Cirenaica
Cirenaica é a costa oriental da moderna Líbia, uma referência à cidade mais importante da região na antiguidade, Cirene. Também conhecida como "Pentápole" na antiguidade, era parte da província romana de Creta e Cirenaica durante o período romano e foi posteriormente dividida em duas outras regiões, a "Líbia Pentápole" e a "Líbia Sica". No período islâmico, a região passou a ser denominada Barqa, desta vez uma referência à cidade de Barca.
Geograficamente, a Cirenaica está localizada sobre um formação calcária miocena que se ergue abruptamente a partir do Mar Mediterrâneo e que gradualmente desce até ao nível do mar no interior. Esta formação está dividida em dois blocos. Jabal Acdar ("Montes Verdes") se estende paralelamente à costa a partir do golfo de Sidra seguindo até o golfo de Bomba, alcançando 872 metros de altitude. Não existe na região uma planície costeira contínua e a faixa mais longa começa no recesso do golfo de Sidra, passa por Bengazi e segue até Tolmeita. Dali em diante, com exceção de alguns pontos em Susa e Derna, a costa é toda escarpada. Um alto precipício separa a planície de um platô relativamente plano conhecido como "Planície de Marje", já a 300 metros de altitude. Sobre ele está um outro, a 700 metros, que ostenta os picos mais altos de toda a formação. Jabal Acdar e a costa adjacente fazem parte da ecorregião das Florestas e arbustos mediterrâneos e têm um clima mediterrâneo caracterizado por verões quentes e secos e invernos chuvosos e amenos. A cobertura vegetal da região inclui florestas, bosques, maquis, garrigues, estepes e savanas de carvalho. Os garrigues ocupam as porções não agricultáveis e as encostas da planície costeira, com Sarcopoterium spinosum, juntamente com Asphodelus microcarpus e Artemisia herba-alba, como a espécie predominante. Pequenas áreas de maquis podem ser encontradas nas encostas voltadas para o norte perto do mar e também, já numa área mais ampla, no platô mais baixo. Juniperus phoenicea, Pistacia lentiscus, Quercus coccifera e Ceratonia siliqua são as plantas mais comuns. O platô mais alto inclui áreas de garrigue, duas comunidades de maquis, uma dominada pela Pistacia lentiscus e a outra de arbustos variados dominada pelo endêmico Arbutus pavarii, e florestas de Cupressus sempervirens, Juniperus phoenicea, Olea europaea, Quercus coccifera, Ceratonia siliqua e Pinus halepensis.
Cidades gregas
Durante o período Raméssida (século XIII a.C.), Libu e Meshwesh eram as tribos que viviam na Cirenaica que foram mencionadas nos registros históricos como realizando frequentes incursões no território do Império do Egito. Posteriormente, elas conquistaram o Egito, fundando as dinastias XIX e XXIV. A partir do século VII a.C., a região recebeu diversas colônias gregas. A primeira e mais importante delas foi Cirene, fundada por volta de 631 a.C. por colonos da ilha de Tera (Santorini) que haviam partido depois de um período de carestia. O comandante da missão era Aristóteles e ele adotou o nome líbio de "Battos", que seria depois tomado emprestado pela dinastia que governou a região, os "Bátidas", apesar da inimizade das outras cidades gregas vizinhas.
Província romana
O nome latino Cyrenaica data do século I a.C. e nasceu para designar o território durante o período romano. Embora alguma confusão exista sobre qual exatamente seria a extensão do território herdado de Magas, já em 78 a.C. ele já havia sido organizado como uma das províncias administrativas juntamente com Creta. Em 20 a.C., a região transformou-se numa província senatorial juntamente com o seu vizinho muito mais importante, a África Proconsular. O Egito, por outro lado, tornou-se um domínio imperial sui generis, governado por prefeito do Egito (praefectus Aegypti) em 30 a.C. A reforma de Diocleciano (r. 284–305) de 296 mudou completamente a estrutura administrativa do império. A Cirenaica foi dividida em duas novas províncias, a Líbia Superior ou Líbia Pentápole, que abrangia a Pentápole e tinha Cirene como capital, e a Líbia Inferior ou Líbia Sica, na Marmárica, com capital na cidade portuária de Paretônio, cada uma governada por um modesto presidente. Ambas foram subordinadas inicialmente à Diocese do Oriente, cuja capital estava na distante Antioquia, na Síria romana, e, depois de 370, à Diocese do Egito, na Prefeitura pretoriana do Oriente. A região vizinha da Tripolitânia, para o oeste, a maior entre as várias províncias resultantes da divisão da antiga África Proconsular, tornou-se parte da Diocese da África, que estava na Prefeitura pretoriana da Itália e África. Depois do grande terremoto de 365, a capital mudou-se para Ptolemaida. Depois que o império foi dividido, a Cirenaica (assim como toda a Prefeitura do Oriente) tornou-se parte do Império Romano do Oriente, o futuro Império Bizantino, e fazia fronteira com o Império Romano do Ocidente na divisa com a Tripolitânia.
Domínio árabe e otomano
A Cirenaica foi conquistada pelos árabes muçulmanos durante o reinado do segundo califa, Omar, em 643-644 e passou a ser chamada de "Barca" (Barqah), nome emprestado da nova capital provincial, Barca (ou Barce). Depois que o Califado Omíada ruiu, a região foi essencialmente anexada ao Egito - mesmo mantendo seu antigo nome - primeiro sob os califas fatímidas e depois sob os sultanatos dos aiúbidas e mameluco. Finalmente, a região foi anexada pelo Império Otomano em 1517 e passou a integrar o Vilaiete de Tripolitânia, cujas principais cidades eram Bengasi e Derna.
Domínio italiano
Os italianos ocuparam a Cirenaica durante a Guerra Ítalo-Turca de 1911 e declaram a região um protetorado em 15 de outubro do ano seguinte. Três anos depois, os otomanos cederam a província oficialmente para o Reino da Itália. Em 17 de maio de 1919, a Cirenaica tornou-se uma colônia e, em 25 de outubro de 1920, o governo italiano reconheceu o xeique Idris como líder dos senussos e ele recebeu o status de emir até 1929, quando a decisão foi revogada. Em 1 de janeiro de 1934, as regiões de Tripolitânia, Cirenaica e Fezã foram reunidas na nova colônia da Líbia Italiana. Os fascistas italianos construíram o Arco de Mármore, um arco triunfal imperial, na fronteira entre Cirenaica e Tripolitânia. Ele foi dinamitado na década de 70 já durante o governo de Muammar al-Gaddafi.
Emirado de Cirenaica
Em 1949, Idris as-Senussi, com apoio dos britânicos, proclamou a Cirenaica como um emirado independente, que logo se uniu ao Reino da Líbia quando ele foi criado em 24 de dezembro de 1951.


