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Cosme de Médici

Cosme de Médici, dito o Velho foi um banqueiro e político do século XV, fundador da dinastia política dos Médici, tendo sido governante de Florença de 1429 a 1464.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Primeiros anos e negócio da família

Cosme de Médici nasceu em Florença, filho de João de Médici e de Picarda Bueri em 10 de abril de 1389. Ao mesmo tempo, nasceu um irmão gémeo, Damião, que morreu no ano seguinte. Os gémeos receberam o seu nome em honra dos santos Cosme e Damião, cuja festa litúrgica se realiza em 27 de setembro. Mais tarde, Cosme passou a celebrar o seu aniversário neste dia e não no dia da sua data de nascimento. Cosme teve mais um irmão, Lourenço, conhecido como "Loureço, o Velho" que era seis anos mais novo e também participou no negócio do banco da família. Cosme herdou a sua riqueza e habilidade para a banca do seu pai, João, que tinha passado de agiota a líder do banco do seu familiar Vieri do Cambio de Médici. João geriu um dos três ramos deste banco em Roma até regressar a Florença e fundar o seu próprio banco, o Banco Médici. Nas duas décadas que se seguiram, o Banco Médici abriu sucursais em Roma, Génova, Veneza e temporariamente em Nápoles, mas a maioria do lucro vinha de Roma. O gestor da sucursal em Roma era um depositario generale papal que geria as finanças da Igreja a troco de uma comissão. Mais tarde, Cosme expandiu o banco por toda a Europa Central e abriu sucursais em Londres, Pisa, Avinhão, Bruges, Milão e Lübeck. As sucursais distantes dos Médici faziam do seu banco o melhor para tratar dos negócios do papado, uma vez que permitia que os bispados em várias partes a Europa pagassem os seus impostos na sucursal mais próxima, onde o gestor emitia uma licença papal. Além disso, facilitava a encomenda de vários produtos como especiarias, têxteis e relíquias através do comércio grossista do banco. João chegou a ter lucros de 290 791 florins.

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Política de Florença

O poder de Cosme sobre Florença vinha da sua riqueza, que ele utilizava para controlar os votos dos ocupantes dos cargos dos conselhos municipais, em particular a Signoria de Florença. Uma vez que Florença se orgulhava da sua "democracia", Cosme fingia ter poucas ambições políticas e não detinha qualquer cargo público. Enea Piccolomini, o bispo de Siena e, mais tarde, Papa Pio II afirmou: "As questões políticas são resolvidas na casa de Cosme. O homem escolhe os ocupantes dos cargos... É ele quem decide se há paz ou guerra. Ele é rei em tudo, só lhe falta o título." Em 1433, o poder de Cosme sobre Florença começou a ameaçar o partido anti-Médici liderado por nomes como Palla Strozzi e a família Albizzi, liderada por Rinaldo degli Albizzi. Em setembro desse ano, Cosme foi preso no Palazzo Vecchio pelo papel que desempenhou numa tentativa falhada de conquista da República de Luca, mas conseguiu alterar a pena de prisão para exílio. Alguns habitantes distintos de Florença, como Francesco Filelfo, exigiram a sua execução, um destino a que certamente não escaparia se não fosse pela intervenção do monge Ambrogio Traversari. Cosme viajou para Pádua e depois para Veneza, levando o seu banco consigo. Em exílio encontrou amigos e simpatizantes onde esteve graças à sua vontade de aceitar o exílio em vez de dar continuidade aos conflitos sangrentos que afetavam persistentemente as ruas de Florença. Veneza enviou um representante a Florença para defender Cosme e pedir para que a ordem de expulsão fosse levantada. Quando tal foi recusado, Cosme assentou em Veneza com o seu irmão Lourenço a acompanhá-lo. Além dele, outros seguiram Cosme para Veneza, motivados pela sua influência e dinheiro. Entre eles encontrava-se o arquiteto Michelozzo Michelozzi a quem Cosme pediu para desenhar uma biblioteca como presente para o povo de Veneza. Um ano após a pena de exílio, o êxodo de Florença para Veneza tornou-se tão descontrolado que esta teve de ser levantada. Cosme regressou a Florença no ano seguinte, em 1434 e exerceu influência sobre o governo de Florença (especialmente através das famílias Pitti e Soderini) nos últimos 30 anos da sua vida.

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Família e morte

Por volta de 1415, Cosme casou-se com Contessina de' Bardi (filha de Alessandro di Sozzo Bardi, conde de Vernio, e de Camilla Pannocchieschi). O casamento foi combinado pelo seu pai numa tentativa de reafirmar as relações com a antiga e nobre família Bardi, que tinha gerido um dos bancos mais ricos da Europa até à sua escandalosa falência em 1345; no entanto a família manteve a sua influência na área financeira. No entanto, apenas uma parte da família Bardi foi abrangida pelo acordo visto que outros ramos da família consideravam-se opositores dos Médici. O casal teve dois filhos: Pedro o Gotoso e João de Médici. Cosme também teve um filho ilegítimo, Carlo, com uma escrava circassiana. Ele juntou-se ao clero. Após a morte de Cosme em 1464, este foi sucedido pelo seu filho Pedro, pai de Lourenço o Magnífico. Após a sua morte, a Signoria concedeu-lhe o título de Pater Patrie "Pai da Pátria", uma honra outrora atribuída a Ciero e que foi gravada no seu túmulo na Basílica de São Lourenço.

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Descendência

Imagem: Attributed to Titian · BY-SA · Openverse

Por volta de 1416, casou com Contessina de Bardi (1390-1473), filha de Alessandro de Bardi, Conde de Vernio. Tiveram dois filhos: Teve também um filho ilegítimo com uma escrava circassiana: Carlos de Cosme de Médici arcipreste de Prato ou Arcebispo de Pisa.

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Mecenato

Cosme de Médici usou a sua vasta fortuna para controlar o sistema político de Florença e para apoiar oradores, poetas e filósofos, assim como uma série de feitos artísticos.

Arte

Cosme era conhecido como mecenas da cultura e da arte durante o Renascimento e gastou a fortuna da família a enriquecer a vida civil de Florença. Segundo o Zibaldone de Salviati, Cosme afirmou: "Tudo isso me deu a maior satisfação e contentamento porque honram não só Deus como a minha memória. Durante cinquenta anos não fiz mais do que ganhar dinheiro e gastar dinheiro; e tornou-se claro que gastar dinheiro dá-me mais prazer do que ganhá-lo". Além disso, o seu mecenato das artes reconhecia e proclamava a responsabilidade humanista de dever civil que vinha com a riqueza. Cosme contratou o jovem Michelozzo Michelozzi para criar aquele que foi provavelmente o protótipo do típico palazzo florentino: o austero e magnífico Palazzo Medici. O edifício contém ainda um fresco de Benozzo Gozzoli terminado em 1461 com retratos dos membros da família Médici em procissão pela Toscana disfarçados dos Três Reis Magos. Cosme era mecenas e amigo próximo de Fra Angelico, Fra Filippo Lippi e Donatello, cuja famosa escultura de David a derrotar o gigante foi uma encomenda dos Médici. Foi graças ao mecenato de Cosme que o excêntrico e falido arquiteto Brunelleschi completou a cúpula da Basílica de Santa Maria del Fiore (a "Duomo") em 1436.

Bibliotecas

Em 1444, Cosme de Médici fundou a primeira biblioteca pública de Florença em San Marco. Esta teve uma grande importância no desenvolvimento humanista de Florença durante o Renascimento. Foi desenhada por Michelozzo, um estudante de Lorenzo Ghiberti, que mais tarde trabalhou com Donatello e era também um bom amigo de Cosme. Cosme forneceu os fundos necessários para fazer obras na biblioteca e para adquirir uma coleção de livros que podiam ser consultados gratuitamente. "O facto de Cosme de Médici ter conseguido financiar a construção de um local daqueles colocou-o numa posição privilegiada na cidade. Ele próprio escolheu os indivíduos que tinham acesso a este laboratório de conhecimento e, apesar desta dinâmica social, ele moldou de forma ativa a política da República". Cosme encarregou Michelozzo de desenhar uma biblioteca para o seu neto, Lourenço de Médici. Porém, a sua primeira biblioteca foi desenhada por Michelozzo quando os dois ainda se encontravam em Veneza, onde Cosme esteve exilado durante um breve período de tempo. Em 1433, como forma de agradecimento à hospitalidade daquela cidade, ele ofereceu a biblioteca como prenda. Este foi o seu único projeto deste género fora de Florença. As suas bibliotecas eram reconhecidas pelo seu estilo renascentista e obras de arte distintas.

Filosofia

Na área da filosofia, Cosme, influenciado pelas palestras de Gemisto Pletão, apoiou Marsílio Ficino e as suas tentativas de relançamento do neoplatonismo. Cosme encomendou a tradução de Ficino para latim da obra completa de Platão (a sua primeira tradução completa de sempre) e possuía uma vasta coleção de livros que partilhou com intelectuais como Niccolò de Niccoli e Leonardo Bruni. Estabeleceu ainda uma academia platónica em Florença em 1445. Cosme deu uma educação humanista ao seu neto, Lourenço de Médici. Cosme influenciou certamente a vida intelectual do Renascimento, mas Lourenço é considerado o seu maior mecenas.

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