Grão-Canato Ávaro
O Grão-Canato Ávaro foi uma confederação altamente organizada de povos turcos nômades, um grão-canato, fundado pelos ávaros eurasianos no início da Idade Média. Os ávaros, por sua vez, eram uma confederação de tribos eurasianas que emigraram das estepes da Ásia Central. O grão-canato foi fundado na região dos Cárpatos em 567 e perdurou até 804.
Chegada na Europa
Os ávaros chegaram à região ao norte do Cáucaso em 557 e enviaram uma embaixada a Constantinopla, o primeiro contato com o Império Bizantino. Em troca de ouro, eles concordaram em subjugar as "gentes selvagens" em nome dos bizantinos. Eles conquistaram e incorporaram várias tribos nômades nesta época — os protobúlgaros das tribos cutrigures, onogures e utigures e os sabires — e derrotaram os eslavos da tribo dos antas. Já em 562, os ávaros controlavam as estepes ao norte do mar Negro e a região do baixo Danúbio. Quando chegaram aos Bálcãs, os ávaros formavam um grupo heterogêneo de aproximadamente 20 000 cavaleiros e suas famílias. Depois que o imperador bizantino Justiniano I (r. 527–565) os subornou, eles avançaram em direção noroeste, invadindo a Germânia. Porém, os francos interromperam o avanço às margens do rio Elba. Buscando pastos para o seu gado, os ávaros inicialmente exigiram terras ao sul do rio Danúbio (a região onde hoje está a Bulgária), mas os bizantinos se recusaram e utilizaram seus contatos com os goturcos, antigos mestres dos ávaros, para dissuadi-los. Desta forma, os ávaros voltaram sua atenção para a planície dos Cárpatos e para as defesas naturais que ela apresentava. Porém, a região já era ocupada na época pelos gépidas. Em 567, os ávaros assinaram uma aliança com os lombardos, inimigos deles, e, juntos, os dois povos invadiram e destruíram a maior parte do nascente Reino Gépida. Os ávaros então persuadiram os lombardos a se mudarem para a região norte da Itália (onde eles fundariam um reino que duraria dois séculos), a última migração em massa de povos germânicos do Período das Migrações.
580-670:Período inicial
Por volta de 580, o grão-cã Beano I consolidou a supremacia militar dos ávaros sobre os huno-búlgaros, eslavos e germânicos. Quando o Império Bizantino não conseguia pagar tributo ou contratar os mercenários ávaros, eles invadiam as terras imperiais. De acordo com Menandro, Beano comandou um exército de 10 000 cutrigures e saqueou a Dalmácia em 568, efetivamente cortando a ligação por terra entre Constantinopla e o norte da Itália e o ocidente. Em 582, os ávaros capturaram Sirmio, uma importante fortaleza na antiga província romana da Panônia. Quando os bizantinos se recusaram a aumentar os tributos, uma exigência do filho e sucessor de Beano, Beano II, os ávaros avançaram e capturaram também Singiduno e Viminácio, todas cidades às margens do Danúbio e parte das defesas da fronteira da Mésia. Os ávaros, contudo, sofreram alguns reveses durante as campanhas de Maurício nos Bálcãs durante a década de 590. Após terem sido derrotados em seu próprio território, alguns ávaros desertaram para os bizantinos em 602, mas o imperador Maurício (r. 582–602) decidiu que o exército não deveria voltar para casa, como era o costume, e que deveria invernar ao norte do Danúbio. Uma revolta irrompeu e deu aos ávaros um respiro que eles desesperadamente precisavam. A guerra civil que se seguiu incitou a retomada das hostilidades com o Império Sassânida no oriente e, depois de 615, os ávaros novamente estavam livres para atacar os Bálcãs. Eles tentaram uma invasão no norte da Itália em 610 e conseguiram arrancar dos bizantinos pagamentos que chegavam ao total de 200 000 soldos em ouro e mercadorias antes de 626.
670-720: Período intermediário
O cã Cubrato morreu em 665 e foi sucedido pelo cã Beano da Bulgária. Em 670, os cazares haviam destruído a unidade da confederação búlgara, obrigando uma parte dos búlgaros utigures a migrar para o ocidente. A Crônica Iluminada relata 677 como sendo o ano em que o grupo étnico "húngaro" (búlgaros onogures) terem se estabelecido definitivamente na Panônia. Este novo elemento étnico (com seus característicos cabelos presos em rabos-de-cavalo, sabres curvos de corte único e arcos largos e simétricos) é a principal característica do período ávaro-búlgaro (670–720). Um grupo de búlgaros onogures, liderados pelo cã Cuber, derrotou os ávaros em Sírmio e marchou para o sul, se assentando na região da Macedônia. Outro grupo de búlgaros onogures e utigures, liderados pelo cã Asparuque (o pai do cã Tervel), já tinha se estabelecido de forma definitiva nos Bálcãs entre 679 e 681 e fundou o Primeiro Império Búlgaro. Embora o Grão-Canato Ávaro tenha diminuído à metade de seu tamanho original, ele consolidou seu controle sobre as partes centras da região do médio Danúbio e estendeu sua esfera de influência para o ocidente, até a planície vienense. Com a morte de Samo (658), algumas tribos eslavas novamente caíram sob o jugo dos ávaros. Novos centros regionais emergiram, como os de Ozora e Igar (condado de Fehér, na moderna Hungria), e reforçaram a base de poder ávaro. Contudo, a maior parte dos Bálcãs agora estava nas mãos dos eslavos, uma vez que nem os bizantinos e nem os ávaros foram capazes de reafirmar sua posição na região.
720-804: Declínio e colapso
O gradual declínio do poder ávaro acelerou-se para uma destruição total no espaço de uma década. Uma série de campanhas francas na década de 790 lideradas por Carlos Magno terminaram com a conquista do Grão-Canato Ávaro e anexação da maior parte da Panônia, até pelo menos o rio Tisza. A ocupação ávara terminou quando uma força eslavo-croata, liderada pelo príncipe Vojnomir da Croácia Panônica, e apoiada pelos francos, lançou um contra-ataque em 791. A ofensiva foi um sucesso e os ávaros foram expulsos da Croácia Panônica. Carlos Magno conquistou outra grande vitória contra os ávaros em 796. A canção "De Pippini regis Victoria Avarica", que celebra a derrota dos ávaros pelas mãos de Pepino da Itália em 796, ainda existe. Os francos batizaram muitos ávaros e os integraram no Império Franco ([…] (sc. ávaros) autem, qui obediebant fidei et baptismum sunt consecuti […]). Em 804, o Primeiro Império Búlgaro conquistou a Transilvânia, a porção sudeste do território ávaro, e a região sudeste da Panônia até o médio Danúbio e muitos ávaros se tornaram súditos dos búlgaros. Os francos então transformaram as terras ávaras sob seu controle numa marca militar. A metade oriental desta marca foi então concedida ao príncipe eslavo Pribina, que fundou o Principado de Balaton em 840. A outra metade da chamada Awarenmark continuou a existir até 871, quando foi anexada pelas marcas da Caríntia e Oriental.


