Sinograma
Os caracteres chineses ou caracteres Han são logogramas utilizados como sistema de escrita do chinês, japonês, coreano e outros idiomas, como por exemplo o dong, foram usados na Coreia do Norte até 1949 e no Vietname até o século XVII. Também denominados sinogramas, as suas origens são remotas, possivelmente anteriores à dinastia Shang, no século XIII a.C., quando aparecem os primeiros registros desta escrita, em ossos de animais. Confúcio, por exemplo, faz referência a existência de um sistema de escrita na China anterior a 2000 a.C. É, contudo, difícil traçar a sua história e a sua origem pertencente ao domínio da mitologia chinesa.
Cada sinograma corresponde, em geral, a um morfema. Uma das suas características é poder ser lido de diferentes formas, pois representa conceitos. Assim, através da escrita, um falante de mandarim pode comunicar com um falante de cantonês, embora os dialectos sejam mutuamente ininteligíveis. Aliás, na China, há uma enorme variedade de dialectos, pelo que a escrita tem sido um símbolo de unidade cultural. A designação da escrita chinesa como pictográfica ou ideográfica foi há muito tempo abandonada, preferindo-se-lhe a expressão escrita logográfica. De fato, pictogramas e ideogramas são símbolos gráficos que representam, respectivamente, algo concreto ou uma ideia. Numa tentativa para melhorar o nível de literacia entre a população, o governo chinês, nas décadas de 1950 e 1960, promoveu a simplificação de muitos caracteres, através de uma diminuição do número de traços. A República Popular da China e Singapura adoptaram os caracteres chineses simplificados, enquanto em Hong Kong, Macau e Taiwan continua-se a utilizar os caracteres tradicionais.
Tradicionalmente os caracteres são divididos em seis categorias diferentes. (六書 liùshū "seis tipos de escrita"). Saliente-se que apenas uma pequena percentagem dos sinogramas cabem dentro das quatro primeiras categorias. O número total de sinogramas é difícil de calcular. O maior dicionário, 康熙字典 Zhonghua Zihai (1994), contém mais de 85.000, se bem que este número seja excessivo, devido à inclusão de variantes raramente usadas e de caracteres obscuros. O dicionário de Kangxi (1761) contém pouco mais de metade disso: 47.000. Todavia, não é preciso conhecer um número sequer aproximado deste: a plena literacia requer apenas o conhecimento de três a quatro mil caracteres e o conhecimento de mil caracteres permite compreender a maior parte das notícias de um jornal.
O sinograma deve caber num quadrado imaginário, independentemente do número de traços por que é constituído. Assim, 日 rì ("sol", "dia") e 月 yuè ("lua", "mês") ocupam o mesmo espaço que o carácter 明míng ("claro, brilhante"), formado por ambos. Nestes casos, é frequente os caracteres sofrerem não só uma diminuição de tamanho mas também uma alteração das suas proporções, como acontece com o carácter citado acima 木, que duplicado forma 林 lín e triplicado, 森. Cada carácter é composto por um determinado número de traços. Estes devem ser escritos não só numa direcção definida (por exemplo, é diferente escrever um traço de baixo para cima ou de cima para baixo) mas também numa determinada ordem. De facto, uma sequência incorrecta é um “erro ortográfico” (V. Alleton). Existem cerca de 30 traços, mas não há conformidade entre os autores quanto ao número dos principais. Por exemplo, o livro Chinois Fondamental (de aprendizagem do chinês) refere sete, mas de acordo com a Wikipédia em língua inglesa (artigo "Stroke (CJK character)").
Ainda que existam outros métodos para a procura e organização dos caracteres nos dicionários, descrevemos apenas o que actualmente é mais comum para o mandarim. De início, poderá talvez parecer complicado, mas com alguma prática (e a memorização dos radicais, se não de todos pelo menos dos mais importantes) consegue-se descobrir rapidamente o que se pretende. Para se encontrar um caráter num dicionário, há três passos fundamentais. Começa-se por identificar o seu radical, consultando-se então o “índice” dos radicais, organizados consoante o número de traços, por ordem crescente, ou seja, os que têm menos traços vêm antes dos com maior número de traços. Esse índice remete-nos para a página onde estão listados o radical e, debaixo deste, os caracteres que o contêm, também eles ordenados de acordo com o número de traços. Finalmente, esta lista remete-nos para a página onde está o carácter em causa (a que podemos chamar o "dicionário propriamente dito"). É frequente estas páginas estarem organizadas de acordo com o som, usando-se nos dicionários da China continental, o pinyin o qual é um sistema de transcrição com base no alfabeto latino.
Em chinês, cada logograma corresponde a uma única sílaba, que por seu lado corresponde a um fonema. Ou seja: um carácter, mesmo que não possa ocorrer isoladamente, tem sempre um significado. Cada carácter pode representar uma palavra ou somente parte dela, dependendo se a palavra é monossilábica ou plurissilábica. Por exemplo, “amigo” é uma palavra dissilábica, pelo que é representada por dois caracteres: 朋友 péngyou. Em chinês há um grande número de homónimos, pois o número de sílabas é bastante limitado <http://lost-theory.org/chinese/phonetics/>. Assim, para desfazer ambiguidades são muito frequentes as palavras compostas por dois morfemas de significado semelhante, como por exemplo em 森林 sēnlín, "floresta" (ver acima). O mesmo acontece com "amigo", 朋友 péngyou: isoladamente tanto 朋péng como 友you significam "amigo".¬ Até a comunicação entre línguas muito distantes pode, em certa medida, tornar-se possível. Veja-se o exemplo do carácter para “montanha”, 山, pronunciado shān em chinês e yama em japonês. No entanto, devido às grandes diferenças estruturais entre as duas línguas (pertencem a famílias sem qualquer relação de parentesco entre si), a compreensão mútua através dos caracteres é muito limitada. Contudo, um carácter pode também representar conceitos diferentes de língua para língua. Por exemplo, 勉強 significa "relutante, fazer com dificuldade" em chinês (miǎn qiǎng; simplif.: 勉強) e "estudar, ajustar" em japonês.


