Catacumbas de Roma
As catacumbas de Roma são antigas catacumbas — um conjunto subterrâneo de corredores e abrigos utilizados para sepultamentos — debaixo de Roma, Itália, dos quais pelo menos quarenta ainda existem, alguns deles descobertos apenas nas últimas décadas. Embora sejam famosos por sua história em relação ao cristianismo primitivo, romanos de todas as religiões, juntos ou separados, estão enterrados nelas, com sepultamentos iniciando no século II e resultado principalmente do excesso populacional da cidade e da falta de terras para cemitérios.
Precursores
Os etruscos, como muitos outros povos europeus, costumavam enterrar seus mortos em câmaras subterrâneas. O costume original dos romanos era a cremação, depois da qual as cinzas eram mantidas em vasilhames específicos (urnas, potes ou baús), geralmente num columbário. A partir do século II, o sepultamento (o enterro de restos não cremados) entrou na moda, em túmulos ou sarcófagos, que eram esculpidos quando se podia pagar pelo serviço. Os cristãos também preferiam o enterro por causa da crença da ressurreição corpórea na Segunda Vinda.
Catacumbas cristãs
As primeiras catacumbas de grande porte foram escavadas a partir do século II. Elas eram cavadas através de camadas de tufo, uma macia rocha vulcânica, do lado de fora das muralhas da cidade, uma vez que a lei romana proibia o enterro dentro dos limites da cidade. Anteriormente, o costume pagão era cremar os corpos e apenas cristãos e judeus enterravam-nos. Como a maioria deles na época pertenciam às classes mais baixas ou eram escravos, geralmente não tinham os recursos necessários para comprar terras para enterrar seus mortos. Mais barato era escavar uma rede de túneis, cada vez mais profundos, nas rochas de tufo que existiam nos subúrbios de Roma. No início, estes túneis provavelmente não eram utilizados para os serviços litúrgicos normais, apenas para o enterro e, numa extensão de costumes romanos preexistentes, serviços funerários (memoriais) e celebração do aniversário dos mártires cristãos. Existem cerca de sessenta câmaras funerárias subterrâneas em Roma, construídas ao longo das principais estradas romanas, como a Via Ápia, a Via Ostiense, a Via Labicana, a Via Tiburtina e a Via Nomentana. Os nomes das catacumbas — como a Catacumba de Calisto e a Catacumba de São Sebastião, na Via Ápia — são geralmente referências a importantes mártires enterrados no local. Cerca de 80% das escavações utilizadas para enterros cristãos datam da época posterior às perseguições.
Declínio e redescoberta
Em 380, o cristianismo tornou-se a religião estatal do Império Romano. A princípio, muitos ainda desejavam ser enterrados câmaras próximas de seus mártires preferidos. Porém, a prática foi declinando vagarosamente e os mortos passaram a ser enterrados em cemitérios de igrejas. No século VI, as catacumbas eram utilizadas apenas para os memoriais dos mártires, embora algumas pinturas tenham sido adicionadas em datas tão tardias como o século VII, como o caso da pintura de Santo Estevão na Catacumba de Comodila. Aparentemente, os ostrogodos, vândalos e lombardos que saquearam Roma também violaram as catacumbas, provavelmente em busca de objetos valiosos. No século X, elas estavam praticamente abandonadas e as relíquias mais preciosas foram transferidas para basílicas construídas na superfície para abrigar seus memoriais.
Cerca de quarenta catacumbas foram construídas nos subúrbios de Roma. Estas catacumbas, localizadas na antiga Via Labicana (moderna Via Casilina), fica perto da igreja Santi Marcellino e Pietro ad Duas Lauros. O nome é uma referência a dois mártires cristãos, Marcelino e Pedro, que, segundo a tradição foram enterrados no local, perto do corpo de São Tibúrcio.
Catacumbas de São Calisto
Situada na Via Ápia, estas catacumbas foram construídas depois de 150 e abriga alguns hipogeus cristãos e uma área funerária sob os cuidados da Igreja Católica. Seu nome é uma referência ao diácono Calisto, nomeado pelo papa Zeferino para administrar o cemitério. Quando ele tornou-se papa, Calisto ampliou o complexo, que logo se tornou o cemitério oficial da Igreja de Roma. As arcadas, onde mais de cinquenta mártires e dezesseis pontífices foram enterrados formam parte de um complexo funerário que ocupa mais de quinze hectares e mais de vinte quilômetros de passagens. Perto das Catacumbas de Calisto está a impressionante Catacumbas de Domitila, batizadas em homenagem a Santa Domitila, se estendem por mais de quinze quilômetros de passagens subterrâneas.


