Campanha de Galípoli
A Campanha de Galípoli, também conhecida como Batalha dos Dardanelos, teve como palco a península de Galípoli no que é hoje a Turquia ocidental, de 25 de abril de 1915 a 9 de janeiro de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. As Potências Aliadas da Entente tentaram, sem sucesso, forçar o Império Otomano, uma das Potências Centrais, a capitular, assumindo o controle dos estreitos turcos. Pretendiam expor a capital otomana, Constantinopla, ao bombardeio dos navios de guerra aliados e isolá-la da parte asiática do império. Uma derrota do Império Otomano poderia ter levado ao controle irrestrito do Ocidente sobre o Canal de Suez e à abertura dos estreitos de Bósforo e Dardanelos para o abastecimento dos Aliados com destino ao Mar Negro e aos portos de águas quentes da Rússia.
No início de 1915, tentando obter importante vantagem estratégica, o governo britânico autorizou o ataque à península de Galípoli tendo por objetivo final capturar Istambul, capital do Império Otomano, bem como obter uma rota segura para a Rússia através do mar Negro. Em 13 de janeiro o Conselho de Guerra Britânico aprovou os planos para uma operação naval no estreito dos Dardanelos. As defesas do estreito estavam divididas em externas, intermediárias e internas. As defesas externas estavam suscetíveis a bombardeios navais, enquanto as defesas internas se localizavam na parte mais estreita da passagem, perto de Çanakkale. A área era defendida ainda por uma série de dez áreas marítimos minadas, contendo 370 minas. Em 19 de fevereiro de 1915 dois navios britânicos foram enviados para sondar a entrada dos Dardanelos e foram engajados pelas baterias das defesas externas de Kum Kale, o bombardeio foi longo e pesado durante o dia. Em 25 de fevereiro uma nova tentativa foi realizada e, com o abandono dos otomanos das fortificações mais externas, a frota aliada penetrou no estreito e engajou as defesas intermediárias. Equipes de demolição dos Fuzileiros Navais Britânicos atacaram as defesas de Sedd el Bahr e Kum Kale encontrando pouca resistência.
O vice-almirante sir John de Robeck informou Winston Churchill que não seria possível capturar a península de Galípoli sem a ajuda do exército. O general sir Ian Hamilton, comandante da Força Expedicionária do Mediterrâneo aquartelada na ilha grega de Lemnos, participou em 22 de março de uma conferência com o almirante Robeck a bordo do HMS Queen Elizabeth, onde tomaram a decisão de realizar o desembarque anfíbio em larga escala em Galípoli. Líderes do exército grego informaram lorde Horatio Herbert Kitchener, Secretário de Estado da Guerra, que ele precisaria de cerca de 150 000 homens para tomar Galípoli. Kitchener concluiu que somente a metade seria necessária. Enviou a experiente 29.º Divisão Britânica para se juntar às tropas da Austrália, Nova Zelândia e tropas coloniais francesas em Lemnos. Informações chegaram ao comandante do Quinto Exército Otomano, o tenente-general alemão Otto Liman von Sanders, a respeito dos 70 000 homens aliados reunidos na ilha grega. Von Sanders prevendo o ataque iminente, começou a posicionar seus 84 000 homens ao longo da costa onde ele esperava que os planos de invasão tivessem lugar.
Cerca de 480 000 soldados aliados tomaram parte na fracassada Campanha de Galípoli. As tentativas de abrir caminho através da península de Galípoli resultaram infrutíferas, devido às dificuldades do terreno e à obstinada resistência das tropas otomanas. O estreito dos Dardanelos permaneceu fechado para a Tríplice Entente até o final da guerra, dificultando o apoio de Inglaterra e França ao Império Russo. Os britânicos e seus aliados tiveram cerca de 220 000 baixas (43 000 mortos). Houve mais de 33 600 perdas entre as tropas ANZAC (mais de 1/3 de mortos). As tropas coloniais francesas tiveram 47 000 baixas (5 000 mortos). Do outro lado, as baixas otomanas são estimadas atualmente em cerca de 250 000 (65 000 mortos).


