Caneta
A caneta é um instrumento utilizado para aplicar tinta sobre uma superfície, normalmente de papel, com o objetivo de formar desenhos ou palavras escritas.
A história da escrita comumente descreve a formação e evolução dos diferentes sistemas de escrita elaborados ao longo do tempo pelas mais diversas civilizações e grupos étnicos. Pensar a história da escrita, no entanto, não é possível sem pensar nos tipos de tecnologias desenvolvidos para tornar possível e incrementar a praticidade do ato de escrever.
Caneta de junco (3000 a.C.)
Ao desenvolver a tecnologia de fabricação do papiro, os antigos egípcios encontraram nos troncos de junco que cresciam às margens do rio Nilo o material ideal para construir os primeiros modelos de caneta utilizados no mundo. Sua tecnologia consiste em afilar uma das pontas de um tubo oco de junco ou bambu que servia como corpo da caneta, preenchendo seu interior com tinta. Ao se fazer uma leve pressão sobre o corpo da caneta a tinta flui para o papiro, permitindo o desenho ou escrita. No Antigo Egito a escrita era domínio exclusivo dos escribas, homens que formavam um grupo social distinto dos trabalhadores comuns pelo serviço prestado seja na recolha de impostos para o faraó, seja na escrita de textos sagrados nos templos e monumentos funerários, fazendo uso de paletas de tintas, pincéis e canetas de junco.
Pena (séculos VI a XIX)
Mais leve e flexível que a caneta de junco, a pena foi o instrumento de escrita utilizado por mais tempo no mundo ocidental, do século VI até o XIX. Não se sabe ao certo quando ou por quem as penas de aves começaram a ser utilizadas para a escrita, mas a mais antiga referência ao uso deste instrumento data do século VI, a partir dos escritos do teólogo Isidoro de Sevilha, que foi responsável por Etymologiae, a primeira enciclopédia escrita na cultura ocidental. Da antiguidade tardia ao período medieval, era comum que a maior parte da população da Europa fosse analfabeta, com exceção de clérigos e de alguns membros da mais alta nobreza. Os textos escritos eram fundamentalmente de natureza religiosa, como cópias da Bíblia e de livros de orações que eram reproduzidos manualmente por monges chamados copistas, que produziam nos monastérios livros em pergaminho ricamente decorados com iluminuras. Estes monges escreviam utilizando penas de ganso e de cisne, preferidas em razão de sua compatibilidade com a textura do pergaminho e do papel velino.
Caneta-tinteiro (século XIX)
A invenção da caneta-tinteiro representaria uma revolução na tecnologia da escrita manual. A primeira caneta-tinteiro foi patenteada por Petrache Poenaru, um inventor romeno em 1827. Esta caneta tinha acoplado um pequeno barril de tinta e, portanto, não precisava ser mergulhada na tinta regularmente. Este projeto, no entanto, não chegou a ser aperfeiçoado, e apresentava falhas no fluxo de tinta, o que resultava em ocasiões em que muita ou nenhuma tinta fluía, provocando manchas no papel. Foi em 1884 que o inventor estadunidense Lewis Edson Waterman projetou e patenteou a caneta-tinteiro com três canais para alimentação de tinta. Esta tecnologia garantia um fluxo uniforme de tinta que transformou as canetas em ferramentas mais práticas e portáteis. Ao longo do século XX, este tipo de caneta passaria por muitas transformações, como a incorporação de cartuchos de tinta recarregáveis e/ou descartáveis, além da utilização desde materiais leves e baratos como a madeira e o plástico, até matérias-primas luxuosas como metais nobres e preciosos, aos quais se pode complementar com ornamentação em pedras preciosas e trabalhos de gravação.
Caneta Esferográfica (século XX)
O revisor tipográfico húngaro László Bíró inventou, em 1938, uma caneta que não borrava e cuja tinta não secava no depósito, como fazia a antiga caneta-tinteiro. A caneta só foi patenteada no ano de 1945 pela patente de numero 2,390,636 datada de 11 de dezembro de 1945. Na oficina do jornal em que trabalhava, na cidade de Budapeste, deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. O cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Com a ajuda de seu irmão Georg, que era químico, e do amigo Imre Gellért, um técnico industrial, Biró encontrou a solução. Acondicionou a tinta dentro de um tubo plástico. A tinta, pela força de gravidade, descia para a ponta do tubo. Nessa mesma ponta, ele colocou uma esfera de metal que, ao girar, distribuía a tinta de uma maneira pluriforme pelo papel. A bolinha da ponta da caneta, que passa tinta para o papel, normalmente é de carbeto de tungstênio, metal usado em balas de revólver e 4 vezes mais resistente do que o aço.
A multiplicação das tecnologias de escrita manual acompanharia, no decorrer do século XX, um movimento de ampliação das redes de produção e circulação de mercadorias industrializadas ao redor do globo, bem como a paulatina democratização do acesso à alfabetização e à educação escolar. Atualmente, existem diferentes tipos de caneta que atendem à mais diversas funções de escrita, seja no cotidiano estudantil, seja no âmbito profissional. As canetas esferográficas são as mais populares entre todas. Simples, práticas e úteis, elas são indicadas para praticamente todos os tipos de uso. Essas canetas não costumam ser do tipo recarregável, ou seja, após a tinta acabar é preciso adquirir uma caneta nova. Porém, são as mais acessíveis entre todos os tipos e sua tinta tem boa durabilidade. O destaque do modelo é a esfera na ponta, que pode ser grossa ou fina. As canetas esferográficas estão disponíveis em diversas cores, sendo as mais comuns a azul, a preta, a vermelha e a verde.


