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Poética (Aristóteles)

A Poética, provavelmente registrada entre os anos 335 a.C. e 323 a.C., é um conjunto de anotações das aulas de Aristóteles sobre o tema da poesia e da arte em sua época, pertencentes aos seus alunos escritores ou esotéricos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/10/2026
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Significados de Poética

Valentín García Yebra comenta a tradução de ποιητική, termo central na obra que ele próprio traduz como poética: «As opiniões se dividem sobre a tradução de ποιητική: "poesia" ou "(arte) poética"», qual seria o adequado? Yebra destaca a opinião do tradutor inglês G. F. Else que o traduz como «Art of poetic composition» ("arte da composição poética"). A opinião de Else é que não poderia ser apenas "arte da poesia" pois «pela reflexão de Aristóteles, a poiétiké, "arte poética", é concebida ativamente; poiésis, o processo real de composição... é a ativação, a encenação da obra da poiétiké. (...) Temos que recordar, segue Else, que as palavras poiétiké e poiésis, o mesmo que poiétés, "poeta", se formam diretamente sobre poiein, "fazer". «Ao grego antigo, seu idioma sempre o recordava que o poeta é um fazedor..». García Yebra encerra esta nota justificando sua escolha por Poética em sua tradução: «Não obstante creio que ποιητική deve ser traduzido por «poética», que, substantivado, tem basicamente o sentido ativo: «arte da composição poética», e não exclui o outro, de certo modo passivo, «estudo dos resultados de tal arte». (García Yebra 1992, pg. 244).

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Momento histórico

No ano de 343 a.C., chamado por Filipe II, rei da Macedônia, Aristóteles torna-se preceptor de seu filho Alexandre, futuro sucessor do reino, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre sobe ao trono. As anotações da Poética são produzidas na fase final da vida de Aristóteles, quando este muda-se para Atenas, aos quarenta e nove anos. Lá funda sua escola, o Liceu, ao redor de 334 a.C., localizada no templo de Apolo Liceu (Likeios, referência ao local do templo). Entretanto, em 323 a.C., com a morte de Alexandre, o Grande, Aristóteles tem que fugir de Atenas, perseguido por suas ligações com o monarca macedônio, vindo a falecer no ano seguinte.

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Registros antigos

Um dos mais antigos códices (obras manuscritas em formato de livro, ao contrários dos papiros e pergaminhos, que eram feitos em formato de rolos) encontrados contendo o texto escrito da Poética é o Codex Parisinus 1741 (manuscrito disponível para consulta pública e gratuita no link ), escrito ao final do século X ou em princípios do século XI. A obra divide-se em duas partes: a primeira apresenta o conceito de poesia como imitação de ações. A segunda, a mais extensa, estuda a tragédia, uma das espécies ou gêneros da poesia dramática, e faz comparação com a poesia lírica e a narrativa epopeia.

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Desfiguração da Poética

A Poética, como obra fundamental do pensamento estético, com seus mais de dois mil anos de existência, sofre desde o Renascimento italiano uma série de distorções, acompanhada pelas disputas onde se insere em cada tempo histórico. Uma delas quando a pintura e a escultura passam a ser consideradas como belas artes, passando a ter um status social equivalente ao das artes poéticas. Assim tudo o que Aristóteles levantava como discussão para as artes literárias de seu tempo, especificamente à poesia e à tragédia, começou a ser generalizado e aplicado à reflexão das demais artes, inclusive as artes plásticas, que não estavam no escopo original do filósofo, gerando uma série de distorções. A Poética passa a ser tratada como um cânone que determinava estilos que deveriam ser seguidos ou combatidos por várias correntes estéticas. Os mais conhecidos são os de inspiração clássica: classicismos e neoclassicismos diversos usaram algumas das análises do professor grego para determinar leis obrigatórias de composição para a arte em seu tempo, como as unidades de tempo, ação e lugar.

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A superioridade da tragédia e do espetáculo

Ao final da Poética, após longa análise, Aristóteles destaca a superioridade da tragédia frente aos outros gêneros, a épica e a poesia lírica [1462ª]. Vejamos sua afirmação em diferentes traduções: A tradução inglesa de S. H. Butcher também destaca: A Tragedia, como a poesia Épica, produz seu efeito mesmo sem ação; revela seu poder sem ação; pela mera leitura. Assim em todos os aspectos é superior (…) porque tem os elementos épicos (...) com a música e os efeitos espetaculares como um importante acessório, o que produz um dos mais vívidos prazeres. Além do mais, traz uma impressão vívida tanto na leitura como na representação (...) Assim a Tragédia é superior a Épica em todos estes aspectos, e, além do mais, preenche sua função específica melhor como arte (...) atingindo seus fins perfeitamente.

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Traduções da Poética

Em 1779 ocorreu a primeira tradução anônima feita da Poética para o português. Em 1789, foi publicada a tradução de Ricardo Raimundo Nogueira, feita do grego para o português (Lisboa: Régia Oficina Tipográfica). Depois disso, seguiram-na a de Eudoro de Souza (1951) e a de Jaime Bruna (1990). Podem ser citadas, como traduções ao português da Poética de Aristóteles, feitas pelo Professor Eudoro de Souza: Em 2006, foram elaboradas no Brasil duas dissertações de mestrado consistentes em traduções da Poética do grego para o português. A primeira delas, em 29 de agosto de 2006, no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, por Alessandro Barriviera, orientado por Trajano Vieira. A segunda, em 11 de julho de 2006, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, por Fernando Maciel Gazoni, orientado por Marco Zingano. Esta última não traduz os capítulos 19 a 22 da obra. A tradução de Antonio Mattoso e Antônio Queirós Campos é marcada pela atenção à letra e à sintaxe do texto grego.

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