Pesquisa · Mapa mental

Germanos

Povos germânicos ou germanos são um grupo etnolinguístico indo-europeu originário do norte da Europa e identificado pelo uso das línguas indo-europeias germânicas que se diversificaram do proto-germânico durante a Idade do Ferro pré-românica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
01

Etimologia

Várias etimologias para a designação latina GERMANI são possíveis. Como adjetivo, GERMANI é simplesmente o plural do adjetivo GERMANVS (a partir de germen, "semear, disseminar", "desdobramento, enfiar"), que tem o sentido de "parente" ou "aparentado". Como um etnônimo, a palavra é comprovada pela primeira vez em 223 a.C. na inscrição de Fasti Capotolini, DE GALLEIS INSVBRIBVS ET GERM, onde ela simplesmente se refere a povos "próximos" ou relacionados aos gauleses. Se o nome próprio posterior GERMANI deriva desta palavra, a referência a este uso deve ser baseada na experiência romana de ver as tribos germânicas como aliadas dos celtas. O nome aparece sendo usado pela primeira vez com o sentido de "povos da Germania, distintos dos gauleses" por Júlio César. Neste sentido, o nome deve ser um empréstimo do exônimo celta aplicado às tribos germânicas, baseado em uma palavra para "vizinho". Uma terceira sugestão deriva a palavra diretamente do nome da tribo dos Hermunduri, que Tácito sugere possa ter sido o nome de uma tribo que mudou de nome após o domínio romano, mas não há indícios para isto.

02

Classificação

O conceito de "germânico" como uma identidade étnica distinta foi indicado primeiramente pelo geógrafo grego Estrabão , que diferenciou um grupo bárbaro no norte da Europa, que não era celta. No entanto, foi Posidônio o primeiro a usar o nome, por volta de 80 a.C. em seu desaparecido 30º livro. O nosso conhecimento disto é baseado no 4º livro de Ateneu, que em cerca de 190 citou Posidônio: "Os GERMANI à tarde servem à mesa carne assada com leite, e bebem seu vinho não diluído". No século I, as obras de Júlio César, Tácito e de outros escritores da época indicam uma divisão dos povos germano-falantes em grupos tribais centralizados em:

03

Origens

A principal teoria para a origem das línguas germânicas, sugerida por evidências arqueológicas, linguísticas e genéticas, postula uma difusão das línguas indo-européias da estepe pôntico-cáspia em direção ao norte da Europa durante o terceiro milênio a.C, por meio de contatos linguísticos e migrações da cultura da cerâmica cordada para a Dinamarca moderna, resultando em mistura cultural com a cultura Funnelbeaker anterior. Com respeito às origens étnicas, evidências desenvolvidas por arqueólogos e linguistas sugerem que um povo ou grupo de povos partilhando uma cultura material comum residia no norte da atual Alemanha e sul da Escandinávia durante o final da Idade do Bronze (700−600 a.C.). Essa cultura é chamada de Idade do Bronze Nórdica e abrange o sul da Escandinávia e o norte da Alemanha. A longa presença de tribos germânicas no sul da Escandinávia (uma língua indo-europeia chegou provavelmente por volta de 2 000 a.C.) e é também evidenciada pelo fato de que não tem sido encontrados nomes de lugares pré-germânicos na região.

04

Período histórico

Primeiros contatos

Os primeiros contatos dos germanos com os romanos ocorreram no ano 113 a.C., com derrotas para os romanos. Pouco depois, o general Mário mudou muito o exército e conseguiu algumas importantes vitórias sobre os germanos, de estatura muito superior aos romanos. Júlio César (século I a.C.) escreveu alguma coisa sobre os germanos. Nesse período, as tribos germânicas viviam em aldeias rudimentares, praticando uma economia comunal baseada na agricultura, na pecuária e nas pilhagens. Quando as terras se esgotavam, partiam à procura de outras. As áreas cultiváveis e os bosques eram de uso comum aos habitantes das aldeias. Apenas os rebanhos permaneciam como propriedade particular, constituindo a principal riqueza dos guerreiros.

A penetração germânica no Império Romano

Pode-se distinguir duas grandes fases da penetração dos povos germânicos no Império Romano: Pouco tempo depois, os próprios visigodos sofreriam ataques hunos sem conseguir deter seu avanço. O chefe dos visigodos solicitou, então, ao imperador romano permissão para penetrar nos domínios do império. Sem prever as consequências de seu ato, o imperador Valente autorizou a entrada de milhares de germanos, que, assim, atravessaram o rio Danúbio. Posteriormente, esses mesmos germanos decidiram avançar em direção ao Mediterrâneo, pilhando e saqueando aldeias e cidades. Inaugurava-se, desse modo, o período das grandes invasões. Pouco a pouco, os diversos povos germânicos foram dominando diferentes regiões do antigo Império Romano e organizando-se nos territórios conquistados. Já por volta do século VII, quase todos os povos germânicos estavam estabelecidos em regiões da Europa.

05

Características

Os povos germânicos não estavam organizados socialmente em Estados, mas em comunidades tribais. A estrutura social básica era a família monogâmica, cujo poder absoluto era confiado ao pai. Depois, vinham os clãs, compostos pela reunião de famílias aparentadas, com ascendentes comuns. Finalmente, vinham as tribos, formadas pelo agrupamento de vários clãs. O órgão público mais importante de cada tribo era a "assembleia dos guerreiros", que deliberava sobre assuntos como a declaração de guerra ou de paz, a libertação de prisioneiros, os crimes de traição e a expulsão de membros da tribo. Nas tribos germânicas, os chefes (reis) exerciam funções religiosas, militares e judiciais. Embora sua autoridade se submetesse à assembleia, esses chefes assumiam poderes quase absolutos em tempos de guerra. Além disso, tinham o direito de manter uma tropa pessoal (séquito), composta de experientes e fieis guerreiros, que se tornou, com o tempo, cada vez mais numerosa.

06

Estrutura econômica

Imagem: Pmk58 · BY-SA · Openverse

Entre as principais atividades econômicas, destacavam-se a agricultura (trigo, cevada, centeio, legumes, etc.) e a pecuária (bois, carneiros). A princípio, a propriedade da terra pertencia a todo o clã, sendo que seus membros tinham o direito de usufruir determinadas áreas. Entretanto, em função das necessidades coletivas, os bosques, os pastos e a água eram explorados de forma comunitária. Era considerada propriedade individual apenas a casa familiar, pois representava o templo dos deuses domésticos e o lugar e veneração aos antepassados. Embora com produção modesta, os germanos dedicavam-se à indústria metalúrgica, fabricando belas e eficientes armas metálicas (lanças, longas espadas, machados). Produziam, também, objetos cerâmicos e peças de ourivesaria de grande valor.

07

Vida cultural

Os germânicos imaginaram o mundo da seguinte forma: 1- Como um círculo rodeado pelas águas, nas quais vivia a serpente monstruosa Jörmungandr, Por debaixo de Midgard estava o Niflheim, e mais profundo ainda se localizava o país dos mortos que era úmido, glacial, sombrio e cuja entrada era guardada por um cão. 2- Como partes ou mundos distintos, todos eles sustentados pelo fresno Ygdrasil. O mundo situado mais acima era o de Asgard. O acesso a este mundo se realizava através do arco-íris, que imaginavam como um ponto estendido de um lado a outro do universo. Asgard era um recinto amuralhado no qual viviam todos os deuses, e no qual cada deus tinha uma grande mansão (exceto Odin que tinha três): A primeira mansão de Odin era Valaskialf, na que estava a sala do trono. A segunda era Gladsheim, na que estava a sala do conselho dos deuses. A terceira e mais bela era o Valhala, na qual Odin recebia todos os guerreiros mortos heroicamente e compartilhava com eles banquetes e jogos de guerra.

Religião

Os germanos adoravam as forças da natureza (trovão, sol, raio, lua). Entre os principais deuses, encontravam-se: Odin, senhor dos mortos, do comércio, da guerra e das tempestades, Thor, protetor dos camponeses, cujos braços lançavam raios, e Tir, deus que comandava o céu e dirigia as assembleias. A cerimônia religiosa dos germanos era bastante simples. O culto era celebrado no alto de uma montanha sagrada, junto a uma árvore ou uma fonte ou em outros espaços naturais em florestas. Acreditavam na vida depois da morte e diziam que os guerreiros mortos nos campos da batalha eram levados pelas valquírias(deusas da guerra) até uma espécie de paraíso, denominado Valhala. Diziam, também, que aqueles que morriam de velhice ou por doença estavam destinados ao Hell. As mulheres iriam para o palácio da deusa Freia depois de mortas. Outro aspecto muito importante da religiosidade germânica eram os cultos relacionados a magia, entre os quais as de origem xamânico-finlandesa, especialmente importantes na Escandinávia da Era Viquingue.

Direito

Não existiam, entre os germanos antes do início das grandes migrações, normas jurídicas escritas. As relações sociais eram regulamentadas por normas costumeiras, que se transmitiam oralmente de geração a geração. O ordálio era um tipo de prova judiciária frequentemente utilizada nos julgamentos e constituía em submeter o acusado ao suplício do fogo ou à imersão em água. Se o acusado resistisse ao suplício, era considerado inocente.

Pensamento e artes

Os germanos eram em geral patriarcais sendo o chefe da família em geral o homem mais velho desta, ou o melhor guerreiro, o que aponta para outra característica germânica, o caráter guerreiro ou belicoso da sociedade onde a guerra era tida como importante aspecto social e que definia o status pessoal do homem. Outro aspecto era que esses povos defendiam que as terras conquistadas durante uma campanha militar deveriam ser divididas pelos melhores chefes de guerra (chefes de famílias que mandavam seus guerreiros em geral sobre seu comando a uma guerra) que participaram desta campanha. Eram governados em épocas de paz por uma assembleia de homens (chefes de família) que durante um guerra designavam um deles para ser o rei (função parecida com a do ditador romano escolhido pelo senado em épocas de guerra). Mesmo sendo uma sociedade patriarcal a mulher era respeitada e a monogamia era um traço da sociedade (que passou para os dia atuais).

08

Genética de populações

Imagem: adirricor · BY · Openverse

A partir da genética populacional,[nota 2] tem sido sugerido que a migração dos povos germânicos pode ser detectada na distribuição de corrente de linhagem masculina representada por haplogrupo de cromossoma chamado I1.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando