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Golpe de Estado em Gana em 1966

O golpe de Estado em Gana em 1966 foi um golpe de Estado que culminou na deposição militar do presidente Kwame Nkrumah em 24 de fevereiro de 1966, enquanto ele visitava o Vietname do Norte e a China. O golpe rápido levou ao estabelecimento de um Conselho Nacional de Libertação (CNL) de oito membros, composto por quatro oficiais do exército e quatro da polícia. O CNL dissolveu o Partido da Convenção Popular de Nkrumah e o Parlamento, e suspendeu a constituição.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/10/2026
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Antecedentes e contexto

De 1951 a 1966, Gana foi controlada pelo Partido da Convenção Popular (CPP) e seu fundador, Kwame Nkrumah. Durante a década de 1950, o CPP patrocinou diversos projetos econômicos populares de cunho socialista. Em 1960, o CPP promoveu a nacionalização da economia ganense. Em 1963, com a crescente do preço do cacau e o aquecimento da economia nacional, causou uma forte demanda por itens de consumo, que desaguou em escassez de itens básicos, inflação e especulação de preços. Por outro lado, o Partido atuou como um monólito político, com controle funcional sobre organizações civis poderosas, como o Congresso Sindical do Gana e o Conselho Muçulmano do Gana. Assim, o CPP centralizou o poder político e econômico para buscar uma rápida industrialização sob controle nacional. Entretanto, essa centralização política também restringia aspectos importantes das liberdades individuais, particularmente com a Lei de Detenção Preventiva (de 1958), instrumento que permitia ao primeiro-ministro encarcerar indivíduos por até cinco anos (posteriormente estendido para dez anos em 1959 e indefinidamente em 1962) sem acusação formal ou julgamento. Em 1964, Nkrumah venceu um referendo que tornou o CPP o único partido legal, com ele próprio como presidente vitalício tanto da nação quanto do partido. Esse referendo recebeu duras críticas da oposição política que vivia no exílio, já que a oposição interna era majoritariamente suprimida.

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Golpe

Nkrumah deixou o país em 21 de fevereiro de 1966, para um encontro diplomático com Ho Chi Minh. Ele viajou primeiro para a China. Os Estados Unidos o encorajaram a ir nessa missão diplomática e, de fato, prometeram interromper o bombardeio do Vietname do Norte para garantir sua segurança. Um grupo de 600 soldados estacionados na parte norte do país recebeu ordens para começar a se deslocar para o sul, em direção a Acra, uma distância de 700 km. Para provocar o terror a a ira dos soldados, Emmanuel Kotoka lhes disse que estavam se mobilizando para responder à situação na Rodésia. Quando chegaram a Acra, Kotoka, já acompanhado dos líderes golpistas (Afrifa, Ankrah, Otu, Deku e Harlley), disse aos soldados que Nkrumah estava se reunindo com Ho Chi Minh em preparação para o envio de soldados ganenses para a Guerra do Vietnã. Além disso, mais uma vez afirmaram aos soldados que eles seriam enviados para a Rodésia para lutar contra o governo segregacionista de Ian Smith. Nenhuma das informações era verdadeira.

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Consequências

Imediatamente após o golpe, a ditadura do Conselho Nacional de Libertação (CNL), órgão militar implantado para governar o país, ganhou o apoio de grupos poderosos na sociedade ganesa: chefes locais, intelligentsia e líderes burgueses nigerianos, marfineses, britânicos e estadunidenses, bem como do restante das forças militares e policiais. No entanto, a deposição de Nkrumah mergulhou o país em uma profunda crise socioeconômica, com uma sucessão de oito regimes ditatoriais ou autoritários politicamente instáveis em pouco mais de treze anos (1966-1979). O golpe esfacelou a economia nacional, principalmente a cadeia da produtividade cacaueira, baseada em cooperativas camponesas bastante dependentes de apoio do governo, setor que não se recuperaria aos níveis pré-1966 antes do final da década de 1980. Em pouco menos de um ano, as políticas do governo militar do Conselho Nacional de Libertação (CNL), liderado por Joseph Arthur Ankrah e seus associados, já eram muito mais impopulares que o governo de Nkrumah. A austeridade econômica enfrentou forte oposição da classe trabalhadora, que sofreu com o aumento do desemprego, a redução da renda e a repressão das greves e do sindicalismo.

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