Flâmula
No âmbito naval, uma flâmula constitui um tipo de galhardete longo e estreito, destinado a ser arvorado no mastro principal de um navio de guerra, a fim de assinalar que o mesmo é comandado por um oficial da marinha de guerra. No âmbito da vexilologia, o termo "flâmula" é usado de uma forma mais ambígua, geralmente qualificando uma bandeira pelo seu formato alongado, eventualmente triangular e farpado.
A palavra "flâmula" tem origem no termo latino flammula, diminutivo de flamma (chama), significando portanto "pequena chama". Aparece já referida na obra Epitoma Rei Militares - escrita no século IV por Flávio Vegécio - para se referir a um dos tipos de signas usadas pelo Exército da Roma Antiga. Pensa-se que, no tempo de Vegécio, o termo se aplicaria aos vexilos cujas bordas inferiores eram farpadas. Na obra Estratégico - escrita no século VI pelo imperador bizantino Maurício - a flâmula (em grego φλάμουλον [phlamoulon]) é definida como uma pequena bandeira triangular, de uma ou mais pontas, usada pelas tropas bizantinas nas suas lanças, essencialmente com funções decorativas.
Na vexilologia, o termo "flâmula" é usado sobretudo para qualificar uma bandeira pelo seu formato e não tanto pelo seu tipo de uso. Contudo, como é comum na terminologia vexilológica, existe alguma ambiguidade no uso do termo, aplicando-se a realidades diferentes. Normalmente, designa genericamente uma bandeira estreita (comprimento bastante superior à largura), que pode eventualmente ter um formato triangular e ser farpada. Por outro lado e dada a ambiguidade da terminologia, termos como "galhardete", "pendão", "guião", "bandeirola" ou outros são também usados para designar bandeiras dos mesmos formatos. Ocasionalmente, estes termos designam subtipos uns dos outros, como é o caso da flâmula que é abordada frequentemente como um subtipo de galhardete. Como em vexilologia o termo é usado para designar o formato de uma bandeira, para indicar a função da mesma deve-se acrescentar um qualificativo. Assim o que no âmbito naval poderia ser referido simplesmente como "flâmula", no âmbito vexilológico deverá ser referido como "flâmula de comando" ou "flâmula de guerra".
Significado e uso
A flâmula assinala que a embarcação onde é arvorada tem o estatuto de navio de guerra. No entanto, tradicionalmente, representa o comandante do navio e não o navio em si. Assim, no seu significado original, a flâmula constituía o distintivo pessoal de um detentor de carta-patente de oficial da marinha de guerra. Assim, ao ser arvorada num navio, a flâmula assinalaria que o mesmo se encontrava sob o comando de um oficial de marinha de guerra, indiretamente significando que o navio estaria armado ou comissionado, o que indicava implicitamente que o mesmo seria um navio de guerra. A flâmula consiste num longo galhardete, normalmente nas cores nacionais da marinha que o arvora, podendo conter também emblemas. A flâmula mantém-se içada permanentemente num navio, enquanto o mesmo estiver em estado de armamento, exceto quando embarca a bordo um oficial general ou uma outra autoridade superior ao comandante do navio, que tenha poder de comando sobre o mesmo, caso em que a insígnia ou distintivo pessoal desta é içada em substituição da flâmula.
História
Segundo uma lenda popular, a origem da flâmula dos navios de guerra remontaria à Primeira Guerra Anglo-Holandesa, ocorrida entre 1652 e 1654. O almirante Marteen Tromp, comandante da armada holandesa, ter-se-ia feito ao mar com uma vassoura arvorada no mastro grande do seu navio, simbolizando a sua intenção de "varrer" os ingleses do mar. Por sua vez, o almirante Robert Blake, comandante da armada inglesa, teria arvorado um chicote para simbolizar a sua determinação em "chicotear" a armada holandesa. A vitória sorriu ao almirante Blake e, em comemoração da mesma, a flâmula - que pelo seu formato longo e estreito lembrava um chicote - ter-se-ia tornado no sinal distintivo dos navios de guerra.
Flâmulas de vários países
A Marinha do Brasil usa três flâmulas: a flâmula de comando, a flâmula de oficial superior e a flâmula de fim de comissão. As duas primeiras são classificadas como "bandeiras insígnias" e a última como "bandeira distintivo". A flâmula de comando é a insígnia privativa dos oficiais de marinha quando no exercício do cargo de comando, sendo vedado o seu uso em navio não incorporado na Marinha do Brasil. Tem uma forma triangular alongada, de fundo de cor azul marinho, ocupado por 21 estrelas brancas dispostas em linha. A flâmula de oficial superior é hasteada nas embarcações miúdas que conduzam oficial superior uniformizado. Tem forma similar à flâmula de comando, mas de fundo branco e com uma única estrela azul.
Flâmulas de fim de comissão
Em algumas marinhas, existe a tradição de, quando um dos seus navios regressa à base, no final de uma longa comissão de serviço, o mesmo arvore no tope do seu mastro principal uma flâmula extremamente longa, chamada de "flâmula de fim de comissão". A flâmula de fim de comissão tem normalmente, pelo menos o mesmo comprimento do navio e ocasionalmente, tem um comprimento tal que reflete a duração do seu tempo de serviço. Assim, por exemplo, cada metro de comprimento da flâmula pode corresponder a cada mês ou ano de serviço do respetivo navio. Estas dimensões contrastam com as dimensões das flâmulas de comando normais usadas modernamente, cujo comprimento geralmente não ultrapassa os dois metros.
Flâmulas de igreja
Na tradição naval de origem britânica e holandesa, a flâmula de igreja constitui uma flâmula especial que serve para assinalar que está em curso uma celebração religiosa. Nessa ocasião, pode ser arvorada num navio ou num estabelecimento naval em terra. O uso da flâmula de igreja tem origem nas guerras Anglo-Holandesas do século XVII, durante as quais a mesma começou a ser arvorada aos domingos para assinalar que estava a decorrer um serviço religioso e que existia assim uma trégua entre os dois países beligerantes. Foi estabelecido o mesmo modelo de flâmula para os dois países, que combinava a Bandeira da Inglaterra junto à tralha, com a Bandeira dos Países Baixos do lado do batente.
Flâmulas cívicas
Em alguns países, sobretudo da Europa Setentrional, existem flâmulas cívicas para serem arvoradas em terra, como complemento ou substituição de bandeiras nacionais ou subnacionais. Nos países escandinavos, as flâmulas nacionais são arvoradas nos mastros das bandeiras nacionais, em substituição destas, nos dias em que não ocorre embandeiramento. Ao contrário das bandeiras nacionais, que só se devem manter içadas durante o dia, as flâmulas nacionais podem manter-se permanentemente arvoradas, tanto de dia como de noite. Para além de flâmulas nacionais, alguns países dispõem também de flâmulas subnacionais, que são usadas análogamente áquelas, substituindo as bandeiras locais nas áreas territoriais respetivas.
Flâmulas esportivas
No Brasil e em outros países, são designadas "flâmulas" as bandeiras triangulares usadas por diversos tipos de clubes esportivos, incluindo iate clubes e clubes de futebol. Em Portugal e outros países de língua portuguesa, essas bandeiras são referidas como "galhardetes". No caso dos iate clubes, as flâmulas são arvoradas nas embarcações dos sócios dos clubes. No caso do futebol, a troca de flâmulas entre os duas equipes adversárias, antes de um jogo faz parte da tradição.
Flâmulas heráldicas
Na heráldica de alguns países ou instituições específicas, a flâmula constitui um dos tipos de bandeiras heráldicas. Na heráldica da Força Aérea Brasileira, a flâmula é uma bandeira que tem por finalidade identificar um determinado setor específico dentro de uma organização militar. Tem a forma de um triângulo isósceles, o campo de cor azul, e contém uma franja nos bordos livres. No campo junto à haste deve constar a sigla e um símbolo das atividades desempenhadas pelo setor específico da organização militar. Deve ser transportada ou exposta numa haste de 1,6 m de comprimento Na heráldica das Forças Armadas e de segurança de Portugal, a flâmula é a bandeira heráldica de desfile das subunidades do tipo companhia ou de escalão equivalente. Existem dois modelos de flâmulas heráldicas em uso, um consistindo numa bandeira triangular e outro numa bandeira farpada.


