Crioulo
O termo crioulo assume significados diversos, em diferentes épocas e regiões.
Eram os descendentes de espanhóis nascidos na América espanhola. Possuíam grandes propriedades e atuavam no comércio. Muitos de seus filhos iam realizar os estudos superiores na Espanha e, ao voltar, exerciam as carreiras de médico, advogado, oficial do exército, entre outras. Muitos de seus filhos iam realizar os estudos superiores na Espanha e, ao voltar, exerciam as carreiras de médico, advogado, oficial do exército, entre outras. Os filhos dos grandes aristocratas europeus — em especial espanhóis — que tinham filhos nascidos em terras americanas chamavam a seus filhos de "criollo". O termo era, então, usado como sinônimo para todo aquele que nascesse fora de seu país de origem. Atualmente, o termo apresenta várias nuances desse significado original, dependendo de cada país ou região da América espanhola. Por exemplo, na Argentina, o termo é utilizado geralmente para referir-se à maioria dos descendentes da população da era colonial, independentemente de raça, com exceção dos negros de pele escura e dos indígenas atuais (enquanto os ameríndios não-indígenas também são chamados de criollos).
Participação dos criollos nas independências da América espanhola
Os criollos, descendentes de europeus nascidos na América, constituíam um grupo social relevante nas colônias espanholas, especialmente nos setores agrários, comerciais e intelectuais. Apesar de sua posição econômica privilegiada, eram frequentemente excluídos dos principais cargos administrativos, reservados aos peninsulares (nascidos na Espanha), o que gerava tensões dentro da hierarquia colonial. Ao longo do século XVIII, as reformas promovidas pela monarquia espanhola, conhecidas como Reformas Bourbônicas, intensificaram o controle metropolitano sobre as colônias, afetando diretamente os interesses das elites criollas. Esse contexto contribuiu para o desenvolvimento de uma identidade política diferenciada, na qual os criollos passaram a se reconhecer como distintos dos espanhóis europeus, tanto em termos territoriais quanto culturais.
Exclusão política dos Criollos
Embora estivessem no topo da pirâmide social e econômica, os Criollos viviam uma situação contraditória, ocupando um papel secundário em relação aos espanhóis no que diz respeito ao exercício do poder e acesso a privilégios. A Coroa espanhola reservava os cargos imperiais mais altos, tanto na administração civil quanto no clero, exclusivamente para espanhóis nascidos na Europa. Essa distinção gerava um profundo sentimento de ressentimento e injustiça entre a elite criolla, que não podia governar as terras onde nasceu. As reformas bourbônicas intensificaram esse sentimento após a busca por centralização de poder e maior arrecadação de tributos da metrópole.
Impactos da exclusão dos Criollos no processo de independência da América espanhola
Se aliando inicialmente com as elites coloniais, tendo como principal motivo o medo de uma revolta vinda de indigenas e negros, como a de Tupac Amaru ou a Revolução Haitiana, os Criollos a principio não tinham a pretenção de romper com os espanhóis nascidos na europa. Porém essa aliança se fragmentou quando passaram a se sentir marginalizados e excluidos dos processos burocráticos. Com a exclusão dos Criollos em diversos processos inevitavelmente se desencadeou algumas consequências no processo de independência da América Espanhola. Sua participação se deu de diversas formas, sendo atuando como dententores de terras onde assumiram o comando das guerras ou auxilio na criação da ideia nação por serem excluidos da ideia de nação vinda dos espanhóis. Sendo assim, peças fundamentais em todo o processo de independência das colonias.
No Brasil do século XIX — e tempos anteriores -, chamava-se de crioulos os escravos não-mestiços que tinham nascido no Brasil, diferenciando-os daqueles nascidos na África. Os negros escravizados que sabiam falar português e conheciam os costumes brasileiros (portugueses) eram chamados de "negros ladinos" (derivado de "latinos", mas já com a conotação de "esperto"). Africanos escravizados que desconheciam a língua portuguesa e os costumes da nova terra eram denominados "negros boçais". Em geral, os escravos mestiços eram apenas chamados de mulatos. No Brasil do século XX e atual, a palavra "crioulo" designa pessoas de pele escura descendentes de africanos subsaarianos, incluindo negros e mestiços, e pode ser considerado racialmente ofensivo. Na obra de Darcy Ribeiro, cultura crioula refere-se à "configuração histórico‐cultural resultante da implantação da economia açucareira e de seus complementos e anexos na faixa litorânea do Nordeste brasileiro, que vai do Rio Grande do Norte à Bahia", de populações surgidas "da fusão racial de brancos, índios e negros".
No mundo lusófono, o termo "crioulo" denomina os filhos de casamentos inter-raciais ou, por extensão, as culturas nascidas do encontro entre o mundo europeu e o africano (como a cabo-verdiana ou a santomense). Em geral, o termo não tem conotação ofensiva nessas regiões.


