Guerra das Reuniões
A Guerra das Reuniões (1683–1684) foi um conflito entre o Reino da França, a Espanha dos Habsburgos e o Sacro Império Romano-Germânico, com envolvimento limitado de Gênova. Pode ser vista como uma continuação da Guerra de Devolução (1667–1668) e da Guerra Franco-Holandesa (1672-1678), que foram motivadas pela determinação de Luís XIV de estabelecer fronteiras defensáveis ao longo das fronteiras norte e leste da França.
Nos termos dos tratados de Vestfália em 1648, de Aix-la-Chapelle em 1668 e de Nijmegen em 1678, a França adquiriu territórios na Renânia e ao longo da sua fronteira norte com os Países Baixos Espanhóis. Quando uma cidade mudava de mãos, normalmente incluía o interior econômico ao seu redor, mas os tratados muitas vezes não conseguiam definir os limites dessas regiões dependentes. Embora disposto a negociar aquelas dentro dos Países Baixos Espanhóis em uma base bilateral, Luís considerava as aquisições na Alsácia e na Lorena essenciais para proteger suas fronteiras. Para essas áreas, ele criou as "Câmaras da Reunião" para determinar se a França havia recebido todo o território devido; como os nomeados para as Câmaras eram advogados franceses, o resultado normal era exigir concessões adicionais, mas como geralmente consistiam em pequenas cidades e vilas, elas não tiveram oposição. As exceções foram Estrasburgo e Luxemburgo, ambas permanecendo parte do Sacro Império Romano-Germânico. Embora a França controlasse grande parte da área circundante, a ponte sobre o Reno em Estrasburgo foi usada pelas tropas imperiais para invadir a Alsácia em três ocasiões durante a Guerra Franco-Holandesa. Da mesma forma, Luxemburgo dominou as regiões anexadas dos Países Baixos espanhóis. Luís acreditava que somente a posse desses dois poderia garantir a segurança de seus territórios recém-adquiridos. As tropas imperiais não puderam responder, pois estavam envolvidas na Grande Guerra Turca, a maior ofensiva dos otomanos contra a fronteira oriental do Império.
Depois de deter o avanço otomano em Viena, os Habsburgos puderam voltar suas atenções para o oeste. A Espanha declarou guerra à França em 26 de outubro de 1683 e na noite de 3 para 4 de novembro, um exército sob o comando do Duque de Humières entrou nos Países Baixos espanhóis e cercou Courtrai. Após a rendição em 6 de novembro, ele avançou sobre Diksmuide, que se rendeu sem luta no dia 10. Entre 22 e 26 de dezembro, uma segunda força sob o comando do marechal François de Créquy bombardeou Luxemburgo com 3.000 a 4.000 morteiros, mas com o inverno se aproximando e a cidade se recusando a ceder, ele se retirou. Luís renovou o cerco de Luxemburgo em abril de 1684, auxiliado por seu especialista técnico em guerra de cerco, Sébastien le Prestre de Vauban. Os seus 2.500 defensores renderam-se a 3 de Junho, embora os combates tenham continuado noutros locais até à Trégua de Ratisbona, a 15 de agosto de 1684. A França manteve o território tomado durante a guerra, incluindo Estrasburgo e Luxemburgo, e as ações subsequentes visavam tornar a trégua permanente.
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Embora Luís tenha se recusado a enviar ajuda ao Império e até mesmo enviado emissários secretos para encorajar os otomanos, relatos contemporâneos indicam que seria indecoroso da parte dele continuar lutando contra o Império em sua fronteira ocidental. Assim, Luís concordou com a Trégua de Ratisbona, garantindo 20 anos de paz entre a França e o Império, e pediu ao seu primo, Carlos II da Inglaterra, que arbitrasse as disputadas reivindicações de fronteira.
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A guerra, assim como suas predecessoras continentais imediatas, não conseguiu resolver o conflito latente entre a dinastia francesa Bourbon e os ramos espanhol e austríaco da dinastia de Habsburgo. O breve, mas brutal conflito foi um dos precursores da mais longa Guerra dos Nove Anos.


