noronha e de Jorge de Melo Pereira.

Regresso ao mar Vermelho, 1513

Em Dezembro de 1512 chegara a Goa Mateus, um embaixador da Etiópia. Fora enviado pela rainha regente Eleni da Etiópia, na sequência da chegada dos enviados de Tristão da Cunha vindos de Socotorá em 1507. Seguira como embaixador para o rei D. Manuel e ao papa, em busca de uma aliança para fazer face ao crescente poder otomano na região. Apesar da desconfiança de alguns, que o consideravam um impostor ou espião muçulmano, Albuquerque recebeu-o com honras e imediatamente avisou o rei, que por sua vez informou da sua chegada o papa Leão X em 1513. Visto como o muito esperado contacto com o lendário Preste João e com Pêro da Covilhã, Mateus foi enviado por Albuquerque de Cananor para Portugal.

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Legado e descendência

“[…] o grande Cavaleiro,Que ao vento velas deu na ocídua parte,E lá, onde infante o Sol dá luz primeiro, Fixou das Quinas santas o Estandarte. E com afronta do infernal guerreiro, (Mercê do Céu) ganhou por força, e arte O áureo Reino, e trocou com pio exemplo A profana mesquita em sacro templo.* * * * O tempo chega, Afonso, em que a santaSião terá por vós a liberdade, A Monarquia, que hoje o Céu levanta, Devoto consagrando à eternidade. Ó bem nascida generosa planta,Que em flor fruto há-de dar à Cristandade, E matéria a mil cisnes, que, cantando De vós, se irão convosco eternizando. De Cristo a injusta morte vingou Tito Na de Jerusalém total ruína:E a vós, a quem Deus deu um peito invito,Ser vingador de sua Fé destina. Extinguir do Agareno o falso rito É de vosso valor a empresa dina: Tomai pois o bastão da empresa grande Para o tempo que o Céu marchar vos mande.” — Malaca Conquistada pelo grande Afonso de Albuquerque (1634), poema épico de Francisco de Sá de Meneses.

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Títulos e honras

Em 1515, com o fim do seu mandato de governador, Afonso de Albuquerque — segundo algumas fontes — teria sido agraciado pelo rei D. Manuel I de Portugal com os títulos de vice-rei da Índia e Senhor do Mar Vermelho e o título e tratamento de Dom. O título de vice-rei estava apenas vago desde 1510, ano da morte de D. Francisco de Almeida, 1º Vice-Rei da Índia, não tendo por isso sido concedido a Afonso de Albuquerque quando foi nomeado Governador em 1509.[b]

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Fontes consultadas

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