Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho
Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é um movimento internacional humanitário, neutro e imparcial, não vinculado a qualquer Estado, presente em aproximadamente 97 milhões de voluntários mundialmente. Seu objetivo é proteger a vida e a saúde humana, e prevenir e aliviar sofrimento humano, sem discriminação baseado em nacionalidade, raça, sexo, religião, classe social ou opiniões políticas.
É o órgão fundador do movimento, tendo sido fundado graças ao trabalho de Henry Dunant, em colaboração com outros cidadãos de Genebra, em 1863. Dunant havia testemunhado em 1859 a batalha de Solferino, tendo organizado esforços de assistência para os cerca de 40 mil soldados feridos no campo de batalha, e chegara à conclusão de que um órgão de assistência a soldados feridos era necessário, bem como a proteção dos membros deste órgão contra violência armada. Os extensivos trabalhos do Comitê durante ambas as guerras mundiais fizeram com que a organização fosse premiada com o Prêmio Nobel da Paz duas vezes, em 1917 e 1944, uma em cada guerra, tendo estes prêmios os únicos instituídos nos anos das respectivas guerras. O Comitê também foi premiado com o Prêmio Nobel da Paz no seu centenário, em 1963. O principal fundador do Comitê, Dunant, foi premiado com o primeiro Prêmio Nobel, em 1901.
Organização
O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho emprega cerca de 97 milhões de pessoas,. a grande maioria dos quais são voluntários, empregando cerca de 12 mil trabalhadores em tempo integral. A Conferência Internacional de 1965 em Viena adotou sete princípios básicos que devem ser divididos por todas as partes do Movimento, tendo sido adicionados à lista de estatutos oficiais do Movimento em 1986: humanidade; imparcialidade; neutralidade; independência; voluntariado; unidade e universalidade. A Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que ocorre a cada quatro anos, é o corpo institucional mais alto do movimento. Nesta conferência estão presentes delegações de todas as sociedades nacionais do Movimento, bem como do CICV, a Federação, e países membros da Convenção de Genebra. Entre as conferências, o Standing Commission atua como o corpo supremo, e supervisiona a implementação e o cumprimento das resoluções da conferência. Além disso, o Standing Commission coordena a cooperação entre o CICV e a Federação. O Standing Commission consiste de dois representantes do CICV (incluindo seu presidente), dois da Federação (incluindo seu presidente), e cinco indivíduos eleitos pela Conferência Internacional. O Standing Commission reúne-se a cada seis meses, na média. Além do Standing Commission, uma convenção do Conselho de Delegados do Movimento ocorre a cada dois anos, durante o curso das conferências das Assembleias Gerais da Federação. O Conselho de Delegados planeja e coordena as atividades conjuntas para o Movimento.
Missão
A missão oficial do CICV é atuar como uma organização imparcial, neutra e independente, e proteger a vida e a dignidade das vítimas de conflitos armados internos e externos. De acordo com o Acordo de Sevilha de 1997, o CICV é a "agência líder" do Movimento em conflitos. Os principais papéis do Comitê, que derivam das Convenções de Genebra e de seus próprios estatutos, são os seguintes: O Movimento Internacional está sediado em Genebra, possuindo escritórios em cerca de 80 países. Possui cerca de 12 mil empregados pagos, dos quais 800 trabalham em sua sede em Genebra, 1,2 mil são suíços trabalhando em escritórios do Movimento em outros países, administrando as missões internacionais, e com cerca de 10 mil membros de sociedades nacionais trabalhando em seus respectivos países. Ao contrário da crença popular, o Movimento Internacional não é uma organização não governamental, no sentido mais comum do termo, tampouco é uma organização internacional, visto que o Movimento Internacional limita seus membros para cidadãos suíços, e que a organização não possui uma política permitindo o emprego aberto de indivíduos como definido pelo termo "ONG". A palavra "internacional" não refere-se ao emprego, e sim, ao objetivo e missão da organização. De acordo com a lei suíça, o Movimento Internacional é uma associação privada.
Cruz Vermelha
Em 1863, Louis Appia propõe que todo o pessoal voluntário trabalhando nos campos militares traga braçadeiras brancas para serem facilmente distinguido. O General Guillaume-Henri Dufour - como ele, um dos cofundadores do CICV no chamado Comité dos Cinco - completa mais tarde a ideia juntando-lhe uma cruz vermelha, uma cruz vermelha sobre fundo branco (à esquerda), o inverso da bandeira suíça (à direita) que o General havia desenhado e que foi aprovado nesse mesmo ano como emblema da Cruz Vermelha . A bandeira não deve ser confundida com a Cruz de São Jorge, que é a bandeira da Inglaterra, Barcelona, Freiburgo e vários outros lugares. Para evitar esta confusão, o símbolo da Cruz Vermelha é por vezes chamado de "Cruz Vermelha Grega", termo que é utilizado comumente na lei americana para descrever a Cruz Vermelha. A cruz vermelha de São Jorge estende-se até as bordas da bandeira, enquanto que a cruz vermelha da bandeira da Cruz Vermelha não.
Crescente Vermelho
O emblema do Crescente Vermelho foi utilizado pela primeira vez por voluntários do CICV durante a Guerra Russo-Turca entre a Rússia e a Turquia, entre 1877 e 1878. O símbolo foi oficialmente adotado em 1929, e até o presente, 33 países islâmicos o reconhecem.
Cristal Vermelho
Em 8 de dezembro de 2005, o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho adotou um novo emblema, o Emblema do Terceiro Protocolo, mais conhecido como Cristal Vermelho, tendo sido adotado por uma emenda das Convenções de Genebra conhecido como Protocolo III. Foi criado para oferecer uma alternativa completamente neutra e sem vínculos religiosos, culturais ou políticos. Pode ser usado isoladamente ou incorporar dentro outro símbolo que não esteja reconhecido internacionalmente.
Leão e o Sol Vermelho
A Sociedade do Leão e Sol Vermelho do Irã foi estabelecido em 1922 e admitido ao Movimento no ano seguinte, em resposta aos símbolos utilizados pelos rivais do país, a Rússia (cruz) e a Turquia (crescente). Em 1980, logo após queda da monarquia iraniana e da ascendência da república islâmica, devido à associação do emblema do Leão Vermelho e Sol com o Xá, o país decidiu trocar o leão vermelho e Sol pelo crescente, embora ainda mantenha o direito de trocar de símbolo a qualquer momento, enquanto que a Convenção de Genebra ainda reconhece o símbolo como oficial, confirmado pelo Protocolo III.
Magen David Vermelha
Por mais de 50 anos, Israel pediu pela adição de uma Estrela de David vermelha, argumentando que visto que emblemas cristãos e islâmicos eram reconhecidos, o emblema judeu correspondente deveria também ser reconhecido. O emblema foi usado desde 1935 por Magen David Adom, a primeira sociedade de primeiros socorros de Israel, mas ainda não é reconhecida pela Convenção de Genebra como um símbolo protegido. O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho repetidamente rejeitou os pedidos de Israel, argumentando que o emblema da Cruz Vermelha não representa a cristandade, mas é a reversão das cores da bandeira suíça, e que se os judeus, ou outros grupos religiosos, tivessem seu próprio emblema, não haveria fim para o número de grupos religiosos reivindicando um emblema para si, e que a proliferação de símbolo vermelhos vai em contraste com a intenção original do emblema da Cruz Vermelha, que é ter um único emblema para marcar veículos e estruturas protegidas por razões humanitárias.
A rede de televisão australiana ABC Television, e o grupo de direitos indígena Friends of Peoples Close to Nature, lançaram um documentário, Blood on the Cross, que argumenta que a Cruz Vermelha tenha participado com as forças militares britânicas em um massacre na Papua Ocidental, onde Mark Davis investigou alegações sobre o papel da Cruz Vermelha e das forças armadas britânicas sobre a crise do massacre de reféns, em maio de 1996. Após o lançamento do documentário, a Cruz Vermelha anunciou publicamente que indicaria alguém, sem laços com a organização, para investigar tais alegações, bem como quaisquer responsabilidades do Movimento. O relatório de conclusão afirmou que não se sabe o grau de envolvimento da Cruz Vermelha, e criticou o manejamento da crise pela organização. Membros do CICV não são obrigados a atuar como testemunha em julgamentos de crimes de guerra, sobre fatos observados durante o trabalho. Por causa disso, alguns criticam que o Movimento esteja negando justiça a vítimas de crimes de guerra, e permitindo impunidade por tais crimes.


