Du Pasquier
Du Pasquier, DuPasquier ou Dupasquier é uma antiga família patrícia da Suíça fundada no século XIV em Fleurier, que ganhou notoriedade internacional no século XVIII como grandes industriais do ramo de tecidos, produzindo também diversos militares, políticos, religiosos, cientistas e outros notáveis. Tem ramos na França, Estados Unidos e Brasil.
Os primeiros registros são de Jaques du Pasquier em meados do século XIV, seguindo-se Estevenod e Rolin na década de 1370. No início do século XV aparecem Perrin, filho de Estevenod, mais Jannyn e seu filho Vauchy. A família tinha origens camponesas e permaneceu na condição de servos até 1628, quando foram emancipados e admitidos na burguesia de Neuchâtel, iniciando uma rápida ascensão social e econômica. Neuchâtel se tornou então a nova sede familiar. Na época era a capital de um principado subordinado ao Reino da Prússia, mas mantinha fortes laços com a Confederação Helvética. O governador nomeado pelo rei exercia funções quase apenas simbólicas, e o poder verdadeiro emanava do Conselho de Estado, ao qual competia a produção de legislação e a indicação dos castelãos e dos principais cargos administrativos, fiscais, policiais, militares e judiciários, além de exercer influência considerável nas nomeações para os cargos eclesiásticos, cabendo-lhe ainda ratificar ou rejeitar as nomeações. Este colegiado era monopolizado pelas famílias burguesas mais ricas e tradicionais de forma quase hereditária, que além do poder político — substituindo as antigas famílias dominantes de origem feudal e formando uma nova classe de nobreza cívica ou patriciado — detinham grande parte das terras e meios produtivos, e neste círculo de elite os Du Pasquier logo abriram um importante espaço para si. Jacques (c. 1600-1674) e Abraham (c. 1611-1677) estavam entre os primeiros a se destacar, trabalhando como notários em Neuchâtel. Pierre (c. 1640-1708) foi burgomestre da vila de Valangins; Jean-Jacques (1698-1740) serviu o rei da Sardenha como capitão do Regimento Suíço DuPasquier, foi castelão de Thielle e membro do Conselho em dez mandatos; mais tarde outros membros da família foram conselheiros, enquanto diversos outros foram funcionários da corte.
A Fabrique-Neuve
Sua posição eminente e sua fortuna econômica se consolidaram após a fundação da Fabrique-Neuve por Claude-Abram, em 1752, na cidade vizinha de Cortaillod. A Fabrique-Neuve produzia tecidos estampados à mão na técnica de impressão chamada indienne (uma espécie de carimbo com matrizes de grande formato), e foi uma das primeiras indústrias modernas. Claude-Abram (1717-1783) era filho do notário Pierre, um dos mais abastados proprietários de terras da região, e já tinha experiência no ramo, tendo viajado para a Alemanha a fim de pesquisar tecnologias industriais e técnicas de preparação de pigmentos e impressão em tecidos, e desde a década de 1740 trabalhava com seu irmão Jean-Jacques na direção da grande Manufacture du Bied, em Colombier. Pouco depois Jean-Jacques Bovet (1728-1793) entrou na sociedade.
Vários membros da família foram distinguidos militares desde o século XVII. François (1735-1812), filho do castelão de Thielle, foi capitão do Regimento Boccard, cavaleiro e membro da Societé du Jardin; seu irmão Abraham (1725-1747) foi oficial do regimento francês do marechal Löwendal e morreu na tomada de Bergen-op-Zoom. Claude (1886-1953) foi professor de Direito na Escola Superior de Comércio, na Universidade de Neuchâtel e na Universidade de Genebra, deixando várias obras de referência. Também foi oficial de justiça, juiz, presidente do Tribunal de Boudry e do Tribunal Cantonal de Neuchâtel, deputado liberal no Grande Conselho, membro da Cruz Vermelha, do Conselho Nacional de Pesquisas, do Instituto de Nauchâtel, da Comissão dos XIV pela Fusão das Igrejas Reformadas de Neuchâtel, comandante da 4ª Brigada de Infantaria, da 3ª Brigada de Fronteira e da 12ª Divisão e oficial do Estado-Maior. Três coronéis lutaram na II Guerra Mundial. Léo-Pierre (1910-1981) estudou Engenharia, desempenhou cargos de direção em várias empresas, foi membro do Conselho de Estado, coronel de brigada e um líder político, militar e econômico.


