Cassini-Huygens
Cassini-Huygens foi uma missão espacial não-tripulada enviada em missão ao planeta Saturno e seu sistema de luas. Um projeto conjunto da NASA, ESA e ASI, ela consistia em dois elementos principais, o orbitador Cassini e a sonda Huygens. Lançada ao espaço em 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita de Saturno em 1 de julho de 2004 e continuou em operação até 15 de setembro de 2017, estudando o planeta, seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade. Entre as muitas descobertas da missão estão ambientes potencialmente habitáveis nas luas de Saturno, incluindo um oceano de subsuperfície de água em Enceladus.
Dezesseis países europeus integrantes da Agência Espacial Europeia e os Estados Unidos formaram a equipe responsável pela missão Cassini Huygens. A missão foi dirigida pelo Jet Propulsion Laboratory da NASA, nos Estados Unidos, onde o orbitador foi montado. A Huygens foi desenvolvida pelo Centro Europeu de Tecnologia e Pesquisa Espacial, localizado nos Países Baixos. O contratante principal do Centro, a francesa Aérospatiale, hoje Thales Alenia Space, montou a sonda com equipamentos e instrumentos fornecidos por diversos países europeus (as baterias e dois instrumentos científicos foram fornecidos pelos Estados Unidos). A Agência Espacial Italiana (ASI) forneceu ao orbitador Cassini a antena de alta frequência com a incorporação de uma antena de baixa frequência, um radar compacto e leve que também usa a antena de alta frequência e funciona como altímetro e radiômetro, e outros componentes eletrônicos foram fornecidos pelo Centre National d'Études Spatiales, a agência espacial francesa.
A sonda consistia de dois elementos, o orbitador Cassini da NASA, nomeado em homenagem ao astrônomo e matemático franco-italiano Giovanni Domenico Cassini (também conhecido como Jean-Dominique Cassini depois que assumiu cidadania francesa), o descobridor de vários pequenos satélites naturais de Saturno e dos anéis do planeta; e o astrônomo e físico neerlandês Christiaan Huygens, o descobridor do maior satélite de Saturno, Titã, em 1655.
As origens de Cassini-Huygens datam de 1982, quando a European Science Foundation e a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos formaram um grupo de trabalho para futuras cooperações em missões espaciais. Dois cientistas europeus sugeriram o desenvolvimento de uma sonda dupla orbitador de Saturno-aterrissador em Titã como uma possível missão conjunta. Em 1983, o Comitê de Exploração do Sistema Solar da NASA recomendou a mesma missão como projeto central da agência. Entre 1984 e 1985, a NASA e a ESA fizeram estudos conjuntos para uma potencial missão. A ESA continuou seus próprios estudos em 1986 enquanto a astronauta Sally Ride, a primeira mulher norte-americana a ir ao espaço, em seu influente relatório NASA Leadership and America's Future in Space: A Report to the Administrator, de 1987, também examinava e aprovava a missão Cassini. Enquanto o relatório de Ride descrevia uma missão orbitador-aterrissador em Saturno como unicamente americana, em 1988 um dos administradores da NASA, Len Fisk, voltava com a ideia de uma missão conjunta, NASA–ESA. Ele escreveu a seu colega da ESA, Roger Bonnet, sugerindo que a agência europeia escolhesse a Cassini entre as três missões então em estudo, prometendo que a NASA se comprometeria em levar adiante esta missão assim que a ESA o fizesse.
Os principais objetivos da Cassini eram: A sonda Cassini-Huygens foi lançada do Centro Espacial Kennedy em 15 de outubro de 1997, usando o foguete Titan IV-B/Centaur da Força Aérea dos Estados Unidos. O lançamento do veículo foi feito por um foguete de dois estágios, dois motores-foguetão cintados, o estágio Centaur acima, e área para transporte de carga. O sistema de voo completo do sistema Cassini foi composto por um veículo de lançamento e pela sonda. O custo total da missão Cassini-Huygens é de cerca de US$ 3,27 bilhões de dólares, incluindo US$ 1,4 bilhão para o desenvolvimento, US$ 422 milhões para o veículo lançador e US$ 54 milhões para o rastreamento no espaço. Os Estados Unidos contribuíram com grande parte do custo, sendo o restante repartido entre a ESA, que contribuiu com quinhentos milhões de euros, e a agência italiana, que contribuiu com cerca de 150 milhões. A missão principal da espaçonave foi cumprida em 30 de julho de 2008, sendo depois prolongada até junho de 2010 como Missão Cassini Equinox, onde estudou em detalhes o sistema de Saturno durante o Equinócio, que aconteceu em outubro de 2009. Em 3 de fevereiro de 2010 a missão conseguiu nova prorrogação, desta vez de 6½ anos até 2017, a época do solstício de verão no hemisfério norte do planeta (Missão Cassini Solstice). Este prolongamento permite outras 155 órbitas em torno do planeta, 54 sobrevoos de Titã e 11 de Enceladus. Em 2017, um sobrevoo em Titan mudou sua órbita de tal maneira que, em sua maior aproximação de Saturno, passou apenas a 3 mil km acima da superfície nebulosa do planeta gigante, abaixo do limite interno do Anel D, o mais interno dos anéis que circundam Saturno. Esta sequência de órbitas próximas terminou quando um novo encontro com Titã usou a força da gravidade para direcioná-la para dentro da atmosfera do planeta.
A Cassini-Huygens foi originalmente planejada para ser a segunda nave de três eixos estabilizados impulsionada por um GTR da família Mariner Mark II da NASA, uma série de sondas não-tripuladas para exploração do Sistema Solar exterior, em órbitas além de Marte, desenvolvida dos anos 90 a 2010 pelo Jet Propulsion Laboratory. Foi desenvolvida simultaneamente com a Comet Rendezvous Asteroid Flyby (CRAF) mas vários cortes de orçamento federais forçaram a NASA a encerrar o projeto da CRAF para se dedicar apenas ao desenvolvimento da Cassini. Como resultado, a Cassini tornou-se uma nave mais especializada a seu próprio objetivo, cancelando a implementação das séries Mariner Mark II. A espaçonave, que incluía o orbitador Cassini e o aterrissador Huygens, foi a maior e mais complexa sonda interplanetária até então construída. O orbitador tinha uma massa de 2 150 kg e a sonda 350 kg. Com o adaptador ao foguete lançador e 3 132 kg de propelentes no lançamento, ela atingiu uma massa total de 5 600 kg na época. Apenas as duas sondas soviéticas Phobos enviadas a Marte eram mais pesadas que a Cassini até então. Tinha 6,70 m de altura e mais de 4 m de largura.
Instrumentação
A instrumentação da Cassini consistia de um mapeador de RADAR, um sistema de imagem CCD, um espectrómetro de mapeamento visível/infravermelho, um espectrômetro de infravermelhos composto, um analisador de poeira cósmica, uma experiência de ondas de rádio e plasma, um espectrômetro de plasma, um espectrômetro de imagens ultravioleta, um instrumento de imagens de magnetosferas, um magnetômetro, um espectrômetro de massa de íon/neutral. Telemetria para a antena de comunicações assim como outros transmissores especiais (um transmissor S-band e um sistema de frequência dual Ka-band), usados para fazer observações das atmosferas de Titã e Saturno, e para medir os campos de gravidade do planeta e dos seus satélites.
Fonte de alimentação de plutônio
Devido à distância entre Saturno e o Sol, painéis solares não seriam efetivos como fonte de energia para esta sonda espacial. Para gerarem energia suficiente, eles teriam que ser muito grandes e muito pesados. Ao invés disso, a Cassini era alimentada por três geradores termoelétricos de radioisótopos (GTR) que usavam o calor produzido por cerca de 33 kg de plutônio-238 (em forma de dióxido de plutônio) para gerar eletricidade direto via termoelétricos. Os GTR da Cassini tinham o mesmo design daqueles usados nas sondas New Horizons, Galileu e Ulysses e foram desenvolvidos para terem uma vida útil longa. Ao fim da missão em 2017, eles ainda teriam capacidade de produzir 600–700 watts de potência. (Um dos geradores criados para a Missão Cassini-Huygens foi usado para alimentar a espaçonave New Horizons, lançada em direção a Plutão e ao Cinturão de Kuiper, que foi construída e lançada muito depois).
A sonda Huygens
A sonda-aterrissador Huygens foi criada e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), e batizada com o nome do astrônomo descobridor de Titã, Christiaan Huygens. Desacoplada da Cassini e lançada sobre Titã no dia de Natal de 2004, depois de uma viagem de 22 dias no espaço ela entrou na atmosfera do satélite fazendo um exame minucioso das nuvens e pousando na superfície cerca de 11h30 UTC de 14 de janeiro de 2005, no oeste da região escura conhecida como Shangri-La, próximo à área brilhante de Xanadu. A sonda foi criada para descer de paraquedas na atmosfera do satélite e abrir um completo laboratório robótico na superfície. Seu sistema consistia na sonda em si e num equipamento de suporte que permaneceu acoplado ao orbitador Cassini. Este equipamento incluía eletrônica para rastrear a sonda, receber os dados enviados durante a descida e processar a passar estes dados para o computador do orbitador que os enviou à Terra. Com 318 kg de peso e 1,3 m de diâmetro, sua bateria era suficiente para 153 minutos de transmissão, dos quais 2h 27min gastas na descida. Foi o suficiente para enviar dados atmosféricos e a primeira imagem da superfície de um satélite do Sistema Solar exterior. É até hoje o pouso mais distante da Terra já feito por um objeto construído pelo Homem.
Extensão da missão
Em 31 de Maio de 2008 a missão primária foi considerada completa. Em 15 de abril o governo norte-americano destinou mais fundos para uma prorrogação de dois anos de pesquisas, passando a ser chamada Missão Cassini Equinox, pois continuaria operacional durante o equinócio em Saturno. Neste período de dois anos, iniciado em 1 de julho de 2010, a Cassini pôde realizar mais 60 órbitas de Saturno, 21 sobrevoos próximos de Titã, sete de Enceladus, seis de Mimas, sete de Tethys, e um sobre Dione, Rhea e Helene. Em 3 de Março de 2009 foi descoberta uma nova lua de Saturno, Aegaeon. Ao fim do segundo período de operações, em 2 de Fevereiro de 2010 a missão recebeu nova prorrogação, desta vez de cerca de sete anos, agora com o nome de Missão Cassini Solstice, prolongando-se até 2017, coincidindo com a época do solstício de verão no hemisfério norte do planeta. Desde então ela realizou 155 órbitas em Saturno, 55 sobrevoos de Titã e 11 de Enceladus.
Fim da missão
Com o esgotamento do combustível, a missão teve de ser encerrada, e a espaçonave foi colocada em uma trajetória de impacto com o planeta. Em 15 de setembro de 2017, depois de uma órbita a apenas 3 mil km da superfície, a Cassini mergulhou na atmosfera de Saturno a cerca de 10 graus do equador, em uma velocidade aproximada de 34 km por segundo, terminando abrasada e vaporizada, como um meteorito que cai. Se fragmentos sobreviverem ao calor, terminarão comprimidos e inteiramente dissociados pela imensa pressão da atmosfera saturniana. A decisão de destruir o artefato de maneira a não deixar vestígios deve-se à preocupação de evitar uma possível contaminação com material terrestre de alguma das luas, se porventura acabasse se chocando com uma delas. Após 20 anos, quase 300 órbitas e descobertas pioneiras, o contato com a sonda foi definitivamente perdido pouco antes das 5h da PDT em 15 de setembro. Durante a queda a Cassini permaneceu enviando dados para a Terra em tempo real, a fim de utilizar suas valiosas capacidades até o último segundo.
Em 28 de junho de 2004 os cientistas descreveram a medição do período rotacional de Saturno. Uma vez que não existem pontos de referência na superfície que possam ser utilizados para obter este período, foi utilizada a repetição de emissões de rádio. Estes novos dados estão em concordância com os valores obtidos a partir da Terra, e são encarados como um quebra-cabeças para os cientistas. Curiosamente, o período de rotação das ondas de rádio alterou-se desde a sua primeira medição em 1980 pela Voyager 1, aumentando em seis minutos. Embora não seja indicador da rotação global do planeta, é interpretada como consequência do movimento da fonte de emissão de ondas de rádio para uma latitude diferente, na qual a rotação é diferente. Em 21 de julho de 2006, os radares da Cassini obtiveram imagens que pareciam mostrar lagos de hidrocarboneto líquido — como metano e etano — nas latitudes norte do satélite Titã. Esta foi a primeira descoberta da existência de lagos em qualquer corpo celeste fora da Terra. Estes lagos mediriam entre 1 e 100 quilômetros de comprimento. Em 13 de março de 2007, anunciou-se que havia fortes evidências da existência de mares de etano e metano no hemisfério norte do satélite. Um destes lagos teria o tamanho dos Grandes Lagos entre os EUA e o Canadá, na América do Norte. Em 30 de julho de 2008 foi anunciada a descoberta de um grande lago líquido próximo à região polar sul de Titã, com quinze mil km². O lago foi batizado como Ontario Lacus. Em 2012, novos estudos da NASA levantaram a hipótese de que este lago seja mais parecido com um grande deserto de sal ou um grande lamaçal de hidrocarbonetos do que exatamente um lago como conhecemos.
Sobrevoo de Júpiter
A Cassini fez a maior aproximação ao planeta Júpiter a 30 de dezembro de 2000, e efetuou muitas medições científicas. Cerca de 26 mil imagens foram tiradas durante a passagem, que durou longos meses. O melhor retrato global colorido de Júpiter já feito foi produzido, em que as menores caraterísticas têm aproximadamente 60 km de comprimento. Em 6 de março de 2003, uma grande descoberta foi anunciada. Ela consiste na natureza da circulação atmosférica de Júpiter. Os "cinturões" escuros alternam com "zonas" mais claras na atmosfera. Os cientistas há muito tempo consideram que as zonas, com as suas nuvens ténues, sejam áreas em que o ar jorra para cima, levando em conta que muitas nuvens na Terra formam-se onde o ar está subindo. Análises feitas nas fotografias da Cassini, contudo, mostram que células de tempestade individuais nas nuvens brilhantes, demasiado pequenas para serem observadas a partir da Terra, saltam à vista nos cinturões escuros. Segundo Anthony Del Genio, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais em Nova York, "temos uma imagem nítida que sugere que os cinturões sejam áreas de movimento atmosférico em Júpiter, o que implica que a movimentação nas zonas deve ser depressiva".
Faixas espirais
Cassini revelou que as faixas espirais de nuvens penetram muito mais profundamente no planeta do que os cinturões de nuvens de Jupiter, que atingem cerca de 3 mil quilômetros abaixo do topo da atmosfera. As nuvens de Saturno atingem mais de 6 mil quilômetros abaixo da atmosfera planeta.
Teste da Teoria da Relatividade de Einstein
A 10 de Outubro de 2003, a equipe científica da Cassini anunciou os resultados de um teste à Teoria da Relatividade de Albert Einstein, utilizando sinais de rádio da sonda. Os pesquisadores observaram o desvio da frequência nas ondas de rádio para a nave, enquanto os sinais passavam tangentes ao Sol. Segundo a teoria da relatividade, um objeto de grande massa como o Sol afeta o espaço-tempo, curvando-o, e um feixe de ondas de rádio (ou luz) que passe por perto verá o seu comprimento aumentado, devido à curvatura. Esta distância extra irá, consequentemente, atrasar a chegada do sinal; a quantidade do atraso proporciona um teste sensível às previsões da teoria de Einstein. Embora variações da teoria geral estejam previstas nos modelos cosmológicos, não foi encontrada nenhuma nesta experiência. Testes anteriores revelaram um consenso com a previsão teórica com a precisão de um em mil. A experiência da Cassini melhorou-a em cerca de 20 em um milhão, mantendo a consistência com a teoria de Einstein.
Novos satélites naturais de Saturno
Imagens da Cassini descobriram sete novos satélites naturais de Saturno, os três primeiros em junho de 2004. Muito pequenos, foram batizados inicialmente com nomes-códigos de S/2004 S 1, S/2004 S 2 e S/2004 S 5 antes de receberem os nomes definitivos de Methone, Palene e Polideuces no início de 2005. Mais tarde, contudo, verificou-se que Palene já havia sido fotografada pela Voyager 2. Em 1 de maio de 2005, um novo satélite natural foi descoberto na Falha de Keeler (um intervalo existente no Anel A de Saturno), temporariamente designado com S/2005 S 1, até ser batizado como Dafne. O outro único satélite natural existente dentro do sistema de anéis de Saturno é Pan.
Os "fantasmas" perdidos
A Cassini proporcionou uma nova imagem de Saturno em alta definição a 9 de Fevereiro de 2004, que foi divulgada algumas semanas depois. Os cientistas da missão ficaram surpreendidos com a ausência dos "fantasmas" nos anéis de Saturno. Estas estruturas escuras, na secção B do anel, teriam sido descobertas em imagens tiradas pela sonda Voyager em 1981.
Sobrevoo de Febe
Em 11 de junho de 2004 a Cassini teve um encontro com o satélite natural Febe. Esta foi a primeira oportunidade para estudar de perto este satélite natural desde a passagem da Voyager 2. Também foi a única oportunidade da Cassini cruzar com Phoebe devido às órbitas concorrentes de Saturno. As primeiras imagens de perto foram recebidas a 12 de Junho, e os cientistas envolvidos imediatamente se aperceberam das diferenças entre a superfície de Febe e os outros asteroides visitados pela nave. Partes das superfícies craterizadas mostram-se muito brilhantes nestas imagens e acredita-se atualmente que exista uma grande quantidade de gelo no estrato imediatamente inferior à superfície.
A Cassini-Huygens foi uma missão extraordinariamente bem-sucedida tanto em termos tecnológicos como no campo científico, educativo e cultural, superando todas as expectativas. Desde o seu lançamento em 1997, a sonda percorreu cerca de 7,9 bilhões de quilômetros. Reuniu mais de 635 gigabytes de dados científicos e mais de 450 mil imagens. Completou 294 órbitas de Saturno, descobriu seis novas luas, fez 162 voos rasantes às maiores luas e aos anéis do planeta e executou 360 manobras no espaço, com um desempenho qualificado pelos técnicos como praticamente perfeito. Os arrojados objetivos da missão impuseram grandes desafios aos engenheiros e projetistas, que foram obrigados a desenvolver tecnologias e instrumental novos, que mais tarde foram usados em outros projetos científicos. Alguns dos principais avanços ocorreram no desenvolvimento do gerador de energia da Cassini, um dispositivo termoelétrico que usava plutônio, que envolveu milhares de cientistas e técnicos. Neste processo, o trabalho conjunto de equipes internacionais fortaleceu os laços entre a comunidade científica, instituições governamentais e empresas de mais de 25 países. Da mesma forma foram grandes conquistas o desenvolvimento do sistema de navegação da espaçonave, do sistema de pouso da Huygens e seu pouso bem-sucedido, e a própria órbita final estabelecida para a Cassini em torno de Saturno, passando no reduzido espaço entre o planeta e seus anéis, representou uma façanha de cálculo científico e de realização técnica. Também foi importante a descoberta em Encélado de condições essenciais para o aparecimento de vida, o que mudou a perspectiva científica sobre onde procurar indícios de atividade biológica fora da Terra.


