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Dicionário Aurélio

O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, popularmente denominado Dicionário Aurélio ou simplesmente Aurélio, é um dicionário do idioma português, editado no Brasil e lançado originalmente em fins de 1975, tendo vendido na primeira edição mais de um milhão de exemplares até 1987, data da segunda edição. A versão original resultou do trabalho de mais de três décadas do lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Histórico

A confecção do léxico teve início ainda nos anos 1950, quando o poeta Manuel Bandeira convidou o então professor da Fundação Getúlio Vargas Aurélio Buarque para auxiliar na redação do "Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa", da Civilização Brasileira. Da equipe formada então faziam parte Joaquim Campelo Marques e Marina Baird Ferreira (esposa de Aurélio) a que se juntaram mais tarde Margarida dos Anjos, Stella Rodrigo Otávio Moutinho e Elza Tavares Ferreira que, junto ao próprio Aurélio, foram os autores da primeira edição. A intenção inicial era sua publicação em suplementos da revista O Cruzeiro, o que não ocorreu, e em 1966 a equipe foi contratada, sob a condição de concluir o trabalho em dois anos, pelo editor Abraham Koogan. A nova iniciativa também fracassa, fazendo com que os próprios colaboradores fundassem uma editora — a JEMM — com o fim específico de publicar o dicionário. Após sucessivos atrasos, disputas entre os dicionaristas, a iniciativa também não vingou, sendo então procurados outros parceiros capazes de custear a iniciativa. Instituições públicas e privadas negaram-se a participar da edição, como a editora José Olympio ou o Banco Itaú, além de instituições estatais.

Disputa judicial

A editora Positivo, quando obteve o direito do dicionário, suspendeu o pagamento de direitos autorais para os dois auxiliares de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, os lexicógrafos Joaquim Campelo e Elza Tavares, alegando que os auxiliares não são co-autores da obra. Desde 2004, os representantes dos auxiliares pedem uma indenização a editora, junto a justiça brasileira.

Suporte eletrônico

O Aurélio ganhou versões digitalizadas ainda no fim do século XX, adaptando-se à popularização do computador. A primeira versão surgiu em 1999, em CD-ROM. A primeira versão para internet se deu em setembro de 2001, voltada para consultas feitas pelos assinantes do portal UOL. Em 2005, por exemplo, uma versão eletrônica foi incorporada a um escâner manual fabricado pela detentora dos direitos de edição da obra; o pequeno aparelho, pesando cerca de 100 g, trazia toda a terceira edição da obra que, em livro, pesa cerca de 4 kg. Outros produtos, como o leitor de e-books Alfa, também fabricado pela holding Positivo e lançado em dezembro de 2010, trazem o Aurélio incorporado. Um jogo eletrônico — o Aurélio Mania — também faz parte dos produtos com a marca do Dicionário.

Versões impressas

Além das edições da versão integral do dicionário, outras tantas procuraram atingir públicos distintos. Na Bienal do Livro de São Paulo de 2002 o cartunista Mauricio de Sousa anunciou o lançamento de uma edição do Aurélio contendo ilustrações da Turma da Mônica; na ocasião a viúva do autor declarou que "Dicionário é uma coisa séria e chata. Com os desenhos, a criança sentirá prazer em consultá-lo.". O lançamento só veio a ocorrer no ano seguinte, durante a 11ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro; a obra possui duas partes, sendo a primeira com os personagens de Mauricio explicando a importância das palavras, e a segunda com um glossário de cerca de mil entradas; foi lançado ainda pela Nova Fronteira.

Versões reduzidas

Em 1977, foi lançado o Minidicionário Aurélio que vendeu, em razão de seu menor preço e por ter sido distribuído pelo Governo Federal nas escolas públicas, 3 milhões 950 mil exemplares da primeira edição. A versão média do dicionário foi lançada em 1980 e, com vendas atingindo 100 mil exemplares, deixou de ser publicada. Somadas, as vendas das três versões na primeira edição alcançaram cinco milhões e duzentos mil exemplares até 1987, data da segunda edição, o que fez da obra a segunda mais vendida no Brasil no período, perdendo somente para a Bíblia, que vendeu cerca de 11 milhões de exemplares. Dos diversos dicionários com versões reduzidas e ditas "escolares", o Ministério da Educação brasileiro analisou vinte e três disponíveis no mercado, em 2005, recomendando (com ou sem ressalvas) dezenove; apenas o MiniAurélio Século XXI Escolar mereceu a classificação de "recomendado com distinção".

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Críticas

Imagem: Alexandre de Moraes é do PCC e Flávio Dino é do Comando Vermelho · BY-SA · Openverse

Apesar de ter inovado na adoção dos brasileirismos, a fiabilidade do "Aurélio" e outros, como o Houaiss, é questionada neste particular; tais léxicos, em particular o Aurélio, adotam delimitações regionais seguindo os estados (ex: regionalismo da Bahia) ou regiões. Não há, contudo, precisão científica na aceitação desses termos; faltam estudos de campo, delimitação objetiva e controle dos parâmetros para o que seja brasileirismo, ressaltando-se que foram utilizadas fontes muitas vezes de qualidade científica questionável. De igual modo, apresentam "ausência de informações sobre a macroestrutura e a microestrutura — objetivos do dicionário, público a que se destina a obra, extensão da nomenclatura, teoria lexical adotada, estrutura do verbete (tipo de definições, fontes das abonações) e, particularmente, os critérios e as fontes utilizadas para a classificação dos regionalismos." Na versão eletrônica de 1994 havia 24.498 entradas de regionalismo ou brasileirismo no Aurélio — cerca de 18% do total — mas a própria condição do que seja o brasileirismo não é bem definida. Isto se agrava com a falta de estudos técnicos, que levem em consideração as dimensões do país e seus movimentos migratórios.

Análise de mérito

Maria Teresa Camargo Biderman, dentre inúmeras críticas teóricas, observa que muitas vezes o dicionário não atenta para definições acessíveis ao público leigo, ao qual se destina; isto fica patente em termos técnicos, quando se tem a impressão de que o significado foi escrito por especialista ou copiado de dicionário técnico-científico. A mesma autora cita exemplos de imprecisão e de desconsideração com o entendimento junto ao público, praticada nalgumas entradas; fazendo um comparativo com o dicionário Salamanca de espanhol, ela compara as seguintes entradas, com base na segunda edição da obra, demonstrando como o público-alvo pode ser melhor informado:[nota 1]

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Fontes consultadas

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