Alexandra da Dinamarca
Alexandra Carolina Maria Carlota Luísa Júlia foi Rainha Consorte do Reino Unido e dos Domínios Britânicos, e Imperatriz da Índia, de 22 de janeiro de 1901 a 6 de maio de 1910 como esposa do rei-imperador Eduardo VII.
A princesa Alexandra Carolina Maria Carlota Luísa Júlia ou Alix, como a família mais chegada lhe chamava, nasceu no Palácio Amarelo, um palacete citadino do século XVIII localizado ao lado do Palácio de Amalienborg em Copenhaga. O seu pai era o príncipe Cristiano de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e a sua mãe a princesa Luísa de Hesse-Cassel. Apesar de ter sangue real, a sua família vivia uma vida relativamente normal. Não eram muito ricos, o rendimento do seu pai vinha da comissão no exército e era de oitocentas libras por ano e viviam numa casa emprestada pela coroa dinamarquesa. Por vezes o escritor Hans Christian Andersen era convidado ao palácio para ler histórias às crianças antes de elas irem dormir. Em 1848, o rei Cristiano VIII da Dinamarca morreu e o seu único filho, Frederico, subiu ao trono. Frederico não tinha filhos apesar de se ter casado duas vezes, pelo que se assumia que fosse infértil. Iniciou-se então uma crise de sucessão, visto que Frederico reinava tanto na Dinamarca como nos ducados de Eslésvico-Holsácia e estes tinham leis de sucessão distintas. Em Holsácia, a lei sálica impedia que o trono fosse herdado através da linha de sucessão feminina enquanto que na Dinamarca não havia qualquer impedimento nesse sentido. Holsácia, sendo um ducado predominantemente alemão, queria a independência e pediu ajuda à Prússia. Em 1852, as grandes potências convocaram uma conferência em Londres para discutir a sucessão dinamarquesa. Foi assinado um tratado de paz pouco seguro que inclua a garantia de que Cristiano seria o herdeiro de Frederico e que todos os outros membros da família real dinamarquesa que tivessem direitos de sucessão teriam de desistir deles.
A Rainha Vitória e o seu marido, o Príncipe Alberto, estavam à procura de uma noiva para o seu filho e herdeiro, Alberto Eduardo, Príncipe de Gales. Tinham feito uma lista de princesas disponíveis com a ajuda da sua filha, a Princesa Vitória da Prússia, e procuravam a candidata ideal. Alexandra não foi a sua primeira escolha, visto que os dinamarqueses estavam de costas voltadas para os prussianos e por extensão para todos os estados germânicos por causa da questão de Eslésvico-Holsácia e a grande maioria dos parentes da família real britânica eram ou tinham origens germânicas. Contudo, depois de Eduardo ter rejeitado todas as outras candidatas da lista, o casal acabou por decidir que ela era "a única que pode ser escolhida". Em 24 de setembro de 1861, a Princesa Vitória apresentou o seu irmão Eduardo a Alexandra em Speyer, mas só um ano depois, em 9 de setembro de 1862, depois do seu caso com Nellie Clifden e a morte do Príncipe Alberto, é que Eduardo pediu Alexandra em casamento no Castelo Real de Laeken, casa do seu tio-avô Leopoldo I da Bélgica.
Alexandra e Eduardo visitaram a Irlanda em abril de 1868. Depois da doença que a tinha afetado no ano anterior, Alexandra tinha começado a caminhar pouco antes sem a ajuda de duas bengalas e já estava grávida do seu quarto filho. O casal real iniciou uma viagem pela Áustria, o Egito e a Grécia que durou entre 1868 e 1869, incluindo visitas ao seu irmão, o rei Jorge I da Grécia, aos campos de batalha da Crimeia e, só no caso de Alexandra, ao harém de Ismail Paxá. No Império Otomano, a Princesa de Gales tornou-se a primeira mulher a jantar na companhia do sultão Abdulazize. Eduardo e Alexandra fizeram da Casa Sandringham a sua residência principal, tendo a Casa Marlborough como sua residência londrina. Vários biógrafos concordam que o seu casamento foi, em vários aspectos, feliz, mas alguns afirmam que Eduardo não dava tanta atenção à esposa quanto ela gostaria e que isso fez com que, à medida que o tempo passava, os dois se fossem afastando, pelo menos até Eduardo sofrer um ataque de febre tifóide (a doença que se pensa que teria matado o pai) em finais de 1871, que fez com que o casal se reconciliasse. Esta ideia é, no entanto, negada por outros que mostram as frequentes gravidezes de Alexandra e cartas da família como provas de que nunca existiu qualquer zanga grave. Apesar de tudo, Eduardo foi duramente criticado por vários setores da sociedade pela sua aparente falta de interesse quando a esposa estava gravemente doente devido ao ataque de febre reumática. Ao longo de todo o casamento, Eduardo continuou a ter casos amorosos com várias mulheres, entre elas a atriz Lillie Langtry, Daisy Greville, Condessa de Warwick, a humanitária Agnes Keyser e a matriarca de sociedade Alice Keppel. A maioria destes casos amorosos aconteceu com o conhecimento de Alexandra que mais tarde permitira a presença de Alice Keppel no leito de morte do rei. Por seu lado, Alexandra manteve-se fiel ao longo de todo o casamento.
Com a morte da sua sogra, a rainha Vitória, em 1901, Alexandra tornou-se rainha-imperatriz consorte do novo rei. Dois meses depois, o seu filho Jorge e a nora Maria partiram para uma longa viagem por todo o império, deixando os seus três filhos ainda muito novos ao cuidado de Alexandra e Eduardo que adorava os seus netos. Quando Jorge regressou, as preparações para a coroação de Eduardo e da esposa já estavam bem encaminhadas. Contudo, apenas alguns dias antes da data marcada para a cerimónia, em junho de 1902, Eduardo ficou gravemente doente devido a um abcesso no apêndice ou apendicite. Alexandra representou-o numa parada militar e esteve presente nas corridas de cavalo em Ascot sem ele, numa tentativa de evitar alarme público. Eventualmente, a coroação teve de ser adiada e Eduardo foi operado pelo doutor Frederick Treves do Hospital de Londres para retirar o apêndice infectado. Após a sua recuperação, foi coroado juntamente com Alexandra em agosto do mesmo ano, ele pelo Arcebispo da Cantuária, Frederick Temple, e ela pelo Arcebispo de Iorque, William Dalrymple Maclagan.
Rainha Mãe
Alexandra não esteve presente na coroação do filho Jorge V em 1911, visto não ser costume uma rainha coroada estar presente na coroação de outro rei ou rainha, mas mesmo assim continuou com as suas funções públicas, dedicando muito do seu tempo a obras caritativas. Uma dessas obras era a Alexandra Rose Day, onde eram feitas rosas artificiais por pessoas com incapacidades que eram depois vendidas por voluntárias para ajudar hospitais. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi muito criticado o costume de colocar faixas de príncipes estrangeiros a quem tinha sido investida a Ordem da Jarreteira na Capela de St. George, já que os membros alemães da ordem estavam a lutar contra a Grã-Bretanha. Alexandra juntou-se ao coro de críticas, afirmando que era necessário "fazer desaparecer aquelas faixas alemãs desprezíveis." Apesar disso, Alexandra compreendia que as faixas da casa de Hesse deveriam ser mantidas, uma vez que mantinha uma boa relação com seus parentes hessianos, os quais considerava "simplesmente vassalos sob as ordens daquele brutal imperador alemão". Em 17 de setembro de 1916, Alexandra estava em Sandringham quando houve um ataque aéreo de um Zeppelin, mas o destino foi muito mais cruel para outros membros da sua família. Na Rússia, o seu sobrinho Nicolau II foi deposto e, juntamente com a sua esposa e filhos, assassinado pelos revolucionários. A sua irmã Maria foi retirada da Rússia pelo navio de guerra britânico HMS Marlborough em 1919 e viveu em Inglaterra com Alexandra durante algum tempo.
Depois de Alexandra se ter casado com o Príncipe de Gales em 1863, foi construído um novo parque e um Palácio do Povo, uma grande exposição pública de artes numa colina com vista para o norte de Londres que foi rebatizada de Palácio de Alexandra e parque de Alexandra em sua homenagem. O Memorial da Rainha Alexandra de Alfred Gilbert foi inaugurado no Alexandra Rose Day em 8 de junho de 1932, junto a Marlborough Gate, em Londres. Uma ode em sua memória intitulada “So Many True Princesses Who Have Gone”, composta por sir Edward Elgar, com letra do poeta laureado John Masefield, foi cantada durante a inauguração. Alexandra era muito amada pelo povo inglês. Ao contrário do marido e sogra, nunca foi criticada pela imprensa. Com os fundos que ajudou a recolher, foi comprada uma lancha fluvial para transportar os soldados feridos durante a campanha do Sudão, e para criar um navio-hospital chamado The Princess of Wales para transportar os feridos da Segunda Guerra dos Bôeres.
Honras
Em 1901, Alexandra se tornou a primeira mulher desde 1488 a ser feita uma Dama da Jarreteira. Outras honras conferidas a ela incluem Membro de Primeira Classe da Real Ordem de Vitória e Alberto, Dama da Imperial Ordem da Coroa da Índia e Dama da Justiça da Venerável Ordem de São João de Jerusalém.
Brasão
O brasão de armas de Alexandra como rainha consorte era o Brasão real de armas do Reino Unido de seu marido com o brasão de armas da Dinamarca de seu pai, o rei Cristiano IX da Dinamarca. O escudo é encimado pela coroa imperial e apoiado pelo leão da Inglaterra e o homem bárbaro da Dinamarca.


