Conspiração dos Pazzi
A Conspiração dos Pazzi foi uma tentativa dessa família de banqueiros florentinos, chefiada por Jacopo Pazzi, de tomar o poder à família Médici, na época, em poder dos irmãos Juliano e Lourenço de Médici. Ocorrida em 26 de abril de 1478 na catedral da cidade, nela morreu Juliano de Médici. Lourenço, porém, conseguiu-se salvar, escondendo-se na sacristia da catedral.
Desde 1469, Florença era governada pelos filhos de Pedro de Médici (que morreu naquele ano), Lourenço e Juliano de Médici, dando continuidade ao domínio político e financeiro da família Médici sobre a cidade, que vinha a ser consolidado desde a fundação do banco da família em 1397. No entanto, o banco encontrou uma concorrência feroz por parte da ambiciosa e rica família Pazzi que procurou usurpar os Médici e tomar o controlo da cidade para si própria. Francesco della Rovere, que vinha de uma família pobre de Ligúria foi eleito papa em 1471. Como Sisto IV, tornou-se rico e poderoso e um nepotista desenfreado que procurou dar poder e riqueza aos seus sobrinhos das famílias della Rovere e Riario. Poucos meses depois de ter assumido o papado, Sisto IV fez de Giuliano della Rovere (o futuro papa Júlio II) e Pietro Ricario cardeais e bispos. Quatro dos seus sobrinhos também foram ordenados cardeais. O papa fez ainda de Giovanni della Rovere, que não era padre, perfeito de Roma e arranjou-lhe um casamento que o integrou na família de Montefeltro, os duques de Urbino.
Sábado, 25 de abril de 1478
O plano original consistia em matar os dois Médici, Lourenço e Juliano, durante um jantar organizado por eles na Villa Médici di Filesole em 25 de abril, por meio do envenenamento de Jacopo Pazzi e Girolamo Riario dos vinhos servidos aos irmãos. O motivo do banquete era a eleição, com 18 anos de idade, de Raffaele Riario como cardeal, que ignorava a trama dos conspiradores (talvez notificado pelo seu tio, o papa Sisto IV). Os Pazzi haviam se tornado parentes dos Médici recentemente, por meio do matrimônio da irmã de Lourenço e Giuliano, Bianca d'Médici com Guglielmo d'Pazzi. Mas por causa de uma indisposição de Giuliano, a tentativa teve que ser adiada para o dia seguinte, durante a missa em Santa Maria del Fiore.
Domingo, 26 de abril de 1478
No domingo, o cardeal Riario Sansoni convidou todos para a missa presidida por ele em agradecimento à festa de homenagem da noite anterior, sem suspeitar de nada. Compareceram à missa os Médici e os conspiradores, com exceção de Montesecco, que se recusou a continuar a conspiração em local sagrado. Foram então recrutados às pressas dois padres do local: Stephano da Bagnone e o vigário apostólico Antonio Maffei de Volterra. Com Juliano ainda doente, Bernardo Bandini (o assassino contratado para matá-lo) e Francesco de Pazzi decidiram buscá-lo pessoalmente. No caminho do Palazzo Médici a Santa Maria del Fiore, um dos conspiradores abraçou Giuliano para ver se usava uma cota de malha sob a roupa, mas por causa de uma infecção numa das pernas ele estava sem a habitual camisa sob a roupa, e estava sem seu gentile, o apelido que dava à adaga de guerra, que prendeu na perna ferida. Quando chegaram, a missa já havia começado.
A maioria dos conspiradores foi apanhada pouco depois do ataque e sumariamente executada: incluindo Francesco de Pazzi e Salviatti, que foram enforcados nas janelas do Palazzo della Signoria. Jacopo de Pazzi conseguiu fugir de Florença, mas foi apanhado e levado de volta. Ele foi torturado e depois enforcado nas janelas do Palazzo della Signoria, ao lado do corpo em decomposição de Salviati. Jacopo foi enterrado em Santa Croe, mas o seu corpo foi desenterrado e atirado para uma valeta. Depois, foi arrastado pelas ruas e pendurado na porta do palácio dos Pazzi, onde a sua cabeça em deposição foi usada de forma satírica como aldraba. De seguida, a cabeça foi lançada ao rio Arno, a partir de onde algumas crianças a pescaram e foram pendurá-la a uma árvore, onde a chicotearam. Depois, voltaram a lançá-la ao rio. Apesar de Lourenço ter apelado à população para não exercer justiça sumária, muitos dos conspiradores, assim como muitas pessoas acusadas de serem conspiradores, foram assassinados. Lourenço conseguiu salvar o sobrinho de Sisto IV, o cardinal Raffaele Riario, que estava quase certamente inocente, e ainda dois familiares dos conspiradores. Os principais conspiradores foram perseguidos por toda a Itália. Entre 26 de abril, o dia do ataque, e 20 de outubro de 1478, um total de oito pessoas foram executadas. Bernardo Bandini dei Baroncelli, que tinha conseguido fugir para Constantinopla, foi detido e enviado de volta para Florença pelo sultão. Baroncelli foi enforcado, ainda vestido com trajes turcos, de uma janela do Palazzo del Capitano del Popolo em 29 de dezembro de 1479. Houve ainda mais três execuções em 6 de junho de 1481.


