Analíticos Anteriores
Analíticos anteriores, é um texto do filósofo grego Aristóteles de Estagira. É composto por dois livros e não existem dúvidas acerca da autenticidade da obra. É o terceiro livro do "Organon", sucedendo Da Interpretação e antecedendo os Analíticos posteriores. Edições mais clássicas traduzem Ἀναλυτικῶν προτέρων como Primeiros analíticos.
O livro I, trata especificamente da teoria do silogismo, e representa o primeiro estudo significativo de lógica formal, entendendo-se por lógica o estudo de argumentos formais. Nele Aristóteles identifica argumentos válidos e inválidos que chamava de deduções e hoje são reconhecidos como silogismos, uma subclasse da classe deduções. Isto ocorre porque a definição de dedução fornecida por Aristóteles é muito mais ampla do que o conjunto de silogismos: "Um silogismo é um argumento que consiste de três proposições: duas premissas e uma conclusão. Embora Aristóteles não as chame de proposições categóricas, a tradição que se sucedeu o faz. Ele apenas trata delas muito rapidamente nos Analíticos, e mais detalhadamente em Da Interpretação". Todas as proposições utilizadas em um silogismo contém um sujeito e um predicado, que são compostos de termos sujeito e termos predicado, respectivamente. A modo com que eles são conectados é através da utilização do verbo ser (nas universais, são). Contudo, em seu texto são encontradas formas que hoje não são ortodoxas, como P pertence a todo S (ao invés de Todo S é P, como hoje em dia).
As Figuras
Nas proposições das premissas um termo aparecia necessariamente duas vezes, e a ele Aristóteles chamou de termo médio. Dependendo de sua posição (se Sujeito ou Predicado) nas proposições que formavam as premissas, o argumento se enquadrava em determinada figura. Ele mencionava três figura (primeira, segunda e terceira), porém a tradição "completou" o sistema com a quarta figura. Se o termo médio é Predicado na primeira premissa, e Sujeito na segunda, o argumento é de primeira figura. Se ele for Predicado em ambas as premissas, o argumento é de segunda figura. Caso seja Sujeito em ambas as premissas, o argumento é da terceira figura. A quarta figura é, na verdade idêntica a primeira, porém é trocada a ordem das proposições. Assim, nessa figura, a primeira premissa contém o termo médio como Sujeito e a segunda como Predicado.
Silogismos na Primeira Figura
De acordo com a mnemotécnica medieval, os silogismos da primeira figura são: Barbara, Celarent, Darii e Ferio. É possível também obter silogismos com conclusões enfraquecidas: Barbari e Celaront.
Silogismos na Segunda Figura
De acordo com a mnemotécnica medieval, os silogismos da segunda figura são: Camestres, Cesare, Festino e Baroco.
Silogismos na Terceira Figura
De acordo com a mnemotécnica medieval, os silogismos da terceira figura são: Darapti, Felapton, Disamis, Datisi, Bocardo e Ferison.
Silogismos na Quarta Figura
Essa figura foi adicionada, na tradição, por Teofrasto, pupilo de Aristóteles. Contudo, há evidências de que Aristóteles já conhecia a quarta figura. De acordo com a mnemotécnica medieval, os silogismos da quarta figura são: Bamalip, Calemes, Dimatis, Fesapo e Fresison.
O livro II, trata das propriedades do silogismo, falsas conclusões e raciocínios próximos dos silogismo.
Existem, em língua portuguesa, as seguintes traduções de Analíticos anteriores: Já na língua inglesa, há uma edição crítica de William David Ross (que também inclui os Analíticos Posteriores), duas traduções comentadas – de Robin Smith e de Gisela Striker (limitada ao livro I) – e duas traduções bastante citadas em artigos e estudos sobre Aristóteles – de Hugh Tredennick e de A. J. Jenkinson.


