Circo Flamínio
O Circo Flamínio, também conhecido como Campo Flamínio, era uma vasta área circular na Roma Antiga, localizada na extremidade sul do Campo de Marte, próxima ao rio Tibre. Delimitado por Caio Flamínio em 221 a.C., este espaço não era apenas uma pequena pista de corridas para jogos específicos, mas também abrigava diversos edifícios e monumentos, desempenhando múltiplos papéis na vida romana.
Pontos-chave
- O Circo Flamínio foi delimitado em 221 a.C. por Caio Flamínio na Roma Antiga.
- Localizado no sul do Campo de Marte, não possuía arquibancadas fixas ou estruturas permanentes.
- Era usado para jogos específicos, como os Jogos Taurianos, e também para mercados e assembleias.
- O espaço abrigava múltiplos templos e monumentos, como o Templo de Apolo e o Pórtico de Otávia.
- No século IV, o Circo Flamínio foi finalmente abandonado, após séculos de uso multifuncional.
Inicialmente, o Circo Flamínio era um circuito de aproximadamente 500 metros de comprimento. Com o tempo, o espaço foi progressivamente ocupado por edifícios e monumentos, transformando-o. Diferente de outros circos, não possuía arquibancadas fixas nem estruturas permanentes delimitando seu perímetro. No início do século III, restava apenas uma pequena praça central de cerca de 300 metros para jogos públicos. A área circundante, conhecida como 'in circo Flaminio', era rica em construções, incluindo o Templo da Piedade, o Templo de Marte e o Templo de Apolo. Por volta de 220 a.C., estimava-se a existência de seis templos no local. Em 15 d.C., estátuas dedicadas ao deificado Augusto foram inauguradas por Caio Norbano Flaco, e o Pórtico de Otávia também se situava ali. A entrada para a praça era marcada por três grandes arcos de mármore em homenagem a Germânico, com registros de suas vitórias militares. A leste, ficava o Teatro de Marcelo.
O Circo Flamínio nunca teve a intenção de competir com o grandioso Circo Máximo, e sua função ia além do mero entretenimento. Diferentemente do Circo Máximo, ele quase certamente não possuía uma pista adequada para corridas de bigas. Os únicos jogos realizados ali eram os Jogos Taurianos, que envolviam corridas de cavalos ao redor de duas metas. Estes jogos, considerados obscuros, eram dedicados aos deuses do mundo subterrâneo (Di Inferi) e estavam intrinsecamente ligados ao local, nunca sendo realizados em outro circo. Embora Estrabão não mencione eventos equestres no Campo Flamínio, Valério Máximo, uma fonte menos confiável, sugere que os Jogos Plebeus também ocorreram lá. Além dos jogos, o espaço era um importante mercado e local para assembleias. Em 9 a.C., Augusto utilizou o local para o 'laudatio' (elogio fúnebre) de Druso. Em 2 a.C., durante as festividades de inauguração do Fórum de Augusto, o Circo Flamínio foi inundado para um espetáculo onde 36 crocodilos foram mortos por gladiadores. No século IV, o local foi finalmente abandonado.


