Pesquisa · Mapa mental

Ursula K. Le Guin

Ursula Kroeber Le Guin foi uma escritora estadunidense, mais conhecida por suas obras de ficção especulativa, incluindo os trabalhos de ficção científica ambientados no universo de Hain e a série de fantasia Ciclo de Terramar. Le Guin publicou pela primeira vez em 1959 e sua carreira literária estendeu-se por quase 60 anos, produzindo mais de 20 romances e mais de 100 contos, além de poesias, crítica literária, traduções e literatura infantil. Frequentemente descrita como uma autora de ficção científica, Le Guin também foi chamada de uma "voz importante nas letras americanas". A própria autora disse que preferia ser conhecida como uma "romancista americana".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
01

Biografia

Ursula nasceu em Berkeley, na Califórnia, filha da escritora Theodora Kroeber e do antropólogo Alfred Louis Kroeber. Após terminar um mestrado em francês, Le Guin iniciou estudos para um doutorado, mas os abandonou depois de se casar em 1953 com o historiador Charles Le Guin. Ela começou a escrever em tempo integral no fim dos anos 1950 e atingiu sucesso crítico e comercial com os romances A Wizard of Earthsea (1968) e The Left Hand of Darkness (1969), descritos por Harold Bloom como suas obras-primas. Por este romance, ela ganhou tanto o prêmio Hugo quanto o prêmio Nebula de Melhor Romance, tornando-se a primeira mulher a fazê-lo. Posteriormente, publicou várias obras ambientadas em Terramar, no universo de Hain e no país ficcional de Orsinia; além destes, houve ainda diversos livros infantis e várias antologias. Tanto a antropologia cultural, quanto o taoísmo, o feminismo e os escritos de Carl Jung exerceram uma forte influência na obra de Ursula Le Guin. Muitas de suas histórias usam antropólogos ou observadores culturais como protagonistas e as ideias taoístas sobre equilíbrio foram identificadas em diversos escritos. Com frequência, a autora subvertia os lugares comuns da ficção especulativa, como seu uso de protagonistas de pele escura em Terramar, além de seu uso de dispositivos estruturais ou estilísticos incomuns em livros como na obra experimental Always Coming Home (1985). Temas políticos e sociais, incluindo raça, gênero, sexualidade e transição à vida adulta, se destacam em suas obras. Além disso, também explorou estruturas políticas alternativas em muitas histórias, como na parábola The Ones Who Walk Away from Omelas (1973) e no romance utópico Os Despossuídos (1974). Sua obra exerceu uma influência enorme no campo da ficção especulativa e foi objeto de atenção intensa da crítica. Ela recebeu diversos prêmios, incluindo oito Hugos, seis Nebulas e vinte e dois Locus; em 2003, tornou-se a segunda mulher a ser agraciada com o título de Grand Master da Science Fiction and Fantasy Writers of America. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (EUA) nomeou-a uma "Lenda Viva" em 2000 e, em 2014, ela ganhou a Medalha por Contribuições Distintas às Letras Americanas da National Book Foundation. Le Guin influenciou diversos autores, incluindo Salman Rushdie, David Mitchell, Neil Gaiman e Iain Banks. Após sua morte em 2018, o crítico John Clute escreveu que ela havia "conduzido a ficção científica americana por quase meio século", enquanto Michael Chabon referiu-se a ela como a "maior escrita americana de sua geração".

02

Percurso

Infância

Ursula K. Le Guin nasceu Ursula Kroeber, filha de Alfred Louis Kroeber, um antropólogo na Universidade da Califórnia em Berkeley e de Theodora Kroeber, (nascida Theodora Covel Kracaw), uma psicóloga pós-graduada que, aos 60 anos, passou a dedicar-se à escrita, estabelecendo uma carreira de sucesso como autora. Entre suas obras, está Ishi in Two Worlds (1961), uma biografia sobre Ishi, um indígena americano que se tornou o último membro conhecido da tribo Yahi depois de os outros membros serem mortos por colonizadores brancos. Ursula tinha três irmãos mais velhos: Karl, que se tornou um acadêmico no campo da literatura, Theodore e Clifton A família possuía uma grande coleção de livros e, na juventude, todos os irmãos se interessaram pela leitura. A família Kroeber recebia uma série de visitantes, incluindo acadêmicos conhecidos como Robert Oppenheimer; posteriormente, ela usaria Oppenheimer de modelo para Shevek, o físico protagonista de Os Despossuídos. A família dividia seu tempo entre uma casa de verão no Vale de Napa e uma casa em Berkeley durante o ano acadêmico.

Educação

Ursula Le Guin frequentou a Berkeley High School e em 1951, ela formou-se Bacharel de Artes em Renascença Francesa e Literatura Italiana pelo Radcliffe College onde graduou-se como membro da sociedade de honra Phi Beta Kappa e especializou-se depois em Línguas Latinas e Literatura Medieval e Renascentista. Ela fez sua pós-graduação na Universidade Columbia e, em 1952, tornou-se Mestre de Artes em francês. Logo depois, começou a trabalhar no seu doutoramento e ganhou uma bolsa do Programa Fulbright para continuar seus estudos em Paris, França, de 1953-54.

Casamento e Carreira

Durante essa viagem à França a bordo do transatlântico RMS Queen Mary, Ursula conheceu o historiador Charles Le Guin com quem se casou em Paris em dezembro de 1953. Segundo ela, o casamento sinalizou o fim do doutoramento para ela. Nos primeiros anos de casamento Urusla trabalhou como professora de francês e como secretária até o nascimento de sua filha Elisabeth em 1957. Em 1959, quando sua segunda filha Caroline nasceu, ela mudou-se com sua família para Portland, onde seu filho Theodore nasceu em 1964. Embora ela tenha recebido outras bolsas do Programa Fulbright para viajar a Londres em 1968 e 1975, morou em Portland pelo resto de sua vida.

Morte

Ursula Le Guin morreu em 22 de janeiro de 2018, na sua casa em Portland, aos 88 anos. Seu filho disse que sua saúde estava debilitada havia diversos meses e afirmou que, provavelmente, ela havia tido um ataque cardíaco. Seu funeral aconteceu de maneira reservada em Portland. Um funeral aberto ao público, que incluiu discursos das escritoras Margaret Atwood, Molly Gloss e Walidah Imarisha, foi realizado em Portland em junho de 2018.

Opiniões e ativismo

Penso que tempos difíceis estão chegando quando vamos querer vozes de escritores que possam enxergar alternativas para como vivemos agora e que possam ver através de nossa sociedade acometida pela medo e suas tecnologias obsessivas. Vamos precisar de escritores que possam se lembrar da liberdade. Poetas, visionários – os realistas de uma realidade maior. Ela recusou um Prêmio Nebula por sua história The Diary of the Rose em 1977, em protesto à revogação da filiação de Stanislaw Lem da Science Fiction Writers of America. A escritora atribuiu esta revogação às críticas que Lem fez à ficção científica americana e à disposição do autor em morar no Bloco Socialista; disse, ainda, que se sentiu relutante em aceitar um prêmio "por uma história sobre intolerância política de um grupo que havia acabado de demonstrar intolerância política".

03

Obras

Primeiras obras

O primeiro trabalho publicado por Le Guin foi o poema "Folksong from the Montayna Province" em 1959 e seu primeiro conto publicado foi "An die Musik" em 1961; ambos se passavam em Orsinia, país fictício criado pela autora. Entre 1951 e 1961, ela escreveu cinco romances: todos se passavam em Orsinia e acabaram sendo rejeitados pelas editoras por serem considerados inacessíveis. Parte de sua poesia deste período foi publicada em 1975 no volume Wild Angels. Após longos períodos recebendo rejeições de editoras, Le Guin voltou sua atenção à ficção científica, sabendo que havia um mercado para escrever que poderia, prontamente, ser classificado como tal. Sua primeira publicação profissional foi o conto "April in Paris" em 1962 na revista Fantastic Science Fiction, à qual seguiram-se sete outras histórias nos anos subsequentes na Fantastic ou na Amazing Stories. Entre estas, estavam "The Dowry of Angyar", que apresentou o universo ficcional de Hainish, e "The Rule of Names" e "The Word of Unbinding", que apresentaram o mundo de Terramar. Estas histórias foram, em grande parte, ignoradas pela crítica.

Atenção da crítica

Os próximos dois livros de Le Guin lhe trouxeram uma aclamação súbita e ampla da crítica. A Wizard of Earthsea, lançado em 1968, era um romance de fantasia escrito, a princípio, para adolescentes. Le Guin não planejara escrever para o público jovem, mas o editor da Parnassus Press lhe solicitou que escrevesse um romance direcionado para este grupo, pois ele o via como um mercado com grande potencial. Um bildungsroman ambientado no arquipélago ficcional de Terramar, o livro teve uma recepção positiva tanto nos EUA quanto no Reino Unido. Seu próximo romance, The Left Hand of Darkness, era uma história ambientada no universo de Hain que explorava temas de gênero e sexualidade num planeta ficcional onde humanos não tinham sexo fixo. O livro era o primeiro de Le Guin a tratar de questões feministas, e, de acordo com a estudiosa Donna White, ele "chocou os críticos de ficção científica"; ganhou ambos os prêmios Hugo e Nebula de melhor romance – fazendo de Le Guin a primeira mulher a ganhar estes prêmios – e uma série de outras premiações. O crítico Harold Bloom descreveu A Wizard of Earthsea e The Left Hand of Darkness como as obras-primas de Le Guin. Ela ganhou o prêmio Hugo novamente em 1973 pelo romance Floresta é o Nome do Mundo O livro foi influenciado pela raiva de Le Guin acerca da Guerra do Vietnã e explorava temas de colonialismo e militarismo: Mais tarde, Le Guin o descreveu como "o manifesto político mais explícito" que já fizera numa obra ficcional.

Exploração maior

Le Guin publicou uma série de obras na segunda metade dos anos 1970. Entre estas, está o romance The Eye of the Heron, o qual, de acordo de Le Guin, pode fazer parte do universo de Hain. Ela também publicou Very Far Away from Anywhere Else, um romance realista para adolescentes, bem como a coleção Orsinian Tales e o romance Malafrena em 1976 e 1979 respectivamente. Embora os dois últimos fossem ambientados no país ficcional de Orsinia, o gênero das histórias era ficção realista ao invés de fantasia ou ficção científica. The Language of the Night, uma coleção de ensaios, foi lançada em 1979, e Le Guin publicou também Wild Angels, um volume de poesia, em 1975.

Últimas obras

Após uma longa pausa, Le Guin voltou ao Ciclo de Hainish nos anos 1990 com a publicação de uma série de contos, começando com "The Shobies' Story" em 1990. Estas histórias incluíam "Coming of Age in Karhide" (1995), que explorava a entrada na vida adulta e era ambientado no mesmo planeta de The Left Hand of Darkness. Este conto foi descrito pela acadêmica Sandra Lindow como "tão transgressivamente sexual e tão moralmente corajoso" que Le Guin "não poderia tê-lo escrito nos anos 1960". No mesmo ano, ela publicou o conjunto de quatro histórias Four Ways to Forgiveness e, depois, em 1999, lançou a quinta, "Old Music and the Slave Women". As cinco histórias exploravam os temas de liberdade e rebelião numa sociedade escravocrata. Em 2000, ela publicou The Telling, que seria seu último romance de Hainish, e, no ano seguinte, lançou The Other Wind e Tales from Earthsea, os dois últimos livros da série Earthsea.

04

Estilo e influências

Influências

Depois que aprendi a ler, li de tudo. Li todas as fantasias famosas: Alice no País das Maravilhas, O Vento nos Salgueiros e Kipling. Eu adorava O Livro da Selva. E então, quando fiquei mais velha, encontrei Lord Dunsany. Ele abriu um novo mundo: o mundo da pura fantasia. E [...] Worm Ouroboros. Mais uma vez, pura fantasia. Muito, muito estimulante. E então meu irmão e eu descobrimos a ficção científica quando eu tinha 11 ou 12 anos. Primeiramente Asimov, coisas assim. Mas isso não teve muito efeito em mim. Só quando voltei à ficção científica e descobri Sturgeon, mas especialmente Cordwainer Smith [...] Eu li a história "Alpha Ralpha Boulevard" (de Smith), e isso me fez pensar: "Uau! Essa história é tão linda, e tão estranha, e eu quero fazer algo assim."

Gênero e estilo

Embora Le Guin seja conhecida, primariamente, por suas obras de ficção especulativa, ela também escreveu obras realistas, não-ficção, poesia e diversas outras formas literárias, e, por isso, sua obra é de difícil classificação. Seus escritos receberam a atenção de críticos mainstream, críticos de literatura infantil e críticos de ficção especulativa. A própria Le Guin disse que preferia ser conhecida como uma "romancista americana". Sua transgressão das divisões convencionais de gêneros literários levou à balcanização de sua fortuna crítica, especialmente entre os acadêmicos de literatura infantil e os de ficção especulativa. Comentadores observaram que os romances da série Earthsea, especificamente, receberam menos atenção da crítica por serem considerados livros infantis. A própria autora sentiu-se ofendida com este tratamento dada à literatura infantil, descrevendo-o como "chauvinismo porco de adultos". Em 1976, o acadêmico George Slusser criticou a "tola classificação de publicação que designou a série original como 'literatura infantil'", enquanto, na opinião de Barbara Bucknall, Le Guin "pode ser lida como Tolkien, por crianças de dez anos e por adultos. Estas histórias são atemporais, porque lidam com problemas que enfrentamos em qualquer idade".

05

Temas

Gênero e sexualidade

Gênero e sexualidade são temas importantes em várias obras de Le Guin. The Left Hand of Darkness, publicado em 1969, esteve entre os primeiros livros do gênero agora conhecido como ficção científica feminista e é a mais famosa análise da androgenia na ficção científica. A história se passa no planeta ficcional de Gethen, onde seus habitantes são humanos ambissexuais sem identidade de gênero fixa, que adotam características femininas ou masculinas durante períodos breves de seus ciclos sexuais. O sexo que adotam pode depender do contexto e de relacionamentos. Gethen foi retratada como uma sociedade sem guerra, como resultado da ausência de características de gênero fixas, e, também, sem sexualidade como um fator contínuo em relações sociais. A cultura getheniana foi explorada no romance pelos olhos de um terráqueo, cuja masculinidade se mostra uma barreira à comunicação entre culturas. Fora do Ciclo de Hain, o uso feito por Le Guin de uma protagonista mulher em The Tombs of Atuan, publicado em 1971, foi descrito como uma "exploração significativa da condição feminina".

Desenvolvimento moral

Le Guin explora a transição à vida adulta e, mais amplamente, o desenvolvimento moral em muitas de suas obras. É o caso, especialmente, em seus trabalhos escritos para o público jovem, como as séries Earthsea e Annals of the Western Shore. Le Guin escreveu num ensaio de 1973 que escolheu explorar temas de transição à vida adulta já que estava escrevendo para um público jovem: "tornar-se adulto [...] é um processo que me levou muitos anos; terminei-o, tanto quanto serei capaz de fazê-lo, aos trinta e um; e, assim, é algo que me toca profundamente. E também toca a maioria dos adolescentes. Em verdade, é sua profissão principal." Ela também disse que a fantasia era o meio mais adequado para descrever a transição à vida adulta, porque explorar o subconsciente era difícil usando a linguagem da "vida cotidiana racional".

Sistemas políticos

Sistemas políticos e sociais alternativos são temas recorrentes na obra de Le Guin. Críticos se debruçaram especialmente sobre The Dispossessed e Always Coming Home, embora Le Guin explore temas relacionados em uma série de seus trabalhos, como em "The Ones Who Walk Away From Omelas". The Dispossessed é um romance distópico anarquista, que, de acordo com a autora, foi influenciado por anarquistas pacifistas, como Peter Kropotkin, bem como pela contracultura dos anos 1960 e 1970. Credita-se a Le Guin o "resgate do anarquismo do gueto cultural a que estava relegado", além de ajudar a trazê-lo ao mainstream intelectual. A autora Kathleen Ann Goonan escreveu que a obra de Le Guin confronta o "paradigma da insularidade acerca do sofrimento de pessoas, outros seres vivos e recursos", e explora "alternativas sustentáveis que respeitam a vida".

06

Recepção e legado

Recepção

Le Guin foi rapidamente reconhecida após a publicação de The Left Hand of Darkness em 1969, e, a partir dos anos 1970, ela estava entre o escritores mais conhecidos da área. Seus livros venderam milhões de cópias e foram traduzidos para mais de 40 línguas; vários ainda continuam sendo editados mesmo décadas após sua primeira edição. Sua obra recebem atenção acadêmica intensa; ela foi descrita como sendo a "principal escritora de fantasia e ficção científica" dos anos 1970, a escritora de ficção científica mais frequentemente discutida dos anos 1970, e, ao longo de sua carreira, estudada tão intensivamente quanto Philip K. Dick. Posteriormente em sua carreira, também recebeu reconhecimento de críticos literários do mainstream: em seu obituário, Jo Walton afirmou que Le Guin "era tão boa que o mainstream não podia mais ignorar a ficção científica". De acordo com a acadêmica Donna White, Le Guin era uma "voz importante nas letras americanas", cuja escrita foi tema de vários volumes de crítica literária, mais de duzentos artigos acadêmicos e uma série de dissertações.

Prêmios e reconhecimentos

Le Guin recebeu diversos prêmios anuais por obras individuais. Ela ganhou oito prêmios Hugo, para o qual foi indicada 26 vezes; ganhou seis prêmios Nebula, tendo sido indicada 18 vezes, incluindo quatro prêmios Nebula de Melhor Romance, para o qual foi indicada seis vezes, mais do que qualquer outro escritor. Le Guin recebeu 24 prêmios Locus, que são votados pelos assinantes da Revista Locus, e, desde 2029, está em terceiro lugar no total de vitórias, bem como em segunda por vitórias (depois de Neil Gaiman) por obras de ficção. Seu romances lhe renderam cinco prêmios Locus, quatro Nebulas, dois Hugos e um World Fantasy Award; e, nas categorias de ficção curta de cada um destes prêmios, seus contos também foram agraciados. Em 1973, The Farthest Shore, seu terceiro romance da série Earthsea, ganhou o National Book Award for Young People's Literature, e a autora foi uma finalista em dez premiações dos Mythopoeic Awards: nove na categoria Fantasia e uma na Acadêmica. Em 1997, sua coleção Unlocking the Air and Other Stories (1996) esteve entre os três finalistas do Prêmio Pulitzer de Ficção. Le Guin também ganhou outros prêmios, como três James Tiptree Jr. Awards e três Jupiter Awards. Ela ganhou seu último Hugo um ano após sua morte, pela edição completa da série Earthsea, ilustrada por Charles Vess; o mesmo volume também ganhou um prêmio Locus.

Legado e influência

Le Guin tinha uma influência considerável sobre o campo da ficção especulativa; Jo Walton argumentou que a autora desempenhou um grande papel tanto na ampliação do gênero quanto no auxílio a escritores do campo alcançarem reconhecimento pelo mainstream. Cita-se os livros da série Earthsea como tendo um impacto vasto, inclusive fora do campo da literatura. Atwood considera A Wizard of Earthsea um "manancial" da literatura de fantasia, e escritores modernos creditam o livro pela ideia da "escola de magia", posteriormente tornada famosa pela série de livros Harry Potter, e pela popularização do tropo do rapaz mago, também presente em Harry Potter. Um tema da série Earthsea é a ideia de que nomes têm poder; críticos sugeriram que isto inspirou a ideia do filme A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki.

Adaptações

As obras de Le Guin já foram adaptadas para rádio, filme, televisão e teatro. Seu romance The Lathe of Heaven (1971) foi adaptado duas vezes para o cinema: a primeira em 1979 pela emissora WNET, que contou com a participação da autora; a segunda em 2002 pela A&E. Em 2008, numa entrevista, Le Guin disse que considerava a versão de 1979 como "a única boa adaptação para o cinema" de uma obra sua até então. No início dos anos 1980, Hayao Miyazaki pediu para adaptar Earthsea para o cinema como um filme de animação. Le Guin, que não conhecia a obra de Miyazaki ou animações japonesas, a princípio recusou a oferta, mas, depois, aceitou depois de assistir Meu Amigo Totoro. Os terceiro e quarto livros da série foram usados de base para Contos de Terramar (2006). O filme foi dirigido por Goro Miyazaki, filho de Hayao, o que desapontou Le Guin. A autora elogiou a estética do filme, escrevendo que "muito [do filme] era belo", mas criticou seu senso moral, seu uso de violência física e, especialmente, o uso de um vilão cuja morte forneceu a resolução do filme. em 2004, o Sci Fi Channel adaptou os dois primeiros livros da trilogia para a minissérie Legend of Earthsea. Le Guin a criticou fortemente, dizendo que "não tinha nada a ver com o Earthsea que imaginei", opondo-se ao uso de atores brancos para seus personagens de peles escuras.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando