Carolina de Brandemburgo-Ansbach
Guilhermina Carlota Carolina de Brandemburgo-Ansbach foi a esposa do rei Jorge II e Rainha Consorte da Grã-Bretanha e da Irlanda, além de Eleitora Consorte de Hanôver de 1727 até sua morte.
Guilhermina Carlota Carolina nasceu no dia 1 de março de 1683 em Ansbach, filha de João Frederico, Marquês de Brandemburgo-Ansbach, e sua segunda esposa Leonor Edmunda de Saxe-Eisenach. Seu pai era o governante de um dos menores estados do Sacro Império Romano-Germânico; ele morreu de varíola quando Carolina tinha apenas três anos. Ela e seu único irmão Guilherme Frederico deixaram Ansbach com sua mãe, que retornou para sua cidade natal Eisenach. Em 1692, sua mãe foi forçada a entrar em um casamento infeliz com João Jorge IV, Eleitor da Saxônia, e Carolina e Guilherme Frederico se mudaram para Dresden. Leonor Edmunda ficou viúva novamente dois anos depois quando seu marido pegou varíola de uma de suas amantes. Ela acabou morrendo em 1696. Os órfãos voltaram para Ansbach para serem cuidados por seu meio-irmão, Jorge Frederico II. O marquês era jovem e tinha pouco interesse em cuidar de uma menina, assim Carolina se mudou para Lützenburg perto de Berlim, onde ficou aos cuidados de seus novos guardiões, Frederico, Eleitor de Brandemburgo, e sua esposa Sofia Carlota de Hanôver, uma amiga de Leonor Edmunda.
Educação
Frederico e Sofia Carlota se tornaram os monarcas da Prússia em 1701. A rainha consorte era filha da viúva eleitora Sofia de Hanôver e irmã de Jorge I Luís, Eleitor de Hanôver. Ela era famosa por sua inteligência e personalidade forte, com sua corte liberal e sem censura atraindo muitos grandes acadêmicos, incluindo o filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz. Carolina foi exposta a um ambiente intelectual muito diferente de qualquer coisa que tinha vivido antes. Antes de começar sua educação aos cuidados de Sofia Carlota, ela tinha recebido pouca educação formal; sua caligrafia permaneceu ruim por toda a vida. Carolina se desenvolveu em uma acadêmica de considerável habilidade com sua mente ativa. Ela e a rainha desenvolveram um forte relacionamento em que Carolina era tratada como uma filha adotiva; Sofia Carlota afirmou certa vez que Berlim era "um deserto" sem Carolina sempre que ela viajava temporariamente para Ansbach.
Carolina era uma mulher inteligente e atraente, sendo assim muito procurada como noiva. A eleitora Sofia a chamou de "a mais agradável princesa da Germânia". Foi considerada para a mão do arquiduque Carlos da Áustria, candidato ao trono espanhol que mais tarde se tornou imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Carlos fez sua pretensão oficial a Carolina em 1703, com a união sendo encorajada pelo rei Frederico da Prússia. Ela recusou no ano seguinte após algumas considerações por não querer se converter do luteranismo ao catolicismo. Sofia Carlota morreu no início de 1705 ao visitar sua nativa Hanôver. Carolina ficou devastada, escrevendo a Leibniz: "A calamidade me envolveu com o sofrimento e tristeza, e me consola apenas a esperança que logo a seguirei". Jorge Augusto de Hanôver, sobrinho da rainha Sofia Carlota, visitou a corte de Ansbach em junho de 1705 supostamente incógnito para inspecionar Carolina, já que seu pai Jorge I Luís não queria que o filho entrasse em um casamento arranjado sem amor como ele havia feito. Jorge Augusto, sendo o sobrinho de três tios sem filhos, estava sob pressão para se casar e procriar um herdeiro para não colocar em risco a sucessão hanoveriana. Ele tinha ouvido relatos sobre a "beleza incomparável e atributos mentais" de Carolina. Imediatamente se afeiçoou por seu "bom caráter" e um enviado britânico relatou que o príncipe "não pensaria em outra pessoa depois dela". Por sua vez, Carolina não se deixou enganar pelo disfarce de Jorge Augusto e achou o pretendente atraente. Ele era o herdeiro aparente do Eleitorado de Hanôver de seu pai e o terceiro na linha de sucessão do Reino da Grã-Bretanha de sua prima distante a rainha Ana, atrás de sua avó e seu pai.
Jorge Augusto viajou para a Inglaterra em setembro de 1714; Carolina e duas de suas filhas foram em seguida em outubro. Sua viagem pelo mar do Norte de Haia até Margate foi a única viagem marítima que ela realizou na vida. O príncipe Frederico, seu filho mais velho, permaneceu em Hanôver pelo restante do reinado de Jorge I para ser criado por tutores particulares. Com a ascensão de Jorge I em 1714, o marido de Carolina automaticamente se transformou no Duque da Cornualha e Duque de Rothesay. Pouco tempo depois ele foi investido como Príncipe de Gales, assim ela se tornou a Princesa de Gales. Carolina foi a primeira mulher a receber o título ao mesmo tempo que o marido. Ela também foi a primeira Princesa de Gales em mais de duzentos anos, com a última sendo Catarina de Aragão. Já que Jorge I havia repudiado em 1694 sua esposa Sofia Doroteia de Brunsvique-Luneburgo antes de se tornar rei, não havia nenhuma rainha consorte e Carolina era a mulher de mais alto escalão no reino. Ela e Jorge Augusto fizeram muitos esforços para se "anglicanizarem", aprendendo a língua inglesa e adquirindo conhecimentos sobre o povo, política e costumes. Duas cortes separadas e de grandes contrastes se desenvolveram; a do rei tinha cortesãos germânicos e ministros do governo, enquanto a do príncipe atraía nobres ingleses em desgraça com o rei, sendo a última considerada a mais popular entre o povo britânico. A oposição política ao rei centrou-se gradualmente ao redor de Jorge Augusto e Carolina.
Jorge I morreu em 1727 e Jorge Augusto ascendeu ao trono como Jorge II. Carolina se transformou na rainha consorte e foi coroada junto com o marido na Abadia de Westminster em 11 de outubro. Ela se transformou na primeira consorte a ser coroada desde Maria de Módena em 1685. Apesar do novo rei ter chamado Walpole de "desonesto e malandro" sobre os termos da reconciliação com o pai, Carolina aconselhou Jorge II a manter o político como o principal ministro do governo. Walpole comandava uma substancial maioria no parlamento e o rei teve poucas opções além de aceitá-lo ou arriscar uma instabilidade ministerial. O ministro garantiu uma lista civil de pagamentos de até cem mil libras anuais para Carolina e ela recebeu a Casa Somerset e o Chalé de Richmond. O cortesão lorde John Hervey, 2.º Barão Hervey chamou Walpole de "o ministro da rainha" em reconhecimento da relação próxima dos dois. Carolina teve imensa influência política nos dez anos seguintes. Ela persuadiu o rei a adotar políticas em nome de Walpole e persuadiu o ministro contra tomar ações inflamatórias. Carolina havia absorvido as visões liberais de Sofia Carlota, apoiando a clemência para os jacobitas (apoiadores da reivindicação rival Stuart ao trono), liberdade de imprensa e de expressão no parlamento.
Frederico ficou consternado outra vez na metade de 1735 quando Carolina foi nomeada novamente regente enquanto Jorge II estava em Hanôver. O rei e a rainha arranjaram em 1736 o casamento do filho com a princesa Augusta de Saxe-Gota. Pouco depois do casamento, Jorge foi para Hanôver e Carolina assumiu seu papel de "Protetora do Reino". Como regente, ela considerou o indulto do capitão John Porteous, que havia sido condenado por assassinato em Edimburgo. Antes dela poder agir, uma turba invadiu a prisão onde Porteous estava e o matou. Carolina ficou chocada. As ausências do rei no estrangeiro estavam gerando impopularidade e no final de 1736 ele planejou seu retorno, porém seu navio ficou preso pelo mau tempo e houve rumores que ele tinha afundado. Carolina ficou devastada e também revoltada com a insensibilidade de Frederico, que realizou um grande jantar enquanto a ventania soprava. Durante sua regência, o Príncipe de Gales tentou iniciar várias brigas com a mãe, quem ele via como uma substituta útil para irritar o rei. Jorge acabou voltando para a Grã-Bretanha em janeiro de 1737.
A morte de Carolina foi muito lamentada. Os protestantes enalteceram seu exemplo moral, e até mesmo os jacobitas reconheceram sua compaixão e sua intervenção no lado da misericórdia por seus compatriotas. Sua recusa de se converter ao catolicismo para poder se casar com o arquiduque Carlos da Áustria foi usada durante seu tempo de vida para representá-la como uma forte defensora do protestantismo. Ela foi amplamente vista tanto pelo público quanto pela corte como tendo uma grande influência sobre seu marido. As memórias do século XVIII, particularmente as de lorde Hervey, alimentaram ainda mais a percepção que Carolina e Walpole governavam Jorge II. Peter Quennell escreveu que Hervey foi o "crônico desta coalizão notável" e que ela era a "heroína" do lorde. Usando tais fontes, biógrafos dos séculos XIX e XX deram-lhe crédito por estabelecer a Casa de Hanôver na Grã-Bretanha mesmo com a oposição jacobita. R. L. Arkell escreveu, "por sua perspicácia e genialidade, [Carolina] garantiu o enraizamento da própria dinastia na Inglaterra", e W. H. Wilkins diz que sua "personalidade graciosa e digna, seus ideais sublimes e vida pura muito fizeram para compensar a impopularidade de seu marido e sogro, e redimir o início da era jorgiana da grosseria absoluta". Apesar de historiadores modernos tenderem a acreditar que Hervey, Wilkins e Arkell superestimaram sua importância, é provável que Carolina tenha sido uma das consortes mais influentes da história da Grã-Bretanha.
Honras
O Condado de Caroline, Virgínia, Estados Unidos, foi nomeado em sua homenagem ao ser fundado em 1727.
Brasão
Como rainha consorte, Carolina usava o real brasão de armas da Grã-Bretanha de seu marido impalado pelo brasão de seu pai. No lado dexter: esquatrelado, I goles, três leões passant guardant or em pala (pela Inglaterra) empalando or, um leão rampant dentro de um treassure flory-contra-flory goles (pela Escócia); II azure, três flores-de-lis or (pela França); III azure, uma harpa or com cordas argente (pela Irlanda); IV, terciado em pala e em asna (por Hanôver), I goles, dois leões passant guardant or (por Brunsvique), II or, uma semé de corações goles, um leão rampant azure (por Luneburgo), III goles, um cavalo courant argente (por Vestfália); em cima um escudo interior goles com a coroa de Carlos Magno em or (pela dignidade do Arquitesoureiro do Sacro Império Romano-Germânico). No lado sinister: esquatrelado de quinze, I por faixa goles e argente, dentro de uma margem contra-alternada das mesmas cores (por Magdeburgo); II argente, uma águia ostentada sable, coroada or; III or, um grifo segreant goles, coroado; IV e V argente, um grifo segreant goles; VI or, um grifo segreant sable; VII argente, uma águia ostentada sable (por Krosno); VIII por pala argente e goles dentro de uma margem contra-alternada das mesmas cores (por Halberstadt); IX argente, uma águia ostentada sable; X or, um leão rampant sable, coroado, dentro de uma margem goboné argente e goles (por Nuremberga); XI goles, duas chaves em sautor or (por Minden); XII, esquatrelado argente e sable (por Hohenzollern); XIII goles, figura argente; XIV por faixa goles e argente; XV campo todo goles (por direito de regalia); em cima um escudo interior argente, um águia ostentada sable (por Brandemburgo).
Carolina engravidou dez vezes e teve oito filhos. Um deles morreu ainda criança e os outros sete chegaram à idade adulta.


