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Número complexo

Em matemática, um número complexo é um elemento de um sistema numérico que contém os números reais e um elemento específico denotado i, chamado de unidade imaginária, e que satisfaz a equação i2 = −1.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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História

O conceito de número complexo teve um desenvolvimento gradual. Começaram a ser utilizados formalmente no século XVI em fórmulas de resolução de equações de terceiro e quarto graus. Os primeiros que conseguiram dar soluções a equações cúbicas foram Scipione del Ferro e Tartaglia. Este último, depois de ter sido alvo de muita insistência, passou os resultados que tinha obtido a Girolamo Cardano, que prometeu não divulgá-los. Cardano, depois de conferir a exatidão das resoluções de Tartaglia, não honrou sua promessa e publicou os resultados, mencionando o autor, em sua obra Ars Magna de 1545, iniciando uma enorme inimizade. A fórmula deduzida por Tartaglia afirmava que a solução da equação x 3 + p x + q = 0 {\displaystyle x^{3}+px+q=0} era dada por Um problema inquietante percebido na época foi que algumas equações (as equações que têm três raízes reais, chamadas de casus irreducibilis) levavam a raízes quadradas de números negativos.

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Definições

Plano complexo

O plano complexo, também chamado de plano de Argand-Gauss, é uma representação geométrica do conjunto dos números complexos. Da mesma forma, como cada ponto da reta está associado a um número real, o plano complexo associa biunivocamente o ponto ( x , y ) do plano ao número complexo x + yi. Esta associação conduz a pelo menos duas formas de representar um número complexo: representa o número Z em coordenadas cartesianas separando a parte real da parte imaginária. onde r é a distância euclidiana do ponto até a origem do sistema de coordenadas, chamada de módulo do número complexo. Este é denotado por: Já θ {\displaystyle \theta } se trata do ângulo entre a semirreta O Z ¯ {\displaystyle {\overline {OZ}}} e o semi-eixo real, chamado de argumento do número complexo Z e denotado por arg ⁡ ( Z ) . {\displaystyle \arg(Z).}

Operações elementares

O conjunto dos números complexos é um corpo. Portanto, é fechado sobre as operações de adição e multiplicação, além de possuir a propriedade de que todo elemento não-nulo do conjunto possui um inverso multiplicativo. Todas as operações do corpo podem ser performadas através das propriedades associativa, comutativa e distributiva, levando em consideração a identidade i 2 = − 1 {\displaystyle i^{2}=-1} Sejam z e w dois números complexos dados por z = ( a , b ) {\displaystyle z=(a,b)} e w = ( c , d ) {\displaystyle w=(c,d)} então definem-se as relações e operações elementares tal como segue: O conjugado de um número complexo é seu simétrico no plano complexo em relação ao eixo real. A soma e o produto de um número complexo com seu conjugado tem parte imaginária nula.

O módulo

Sejam z e w dois números complexos dados por z = ( a , b ) {\displaystyle z=(a,b)} e w = ( c , d ) , {\displaystyle w=(c,d),} o módulo possui as seguintes propriedades: | z | = a 2 + b 2 ; | z ¯ | = | z | ; | z ⋅ w | = | z | ⋅ | w | ; | z + w | ≤ | z | + | w | ; | z | = 0 ⟺ z = 0. {\displaystyle {\begin{array}{lcl}|z|&=&{\sqrt {a^{2}+b^{2}}};\\|{\overline {z}}|&=&|z|;\\|z\cdot w|&=&|z|\cdot |w|;\\|z+w|&\leq &|z|+|w|;\\|z|&=&0\Longleftrightarrow z=0.\end{array}}} Cabe ressaltar, conforme exposto acima, que o número zero é o único número complexo cujo módulo de Z é igual a Z. A distância entre dois números complexos é definida como:

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Propriedades algébricas

O conjunto dos números complexos formam um corpo algebricamente fechado. Isso significa que toda equação algébrica de grau não nulo pode possuir como solução um número complexo. Mais formalmente, a seguinte equação Este resultado é conhecido como teorema fundamental da álgebra e foi demonstrado primeiramente pelo matemático alemão Carl Friedrich Gauss. Uma consequência deste teorema é que todo polinômio de grau n pode ser decomposto em um produto de n fatores lineares complexos:

Radical algébrico

O radical algébrico é definido no conjunto dos números complexos como uma função multivalente, devido ao fato que a equação algébrica: possui n soluções distintas para cada A ≠ 0 , {\displaystyle A\neq 0,} que são dadas pela fórmula de De Moivre: onde A = | A | e i θ . {\displaystyle A=|A|e^{i\theta }.}

Estrutura de campo

O conjunto C de números complexos é um campo. Resumidamente, isso significa que os seguintes fatos são válidos: primeiro, quaisquer dois números complexos podem ser adicionados e multiplicados para produzir outro número complexo. Em segundo lugar, para qualquer número complexo z {\displaystyle z} , seu inverso aditivo − z {\displaystyle z} também é um número complexo; e terceiro, todo número complexo diferente de zero tem um número complexo recíproco. Além disso, essas operações satisfazem uma série de leis, por exemplo, a lei da comutatividade de adição e multiplicação para quaisquer dois números complexos z 1 {\displaystyle z_{1}} e z 2 {\displaystyle z_{2}} :

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Propriedades topológicas e analíticas

O conjunto dos números complexos munido da distância dist ( z , w ) = | z − w | {\displaystyle {\hbox{dist}}\left(z,w\right)=|z-w|} forma um espaço métrico completo. De fato, o módulo possui todas as características de uma norma.

Convergência nos complexos

Diz-se que uma sequência z n {\displaystyle z_{n}} de números complexos é convergente se existe um número complexo z {\displaystyle z} tal que:

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O conjunto dos números complexos como extensão algébrica

Outra forma de entendermos os números complexos é através de polinômios com coeficientes reais. Ao usarmos a identidade i 2 + 1 = 0 {\displaystyle i^{2}+1=0} para simplificarmos identidades algébricas, estamos efetivamente encontrando o maior fator de i 2 + 1 {\displaystyle i^{2}+1} na expressão e o substituindo por zero. Por exemplo, a expressão i 3 − i + 5 {\displaystyle i^{3}-i+5} pode ser escrita formalmente como ( i 2 + 1 ) i − 2 i + 5 {\displaystyle (i^{2}+1)i-2i+5} e, substituindo a identidade, encontramos i 3 − i + 5 = − 2 i + 5 {\displaystyle i^{3}-i+5=-2i+5} . Esse processo pode ser sistematizado da seguinte forma: dado um polinômio de coeficientes reais na variável x {\displaystyle x} (isso é, um elemento de R [ x ] {\displaystyle \mathbb {R} [x]} ), podemos dividi-lo por x 2 + 1 {\displaystyle x^{2}+1} e trabalharmos somente com o seu resto (que deve, pelas propriedades da Divisão polinomial) ter grau um, ou seja, ser da forma a + b x {\displaystyle a+bx} .

Logaritmos

Se z = r e i θ {\displaystyle z=re^{i\theta }} , onde r {\displaystyle r} é o módulo e θ {\displaystyle \theta } é o argumento medido em radianos do número complexo z {\displaystyle z} e e w = z {\displaystyle e^{w}=z} , gostaríamos de escrever ln ⁡ ( w ) = e {\displaystyle \ln(w)=e} . Isso não é imediato no entanto, porque, diferente do caso real, a exponencial complexa não é uma Função injectiva, de fato e 2 i π n = 1 {\displaystyle e^{2i\pi n}=1} para todo número inteiro n {\displaystyle n} . Não sendo injetiva, a função exponencial com Contradomínio nos números complexos não admite Função inversa no sentido usual. Essas considerações de lado, escreva w = a + b i {\displaystyle w=a+bi} então e w = e a e b i {\displaystyle e^{w}=e^{a}e^{bi}} e portanto e a e b i = r e i θ {\displaystyle e^{a}e^{bi}=re^{i\theta }} . Da igualdade desses números complexos escritos na forma polar temos: a = ln ⁡ r {\displaystyle a=\ln r} e b = θ + 2 k π {\displaystyle b=\theta +2k\pi } onde k {\displaystyle k} representa algum número inteiro. Desse raciocínio, definimos a função logarítmica natural de uma variável complexa z pela equação:

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Gráficos de funções complexas

A representação gráfica de uma função com domínio e imagem no campo dos complexos é impraticável, pois tal função reside na quarta dimensão, ou seja, seria preciso um sistema de coordenadas com quatro eixos perpendiculares entre si para a construção da curva, a qual seria uma "superfície-2D" representada num "hiperespaço-4D". Todavia, existem diversas maneiras de se estudar o comportamento de tais funções sem sair de nosso espaço euclidiano de três dimensões. Uma delas, pouco usual, é representar uma função complexa, por exemplo f ( z ) = − z {\displaystyle f(z)=-z} , no próprio plano de Argand-Gauss, utilizando cores para representar o "jeito" da função. Este método denomina-se "Color Domain" ou Domínio de Cores. Temos então que para todo ponto do plano complexo está associada uma cor que corresponde à imagem da função neste ponto. Outra opção é representar apenas os valores da função que têm imagem real, como na figura da próxima seção. Esta secção da curva de uma função complexa irá resultar em uma nova curva unidimensional que está distribuída no espaço tridimensional. A representação dos valores reais da imagem da função complexa é interessante principalmente porque nos ajuda a compreender, por exemplo, as raízes complexas de um polinômio, como P ( x ) = x 2 + 1 {\displaystyle P(x)=x^{2}+1} , cujas raízes são i {\displaystyle i} e − i {\displaystyle -i} .

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Forma trigonométrica dos números complexos

Representação trigonométrica

Na representação trigonométrica, um número complexo z = a + i b {\displaystyle z=a+ib} é determinado pelo módulo do vetor que o representa, e pelo ângulo que faz com o semieixo positivo das abscissas. Um vetor é representado por um segmento de reta orientado, e define grandezas que se caracterizam por: Quando z = a + i b {\displaystyle z=a+ib} : O argumento geral de z {\displaystyle z} é θ + 2 π k {\displaystyle \theta +2\pi k} ou θ + 360 ∘ k {\displaystyle \theta +360^{\circ }k} , o argumento principal é o valor de θ {\displaystyle \theta } no intervalo − π < θ ≤ π {\displaystyle -\pi <\theta \leq \pi } ou − 180 ∘ < θ ≤ 180 ∘ {\displaystyle -180^{\circ }<\theta \leq 180^{\circ }} .

Igualdade de números complexos

Dados dois números complexos z = a + i b {\displaystyle z=a+ib} e w = c + i d {\displaystyle w=c+id} têm-se, na forma trigonométrica, um argumento geral, sendo: {\displaystyle \quad } z = | z | ( cos ⁡ ( θ + 2 π k ) + i sen ⁡ ( θ + 2 π k ) ) {\displaystyle z=|z|(\cos \left(\theta +2\pi k\right)+i\operatorname {sen} \left(\theta +2\pi k\right))} {\displaystyle \quad } w = | w | ( cos ⁡ ( α + 2 π k ) + i sen ⁡ ( α + 2 π k ) ) {\displaystyle w=|w|(\cos \left(\alpha +2\pi k\right)+i\operatorname {sen} \left(\alpha +2\pi k\right))} {\displaystyle \quad } z = w {\displaystyle z=w} {\displaystyle \quad } ⇔ {\displaystyle \Leftrightarrow } {\displaystyle \quad } | z | cos ⁡ θ = | w | cos ⁡ α {\displaystyle |z|\cos \theta =|w|\cos \alpha } e | z | sen ⁡ θ = | w | sen ⁡ α {\displaystyle |z|\operatorname {sen} \theta =|w|\operatorname {sen} \alpha } {\displaystyle \quad } ⇔ {\displaystyle \Leftrightarrow } {\displaystyle \quad } | z | = | w | {\displaystyle |z|=|w|} e α = θ + 2 π k {\displaystyle \alpha =\theta +2\pi k}

Simétrico de um número complexo

O simétrico de um número complexo z = a + i b {\displaystyle z=a+ib} é o número − z = − ( a + i b ) {\displaystyle -z=-(a+ib)} , ou seja − z = ( − a ) + i ( − b ) {\displaystyle -z=(-a)+i(-b)} . Corresponde a uma rotação de 180° em torno da origem, a partir de z {\displaystyle z} .

Conjugado de um número complexo

O conjugado de um número complexo z = a + i b {\displaystyle z=a+ib} é o número z ¯ = a − i b {\displaystyle {\bar {z}}=a-ib} . Corresponde a uma reflexão de z {\displaystyle z} na reta das abcissas.

Produto dos números complexos

Seja z = | z | ( cos ⁡ θ + i sen ⁡ θ ) {\displaystyle z=|z|\left(\cos \theta +i\operatorname {sen} \theta \right)} e w = | w | ( cos ⁡ α + i sen ⁡ α ) {\displaystyle w=|w|\left(\cos \alpha +i\operatorname {sen} \alpha \right)} , a interpretação geométrica do produto dos números complexos pode seguir os seguintes casos: {\displaystyle \quad } {\displaystyle \quad } k ⋅ z = k ⋅ | z | ( cos ⁡ θ + i sen ⁡ θ ) {\displaystyle k\cdot z=k\cdot |z|(\cos \theta +i\operatorname {sen} \theta )} Se k > 1 {\displaystyle k>1} , então o produto corresponde a uma ampliação do vetor z {\displaystyle z} z = 1 + i = | z | ( cos ⁡ θ + i sen ⁡ θ ) = 2 ( cos ⁡ 45 ∘ + i sen ⁡ 45 ∘ ) {\displaystyle z=1+i=|z|(\cos \theta +i\operatorname {sen} \theta )={\sqrt {2}}(\cos 45^{\circ }+i\operatorname {sen} 45^{\circ })}

Soma dos números complexos

A soma de números complexos corresponde à soma dos vetores complexos associados a esses números. Dados quaisquer números reais z {\displaystyle z} (de vetor O A → {\displaystyle {\vec {OA}}} ) e w {\displaystyle w} (de vetor O B → {\displaystyle {\vec {OB}}} ), a soma z + w {\displaystyle z+w} tem como representação vetorial o vetor O C → {\displaystyle {\vec {OC}}} , dado por O A → + O B → = O C → {\displaystyle {\vec {OA}}+{\vec {OB}}={\vec {OC}}} . z = O A → = 1 + 3 i {\displaystyle z={\vec {OA}}=1+3i} w = O B → = 5 + 1 i {\displaystyle w={\vec {OB}}=5+1i} z + w = O A → + O B → = O C → = 6 + 4 i {\displaystyle z+w={\vec {OA}}+{\vec {OB}}={\vec {OC}}=6+4i}

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Fontes consultadas

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